quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Não me recordo de uma eleição que tenha sido tão fácil quanto essa promete ser

Vitor Grando

Não me recordo de uma eleição que tenha sido tão fácil quanto essa promete ser. Afinal, o provável vencedor é o que menos se ajuda. Seus principais aliados são - olha que paradoxal! - seus principais inimigos.


Bolsonaro ontem comprovou que a capacidade retórica não é mesmo seu forte. Respostas que já deveriam estar na ponta da língua para um arremate incisivo e fatal, como a questão de cotas, ainda são respondidas de modo muito truncado e pouco claro. Houvesse mais segurança, objetividade e dados citados ele poderia inclusive conquistar votos daqueles que lhe são mais avessos.

No entanto, o povo não é idiota e percebe quando alguém está sendo vítima de uma perseguição covarde. É o que a mídia faz com ele quando, por exemplo, vai buscar declarações suas de quando ele tinha 5 (cinco!) anos de idade. Foi o que fizeram os entrevistadores do Roda Viva ontem. Poderíamos trocá-los todos por militantes juvenis do PSOL que as perguntas permaneceriam rigorosamente as mesmas. A pergunta final foi a cereja do bolo para coroar a malícia, a má vontade, a manipulação, o ardil e a vigarice de toda a entrevista: "você sabia que Jesus era refugiado?".

Esse tipo de pergunta serve apenas para mover as paixões de meia dúzia de militantes dos quais os jornalistas fazem parte. São irrelevantes para as demais pessoas de bom senso tanto por se fundamentar numa mentira (Bolsonaro nunca disse que "refugiados são a escória da humanidade") quanto por deixar evidente se tratar de pergunta cuidadosamente construída para assassinar reputações colando nele uma pecha de supostamente insensível aos desfavorecidos.

Este foi outro exemplo de oportunidade perdida. Era momento de Bolsonaro desmascarar a mentira do jornalista, mas foi incapaz de fazê-lo. Bastava-lhe apontar que a acusação repousa numa mentira, o que não lhe exigiria muito. Também não seria difícil contra-atacar demonstrando a incoerência daqueles cujo discurso de aceitação dos refugiados se dá bem longe das consequências sociais e financeiras da chegada abrupta de milhares de refugiados.

As capas de Veja e IstoÉ mais a entrevista de ontem demonstram que os jornalistas não aprenderam nada e provavelmente continuarão a pensar a partir dos interesses de da bolha alienada de que fazem parte. A continuar assim não haverá sequer segundo turno.
Título e Texto: Vitor Grando, Facebook, 31-7-2018

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2 comentários:

  1. Fosse o candidato mais preparado,teria feito " picadinho" dos entrevistadores!
    O nível foi tão fraco ,direcionado de tal forma que até as caricaturas feitas durante a entrevista tinham lado.
    E olha que este parece ser o menos ruim dos candidatos!
    E os entrevistadores que pretendiam ser a " nata" do jornalismo, apelaram
    até para o argumento , covarde , de citar Jesus cristo fora de contexto.
    Pobre Brasil!

    Paizote


    Paizote

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    Respostas
    1. SEM DINHEIRO NEM PENSIONISTA DO AERUS SERIA BOM CANDIDATO.

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