sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Sobre os Bolsominions

Foto: Nilson Bastian
Celso Balau

Tenho notado o seguinte fenômeno em alguns círculos dos quais participo. Muitos eleitores de outros candidatos – os quais eu vou denominar, por falta de um termo melhor, de "centristas", sejam eles tucanos natos, pragmáticos ou mesmo ex-petistas arrependidos, se mostram atônitos com a escolha de pessoas "letradas e inteligentes" – entre as quais arrisco me incluir, com graça, juntamente com os demais Bolsominions que conheço, pelo Bolsonaro para presidente do Brasil.

Tem um cara, "amigo meu de FB", que costuma postar muita coisa razoável e criativa batendo com elegância e humor na esquerda petista e também nos Bolsominions, que outro dia escreveu que TODO eleitor do Bolso é racista, homofóbico, xenofóbico, etc., etc.

Não sei se foi falado algo nessa linha pelos que estão lendo isto, ou mesmo se sutilmente implicaram ou se pensaram isso. Não é relevante se sim ou não. O mais importante é que os "centristas" realmente parecem não entender como é possível pessoas de "bom nível" votarem com convicção no Bolso.

Para a grande maioria dos eleitores do "Mito" (tirando os fanáticos incondicionais, etc.) não é o Bolso que nós estamos escolhendo. Não tem nada a ver com a pessoa em si, o ex-capitão, e deputado por diversos mandatos.

Vocês realmente acham que a maioria dos Minions não sabe que ele tem baixo poder de articulação, que ele não costuma apresentar suas ideias com profundidade, que na parte econômica tem um histórico de até poucos anos atrás de defensor do "estatismo", e que também já fez diversos comentários de baixo tom quando "provocado" por outras partes?

Nós sabemos. E ainda assim escolhemos ele. Por quê? Somos idiotas racistas homofóbicos?

Não. Pelo menos a maioria, não.

O que os centristas parecem não entender é que "não é sobre o candidato. É a mensagem". Ou como falam em uma expressão em inglês "It's not about the guy. It's the message, stupid"

Vi mais cedo uma análise muito bem-feita por um eleitor do Alckmin (amigo querido que deve estar lendo isto) sobre a entrevista do Bolso na Globo News, onde aponta muito bem as aberrações jornalísticas, bem como as fraquezas do candidato. Difícil discordar muito da descrição feita ali, mas fácil de chegar a uma outra conclusão.

Os centristas não cansam de ressaltar que o Alckmin é mais bem preparado. Que tem “track record”. Que administrou com competência por anos e anos o Estado mais rico do país e que no meio da lama econômica deixada pelos petistas ainda conseguiu se manter relativamente próspero. Eu concordo com isso. Mesmo levando em conta que o Estado de São Paulo vem sendo administrado com responsabilidade há muito tempo, não dá para não reconhecer o mérito do G.A.

Da mesma forma, os centristas não se cansam de fazer ao Bolso as mesmas críticas mencionadas por mim aqui acima, ou ainda que ele aprovou apenas poucos projetos em seus diversos mandatos na Câmara, ou que não tem preparo intelectual, etc.

Não discordo muito disso. Porém, vocês seguem comparando candidatos. Alguns estão tratando o país como se fosse uma empresa. Tenho certeza que o Alckmin seria um excelente CEO de uma grande empresa. Do Bolso, não posso dizer o mesmo.

Ainda assim, eu escolho o Bolso para Presidente.

Isso porque, entre os que tem reais chances de chegar lá, ele é o único que realmente chega próximo a me representar.

Eu estou exausto de não poder chamar as coisas pelos seus nomes. Exausto de ouvir que um homem branco, hetero, de classe média alta, é um opressor. Eu não sou opressor, porra!

Se eu pudesse voltar no tempo, eu teria tentado abolir esta aberração - chamada escravidão - séculos antes da Lei Áurea. Infelizmente não posso. Lamento que o ser humano tenha chegado a esse nível de baixeza e falta de compaixão com o próximo, baseado na cor da pele ou etnia.

Porém, não tenho culpa alguma que o passado do Brasil e do mundo tenha sido este. Portanto, não sinto de nenhuma forma que eu tenha algum tipo de dívida racial com ninguém. Como disse o Bolso na GN, eu nunca escravizei ninguém. Não acho correto um negro pobre ter vantagens impostas pelo Estado em relação a um branco pobre. E o fato de eu achar isto, não faz de mim um racista.

Como não quero ver crianças pequenas sendo bombardeadas com conteúdo de sexualidade - homo ou hetero! Isso não faz de mim um homofóbico.

Como também não aguento mais bandidos serem tratados como vítimas da sociedade, e o cidadão de bem, os policiais, as forças armadas, serem todos tratados como vilões.

Como não aguento mais viver em um país onde o Estado gasta 45% do PIB, e ainda assim falha miseravelmente em oferecer um mínimo de serviço decente nas suas três áreas essenciais: segurança, educação e saúde.

Praticamente todos os países emergentes gastam por volta ou pouco mais de 20% do PIB, e muitos deles tem indicadores sociais bem melhores do que os nossos.

Nosso Estado paquidérmico não cabe no nosso país. Nós quebramos. Se passaram 30 anos desde a Constituição de 88, e nós somos lanternas nos testes internacionais de educação, nossa saúde pública é um descalabro, e o Estado falhou completamente em nos prover segurança. Nossas taxas de homicídio são dignas de países em violentas guerras civis. Mesmo a "fortaleza de SP" tem indicadores piores do que o Iraque, por exemplo.

Em resumo, eu estou exausto de aguentar a agenda progressista imposta por décadas e décadas de esquerda e centro-esquerda no poder, e de pagar impostos para sustentar no poder estes iluminados e farsantes travestidos de "justiceiros sociais". Figuras repugnantes, que se arrogam cada vez mais poder e dinheiro sob o pretexto de que vão consertar o injusto sistema do mundo, baseados em critérios revanchistas, rancorosos, que olham pro passado e esquecem do futuro, e que visam consertar “erros” com novos erros, perpetuando a narrativa da opressão de forma que o que conseguem é apenas um país dividido entre “nós e eles”. Ah, e dinheiro e privilégios para eles, os justiceiros sociais.

Acham que eu não quero Justiça social? Sim, eu quero, mas uma que vise a busca incessante de um país seguro, com igualdade de oportunidades para todos.

E para isto, NUNCA, em hipótese alguma, podemos abrir mão do maior bem do ser humano: a liberdade.

E é isto que vem justamente acontecendo no Brasil desde 1988. Em nome da Justiça social, nós viemos constantemente perdendo liberdade ao longo dos anos. Erro crasso histórico do Brasil. Colocar-se a Justiça Social na frente da Liberdade equivale literalmente a colocar a carroça antes dos bois.

Se queremos ter nossa sociedade prosperando, temos de garantir a liberdade de todos, o direito de ir e vir, e o direito a defesa a vida e a propriedade. Os tais dos direitos naturais “negativos”

Essa foi a história de TODOS os países que prosperaram. Sem exceção. Por que aqui os iluminados tucanos petistas e pemedebistas insistiram em fazer diferente?

Chega. Não quero um presidente que represente, melhor do que ninguém, este grupo que está no poder há três décadas. Não quero um gestor bem-preparado que melhore o fracassado e falido modelo atual. Como um bom CEO, tenho certeza que o Alckmin conseguiria "estancar a hemorragia" fiscal com algumas reformas importantes. Mas não quero uma versão "recuperada" desse modelo totalmente quebrado. Quero um novo modelo.

Não esqueçamos. TODA esta agenda progressista implantada com maestria pelo PT, foi iniciada pelo PSDB durante o governo FHC. O Plano Nacional de Direito Humanos 1, documento oficial divulgado em 1996 pelo nosso ex-presidente intelectual - que se considera acima do bem e do mal - descreve de forma "moderada" tudo que depois virou absurdo descarado na terceira versão implantada pelo PT em 2009. Tudo que é inversão de valores proposta pelos progressistas, foi plantada ali. Um saco de maldades, devidamente disfarçadas de "boas intenções"

Chega. Não quero mais o Estado brasileiro e sua gama de progressistas impondo à maioria do país sua visão de mundo, a contragosto da maioria da população. O exemplo mais absurdo que tivemos foi a implantação do estatuto do desarmamento CONTRA a vontade da população - expressa em votação de 2005. Gostemos ou não da decisão popular. O povo quis uma coisa. O governo fez o contrário.

Bolsonaro vai resolver tudo isso? Não sei. Espero que pelo menos uma parte sim. O que eu sei, é que ele é o único que tem CORAGEM de enfrentar estas estruturas podres que sequestraram o poder no Brasil.

É o Único que diz que vai combater a bandidagem de frente. Que vai combater a doutrinação nas escolas. Único que enfrenta a manipulação imposta pela grande mídia com maestria. Que vai buscar mudar o jeito de fazer política ao usar critérios técnicos para nomeações importantes, ao invés do maligno "toma lá dá cá".

É o único que vai realmente buscar reformar a estrutura do Estado, com redução drástica do tamanho do mesmo nas três esferas, em paralelo com a descentralização de poder da União para Estados e Municípios. Arranjo este que deveria naturalmente caracterizar uma República Federativa de verdade, porém que hoje tem Brasília e Brasil quase como em uma relação de colonizador e colônia.

Ele é o único que vai TENTAR adotar o liberalismo na economia sem a vergonha demonstrada em outras ocasiões por tucanos. É o único com HUMILDADE de admitir que estava errado no passado em suas visões estatistas. E que para catalisar esta mudança terá o mais brilhante economista do país no seu time econômico.

Sim, eu sei que o Bolso mesmo entende pouco de economia, e que seu conhecimento na maior parte das áreas é superficial também. Eu sei que o Geraldo é, no papel, mais bem-preparado.

Eu sei também que tem chance de o Bolso não conseguir fazer nada disso.

Porém eu quero o direito de sonhar com um país realmente melhor, e não com uma versão remendada e melhorada do atual.

Centristas, não caiam no mesmo erro da Hillary e de alguns democratas que, em 2016, nos EUA, ao invés de tentarem entender por que os Trumpistas votavam no Trump, resolveram xingá-los de retrógrados e outras coisas terminadas em "ISTAS"

Os candidatos podem ser totalmente diferentes nos dois países. Mas, dois anos atrás, nos EUA, it was "about the message". Agora, em 2018 no Brasil, também é.

O Alckmin pode até ser o cara "certo", mas tem estado na maior parte do tempo na direção errada. O Bolso, pode até ser o cara "errado", mas aponta para a direção correta.

Em 2018, eu quero andar na direção correta, para quem sabe na próxima ter o cara certo na direção certa.

Querer ser liderado por um "ogro" que anda e puxa todos para a frente, ao invés de um competente médico que anda a maior parte do tempo para trás, não faz de mim nem da maioria dos Bolsominions fascistas. Nem racistas. Muito menos homofóbicos. E definitivamente, não nos faz burros.
Título e Texto: Celso Balau, Facebook, 8-8-2018

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