sexta-feira, 5 de outubro de 2018

[Aparecido rasga o verbo] Atitudes

"Meu tempo não parou e eu não vivo apenas por viver...”.
“Atitudes” – Roberto Carlos.

Aparecido Raimundo de Souza

AQUI ESTOU NOVAMENTE: sentado nesta sala imensa de minha casa vazia. Recostado no velho sofá de forro azul, sofá predileto e tão querido, ao lado da escrivaninha onde o notebook nunca fica desligado. Aqui dentro, como lá fora, flutua por sobre minha cabeça, uma calma de lápide. Ainda não escrevi nada. A inspiração parece que saiu para dar um passeio pelo jardim imenso que circunda a construção. Estou bebendo taças de amarguras, acho que a décima, se não perdi as contas. Taças puras de amarguras guardadas e envelhecidas pela saudade. Escancaro, sem sair do lugar, a janela do meu eu interior e me debruço no peitoral de lembranças. Igualmente, por um longo tempo, me quedo a espiar o futuro.

Na verdade, o que mais almejo, nessas horas incertas, esquecer o agora. Preciso urgentemente acreditar que a vida não é só um corredor longo e comprido. E que a morte não passa de uma porta trancada no final dele. Uma passagem sem chave, sem cadeado, uma saída automática, cujo acesso, um dia, me abrira os largos e floridos horizontes para um amanhã menos penoso. Será? Acaso existirá um porvir claro, sem manchas, sem nódoas do outro lado daquela porta? Lugar esse, “o amanhã”, onde acredito piamente, não existam resquícios de dores ou quaisquer outras espécies conhecidas de sofrimentos tenebrosos ou de solidão maçante e indesejável? Às vezes tenho dúvidas! Dúvidas sepulcrais.  

Raciocino em desespero acelerado. Ainda que os floridos horizontes (imagino todos eles num único e cálido olhar) ainda que os floridos horizontes desse “novo chegar” me contemple com seus desprezos, com suas máscaras de escárnio e zombaria, apesar disso, não poderei permitir que minhas ambições, meus sonhos e vontades se percam indecisos, aprisionados na aurora de alguma cruel incerteza. Tenho plena consciência de que existe um fogo selvagem bem aqui dentro do meu coração. Ele não dá labaredas incandescentes, nem tampouco expele algum tipo de fumaça corrompida de poluição. Entretanto, queima. Calcina igual aos outros.

Inflamado, dói demais. Dói terrivelmente. Essa dor ingente se propaga retumbando pelo corpo da minha esperança, como incêndio forte de agonia, um fogaréu que vem de longe, devastando tudo que encontra à frente. O resultado não poderia ser outro, como, aliás, não foi, até agora, senão depois de tudo, essa cinza escura e suja que permanece. Esse borralho é por certo, o retrato vivo de carbonização total de todos os meus dias vividos na face da terra.

A minha existência toda, a cada instante, esperei acordar. Não desdormir simplesmente, e ao reabrir os olhos perceber que nada aconteceu. Queria algo além de voltar do sono. Algo mais óbvio do que reconhecer que não estava alimentado embalde uma paixão recolhida, um sonho desfeito em quimeras, uma esperança fugaz. Tudo por aqui é passageiro, sucinto, rápido e transitório. Dimanado, requeiro sem mais delongas expelir de dentro de meu corpo esses mimos sonhados sem confrangimentos, sem angústias, sem timidez.  

Minhas noites foram frias, aliás, são frias, a ponto de me sentir como um amontoado de pedras esquecidas na calçada descalçada da vida errante e libertina. Não encontro, por mais esforços que empregue a paz de espirito tão sonhadamente... tão sonhadoramente procurada. Talvez seja por essa razão que constantemente me martirize me acabrunhe, me consterne, me suplicie. De igual forma, me acabe apoquentado num canto, mazelado, oprimido, atribulado, vencido, humilhado e pior, sem saída. Ando, procuro, paro, torno a andar, todavia, nada encontro. Nem o Notebook me abre uma ideia para ser explorada. Preciso deglutir o sumo breve de algo novo, intocado, captar no ar, a ternura impulsiva, deter no pensamento as imagens mitigas e transforma-las em palavras. Somente as palavras me libertarão.

Concluo, aturdido, que o azul dos meus vinte anos se misturou com as nuvens cor de chumbo dos meus sessenta e cinco janeiros. Hoje, existe um deserto incomensurável pairando ameaçadoramente sobre minha cabeça. Aqui estou novamente, no mesmo ponto de partida. Estático, inalterado, consolidado. Não posso, bem sei permanecer sentado nessa sala imensa de minha casa vazia. Recostado à vida inteira neste velho canapé azul, confuso, desvairado e sem forças. Mister pular daqui desse acento comprido, com costas e braços deformados, onde abafei tantas lágrimas de tristezas no aconchego terrível de suas almofadas.

Preciso tomar juízo nessa minha cabeça oca e desmiolada. Necessito, bem sei fazer algo além da rotina enervante. Afinal, sou homem feito. Senhorzinho já, quase a abraçar os setenta. Careço, sem mais delongas, fechar a janela do coração. Abandonar essas taças de saudades que me embriagam e me definham o espírito. Deixar de espiar o futuro incerto, o tal do amanhã que nunca chega. Vital reagir. Fundamental não deixar os sonhos morrerem. Necessito viver o agora. Sim o agora que está presente no meu dia a dia.

Urgentemente tomar ciência de que este é o meu mundo. O meu chão. O verdadeiro que me sustenta e apesar dos pesares, ainda sei para onde me leva. Preciso viver. Preciso levantar daqui e viver. Viver intensamente os minutos tão lindos dessa existência divinamente maravilhosa que o CRIADOR soprou na ternura de meus olhos fundos e tristes. Tenho que tomar - e isso é essencial, imprescindível, substancial -, tomar certas atitudes. Atitudes que estão dentro do corpo, vivas, querendo aflorar, implorando para que as veja. Igualmente para que as examine minuciosamente. Para que as sinta congestionando o sangue no seu vai-e-vem dentro de meu corpo.

Um porvir não distante ameaça nascer na minha certeza, e, esse porvir é estar, acima de tudo vivo. VIVO. Bem vivo, notadamente para reencontrar o verdadeiro momento de felicidade, aquela danadinha sapeca da felicidade que perdi quando o bálsamo das flores esquecidas veio derramar sobre mim, a essência cruel de todas as dores existentes na fria face da terra. Chega, pois de taças de saudades. No final do corredor, a porta. A porta para onde? Para um agora coerente, para os braços de um amor que vai chegar cheio de vida e me trazer, de volta, ao que sou. Reagir. Preciso reagir. Quero emergir desse tédio. Entregar os pontos... jamais! O Notebook, de repente, me sorri. Me acena, me chama. Uma fantasia nova me desperta. Preciso levantar daqui e escrever. Escrever é preciso... escrever é o que me faz voar em direção ao... meu hoje. Meu hoje, meu ontem, meu agora, meu amanhã, meu sempre, meu SEMPRE É VOCÊ!
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista. De Sorocaba, interior de São Paulo. 5-10-2018



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30 comentários:

  1. Meu DEUS, que texto extraordinariamente lindo!!!
    E este homem ainda diz estar sem inspiração?

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    1. Meu caro ou minha cara Anônima. Agradeço imensamente ter lido e apreciado meu texto. Simples e sem pretensões, como os demais. Como disse, em vezes anteriores, e sempre é bom repetir, esses pequenos mimos, toca fundo em meu ego. Acredito que no fundo da alma de todo mundo que escreve. Tais iniciativas, incentiva, alimenta a alma e nos mantém vivos. Escritor, ainda que não conhecido, mas visto, lido e aceito, forma a trilogia do sucesso que nos mantém respirando e reiterando cotidianamente, a alegria ínfima de continuarmos vivendo. Vivendo e escrevendo. Saúde, graça e PAZ! Aparecido Raimundo de Souza, 65 anos, jornalista, de Sorocaba, Estado de São Paulo.

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  2. Suas palavras revelam que você está 100% presente e 100% vivo.
    A vida é isto.
    A vida é assim mesmo pra todos, sem exceções.
    E não há motivo algum para tomar antidepressivos ou se jogar pela janela, porque a vida é simples assim, com todas as etapas, sensações e etc.
    Você não está sozinho, e sim maduro.
    Um forte abraço e continue escrevendo porque este seu texto acima somente um gênio conseguiria.
    Obrigada.

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    1. Meu nobre Anônimo das 14.42 hs. Graças a Deus estou 100% presente e 100% vivo. Realmente a vida é isto. Uma balança milimetricamente equilibrada com cem por cento de cada lado. Sem exceções. Não sou adepto de antidepressivos, apenas de um bom vinho para deixar o sangue em profusão, correr solto veias a fora. Apenas uma vez tentei me matar. Abri o gás e abri todas as janelas. De outra feita, me atirei na frente de um carro. Não parti desta para melhor, em face do veículo estar na garagem. Era meu próprio automotor. Desisti da ideia. Morrer, jamais, ainda que precise matar o vizinho. Obrigado pelo elogio; "Você não está sozinho, e sim maduro". Aos 65, embora maduro, ainda não caí do pé. Acredito ser bom de cama. E, de fato, sou. Deito agora e só acordo dia seguinte, ainda assim, se me acordarem aos gritos e aos berros. Que o Pai Maior (GADU -, o Grande Arquiteto do Universo lhe propicie, como a mim, com muitos e muitos janeiros. Gênio? Não. Jamais. Apenas um simples mortal que gosta de contar histórias e troçar da vida. PAZ! Aparecido Raimundo de Souza, 65 anos, jornalista, de Sorocaba, Estado de São Paulo.

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  3. A maturidade permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade, e querer com mais doçura.

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    1. "A maturidade permite olhar com menos ilusões". Consiste em haver reencontrado o ponto de equilíbrio, o ponto "G" da felicidade, a seriedade que tinha o jogo quando ainda não passava de um garoto bobo. Do mesmo modo que a minha amiga Lya Luft, "aceitar com menos sofrimento". O sofrimento é, a meu ver, a escada para a maturidade, ou o trampolim para se alcançar ao pódio. Todos queremos o ponto mais alto, o degrau acima, o topo, o cume, a vitória. "Entender com mais tranquilidade"... Thomas Huxley, além de ter encontrado o admirável mundo novo, lecionava que o segredo da genialidade é carregar o espírito da infância na maturidade. "Querer com mais doçura". Sempre. A doçura é o bálsamo que enleva a alma e faz você acreditar que é eterno. Eu mesmo, acredite, meu caro Anônimo das 14.44 hs... me considero eterno. Aos olhos mansos e cíndios do Deus Maior. Obrigado, de coração, pela sua participação. Fiquei seu fã. Aparecido Raimundo de Souza, 65 anos, jornalista, de Sorocaba, interior de São Paulo.

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  4. por: BEL BORBA
    "Para mim o Natal é uma das festas mais tolas que poderiam existir. Não me incomoda de ser um dia Comercial. Essa não é a pior parte. A pior parte do Natal é que ele é tão sentimentalista e potencializador de problemas. Você pode passar o ano inteiro sozinho, mas se você estiver sozinho no Natal, você fica triste. Você pode ficar na merda o ano inteiro, mas quando você fica na merda no Natal, você quer morrer. As vezes eu faço de conta que o Natal não existe..."

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    1. Minha simpática e adorável amiga Bel Borba. Seja bem vinda. Sempre! Vamos lá. No meu entender, o "Dia das eleições" é como um dia de finados. Um dia tolo, sem cor, sem sabor, onde as pessoas vão às zonas eleitorais por obrigação; outras por serem burras mesmo e pior, por acreditarem em Papai Noel. Meu Papai Noel, a única vez que "Apareceu" em casa, ficou entalado no buraco da chaminé e meu tio Berto (dono da casa), precisou acionar os bombeiros. Com o Natal ganhamos presentes, com as eleições trocamos os ladrões por outros larápios. A pior parte do Natal é saber que ninguém lembrou de você e, se lembrou, esqueceu de comprar o presente. Você pode passar quatro anos sozinho, mas se tiver a lembrança de um Papai Noel enroscado na chaminé, pelo menos fará você sorrir e aliviar as dores da alma. E espantar o cheiro da merda. No "dia das eleições" ou dito de forma mais ígna, do "dia das eleições" você se recordará sempre, pois deixou de ficar com seus filhos e netos para exercer uma cidadania falida, espúria, torta, maledicente, desonesta, fracassada, onde as cartas são marcadas e os juízes eleitorais não passam de figurinhas com caras de Ets de Varginha. Grosso modo, figuras dantescas e borrabotadas. No "dia de Natal" eu me lembro da cara de tio Berto e do Noel enroscado. No "dia das eleições", não me lembro, pois viajo com meus filhos e netos esperando que os Manés e Otários cumpram com a sua "onestidade" através do ato furdônico e maquiavélico direito de votar. Em resumo da ópera, o "Dia de Natal" como o "dia das eleições", não passam de um saco de gatos barulhentos latindo atabalhoadamente, enquanto cachorros sarnentos miam como se estivessem à porta da entrada do inferno. Por isso, eu faço de conta, sempre, aconteça o que acontecer, que nunca vou morrer. Enleado nesse sonho estapafúrdico, eu me sinto feliz e realizado. Que Deus lhe proteja e guarde. Aparecido Raimundo de Souza, 65 anos, jornalista. De Sorocaba, São Paulo.

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  5. Lindo texto Aparecido! Parabéns. Tem momentos na vida que paramos, perdidos no tempo, relembrando o passado, saudades de algo ou um bem querer, que deixou marcas profundamente insuperáveis. Vem aquele cansaço, não do corpo mas dá mente, que nos fazem sentirmos o peso dos anos em nossas vidas. Mas como você mesmo disse nesse texto maravilhoso, que devemos ter atitudes. As nossas atitudes é que nos levam ao um mundo especial em nosso interior, então que tenhamos atitudes para que possamos dar vida ao nosso coraçãozinho que está meio brocoxó. Atitudes sempre e para sempre. Abraços. CARLA

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    1. Carla, gosto de você pois nunca fica carlada. É isso mesmo. Atitudes. Devemos ter atitudes. Aconteça o que acontecer, ATITUDES. As nossas atitudes é que nos levam para frente, que nos coloca para cima, para o alto. O pódio é o melhor lugar para lembrarmos das nossas atitudes, assim como a privada do banheiro da nossa casa, o lugar ideal, o quadrado quentinho para repensarmos com seriedade as nossas merdas cotidianas. Precisamos deixar as merdas de lado. Necessitamos trocar nossos "rostos-cus" por "rostos sãos", por caras novas, beatificadas na santa harmonia com o Celestial que nos contempla lá do infinito em sua infinita sabedoria. Tenha uma boa noite com todos os holofotes da Felicidade voltados iluminando seus caminhos. Tchau. Aparecido Raimundo de Souza, 65 anos, jornalista. De Sorocaba, interior de São Paulo.

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  6. Aparecido.
    Então, algumas vezes vc extrapola , e escreve coisas que qualquer gostaria de ter escrito, mas confesso... Sem não sentir o relatado!
    É como sentir-se morrendo e narrar como se bonito fosse , para que o texto se justifique.
    Um vinho é meu remédio para horas como estas !

    Abs
    Paizote

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    1. Paizote, é sempre um prazer enorme ler os seus comentários. Texto meu sem as suas observações é como ir ao Papa e não ver Roma. Verdade, amigo. Às vezes extrapolo e escrevo coisas que depois, cabeça fria, digo para mim mesmo: "Não fui eu quem escreveu todas essas bobeiras". Todavia, caio na real e percebo que escreví sim, cada palavra, cada vírgula, tropecei em cada erro e em cada palavra que nem sei de qual dicionário saiu. Pois bem. Uma vez, enrodilhado nessa loucura efêmera, me senti, ou melhor, me peguei morto e enterrado escrevendo meus textos como Brás Cubas. Acordei a tempo e coloquei todo o cemitério em polvorosa. Fui expulso. Por conta desse pequeno contratempo, parei no meio do caminho e resolvi me mudar não para Pasárgada. Afinal das contas, poesia não é a minha praia, sem levar em conta que não me relacionaria bem com o Manuel Bandeira. Iria dar muita bandeira. E ele, chateado,furioso, com certeza me mandaria plantar batatas. Sem contar que nunca fui amigo do rei. Resolvi, então, me mudar de mala e cuia para a vila Curuzu. Lá estreitei boas relações com Policarpo Quaresma, que me apresentou ao seu pai, um cidadão muito legal conhecido em toda redondeza como Lima Barreto. Era isso que precisava registrar. Por derradeiro, agradecer, mais uma vez, a sua lisura e a sua paciência em ler minhas crônicas e opinar. Fica na paz, meu amigo. Qualquer dia vamos tomar uma boa taça de vinho. Boa noite. Aparecido Raimundo de Souza, 65 anos, jornalista. De Sorocaba, interior de São Paulo.

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    2. Discordo da afirmação"poesia não é a minha praia"!
      Este texto é totalmente poético, e perdoem-me os demais , mas o melhor texto que eu já li aqui.
      E vou parar de elogiar , pois isto é muito dificil parar mim , mas por veze4s não há como evitar!
      ABS
      Paizote

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    3. Sim. Concordo com você, Paizote.
      Aparecido arrebentou na grandiosidade deste texto!
      Nos deixou boquiabertos. Santa inspiração !

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    4. Comentário ao "Anônimo" de 6 de outubro às 19.49. A minha inspiração é metadeada, ou seja, partida em duas. Sou como aquela ave aprisionada numa gaiola que sabe voar mas não conheceu a magia de poder alçar voo para lugar nenhum. Aparecido Raimundo de Souza, do aeroporto de Viracopos, em Campinas.

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  7. Parabéns, Aparecido!
    Este texto tem uma LUZ e uma VERDADE que nos coloca diante, ou melhor, dentro dele.
    Agradeço a DEUS pela tua inspiração.
    Só te peço que divulgue-o bastante e não deixe que pare por aqui.
    É muito lindo e merece ser visto, apreciado e vivido pelas pessoas.
    Abraços

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    1. Resposta ao "Anônimo" de 06 de outubro das 19.56. Tento divulgar meus textos, mas para um escritor anônimo, embora viva no meio televisivo, entrevistando artistas e escrevendo sobre celebridades, encontro dificuldades para me fazer ser conhecido. Espero, um dia, chegar lá.
      Agradeço pelas palavras carinhosas e incentivadoras. Aparecido Raimundo de Souza, do aeroporto de Viracopos, em Campinas, São Paulo.

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  8. Adorei todo o texto, mas amei especialmente essa frase.
    "Tenho plena consciência de que existe um fogo selvagem bem aqui dentro do meu coração."
    °Larissa

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    1. Larissa. Dentro de todos nós, existe esse fogo selvagem, esse fogo que não se deixa ou não se permite ser apagado. É o fogo fátuo que não dá labaredas, mas queima. Queima como sol escaldante de meio dia.
      Obrigado pela sua participação. Beijos carinhosos. Aparecido Raimundo de Souza, do aeroporto de Viracopos, em Campinas, São Paulo.

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  9. Fé é transcender. É renascer sempre...

    "Levai-me aonde quiserdes, aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira" de:Cecília Meireles

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    1. Minha resposta ao Anônimo de 7 de outubro, às 01:03. Tem uma frase de Cecília Meireles que está no pórtico de todos os meus livros publicados até hoje. Ei-la:
      “Antes de julgar a minha vida ou o meu caráter,
      calce os meus sapatos e percorra o caminho que eu percorri,
      viva as minhas tristezas, as minhas dúvidas
      e as minhas alegrias. Percorra os anos que eu percorri,
      tropece onde eu tropecei e levante-se assim como eu fiz”. Acredito que esta frase, de certa forma, bem resume o se deixar ser cortado e logo depois, voltar inteiro e continuar a luta. Não há vitórias sem pelejas.
      Aparecido Raimundo de Souza, do aeroporto de Viracopos, em Campinas, São Paulo.


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  10. Os girassóis espelham muito o significado da existência. Eles acompanham a LUZ, do nascer ao por do sol. Durante a noite movimentam-se para o Leste, para aguardar o nascer da LUZ do sol novamente. Em dias nublados eles se viram uns para os outros buscando a energia em cada um. Não ficam murchinhos, nem de cabeça baixa...olham uns para os outros... erguidos, lindos. É esta força que eu desejo à você Aparecido, ao Jim, ao Paizote e a todos os seguidores deste BLOG.

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    1. Os girassóis são flores que estão sempre em busca de vida. Eu me sinto um desses girassóis. Nada melhor para falar deles (ou melhor, cantar), que a minha jovem e linda amiga Kell Smith, cantora brilhante que tive o prazer de entrevistar, ontem a tarde, nas dependências da Rádio FM Lider, em Sorocaba.

      https://www.youtube.com/watch?v=RFumHZYUigw

      Aparecido Raimundo de Souza, do aeroporto de Viracopos em Campinas, São Paulo.

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  11. Boa noite Paizote
    De novo, seja bem vindo.
    Agradeço mais uma vez por voltar e comentar. Quando disse que "poesia não é a minha praia" sinalizei que não sou muito bom em escrever poesias. Tenho alguns trabalhos publicados, em livros, algumas poesias no You tube, mas confesso, não me sinto muito a vontade, como nas crônicas. Veja, por exemplo, se me permite o Jim, divulgar aqui alguns links que estão na rede com trabalhos meus.

    https://www.youtube.com/watch?v=ncgfkXyUko4

    https://www.youtube.com/watch?v=84LtqIo1AqY

    https://www.youtube.com/watch?v=XF2Squgk_2Y

    No meu entender, eu disse o que queria, contudo, faltou algo, faltou o principal. O que não acontece com as crônicas. Sei que falo muito, mas no fim, acho que dou o recado como realmente objetivava. No mais, agradecer ter visto no texto "Atitudes" alguma coisa de poético. Seu coração é que é grandioso demais. Aparecido Raimundo de Souza, do aeroporto de Viracopos, Campinas São Paulo.

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  12. Como eu gostaria de ser sentimentalista, de sentir saudades.
    Leio aos cântaros, para tentar entender meus cinco sentidos, mas apenas consigo ver que sou nada mais que um ser virtual.
    Por mais que tento não consigo fugir da realidade.
    FICAR VELHO É UMA MERDA, mas fujo da segunda opção tanto quanto posso.
    Mudar, como canta Vanusa é jogar fora sentimentos e ressentimentos tolos.
    Fazer limpeza no armário da vida.
    A natureza brota em qualquer lugar, basta saber olhar. Aquele pelotão de formigas enfileiradas roubando nosso jardim, que teimamos em destruir, é milagre da natureza. Os jardins são seus deleites.
    O girassol é tão maravilhoso quantos as rosas, Margaridas e onze-horas.
    Quantas "daisies" queríamos na juventude.
    A existência não precisa de significados além do fato.
    EXISTIR é um fato.
    FÉ não é renascer é apenas muletas.
    Não há portas para abrir-se,no fim do túnel, só a luz da locomotiva que nos atropelará.
    Lindo o texto, gosto das mensagens, apenas gradam meus neurônios e ego, queria se sentimental como vocês, mas não consigo.
    FUI...

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    1. P.S. Escrevi "GRADAM" do verbo GRADAR, que significa passar a grade sobre o solo para aplanar a superfície ou para afofar meu ego e neurônios.

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    2. Reconhecer as bênçãos que lhe foram ofertadas desde o teu nascimento... em relação aos demais que sequer tiveram as mesmas chances. Talvez um pouco de humildade ajude. Senão, um profissional poderia ajudar-te. Entenda que o ódio é um copo de veneno por dia, veneno este que você mesmo fabrica. Boa sorte!

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    3. Minha resposta a Vanderlei rocha. 07.10.2018. 10:51.

      Meu caro amigo Vanderlei Rocha. Boa noite. Para início de conversa, devo lhe dizer que somos todos sentimentalistas natos. Sentimos saudades, mas não damos o braço a torcer. É como chorar. Não choramos porque fomos criados numa educação truncada, engessada, que não admitia homem chorar. “Homem que chora não é homem” – esbravejava meu pai Roberto.

      Quando morreu meu avô João (pai de meu pai), na hora do caixão baixar à sepultura ele desabou em pranto sentido. Nunca, até esse dia, me lembro de ter visto papai chorar. Hoje acredito que ele é um sentimentalista encoberto, dissimulado, como diz a galera jovem, enrustido. Sente saudades, tristezas, sente alegrias e se curva diante das intempéries da vida. Chora pelos cantos, quando não há público para lhe fazer chacotas depois.

      O amigo lê a cântaros. Eu também leio muito. Tenho uma biblioteca razoável, hoje em torno de 6.500 livros segundo a Carina, minha efusiva e cálida secretária. Embora me dedique muito a ler, não sou um bom escritor. Finjo que escrevo bem e engano meus sentidos. Não me considero um ser virtual, todavia, de carne e osso. Mais osso que carne. Fujo da realidade sempre. Ler é fugir da realidade. Escrever é fugir da realidade. Sonhar, então...

      Concordo que ficar velho é uma merda. Aos poucos, com o passar dos anos, vamos adquirindo certos contratempos idiotas, como esquecer as pessoas, seus rostos, onde se deixou a chave do carro, o aniversario dos filhos, dos netos, das ex. Meu caso é mais complicado. Tive uma enxurrada de ex. Só me lembro de uma, em especial, e, mesmo assim, porque me jogou na justiça pelo fato de não ter pago amistosamente as prestações alimentícias de uma de minhas filhas. Ficar velho é mais que uma merda. Um cagalhão.

      Dias atrás, por esquecimento, guardei a dentadura no forno de micro-ondas. Pior foi lavar os pés na água da bacia da privada e enxugar o traseiro no pano de pratos. De vez em quando, se faz necessário fazer uma limpeza em regra no armário da vida. Mas um aviso. Cuidado. Não caia no meu erro. Limpei o meu armário com tanto esmero, que até agora não achei o meu neto de número 4, o João Eduardo. A natureza brota em qualquer lugar. Ponto pacífico. Basta saber olhar. Não só olhar com os olhos físicos, mas com os da alma também. Por falar nisso, meus óculos...

      Tive uma porção de “daisies”, porém, acabei me casando com a Regina Célia, depois com a Dalva, mais a frente com a Carla, com a Marlúcia... sem contar as dezenas que levei no bico. Para mim, a FÉ é uma FORÇA ESPIRITUAL. Tenho fé em exagero. Fé demais não é bom. Melhor fé de menos. Pelo menos os mais próximos não reclamam. Discordo das muletas e dos paus de arrimo. Abnuo da locomotiva dentro do túnel que nos atropelará.

      Ser atropelado lembra cadeiras de rodas. Hospital, cama, soro em conta gotas, esparadrapo, enfermeiros chatos, agulhas, ingeções. Prefiro avião. Morte mais rápida e segura. Um tio meu morreu de desastre aéreo. Ele era piloto. Até agora não encontram seu corpo. Tampouco o do avião. Por derradeiro, agradecer ao amigo por ter gostado do meu texto. E deixado suas impressões. Procuro melhorar de um texto para outro, às vezes pioro. Cá entre nós. O amigo é sentimental. Um conselho? Melhor assumir essa sentimentalidade perante todos. Negar o óbvio é concordar com aquilo que não gostamos de uma forma utópica. A utopicidade acredite meu ilustre amigo, é uma forma abrangente de ser feliz sem saber que é. Forte abraço. Saúde, Graça e PAZ!
      Aparecido Raimundo de Souza, de Vila Velha, no Espírito Santo,

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  13. Meu querido Anônimo das 10:51. Confesso certa estranheza em responder aos anônimos de plantão. Nunca sei se esse desconhecido é ele ou ela. Ok. Não importa. Vamos ao que interessa. Reconheço as bênçãos que me foram ofertadas desde meu nascimento. Nunca deixei de levar essas graças, ou melhor, essas agraciações a sério. Tomo isso como norma e levo vida a fora, a termo.

    Quanto aos que não tiveram a mesma chance, deve ter sido por descuido ou imaturidade. Nos primórdios de meus tempos de rapaz, joguei pela janela muitas oportunidades. A gente faz isso por não ter um padrão comportamental definido. A precocidade nos leva ao antecipado, ao novo, ao bívio momentâneo. Entenda aqui bívio como o guindar para a errôneidade de colocar, na maioria das vezes, a carroça na frente do burro.

    Com o tempo, todavia, aprendemos a frear esses impulsos buféricos ou mal pensados. Contamos até mil antes de darmos um passo errado. Sou humilde. Nunca desejei ser orgulhoso, sofisticado, brilhante, soberbo e espaventado. O ar mortiço me agrada, o simples me fascina e o cordeiro me torna dócil, franco, muitas vezes desmaiado na minha própria mansidão.

    Não preciso, por conta disso, de um profissional para me ajudar. Ajudar em quê? A gastar meu dinheiro, por certo! Com relação ao ódio, repetecando, não tenho. Não guardo rancores, não alimento aversões por nada. Se o ódio é um veneno, coitado do copo. Será ele a morrer corrompido, contagiado e esfacelado. Não fabrico, caro anônimo, misturas suicidas, estragadas, apodrecidas. Quanto à sorte, tenho muita. Mais até do que realmente mereça.

    Repare. Estou com 65 anos, nunca baixei em hospital, a não ser para buscar minha filha, a Érica, que é cardiologista. Minha sorte é completa e fecunda. Faço o que quero, viajo país a fora, não paro em casa, ando a tira colo com uma secretária simpática que a cada dia renova meu espírito e me faz sentir o rei da cocada preta. Portanto, em resumo, vou ter ódio de quê? Para quê? Preciso de um profissional para me tornar humilde? Não é por aí! Quando em meus artigos pareço destilar ódios xingando uns e outros, acredite essas minhas falsas furiosidades vão de roldão, e se acalmam quando vejo o texto publicado. Portanto, caríssimo anônimo das 10:51. Sou feliz, vivo feliz. Se morresse agora, partiria alegre e realizado. Meu ódio é brando, e apazigua meu coração em festa constante.
    Aparecido Raimundo de Souza, de Vila Velha, no Espírito Santo.

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    1. Só que a resposta foi para o Wanderley Rocha com a intensão de ajuda-lo. Só isso. Mas se você pescou como se fosse para você, espero ter ajudado. Abraços.

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