sexta-feira, 12 de abril de 2019

[Aparecido rasga o verbo] Breves considerações sobre espirros interrompidos

Observações médicas de interesse geral

Aparecido Raimundo de Souza

ACONTECEU ASSIM.  De repente alguém passou perto de mim com um cheiro diferente, anormal quase aberrante. Talvez um perfume na roupa, um desodorante, sei lá. Alguma coisa crudélica. Em outras palavras, fora do padrão normal. O fato é que esse odor irregular e maluco mexeu feio com o meu nariz, deixou o brabo, irado e, consequência disto, me deu ou me veio uma vontade louca de espirrar.

Afinal, já que falamos nele, o que é o espirro? Os leitores amigos saberiam explicar? Tentaremos à nossa maneira. Alguns autores dizem que o espirro nada mais é que uma alergia respiratória oriundada por uma alergia respiratória. Ponto pacífico. Essa alergia pode ser causada por rinite alérgica ou por alérgica rinite. Ou vice-versa.

Vejamos agora quais são esses sintomas: comichão irritante na parte saliente piramidal do centro da face, tosse permanente, contínua, perdurável, buracos nasais obstruídos, ou com coriza (corrimento de catarro), leve dificuldade respiratória, espirros secundários frequentes, geralmente catastróficos, coceira na cabeça do pinto e colhões, e, nos olhos, forte e incoerente vontade de chorar OK. Tudo bem até aqui. Mas e as causas?!

Entre as mais conhecidas, estão os ácaros, fungos, pelos de animais (gatos com corpos de gatos, cachorros com corpos de cachorros), poeira empoeirada, mudanças de climas,
ambientes úmidos, e fumaça. Principalmente as expelidas por altas chaminés de fábricas clandestinas.

Li num manual para narizes indefesos (versão recente revista e aumentada para escoteiros e lobinhos), toda vez que espirramos liberamos em torno de 40.000 gotículas infecciosas num raio de duzentos metros em linha reta perpendicular curva. O espirro, na verdade, nada mais é que uma forma do corpo expulsar o dióxido de carbono em excesso, sob a forma de partículas líquidas, conhecidas também como perdigotos.

O espirro é geralmente um acontecimento ruidoso, malcheiroso e se torna particularmente desagradável quando a pessoa que espirra, não põe as mãos em atitude de prece na frente do espirro e ele claro, esguicha longe, projetando uma espécie de chuva-raio trovão e ventania. Tudo à moda Anísio Chico.  “Vupt Vapt”.

O espirro é ainda uma expulsão de ar, convulsiva e semiautônoma do nariz e da boca. Como a vontade de cagar ele vem sem aviso. Sai aos trambolhões, do mesmo modo, sem anunciar. Isso quer dizer que o espirro praticamente não difere muito ou quase nada de uma boa vontade de expelir as fezes intestinais.

Aliás, a diferença de um para o outro, se funda no seguinte. Segundo o médico cientista e oncologista Dráuzio Varella, “a bosta escorre pelos trilhos do ânus (o reto e o semi-reto) e o espirro pelos desvãos da bunda (ou órgãos do olfato), diferentemente do nosso ânus traseiro, em face, logicamente de estas fossas ficarem situadas no meio do rosto e fazerem parte do que a medicina especializada classificou de sistema respiratório”.

E prossegue o especialista, autor de vários livros, entre eles, ‘Estação Carandiru e Carcereiros’. “O ânus tem um furo só e o nariz dois buracos de iguais tamanhos. No nariz você exerce certo controle na hora agá, ou seja, consegue tapar com as mãos, ou abafar com um lenço embebido em éter ou álcool. No bosteamento, o controle nem sempre chega a ser a contento’”.

Em resumo, caríssimos leitores, quem manda na vontade de cagar é o cu e fim de papo. Por mais que se tente segurar essa vontade, não se consegue, em vista da forte pressão que se forma no intestino grosso. Além de grosso o sujeito se considera delgado. Não importa. O ato em si se torna impossível. Assim, o azedume, quando resolve se pôr a caminho acaba escapando e, em consequência, exalando o ambiente com seu cheiro fuzarcamente acre e indigesto.

O acre, como sugere o nome ACRE, não é bom. Imaginem agarrado a uma fuzarca qualquer, e para piorar o quadro, indigesta. Neste tom, a vontade de cagar sem cheiro não é cagada, é mera ventosidade anal disfarçada de peido, como um traque retraído, assim tipo o espirro. 

A propósito disto, leciona o ensaísta Antonio Maria Corifeu de Azevedo Marques. “Peidar não é cortar a ventosidade anal, mas, sim, orientar a cagada para o lugar certo e sem atropelos para a privada que a receberá”. Voltando ao foco, sem a liberação de gotículas não é espirro é mero projeto de espirro.

O espirro geralmente é causado por irritação e às vezes por bloqueio bacteriano na garganta, pulmões ou nas passagens internas do nariz. Para espirrar de propósito, os especialistas recomendam que se façam cocegas com uma pena nas portas do nariz, ou com um consolo de porte médio na porta do ânus.

Substâncias que causam alergia como pólen, pelos de animais, bocetas mal lavadas, sovacos cheirando a cecê, assim como outras iguarias hipersensíveis que não causam alergia e são, geralmente, inofensivas. Todavia, quando irritam os buracos do nariz, o corpo padece e, por padecer, responde, ao expirá-las, pelas articulações nasais.

O espirro é por outro lado, uma reação do corpo à obstrução das vias internas, principalmente o nariz e a garganta. Sua função é botar para fora do corpo, sem mais delongas, algo que o esteja incomodando. É por isso que espirramos quando estamos em ambientes empoeirados, sujos ou muito perfumados.

Outra ocasião em que borrifamos bastante é quando estamos resfriados. Nesse caso, o organismo usa a constipação para tirar do corpo o catarro acumulado nos pulmões. Os músculos das costas, abdômen, aqueles fruscos abaixo das costelas estão envolvidos diretamente no espirro. Quando poeira, fumaça ou cheiro irrita o nariz, o centro respiratório é informado e interrompe a respiração normal, o que faz a gente inspirar profundamente.

Subitamente, em contrapartida, mexe com todos esses músculos que se contraem, empurrando todo o ar para fora de uma vez só. A glote bloqueia a saída do ar dos pulmões, como se fosse uma tampa na garganta, e, logo em seguida, se abrem, liberando o caminho.

Geralmente é considerado impossível alguém manter as pálpebras abertas durante um espirro, ao contrário do cu que se arreganha todo como mala velha. O reflexo de fechar os olhos é devido a uma proposta não óbvia: os nervos que servem aos olhos e ao nariz estão próximos e relacionados, e o estímulo a um deles, geralmente, assanha alguma resposta esquisita no outro. Entretanto o fechamento dos órgãos da visão protegem os ductos lacrimais e vasos sanguíneos das bactérias expelidas no espirro.

Com o cu ocorre o atalho inverso. Se você tentar abortar um peido, ou uma possível “cagada em andamento”, seja tamponando a vontade ou espantando o desejo, mostrando, por exemplo, um gato molhado, ele, o espirro, se avoluma de tal forma que transforma a coisa em um ataque duplo, ou, uma manifestação súbita de espirros intermitentes juntamente com a bosta, ambas na mesma sintonia meridiana.

Acontece, pois, uma explosão inesperada. Devemos ter em mente que uma vez a merda virada bosta, o cocô fulmina com tudo, como se algo muito forte e pesado o puxasse com sólida contração para o lado de fora.

Em face desta humilde explicação, o melhor que se tem a fazer é: deu vontade espirrar, espirre. Mesmo modo, sentiu vontade defecar, procure a privada mais próxima e acomode os fundilhos. Fique atento, todavia, para o chamado espirro manhoso ou espirro teimoso.

Entendam a logística: o espirro manhoso ou teimoso é aquele que vem sem que se espere, e junto, de roldão, ao ser jogado na atmosfera, costuma ser seguido de uma “cagada destemperada”. Se isto ocorrer, reze para que esteja em casa. Ou próximo. Em público, amigos e amigas, dentro de um ônibus lotado ou qualquer outro lugar em que não haja um banheiro disponível, o vexame será duplamente maior.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. 12-4-2019

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