sexta-feira, 12 de outubro de 2018

[Aparecido rasga o verbo] Esse velho ofício de vida ou morte...

Aparecido Raimundo de Souza

A PARTIR DAQUELE MOMENTO MÁGICO, a minha vida deu uma guinada. Diria que a história do meu destino incerto começou a se transformar no instante, ou mais precisamente no minuto em que coloquei meus olhos em seu rosto. Foi como se me desvencilhasse de cataclísmicos antigos, e, de repente, me pegasse em meio de fulgores incandescentes e condicionados dentro de sua própria existência. Seu coração, em festejos desordenados, passou a bater no mesmo compasso que o meu e, mais que isso, você se fez única, insubstituível, inigualável, inimitável... e de certa forma, inverossímil.

Pois é paixão da minha! Veja como o destino é engraçado, e, sem que nos demos conta, nos prepara armadilhas estradas à fora. Eu que não carregava mais esperanças... de repente me peguei como se diz quando se está enamorado de alguém, os quatro pneus furados, vencido, tentando dominar o desconforto que falava mais alto, atraído talvez, não sei, quem sabe, cativo desse amor que eclodiu do nada e, de tão pouco floresceu como relumbrações dentro de uma acontecência abrupta e extemporânea que, por sua vez, prosperou de maneira ludicamente harmoniosa. A tal ponto, diria, de criar raízes e atingir, em cheio, meu velho peito despedaçado, restaurando todas as suas alegrias e alacridades desfalecidas.

Desde então, tomei tino, acerto, direção e consciência. Me liguei, me confrangi, me agrupei, me coadunei. Percebi que estando ao seu lado, de mãos dadas com a sua ternura e mansuetude, eu passava a me pertencer por inteiro. Sem restrições, sem amputações ou atalhos. Compreendi que fazendo parte da sua vida, do seu dia a dia, efetivamente ficava inteiro, sem cortes e sem óbices. Seguia perficiente e íntegro. De fato! Acertei na mosca. Esse é o meu lugar escondido, oculto, dissimulado, secreto, longe da terra. O cantinho resguardado, sagrado, de onde não posso e, claro, não pretendo jamais sair ou me afastar. Agora me sinto plenamente realizado. Totalmente afortunado e venturoso. Diria mais: abençoado e próspero, fausto e enricado simplesmente por ter lhe encontrado. Encaro a sua visão beatificada com olhos de quem sempre volta ao recomeço.

Às vezes me questiono: quem sabe, um anjo venturoso, vindo do infinito mais distante desta galáxia, me tenha trazido e dado você embrulhada num papel coberto de estrelas da melhor safra, com um laçarote de nuvens, acondicionado numa caixinha encantada? Não atino com a resposta. Não faz diferença qual seja ela. Pelo privilégio de ter sido escolhido e ganho essa dádiva (só pode ser uma benção), eu prometo solenemente que, enquanto restar um sopro de vida dentro de meu ser, ainda que as torres do meu gostar virem ruínas, as águas se percam em seus cursos de rios entre canoas e marolas, viverei somente para a sua felicidade. A felicidade não comete erros. Às vezes muda de nome, se torna inteira, absoluta, autossuficiente, plena em farturas e inundada de abundâncias.

Nesta hora, eu entrego minha mão para você e, com ela, meu ser, todo ele em festa, a alma em gozo intenso, o sangue a correr nas veias em regozijo denso e nutrido. Sei que não posso esperar mais. Para mim, aliás, não me é dado à paciência de poder prolongar ou reter as perspectivas que me aguardam. E sei, são muitas. O tempo, minha princesa, por sua vez, urge, preme e se estreita.  Corre afoito e destemido. Em igual passo, as horas se alvoroçam abrasadas pelo afluxo de quererem rodar os ponteiros mais rápidos em direção ao desconhecido que acima de qualquer coisa, persevera.

A vida, como um todo, tem pressa, e por essa impaciência, trafega ao meu lado numa velocidade espantosa. Mal consigo segurar a emoção. Você é a razão maior para eu acreditar piamente no amor. No amor incondicional, sem máculas, sem meios termos, sem distinção de credo ou idade. Resumindo: você é a resposta concreta das minhas orações lá em cima. Como foi bom saber, como me senti feliz ao descobrir que para o nosso amor ser completo e infindo, para poder seguir adiante e prosperar, precisava unir nossas almas numa só.  Necessitávamos um do outro, ou nós de nós dois. Veja minha linda, como a natureza é simples, e como o amor é humilde. Nós dois aqui irmanados no mesmo caminho, num trilhar inconcebível em busca do mesmo ideal.    

Na verdade, eu sinto aqui dentro do peito – imagina –, pode até parecer loucura –, mas sinto que eu e você nunca nos separamos. Mesmo quando não nos conhecíamos, você vivia em mim e, de alguma forma magnânima, fazia parte do meu passado, como faz agora, do meu presente e, igualmente do meu futuro. Quando nem pensávamos trocar olhares ou palavras, você se constituía na luz viva que eu enxergava na escuridão. O vento que soprava brando em meu rosto e desalinhava, com suavidade bucólica, os meus cabelos. Você roçava minha alma com a elegância do seu âmago em festa. De igual forma, fazia brilhar meu escuro recôndito transformando tudo em derredor num intérmino prolongado e solapado de cores variadas.

O fato é que meus sonhos se tornaram verdadeiros, por sua causa.  Por consequência dessa causa, eu comecei a viver e a acreditar piamente no amanhã. Antes de você existir, eu vegetava corpo morto, sem esperanças de me reerguer, de me construir, enfim, de me refazer por inteiro. Antes de você chegar, antes de nos chocarmos como esses carrinhos de bate-bate encontrados em parquinhos de diversões, eu vagava solitário, destino, incerto, sem porto seguro, como um barquinho frágil perdido na imensidão de proceloso mar. Por todas essas razões, eu vou amar você enquanto viver. Amar com a intensidade de um homem diante do seu primeiro amor. Daqui algum tempo, quando eu não mais puder abrir os olhos para contemplar seu sorriso, ou me ver impedido pelo passar do avanço da idade, de caminhar ao seu lado, por favor, amor, senta perto de mim, e canta, canta no meu ouvido.

Canta minha princesa, aquela música nossa que eu gosto de ouvir junto com você nas nossas noites, no nosso quarto, na nossa cama: “From This Moment On”. Canta que eu me transportarei ao passado. Voltarei correndo, aos dias dos nossos encontros primeiros...



“A partir deste momento a vida começou. A partir deste momento você é o único e bem ao seu lado é onde eu pertenço...
A partir deste momento eu fui abençoada e vivo somente para sua felicidade. E pelo seu amor eu darei o meu último suspiro...
A partir deste momento em diante eu entrego minha mão para você, com todo meu coração. Não posso esperar para viver minha vida com você.

Ela é agora, precisa ser vivida hoje... e você e eu nunca nos separaremos. Meus sonhos se tornaram realidade por sua causa. A partir deste momento e enquanto eu viver, eu vou te amar, eu te prometo isso. Não há nada que eu não daria a partir deste momento em diante. 
Você é a razão para eu acreditar no amor
Você é a resposta das minhas orações lá em cima
Tudo que nós precisamos é somente de nós dois
Meus sonhos se tornaram realidade por sua causa
A partir deste momento e enquanto eu viver
Eu vou te amar, eu te prometo isto

E não há nada que eu não daria
A partir deste momento
Eu vou te amar
EU VOU TE AMAR ENQUANTO VIVER”.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista. Dos funerais de Zíbia Gasparetto. Cemitério de Congonhas, São Paulo, Capital. 12-10-2018 

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Um comentário:

  1. AH! Antes que me esqueça!
    Misturando amor e política, eu também queria amar assim , como descreves!
    Mas acho que estou com a titulo vencido, e sem ter a candidata ideal para o exercício pleno numa nova legislatura!

    Paizote

    ResponderExcluir

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