terça-feira, 2 de outubro de 2018

[Aparecido rasga o verbo] Tanto faz, agora ou depois. Continuaremos mentecaptos tiranizados pelo mesmo espanto

Aparecido Raimundo de Souza

SE OLHARMOS PARA ESSE BRAZZIL como os médicos que honram a profissão nos examinam, por uma ótica minuciosamente ectoscópica, chegaremos à conclusão de que o país está próximo de desaguar nas raias de uma confusão mefistofélica, tipo esses pandemônios criados de última hora, todavia, sem volta, e sem regresso. Tudo em face dessas figuras conhecidas como nossos “Candidatos a presidenciáveis” pretenderem o PODER a qualquer custo, sem medirem esforços para conseguirem tal finalidade, ainda que ele “o produto final” se resuma em pisotear barbaramente os que vêm logo atrás. Por tudo o que é mais sagrado: que porra é essa? A presidência.

A presidência, esdruxulamente falando, se assemelha a uma pica cornucópia dura e comprida, grande e grossa, onde as putas e os putos gravitam como um enorme enxame de abelhas em torno de um jardim florido e abundante na busca líspida dos insumos mais variados para dar vida e sabor ao milagre do fabrico do mel. Claro, evidentemente, essas ordens das Hymenopteras super familiarizadas Apoideas e subgrupadas à legião das Anthophilas, são, além de Apis, melíferas operárias pacienciosas e prestimosas. 

Labutam essas artesãs incansavelmente para o nosso bem comum, enquanto as putas (candidatas) pelejam com uma tenacidade vulvicida e intransigente para galgarem o cume da fama. Passo idêntico, os (candidatos), se digladiam como hipógrifos saídos da mitologia Harry Potter, no sentido único de sentarem seus rabos e exercerem, igualmente posseados, da batuta de mando, a magia de orquestrarem seus subservientes escudados na força de um estado “demoniecrático e sem direito”. Nesse epítome, pois, candidatos e candidatas, em comum, visam unicamente sentirem o jugo vertiginoso da tromba enrijecida.

Da extremidade dessa suntuosa plataforma, esses nossos ladrões governam rebolando numa sacolejação jamais vista ou imaginada. Essa tromba valorosa é o nome carinhoso do nosso cargo de rei maior do Brazzil dito de forma mais civilizada. Civilizada, ou não civilizada, não importa. Estamos, desde muito, no mato sem cachorro. Antes, até poderíamos imaginar (ficar no mato sem cachorro). Raciocinem, agora, inversamente caros leitores. Ainda que hipoteticamente, eles, os cães, desguarnecidos, no mato, se pilhassem sem nós. Qual seria ou quais seriam as reações?

Sabemos de cor e salteado, que a sacanagem, a foleragem, a bandalheira e a impudicícia, de mãos dadas com esses vermes, correm a bel prazer. Contrariam as posições que, num passado próximo, um ontem que víamos integro, imparcial, justo e correto nos fazia felizes. Em vista dessa baderna laquicibiante que no Planalto Central se instalou, passamos a ser, sem dúvida alguma, um território indefeso. Um espaço delimitado dentro da natureza, completamente sem lei, sem normas, sem direção a ser seguida e sem porto seguro. Para completar esse quadro lúgubre, distanciamos dos ares benfazejos de Deus.

O falso supremo que nos comanda (ou melhor, o “Selestino” i-n-s-e-l-e-t-o que nos espezinha, que nos escraviza, que nos torna dependentes, que nos acorrenta e agrilhoa) é um deus bestial, estúpido, grosseiro, violentamente asselvajado, travestido, todavia, de cordeiro em pele de satã. Em suas mãos dançamos todas as desesperanças imagináveis, tendo em vista que as organizações políticas que nos monopolizam, não correspondem, em nenhum momento, e de nenhuma forma, aos anseios mais prementes da raia miúda como um todo.

A sociedade, lado outro, à farta pelas irresponsabilidades advindas do Grande Avião Pousado, nos mostra cotidianamente como o desrespeito às leis e a ordem se acomodou na Capital do País. Não temos um presidente de verdade, um mandachuva de pulso, de firmeza de caráter. No lugar dele, vemos se desdobrar um fantoche balborichado, inepto, conduzido por mecanismos estranhos à desídia do que deveria ser uma administração ascensionalmente desprovida de qualquer suspeita. A bostela atual, vegeta acobertada por erros grassos. E o que virá após a sua saída, continuará a feder mil vezes mais acre. Entretanto, a nos foder, com certeza bem. Presidentes, senhoras e senhores, só servem para isso. Para nos enfiar uma trolha enorme no final do prolongamento da coluna vertical.

Vejamos por outra via, situações mais inviáveis. Nossos representes tanto nas cadeiras da Assembleia como nos assentos do Congresso, ultrapassaram todos os limites do suportável. De igual forma, os ministros do STJ brincam professando um linguajar folastricida (trocado em miúdos, um arrazoamento babilônico e fantasioso), repletados de blábláblás e tititis onde somente os letrados em escolas superiores conseguem entender. Esses senhores, capeados em pomposas fardas pretas (lembram urubus pousados em carniças), soltam, prendem, decidem, brincam de maiorais, de prestigiados de si mesmos, como se fossem donos da lei, e a Constituição, por sua vez, se fizesse para eles a píria nascente da eterna síndrome narcisística.

Masoquistas frustrados, esses velhos capitéis (nada a ver com capitães), não aguentam olhar para os espelhos existentes em seus interiores talvez, quem sabe, receosos darem de focinho frenteados com o Tinhoso encapetado chupando manga. Por fim, concluímos que a sociedade está na UTI. O Brazzil acorrentado, pés e mãos, a um leito de morte numa dessas espeluncas conhecidas como SUS. O povo não fica atrás. Se pega, vencido, perdido, desunido, sem saída, padecendo uma emoldura sistêmica qualificada como atetose. No mesmo peido mal dado, Brazzilia segue tecendo com linhas negras, um gigantesco painel de sol mortiço, onde os fios deixam entrever um astro peso esfacelado.

Foi trapaceada a cidade de Niemeyer, pela corrupção ativa, calcada pelas forças opressoras da ganancia, e pasmem, amadas e amados, currada como manda o figurino pelo neoliberalismo galopante. Desarticulada de cura em curto e longo prazo, se debate, embalde, a infeliz Capital dessa Republiqueta, envolta em malhas de paroxismos espasmódicos. Nessa celeuma toda, o volumoso contingenciamento de pobres e desvalidos, órfãos e mendicantes continua a nadar sem rumo num imenso mar proceloso. Sequer há uma ilha salvadora para se recorrer. Um local seguro para os tiranizados e oprimidos soltarem as suas estribeiras e voarem rumo ao infinito como pássaros banidos. Em oposto, existe, em redor desse oceano, um embaraçado de corsários e oportunistas, piratas, a bem da verdade, cavalgando em nossos pelos deixando a todos os seres viventes, dementes e sibilinos incapacitados para se alto regenerarem da impactante síndrome da desgraça anunciada. 
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista. De São Paulo, Capital. 2-10-2018

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