Caras amigas e amigos,
Nas últimas semanas esta wall
tem recebido milhares de posts, vindos de Portugueses de todo o mundo. Como
imaginam, e especialmente num momento tão complicado, é-me impossível
acompanhar todos eles, mas a minha equipa faz-me chegar muitos dos vossos posts
e leio-os com atenção. Considero ser verdadeiramente importante conhecer as
histórias e preocupações dos Portugueses reais, de modo a nunca me esquecer que
as decisões difíceis que tomo medem-se não só em números e percentagens, mas em
vidas e sacrifícios.
Desde que anunciei, no dia 13
de Outubro, as medidas mais duras do Orçamento de Estado para 2012, muitas têm
sido as mensagens de frustração ou desespero que li nesta página. Mensagens
como a da Ana Isabel Albergaria que escreveu “ Exmo Sr Primeiro Ministro. Votei
no senhor e ainda acredito que está a fazer o melhor que pode e sabe. Preciso
muito da sua ajuda. É sobre o meu orçamento familiar. Até aqui o ordenado nunca
chegava ao fim do mês. Era com os subsídios de natal e férias que eu conseguia
equilibrar as finanças, pagar seguros, contribuições, irs, ou outra despesa
extraordinária, como um par de óculos. Já cortei tudo... mas as despesas não
essenciais. Tomo banho só uma vez por semana, só acendo uma lâmpada, dispensei
a mulher-a-dias, só saio no carro em casos extremos. Não sei mais onde cortar e
o dinheiro não chega. Por favor diga-me o que hei de fazer para poder continuar
a pagar as obrigações ao Estado. Estou desesperada. Agradeço que me ajude e dê
sugestões de como equilibrar as minhas finanças.”
Como a Ana Isabel, muitos de
vocês estão assustados com o desafio que temos de enfrentar. Mas acredito
também que, por mais que estes sacrifícios nos custem, sabemos hoje que não
podemos mais fechar os olhos aos erros do passado. O momento de rescrever o
futuro dos nossos filhos é agora e eu acredito que vamos consegui-lo.
Felizmente tenho descoberto
também nesta plataforma que muitos são os Portugueses que acreditam. Homens e
mulheres inspiradores que não baixam os braços. E usando as palavras de um deles
– um redactor de Oeiras chamado Richard Warrell, filho de mãe portuguesa, que
escreveu “Chega. Chegou a minha hora. Vou acordar todos os dias e vou pensar no
que vou fazer hoje para que amanhã seja melhor. Vou gastar menos em coisas
supérfluas e mostrar aos meus filhos que é assim que deve ser. Vou educá-los de
maneira a não caírem nos mesmos erros da minha geração e das anteriores. Esse
será o meu legado e o melhor que todos podemos fazer. Estamos a desperdiçar o
presente. Asseguremos o futuro. Por mim, o fim acaba aqui. Este barco não vai
ao fundo.”
À Ana Isabel, ao Richard e a
todos os que aqui escrevem diariamente peço que não deixem de acreditar.
As dificuldades existem e têm
de ser enfrentadas. Mas vale a pena enfrentá-las e ganhar força para as ultrapassar.
Trata-se também de uma oportunidade para fazermos as coisas de modo diferente
para futuro. Estaremos não apenas a corrigir erros do passado mas sobretudo a
construir uma perspectiva de futuro bem mais digna para os nossos filhos e para
nós próprios.
Juntos, com trabalho, vamos
conseguir.
Pedro Passos Coelho,
21-11-2011, Facebook
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