segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

[O cão tabagista conversou com...] Aparecido Raimundo de Souza: “O Brasil não tem mais jeito. Entrou na UTI, e só Deus para tirá-lo de lá.”

Nome completo: Aparecido Raimundo de Souza

Nome de Guerra: Nunca tive nome de guerra.

Onde e quando nasceu?
Nasci em Andirá, Paraná, aos 19 de março de 1953.

Onde estudou?
Estudei e me formei na Faculdade de Direito, em Itu, Estado de São Paulo, e depois Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero em São Paulo.

Onde passou a infância e juventude? 
Passei a infância em São Paulo, em casa de meus avós, João Raymundo e Martinha Maciel, ou mais precisamente, no bairro do Lauzane Paulista, próximo a Santana. Depois me mudei com a família (meus avós) para Carapicuíba, interior de São Paulo, cidade perto de Osasco.

Nessa época, com 15 para 16 anos, comecei a trabalhar com o meu pai, Roberto, numa Imobiliária que ele tinha na cidade.

Na mesma época, passei a escrever para um jornal chamado "A Região", fazendo coluna social e “Municípios em Marcha”, onde escrevia crônicas sobre temas mais diversos.

Quando completei 20 anos, conheci Regina Célia que me deu a primeira filha, a Érica. Não chegamos a casar. Com o falecimento de Regina Célia, me casei com Dalva, com quem tive o segundo filho, o Eduardo. Com meu pai trabalhava de dia em sua empresa, e à noite viajava para Itu, onde passei a estudar direito na Faculdade de Itu.

Então, começou a trabalhar aos 15 anos... Completou a Faculdade de Direito?
Sim. Completei a faculdade de direito. Tirei a OAB. No meu tempo, a faculdade se fazia em quatro anos. Diferente de hoje. Se faz por períodos. Michel Temer foi meu professor de Direito Constitucional. Até hoje tenho o livro dele autografado, "Território Federal nas Constituições Brasileiras".

Continuei em Carapicuíba, como lhe falei, interior de São Paulo. Trabalhando com meu pai na Imobiliária dele. Logo que terminei Direito ingressei no jornalismo. Na verdade, nunca gostei de advogar. Meu pai sim, era um excelente advogado. Além de advogado, professor de Artes. Hoje essa matéria sumiu do mapa.

Meu negócio sempre foi escrever. Terno, gravata e sapatos sociais, nunca foram meu forte. Nos jornais para os quais eu trabalhava, recebia um salário pequeno, como incentivo.  Questão de um ano, deixei o jornal "A Região" e fiquei escrevendo somente para o "Municípios em Marcha". O Jornal "A Região" não existe mais.

Soube que o diretor, Sr. Macedo, faleceu. O "Municípios em Marcha" da família Sanazar, hoje é o "DIÁRIO DE OSASCO". Nessa brincadeira, como trabalhava com meu pai e não tinha horário a cumprir, saia de Carapicuíba, de trem por volta de 8 da manhã, deixava a matéria na redação, e partia para a Faculdade Cásper Líbero. Estudava até às 17h e então fazia o caminho de volta.    

Depois, muda-se para São Paulo, certo?
Não, continuei morando em Carapicuíba. Carapicuíba é a trinta minutos de trem ou uma hora e dez de ônibus.

Como era o professor Michel Temer? 
O professor Michel Temer era um cara chato. Nojento. Sempre de terno preto, andava de nariz para cima como se sentisse o cheiro de merda a distância. Falava muito com a imposição das mãos. Usava constantemente a frase "Num dado momento histórico".

Michel lecionava Direito Constitucional. Ganhei dele um livro autografado: "Território Federal nas Constituições Brasileiras".

Aliás, quem fosse assíduo nas aulas dele, ganhava um ponto, e quem tivesse o livro escapava da última prova.

E depois de concluir a faculdade de Direito? 
Depois que concluí a faculdade de direito, em Itu, comecei a de jornalismo, na Cásper Líbero, em São Paulo.

Continuei trabalhando com o meu pai, na Imobiliária Santa Rita, em Carapicuíba e escrevendo para dois jornais em Osasco (cidade próxima a Carapicuíba).

Começa a Faculdade de Jornalismo na Cásper Líbero, continua trabalhando com (ou para?) o seu pai até acabar a faculdade ou mesmo depois dela?
Vamos lá. Mesmo começando a faculdade de jornalismo, na Cásper Líbero, centro de São Paulo, continuei morando em Carapicuíba e trabalhando com meu pai. Me formei jornalista e continuei com ele. Ganhava um salário bom e razoável e, para falar a verdade, não tinha nenhuma experiência em escrever, ou sobre o que escrever. Fazia minhas crônicas, mas ficavam restritas ao "Diário de Osasco". Até que um dia Décio Piccinini apareceu em Osasco, para ser jurado num concurso de beleza patrocinado pela Associação Comercial de Osasco. O dono do jornal "Diário de Osasco", o Sanazar, me credenciou para fazer umas fotos e entrevistar o Décio. Na maior cara de pau eu fui. Um medo danado. Na verdade, a coisa foi fácil. Tirei algumas fotos do cara, as perguntas a serem feitas a ele me foram passadas por escrito, me deram um gravadorzinho de repórter, colocaram um fotógrafo para ir junto e o resto aconteceu numa boa. Aproveitei a oportunidade, levei algumas crônicas e uma porrada de colunas sociais do Jornal "A Região". O Décio gostou do meu estilo e me fez um convite. "Me procura na revista Ti, Ti, Ti". Fui. Conclusão: Fiquei na "Ti, Ti, Ti", por uns dois anos. Depois pulei para a "Isto é Gente".  Da "Isto é Gente" caí na "Quem Acontece" onde estou até hoje.


Na "Ti Ti Ti" passei a escrever sobre fofocas de televisão. Na "Isto é gente" continuei na mesma linha. Entrevistei o Roberto Carlos e a Maria Rita, e depois participei dos funerais dela. Meu primeiro grande momento, por sinal, inesquecível. Hoje pela "Quem Acontece" eu rodo o país todo, e continuo escrevendo meus textos sobre as celebridades, fazendo fofocas, comparecendo em festas, lançamentos de discos, livros, feiras literárias, velórios e veja só, colaborando com o Cão (olha que honra!) e ainda dando umas cacetadas no jornal "O Dia".
Falei demais. Vamos em frente.

O jornalista, que respeita a deontologia, pode falar demais? 
Deveria seguir Bentham [foto abaixo]? Adequar minhas ideias dentro do que é certo? Rejeitar a importância de qualquer tipo de apelo ao dever e à consciência? Ou perseguir o prazer mórbido e quase sexual de dizer o que penso, fira a quem ferir? Nunca fui de seguir códigos de ética, embora certas coisas que fico sabendo não traga a público. Escuto a voz da consciência. Se acho que vai ferir a moral, sopeso duas, três vezes, conto até mil. E largo para lá. Em fofocas de televisão procuro tomar muito cuidado para não expor a caricatura ou ao escárnio a quem vou entrevistar.


Já os políticos, eu mando bala. Falo mesmo, rasgo o verbo. Me considero um Arnaldo Jabor às avessas. Jabor é educado, ataca com armas brancas.  Vou um pouquinho mais longe. Fujo do politicamente correto, ou seja, passo longe da teoria do dever. Falo o que tenho de falar dentro da minha loucura psicopática em grau elevado. Em linhas gerais, deontologia, para mim é pura figura retórica. Kikikikiki... sou maluco mesmo, de carteirinha e sindicato.


O que é a “voz da consciência”?
Meu caro Jim, a voz da consciência é aquela válvula de escape que nos permite optar pelo que é certo e errado nas horas mais complicadas. Geralmente dois personagens distintos entram em cena e agem ao mesmo tempo falando ou soprando em nossos ouvidos.

Um deles é o Diabinho do Avesso, que nos manda seguir pelo lado errado e o outro, o Anjinho Protetor, que sempre nos direciona ao Justo e ao Perfeito. Nem sempre escutamos o que diz o Missionário Protetor, notadamente quando estamos de cabeça quente e os ouvidos cansados de ouvir tantas besteiras.

A voz da consciência me diz, por exemplo, num determinado momento, para seguir por um caminho estreito, que me fará chegar a um lugar pré-estabelecido sem criar problemas e dissabores para a minha vida, ou para a vida dos outros que me cercam. Todavia, teimoso, eu insisto em pegar a senda mais conturbada, a que me levará a desembocar numa situação que às vezes não terá mais volta.

A voz da consciência pode ser igualmente o entendimento ou a visão entre a lâmpada intermitente da razão imaculada e a dissintonia da escuridão na sua forma mais desmantelada e agressiva. É aquele momento de introspecção onde olhando para dentro de nós mesmos, lutamos em desfavor dos apelos das boas intenções para darmos forma ao tinhoso que insiste em se fazer presente e indubitavelmente real.  

Nessa confusão toda, procuro escutar a voz da consciência. Ou a voz da razão. Pondero os sopros do bem e do mal, ou seja, o que me ventilou o Capetinha e o Querubim celestial. E opto por uma terceira. Como São Tomás de Aquino, não posso, a depois, justificar uma atitude maléfica, embora a tenha colocado em prática com os almejos e os empenhos de ser alguma coisa íntegra e correta, mas que futuramente venha a golpear ou melindrar as pessoas que me são caras.

Voltando ao ‘jornalismo’... sim, o jornalista tem o direito de, filosoficamente, seguir Bentham, Jesus Cristo, Maomé, Voltaire, Descartes... mesmo que não saiba quem foram os dois últimos. Mas, tem ele o direito de, nas suas matérias ‘jornalísticas’, panfletar em favor da sua própria e individual escolha partidária e ideológica?
Eu sigo todo mundo. Bentham, Jesus Cristo, Maomé, Voltaire e Descartes, sem descartar, ou pensar em dar um “voltaire” em alguém. Kikikiki. Também sigo aqueles que não foram mencionados, acreditando, todavia, que cada um tem o seu valor essencial num determinado tempo. Dependendo do que estou escrevendo, todos poderão ser citados. 

Claro que entre estes personagens, o único que dou um valor maior e especial é Jesus Cristo. Mestre incomparável, sábio, senhor de todas as coisas. Nada, nem ninguém, se compara à sua personalidade ímpar. 

Com relação ao jornalista panfletar em favor de sua própria e individual escolha, tudo bem. O jornalista deve ser livre, não ficar preso a nenhum tipo de amarras. Tiro por mim. Me sinto livre, leve e solto.

Divulgo minhas ideias tresloucadas, às vezes absurdas, elevo as opiniões daquilo que acho certo ou errado até às últimas consequências. E as enfrento. Pela ótica partidária, como sou apolítico... odeio essa galera que abunda Brasília. Daí meter o ferro neles. Para mim nenhum político mudará o país.

O Brasil não tem mais jeito. Entrou na UTI, e só Deus para tirá-lo de lá. Se isto puder ser entendido como escolha partidária... ideologia?! NÃO QUERO UMA PARA VIVER. Prefiro a minha. Ainda que Cazuza (sem ser exagerado) venha até mim, em carne e osso, fantasiado de trás para diante, como Azuzac ou me telefone usando um codinome qualquer de beija-flor. Nessa ótica deturpada da “minha própria ideologia” eu tenho o direito sim de botar a boca no trombone. Desde que ele, o instrumento, “tromboneie” sempre a meu favor.   


Como chegou ao Cão que fuma?
Cheguei à revista indicado por uma amiga em comum (minha e do editor Jim), a Cleia Carvalho. Conheci a Cleia voando de Paris para São Paulo nos idos de 2013. Trocamos livros, endereços, figurinhas, tiramos fotos. No decorrer desta amizade, ela gostou de um texto meu e mandou alguma coisa para o Editor da “Cão que Fuma”, observando que eu era maluco de carteirinha e falava pelos cotovelos. O Jim, algum tempo depois, me fez um convite e desde 8 de dezembro de 2016, passei a fazer parte dos escritores desta conceituada publicação.  

E o porquê do “rasga o verbo”, lembra?
Acredito que o título "Aparecido rasga o verbo" se prenda ao fato de, em meus textos, meter o malho em nossos políticos. Se os leitores pararem para observar, a maioria dos artigos enviados para a Revista versa sobre cacetadas em nossas autoridades. Em todas elas, sem exceções. No mesmo seguimento, ao modo como me refiro à Capital do País e a maneira como escrevo deturpando os patronímicos dos nossos representantes.


Gosto de usar palavrões. Foi uma maneira deselegante que descobri, bem sei, de extravasar o ego, de limpar a alma, de aliviar o espírito conturbado. Já tentei parar, escrevendo crônicas engraçadas, divorciadas destas porradas às senhas de meu ego.  Não pretendo ser palmatória do mundo. O mundo não vai se consertar. As falcatruas não vão parar de existir. Brasília continuará sendo o grande penico de merda.

A nossa república, seguirá seu caminho de republiqueta de bosta em direção a lugar nenhum. Nossos representantes nos prostíbulos da Câmara, do Senado, e outras pocilgas, continuarão com as suas vidinhas medíocres e inalteráveis. Todavia, não consigo estancar esta febre doentia, quase às raias da insensatez.

Não falo destas coisas em meus livros, porque a Editora para a qual escrevo e tenho contrato até 2020, não quer colocar no mercado estes tipos de crônicas, prefere a putaria. Neste pé, a maioria dos meus livros traz crônicas “sujas e bocageadas”, onde as orgias e as sacanagens correm livres e soltas. “É o que vende”, esbraveja meu editor. Coisa séria, decididamente não dá IBOPE.

Dentro dos Estúdios Globo, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, são mais de dezesseis revistas falando de fofocas de novelas. O povo quer saber quem vai morrer, quem vai beijar, quem vai dar o golpe, quais as atrizes lésbicas que trocarão beijos técnicos, kikikikikiki, quais os atores "abichados" que aparecerão nos próximos capítulos promovendo carícias as mais calamitosas, ajudando a fomentar a imensa massa de desajustados e fodidos. Tramas sérias, documentários importantes, coisas que instruam que abram as mentes, ou que ofereçam uma melhor visão do planeta... ninguém perde tempo em ligar seus aparelhos.


Dois anos!! Muito obrigado pelo “conceituada”.
Na sua penúltima resposta você afirma que “nenhum político mudará o país.”, então, quem poderá mudá-lo – para melhor, por supuesto –, jornalistas, ‘cientistas sociais’, a turma LGBTeTTI, a turma da Folha?...
Antes de responder, dizer que já estou escrevendo há dois anos. Pelas minhas contas, mais de trezentos textos.

A “Cão que Fuma”, no meu conceito, na minha visão, é sim, uma revista conceituada. E muito. Nada, portanto, meu jovem amigo, a agradecer. Me sinto honrado em fazer parte da grande família que abrilhanta a sua publicação. Me resta, apenas, lhe mandar os parabéns.

Vamos à pergunta:
De fato, afirmo, sem medo de errar, nenhum político mudará o país. E digo mais. Não nasceu ainda, cidadão ou cidadã de vergonha na cara, que tire, de vez, o Brasil do buraco negro em que se encontra. Uma coisa é certa, como a morte. Todos querem o poder. Em nome dele, vendem a honra, a moral, a dignidade e o discernimento. Antes de chegarem à rampa, prometem mundos e fundos. Grosso modo, dão o caneco.

A conversa muda de figura a partir do momento em que o vencedor (ou vencedora) ultrapassa a parte final de acesso e diante de suas fuças surge o estrelato. Bastou sentar o rabinho nas salas confortáveis e atapetadas dos palácios do Planalto, da Alvorada e do Jaburu, o tititi passa a ser outro.

Antes de chegar lá, são promessas e mais promessas. Depois, a putaria, a sacanagem, a pouca vergonha continua mais forte que antes. Essa babel vem desde que elegeram o primeiro presidente, o Marechal Deodoro da Fonseca, na época em que o nosso querido rincão atravessava uma instabilidade política jamais vista. A única coisa que Deodoro fez de bom: dissolveu o Congresso. Não me lembro de nenhum outro que tivesse peito para acabar com um bando de vadios que vivem às nossas custas.

Nesta Casa de Mãe Joana, conhecida como Congresso, temos 513 larápios que dizem representar o povo. Que povo eles representam? Com certeza o povo da família deles. No senado mais uma súcia de picaretas, 80. Sem falar nos poleiros suntuosos do STJ e do STF, entre outros mais, comandados por uma alcateia de velhos e velhacos que só sabem discursar bonito. De prático... darem entrevistas e mostrarem um alto saber jurídico para aparecer bonito na foto.

Quando digo que nenhum político presta, nenhum político dará jeito no Brasil, estou sinalizando que esses caras (e não importa aqui qual o partido que eles representam), esses senhores não têm valores de conduta. Eu me questiono: qual a elegância de ser presidente e não fazer nada por aqueles que o enfiaram no poder? Qual o privilégio da vitória de chegar diante das câmeras e ostentar uma faixa de Mandatário com o brasão da república se a pureza do sucesso restou sedimentada e construída em cima de mentiras e enganos? 

Outro dia me mandaram um vídeo onde o palestrante citava o Apóstolo Paulo, Capítulo 6, Versículo 12. “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”. No caso dos nossos políticos, eles podem fazer tudo o que quiserem, em nome do livre arbítrio. Tudo é factível. Desde que eles tenham em mente o que não é admissível, tipo não emporcalharem a história das suas próprias vidas, não agredirem a seus eleitores, não desmerecerem a seu povo, aqueles Manés que lhes foram fieis.

Em resumo, que ao se deitarem com suas princesas, não se envergonhem de serem tremendos canalhas e aproveitadores das imbecilidades alheias. O povo, bem sabemos, é imbecil e gosta de ser “idiotalizado”.

Diante do que disse, não vejo ninguém, seja jornalista, radialista, a turma do LGBT, TTI, SPC, MST, PT, Folha de São Paulo, O Dia, Quem Acontece, enfim, não vejo viva alma apta e com disposição ferrenha para apresentar melhoras para mudar de uma vez por todas esse quadro que vemos todos os dias diante de nossos olhos. 

Então, em face desse pessimismo anárquico, o que resta aos brasileiros?
Kikikikiki... o que resta aos brasileiros?

O Brasil é um pobre rico. Um filho sem pai. Órfão de cabeças pensantes em favor do povo. Resta aos brasileiros se agarrarem de unhas e dentes a todas as linhas e correntes espirituais e evangélicas, protestantes e católicas, não importa. E acreditar. Acreditar e esperar, sobretudo, por um milagre. Um grande prodígio. Uma espécie de fenômeno transformador que tire o país do caos. Seria bom ter o Brasil de volta, aliás, um Brasil que nunca foi nosso.

Como você consegue sobreviver nesse ‘inferno’ que você descreve? 
Vamos lá. Como consigo sobreviver? Simples, meu amado. Tenho duas profissões distintas. Jornalista e advogado. Como jornalista ganho para escrever para a "Quem Acontece", fazendo fofocas das celebridades, ou seja, escrevendo sobre televisão. Sou um Nelson Rubens às avessas. Não apareço nas telinhas. Vivo praticamente nos Estúdios Globo, ex-Projac, em Jacarepaguá. Daí ter comprado um apartamento lá na Lagoa Rodrigo de Freitas de frente para o Cristo Redentor.

Para "O Dia", dou uma de Tim Lopes fazendo jornalismo investigativo. Trabalho de lavanderia. Roupas sujas. Faço o levantamento do que o editor chefe pede nas reuniões de pauta e saio em campo. Serviço pronto, mando para a redação. Tudo via internet.

Como advogado, tenho uma banca de advocacia em Vila Velha, Espírito Santo, junto com uma Empresa de Cobrança. Nessa empresa, 60 funcionários mais quatro advogados trabalhando. Cobro para a DACASA FINANCEIRA S/A, no sistema telemarketing e os clientes que procrastinam e não pagam, eu ingresso na justiça.

Minha especialidade é a busca e apreensão de automóveis. O sujeito compra um carro, paga cinco, seis prestações, depois atrasa, a DACASA pede para entrar com o processo.

Faço igual serviço para a RENAULT DO BRASIL, mesmo sistema. Atrasou, busca e apreensão.

Também tenho como clientes uma empresa chamada NEBRAX DO BRASIL S/A, com sede na Itália. Para este cliente a sistemática muda um pouco. Não existe ações de busca e apreensão, mas ações de cobranças de títulos extrajudiciais. O mesmo fato se dá com uma outra empresa chamada CARLETI EQUIPAMENTOS S/A e BESPOK FRAGRANCES BRASIL LTDA.

Finalmente, cobro para a BOMBRIL S/A, com sede em São Paulo. Todas estas empresas têm processos correndo Brasil afora. Se você entrar no site do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo e jogar meu nome ou o nome de minha sócia, Flavia Motta Pretti, verá que muitas ações figuram em meu nome e em nome dela. De onde estou, pela Internet, eu e Carina supervisionamos todos estes andamentos e toda a movimentação do escritório em tempo real.

Fora estes processos, tem a Editora no Rio de Janeiro que me rende uns trocadinhos pelos livros vendidos. Ao todo são 26. E algumas músicas gravadas. No youtube, em meu canal, poderão ser encontradas algumas. Para ajudar no orçamento dou uma de empresário e cuido de alguns cantores em início de carreira, notadamente cantores evangélicos. Música gospel está tendo um leque imenso. 

Na verdade, é realmente um inferno. Sobrevivo, mas fico muito tempo fora de casa. Família só por telefone.

Com relação ao pessimismo anárquico, o que resta aos brasileiros? Um milagre. Só um milagre tirará o país do buraco negro e imenso em que se acha metido.       

P.S.: Estamos em Porto Alegre. Luiz Fernando Veríssimo lançou livro novo "Ironias do tempo" pela Objetiva e viemos cobrir o evento.

Também é compositor?
Sim, tenho algumas músicas gravadas. Populares, outras sertanejas e, claro, Gospel também.
Obras registradas e seus respectivos CDs. Pertenço a "AMAR" (ASSOCIAÇÃO DOS MÚSICOS, ARRANJADORES E REGENTES) com sede na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro.

Você é religioso?
Sou católico apostólico romano. E pertenço à loja maçônica do Grande Oriente. Código Escocês lido e aceito. Todavia, não me prendo muito a igrejas e só vou à loja ver meus pares, de vez em quando. Quando dou as caras no templo, apareço esporte, ou seja, terno, gravata e sapato apertado, nem que a vaca espirre.

Ultimamente, em face de minhas músicas evangélicas estarem sendo tocadas com certa regularidade em eventos e rádios de segmentos gospel, é muito comum você me achar em casa lendo um bom livro, ou escrevendo um texto novo.

Na apresentação da sua coluna [Aparecido rasga o verbo], em 8 de dezembro de 2016, você informou ter escrito vinte e cinco livros. Escreveu outros desde então? Do que tratam os seus livros?
Sim, ao todo publiquei vinte e cinco livros. Todos de crônicas, pela AMC-GUEDES, no Rio de Janeiro e CELEIRO DE ESCRITORES, em São Paulo.


Comecei com "Quem se abilita?" (sem o agá mesmo). Depois vieram,  não necessariamente nesta ordem, "Refúgio para cornos avariados", "O vulto da sombra estranha", "Parada de sucessos", "Havia uma ponte lá na fronteira", “Tudo o que eu gostaria de ter dito", "Do fundo do meu coração", "Cinco contra um", "As mentiras que as mulheres gostam de ouvir", "As confissões de um pau perfeito", "Como matar sua mulher sem deixar vestígios", "Boca de encrenca", "Se a vida me desse uma segunda chance", "Babilônia", "Mulheres em estado de coma", "O silêncio estilhaçado", "Ligações perigosas", "Pipa voadora", e o mais recente, "Amor de incesto", que acabou de sair, entre outros.

Meus temas são estes (de algumas crônicas) publicados na Revista "Cão que Fuma", excetuando os textos versando sobre política.

Estou terminando um de poesias, "Os rios morrem de sede" e um de crônicas, "A boceta dos lábios encantados". A boceta sai em fevereiro de 2019.

Livros para crianças, ‘contemporâneas’, por supuesto... 😊
Pra crianças, “Travessuras de Mindinho” e “Furabolos”. O resto só para adultos.

A derradeira mensagem: 
A mensagem que pretendo deixar para nossos leitores não é lá muito alvissareira. Nada tem de promissora e, tampouco, traz resquícios ou respingos de boas novas.  Peço encarecidamente, ou melhor, rogo a cada cidadão brasileiro, a cada cidadã, que acorde. Que saia do marasmo.

Que deixe de lado a pecha da imbecilidade. A imbecilidade é uma moléstia incurável. Não há remédio para aplacar a sua fúria, pelo menos até agora.

Não tenho notícias de nenhum novo cabra nos moldes do médico e cientista Osvaldo Cruz. O povo brasileiro, a bem da verdade, é muito pateta, muito besta, a ponto de, neste retardamento, se deixar levar pela síndrome do ordeirismo.

O que vem ser a síndrome do ordeirismo? É aquele mal irremovível do muito disciplinado, do muito certinho, do “sim senhor, não senhor, mete o ferro que a gente aguenta”. A raia miúda é tão certinha, tão nos trilhos, que chega aos píncaros da cordeirice (não confundir com ordeirismo), da singeleza súplice e mansa num simples ato de espirrar.

Povo manso, neste país morto, falecido e enterrado, é sinal de gente dobradiça, submissa, apalermada, tonta, embasbacada e sem visão nenhuma de futuro.

O que pretendo deixar bem claro é muito simples. Meus amados, acordem. O tempo de acreditar em Papai Noel e Cinderela, acabou.  Foram para o ralo os nossos heróis, os nossos sonhos, as nossas quimeras. De roldão, a nossa dignidade, o nosso caráter, a nossa falta de vergonha. É este o teor da minha mensagem.

Avante, meus caros. Lutem, pelejem, vão à forra. Gritem, berrem, uivem, ladrem, bramem, se enfureçam, protestem, vociferem. Só não permaneçam, pelo amor de Deus, de braços cruzados à espera de alguma melhora como tristes Palermas.

O tempo dos tolos e boçais foi para a Casa do Caralho, como Dom Quixote de La Mancha e suas ideias de destruir os moinhos de ventos. Os moinhos de ventos continuam, firmes e fortes (Brasília o penico do mundo está cheio deles), mas os “Dons Quixotes...”.


Tenham em mente que a vida hoje é um eterno e maligno arrastar de desgraças. Cada dia uma nova infâmia aparece à nossa frente. Nós continuaremos a ser as almas penadas deste País fantasma. Como não nos resta outra saída, tampouco uma rota de fuga, pensemos como o grande poeta gaúcho Mário Quintana: “Dentro das atuais coordenadas do espaço e do tempo, aqui nós vamos equilibrando sobre este fio da vida. Que rede de segurança nos aparará?”.      Fiquem, pois, espertos. O fio da vida... de repente...
Um forte abraço
Saúde, Graça e PAZ!
Aparecido (do Rio de Janeiro, acompanhando o Sapatão, perdão, o Pezão que acabou de ser preso).

Muito obrigado, Aparecido!
Post Scriptum: Com certeza eu teria mais perguntas a perguntar ao Aparecido, mas sei que os nossos generosos leitores (aqueles!) vão vir com tudo, porque sabem, como eu, que Aparecido responde a tudo.

Conversas anteriores:

15 comentários:

  1. Uma bela matéria. Gostei muito mesmo, Sr. Aparecido. Aliás, estas bem bonito ainda, heim?
    Confesso que nos últimos 3 anos e após me aposentar, andei filosofando sobre a minha existência até então.
    Há pouco tempo encontrei numa roda de gostosões o empresário Oscar Marone. Aquele dono do puteiro BAHAMAS em São Paulo! Parei no meio da roda e percebi um ponto de interrogação na testa daqueles deliciosos homens como se perguntassem o que aquela velha estava fazendo ali? Comecei então meu ligeiro discurso:
    "Olha aqui Marone, se eu tivesse escutado teus conselhos, hoje estaria rica e não teria tantas varizes nas minhas pernas... porque eu teria trabalhado deitada!"

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  2. Hoje mesmo, ao encontrar Papai Noel no Shopping, aproveitei aquele rápido instante que estávamos sozinhos e fiz o seguinte pedido:
    "Papai Noel, eu quero um emprego que ganhe muito bem e não faça nada. De preferencia na O.N.U.". O bom velhinho a princípio não entendeu ou não acreditou no pedido que acabara de ouvir. Mas, logo em seguida soltou o seu tradicional HÔ HÔ HÔ !

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  3. Não acredito em quem não fala palavrões!

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  4. Gostei da Casa do Caralho! rssss

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  5. Quer um conselho, Aparecido? Peça exílio para Jim Pereira e puxe teu carro para Portugal. Porque isso aqui é assim e não vai mudar nunca por conta da cabecinha do povinho.

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  6. Sensacional!
    Rasgou o verbo, chutou o balde e mandou tudo pra PQP.
    Taí um cidadão consciente!

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  7. Bem, também falo palavrões, não diariamente ou a toda hora, creio que há linguajar melhor. Não é minha leitura preferida.

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  8. Toca os cinco instrumentos e ainda assobia , dizer o quê?
    Abraços !

    Paizote

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  9. Não existe linguagem "chula", existe linguagem cotidiana.
    Quando um brasileiro vê um incidente diz:
    - Que merda!
    - Puta que pariu!
    E filma a desgraça.
    O americano quando vê um incidente diz:
    - Jesus Christ!
    Chama 911 e ajuda no que pode.
    Quando um chinês vê um incidente não faz nada.
    Gaúcho costuma dizer que fica "PUTO DA CARA", bom eu digo "PIÇUDO".
    Quando alguém diz uma "BURRICE" mando a merda ou "tomar no cu".
    Apesar de ter a mesma opinião do "respondando" sobre ideologias "cazuzianas", não creio em deus nem em religiões, ambos são ideologias.
    Também trabalho desde 13 anos, tenho carteira "DIMENOR".
    MEU CONCEITO DE FAMÍLIA é que cada um faz a sua.
    Depois morremos e eles ficam brigando pelo espólio, faz parte dos inumanos.
    Quanto ao amor, que é uma doença que o tempo cura, não acredito que seja eterno enquanto dure, mas enquanto "DURO".
    NÃO ACREDITO EM FATALIDADES, apenas erros humanos ou escolhas erradas.
    Não acredito em "ESPERANÇA", apenas tenho expectativas que tudo pode melhorar.
    Na política minha crença é que qualquer regime pode ser bom, desde que haja honestidade.
    Meu maior sonho é a "ISONOMIA" entre seres humanos.
    Para finalizar sou o mesmo antes do teclado e depois de teclado.
    Boa entrevista, nunca li os livros de Aparecido por motivo de "gosto", prefiro os de filosofia. Quando novo adorava livros de bolso.
    fui...

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  10. Uau! Meu patrão está bonito nas fotos. Merece destaque. Parabéns ao senhor Jim pela reportagem e igualmente ao Aparecido, pelas respostas.
    Carina
    Ca
    (de São Paulo, Capital)

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    Respostas
    1. Está bonito nas fotos.
      Está demitida! kkkkkkkk

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    2. Carina está comigo há dez anos. Já faz parte do mobiliário da casa. Sem despedidas e despedimentos. Aparecido Raimundo de Souza de São Paulo.

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    3. Patrão está bonito sim...não só nas fotos! bjs

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  11. Compreendo perfeitamente a revolta explícita no texto porque eu mesma após aposentar, comecei a enxergar a quantidade imensa de vagabundos (parasitas) que existem neste país. Enquanto eu trabalhava não fazia a mínima noção de tanto vagabundo que existe por todos os cantos. Por este motivo e baseada no currículo acima, enalteço o Aparecido e entendo porque rasga o verbo! Tem mesmo que rasgar tudo porque é revoltante.

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