sábado, 11 de agosto de 2018

Até quando boa parte da mídia vai chamar terroristas palestinos de ativistas?

Rodrigo Constantino

O pernicioso viés ideológico da mídia mainstream não vem necessariamente em forma de Fake News, ainda que elas também sejam produzidas em grande quantidade pela imprensa. O principal problema é mesmo o uso de eufemismos, a deturpação de conceitos e as malandragens sutis que estampam as diversas chamadas e ajudam a moldar a opinião pública.

Quando grupos de esquerda invadem propriedades privadas ou estudantes socialistas invadem reitorias, por exemplo, os jornalistas falam em “ocupação”. Mas se um grupo de direita entra no Congresso para protestar, aí muda para invasão. Quando um terrorista islâmico comete novo atentado, o sujeito costuma ficar oculto e objetos inanimados, como armas ou caminhões, ganham vida e volição. E por aí vai.

Esse truque é o mais comum e tem feito grande estrago no debate ao longo das últimas décadas. Quando havia só a mídia, sem as redes sociais, não havia uma visão alternativa, e muitos caíam na estratégia desses jornalistas, repetindo sem se dar conta as narrativas esquerdistas. Não mais! A imprensa continua tentando, claro, mas agora há reação, e vemos nas redes sociais várias pessoas apontando para o malabarismo inaceitável desses veículos de comunicação.

O caso mais recente foi o novo ataque do Hamas a Israel. Os terroristas palestinos não vão descansar enquanto Israel não for “varrido do mapa”, destruído. Se isso ainda não aconteceu é por causa da superioridade tecnológica de Israel, que sabe se defender como poucos. Mas a mídia insiste em chamar os terroristas de “ativistas”, o que é um ultraje aos leitores inteligentes.

Vejam a chamada do Estadão:

André Lajst comentou sobre a reportagem: “De acordo com o Estado de São Paulo, terroristas do Hamas, grupo racista radical islâmico que prega a destruição total de Israel e a morte dos judeus, são ‘ativistas’. Daqui a pouco assaltantes serão ‘desfavorecidos’, estupradores serão ‘sujeito sexualmente desorientado’ e assassinos serão ‘pessoas com índice elevado de violência’.

Enquanto a mídia não usar as palavras que identificam criminosos como eles realmente são, o mundo continuará a criar sociedades polarizadas e se afastará cada vez mais da coexistência que eles mesmos dizem defender”.

Ele está certíssimo. Qual o sentido de usar palavras tão mais suaves e inadequadas para se referir a grupos criminosos e terroristas? A quem interessa deturpar tanto os conceitos assim? É medo de ser acusado de “islamofobia”? É covardia ou é simpatia ideológica?

Ao chamar de ativistas terroristas que lançam mísseis em crianças para deliberadamente matá-las, como devemos chamar grupos efetivamente ativistas que fazem protestos pacíficos em nome de uma causa qualquer? As “damas de banco” cubanas são ativistas, e o Hamas também? Vejam a imagem no exato momento em que Israel consegue se defender de um ataque dos “ativistas”:


Fica claro que só o desejo de confundir explica a troca dos termos. É lamentável que o Estadão se preste a isso. Essa mídia que insiste em chamar os terroristas do Hamas de “ativistas” presta um desserviço à verdade. Uma das poucas exceções, justiça seja feita, é a Gazeta do Povo, que chama as coisas por seus nomes, como podemos ver nesse texto publicado em maio deste ano:


A imprensa tem a obrigação moral de ajudar a esclarecer na busca pela verdade. É triste que boa parte dela faça justamente o contrário: ajude a confundir e enganar. Chamar terroristas de “ativistas” não é ser bonzinho ou tolerante, e sim mentiroso e cúmplice dos terroristas. Chamar as coisas por seus nomes verdadeiros é o primeiro passo para um debate sério e o esclarecimento dos fatos. Espero que a imprensa reveja sua tática, pois não é mais possível, no mundo de hoje, enganar todos o tempo todo.
Título, Imagens e Texto: Rodrigo Constantino, Gazeta do Povo, 10-8-2018

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