sexta-feira, 25 de setembro de 2020

[Foco no fosso] Evitar caos nos dedos

Haroldo Barboza 

No início do século XXI, tive a satisfação de ver meu artigo “Falência orquestrada da Educação e Cultura” ser publicado na coluna do editor-chefe (e dono) da Tribuna da Imprensa (RJ) Hélio Fernandes. Creio que na época, cerca de 8000 leitores passaram os olhos na matéria, que precisou ser dividida em dois dias seguidos. 

O Mestre Hélio Fernandes (que não conheci pessoalmente) chegou a comentar que tal artigo deveria ser lido pela CPI da época (sobre a Educação) ANTES de prosseguirem com os trabalhos em pauta. 

Imaginando ser o “vidente” do século, a seguir cheguei a escrever para o gabinete do Ministro da Educação (Buarque de Holanda) que demonstrava sua preocupação com nossos herdeiros (e com o país). 

Cheguei a receber resposta ao e-mail (talvez dada por um Assessor dele) afirmando que o Ministério estava alinhado com minhas colocações. Então tolamente imaginei que finalmente grades e conteúdos seriam alterados para criar um ambiente eficaz de aprendizado coletivo. 

Meu entusiasmo foi esfriando com o passar dos anos. Recebendo um balde de água gelada, quando o Ministro Gilberto Gil (2005) afirmou que ”Nosso governo é omisso na área de Educação”. E ficou por isso mesmo. 

E mesmo os depoimentos claros, corajosos e emocionados das Professoras Amanda Gurgel (RN) e Vanessa Storrer (Curitiba), não foram capazes de alimentar a chama da indignação de pais observando o tipo de ensino destinado aos nossos herdeiros. 

Após quase 20 anos, observo magoado que a “luz no fim do túnel” não tem mais claridade para iluminar o fundo do poço onde deitam-se nossas boas e sinceras esperanças por uma grande pátria com oportunidades honestas para o povo. 

Criamos uma geração que acredita que o Google é o melhor Professor do planeta (ele não nos pede para tirarmos os pés de sobre a mesa). Também acredita que o smartfone é a caneta mágica que nos permite tirar 10 em qualquer exame para ingressar nas mais conceituadas empresas. 

Tendo estes dois elementos na palma da mão, que se danem as escolas combalidas e que os Professores “dinossauros” sejam aposentados de vez. 

Depois de tantas decepções, não haveria mais por que editar pensamentos (para menos de 500 leitores de 4 sites) sobre a matéria. Apenas continuo (com menos frequência) a abordar o tema esporadicamente para evitar atrofia dos dedos e dos neurônios. 

Com a falência de tantas outras atividades e entidades sociais em rápida velocidade, espero mudar de plano antes que o “Braiti” seja oficialmente reconhecido em nosso território. 

Título e Texto: Haroldo Barboza, 25-9-2020 

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