terça-feira, 8 de janeiro de 2019

[Aparecido rasga o verbo] O que é a vida? – Parte dois

Aparecido Raimundo de Souza

A vida é uma rua de mão única”.
Bernard Berenson

COMO DISSEMOS NA EDIÇÃO ANTERIOR, ao publicarmos a Primeira parte deste trabalho, aqui segue a segunda da série “O que é a vida?”. A vida é, pois, uma tensão de todo ser, animada de um poder que se manifesta pelo movimento. Confirmamos a ideia de se agitar, ou de se chacoalhar, pelo emprego do adjetivo “vivo”, aplicado à coisa não dotada de vida, mas animada a se fermentar, melhor dito: convulsada de alvoroços e abalações.

Neste norte, se falamos, por exemplo, de uma planta viva por oposição a uma planta seca (Sl 58.9), ainda mais à água estagnada que não corre (Gn 26.19; Lv 14.5), estaremos indicando que a água inativa está morta como a planta amuada ou ojerizada. 

Em sentido igual, entra em cena, de novo o substantivo “haya” que designa um animal vivo e, especialmente, um animal selvagem por contraposição ao animal doméstico, ao gado da tropa cuja existência é mais pacífica e branda do que a dos animais dos campos e dos bosques (Gn 7, 14, 81; Lv 11.2). Francisco Candido Xavier, em seu livro “Sinal verde” Editora CEC Uberaba, Minas Gerais 1971, ditado pelo Espírito de André Luiz, bate reiteradamente na tecla de que “os mortos não possuem mais este poder ativo da vida em abundancia e tornam-se seres muito fracos, sombras sem forças, pedras deixadas ao léu, enfim, se classificam como habitantes da morada dos mortos onde à vida continua a todo vapor, todavia, num ritmo lentíssimo”.

André Luiz se baseou, evidentemente, em (Sl 88.10; Is 14.9-10 e 26.14). Uma ideia mais importante ainda ligada à noção de vida é a de “plenitude” e de “intensidade” da vida. A palavra, que corresponde ao nosso substantivo, “vida”, é quase sempre empregada no Velho Testamento na forma plural: “Hayyin ou hayyn”.

Contudo, este número não indica uma existência de muitas variações, porém uma regularidade particular da vida, uma perfeição e uma completude fácil de ser precisada pelo emprego do verbo “viver” encontrada em vários textos que tratam do mesmo assunto. 

O poeta Carlos Drummond de Andrade entendia que “o sentido da vida se constituía em buscar qualquer sentido notadamente onde não existisse sentido nenhum”. Deixou isto bem claro em seu livro “Sentimento de mundo” Editora Três Pontas – Itabira, Edição de 1940.

Em contrário ao filho mais famoso de Itabira, nas Minas Gerais, o francês Charles Baudelaire, em “As flores do mal” Editora Auguste Poulet-Malassis, Edição de 1857, afiançava cabalmente que “a vida é um hospital, onde cada enfermo tem o desejo de trocar de cama”. “Viver” nesta base significa não somente “existir” na acepção comum da palavra, igualmente durar, conservar, se arraigar, aconteça o que acontecer lá na frente.

No pensar de Henry Miller, como bem colocado em sua trilogia “A Crucificação encarnada”. “Viver a vida – escreveu o autor de ‘Trópico de Capricórnio’ - viver a vida é foder todas as mulheres enquanto o pinto der sinais de que está a todo vapor e sempre querendo uma bocetinha a mais, desde que essa nova e a perigo, transcenda e goze num rápido improviso para ser sumariamente comida”.

Viver a vida é a mesma coisa que sobreviver quando a fraqueza, a doença e a morte se fizerem presentes, tentando atacar aquilo tudo que aparentemente parece estar vivo. No aro desta argola, aquele que morre de fome vive quando encontra o alimento (Gn 43.8; 2Rs 7.4), aquele que é ameaçado de morte vive quando é libertado (Gn 20.7), aquele que está doente, vive quando recupera a saúde (Js 1.8; Nm 21.8-9; 2Rs 1.2; Is 38.9), de maneira que o verbo viver denota “sarar e voltar à vida” após a morte, por uma restauração inteira, absoluta, das forças vitais.

Não se pode falar de vida quando se está doente, fraco, provado e infeliz. Este acuminado de vida chega à sobre passar (ou ir adiante, além, aquém) da pessoa e se entende que tudo o que lhe concerne ao resumo do que possui, está destoado e fora do seu corpo. Viver é ainda, não somente lucrar ou se apetecer de boa saúde, principalmente conhecer a abundância e a prosperidade”.

A vida na pobreza e na miséria não é realmente vida para o homem do Velho Testamento. Aquele que conhece a vida possui a magnitude dos bens materiais e obtém sucesso em seus empreendimentos. Isto é real para o gado alimentado com riqueza de proteínas (se dizia fazer viver seu gado, isto é, lhe dava uma alimentação sadia e à altura).

O mesmo crédito pode e deve ser debitado ou empregado para uma nação, um povo, uma sociedade, uma cidade em ruinas. Enfim, uma comunidade que foi reconstruída e se tornou venturosa (Ne 4.2) e aqui, leitores amados, atentem para um fato importante: é mais real para o cidadão comum, cuja vida e abastança, acima de qualquer suspeita, se identificam e se entrelaçam (Dt 8.1) num mesmo amplexo que jamais venha  a se divorciar, ainda que acometido por grave e inconsequente abluvião.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista. De Fortaleza, Ceará. 8-1-2019
A terceira parte continuará no nosso próximo encontro que se dará dia 11-1-2019, sexta-feira.

Colunas anteriores:

14 comentários:

  1. Foi um desafio descobrir quem ou o que é Gadu em um comentário teu.
    Sempre se aprende algo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Boa noite, caro Anônimo das 20:49. Prometi não responder aos Estrangeiros que não se identificassem, mas em respeito ao G.A.D.U abrirei uma exceção. Repare. G.A.D.U não é quem ou o que. Ele é. Ponto pacífico. E o que Ele é? É como chamamos DEUS na maçonaria. Logo, G.A.D.U quer dizer GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO. Toda vez que se faz referência ao simpático e saltitante G.A.D.U, deveria ser colocado entre as letras, três pontinhos. (não assim...), mas dois pontinhos (..) e um terceiro em cima destes dois. Como sou meio inteiro burro, não aprendi a grafar o G.A.D.U com os pontinhos nos lugares correspondentes. Já me ensinaram, mil vezes, mas a imbecilidade do não conhecimento das teclas me deixa, às vezes, em má situação. De outra vez, rogo que o prezado Desconhecido se identifique.
      Saúde, Graça e Paz com um TAF.
      Aparecido Raimundo de Souza, de Fortaleza, no Ceará.

      Excluir
    2. Boa noite, amigo Jim. Obrigado pela "deixa". É isto mesmo.
      Um TAF com muita saúde, graça e PAZ!
      Aparecido Raimundo de Souza, de Fortaleza, no Ceará.

      Excluir
    3. Eu fico com a pureza
      Da resposta das crianças
      É a vida, é bonita
      E é bonita

      Excluir
    4. Obrigado a ambos!

      Paizote

      Excluir
    5. Paizote, um TAF pra você também com muita saúde, graça e paz!
      Aparecido Raimundo de Souza, de Fortaleza, no Ceará.

      Excluir
  2. Há quem fale
    Que a vida da gente
    É um nada no mundo
    É uma gota, é um tempo
    Que nem dá um segundo

    Há quem fale
    Que é um divino
    Mistério profundo
    É o sopro do criador
    Numa atitude repleta de amor

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. "Metida tenho a mão na consciência e não falo senão verdades puras que me ensinou a viva experiência". Camões - Sonetos.
      Aparecido Raimundo de Souza, de Fortaleza, no Ceará.

      Excluir
  3. Como é símbolo MAÇON, você só encontra no mapa de caracteres do windows em MS gothic

    G∴A∴D∴U∴
    ∴ significa PORTANTO

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Amigo Vanderlei, é assim mesmo. Já me ensinaram, já vi um monte de videos no You Tube, difícil é colocar na prática do teclado do meu lepizinho, passo a passo. Como disse, sou meio burro inteiro para estas coisas simples.

      Aparecido Raimundo de Souza de Fortaleza, no Ceará.

      Excluir
    2. NO WINDOWS 10 ENTRAR EM MAPA DE CARACTERES, E ESCOLHER O TIPO DE ESCRITA, NESSE CASO MS GOTHIC... ESCOLHER OS 3 PONTINHOS, CLICAR EM COPIAR E QUANDO ESTIVER ESCREVENDO DIGITAR CTRL V...

      Excluir

Não aceitamos comentários "anônimos".

Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-