Não é para qualquer coração aguentar o que se passou no Estádio do Dragão. Mesmo tendo feito tudo ao contrário, o FC Porto esteve perto de vencer com um golo aos 90+1’, mas o Famalicão reagiu aos 90+9’, a tempo de materializar a brava exibição que fez contra o líder (2-2). A equipa de Farioli volta a perder pontos e é o candidato menos em forma na segunda volta da I Liga
Francisco Martins
A celebração foi algo
atabalhoada. Sorriso quis festejar em cima dos bancos dos fotógrafos e talvez
não tenha estado empoleirado tempo suficiente para que as lentes o apanhassem.
O extremo do Famalicão é praticante daquela moda de ter a mão ligada mesmo quando
não há motivo aparente para tal. No entanto, após a celebração do 1-1, teve
mesmo que ser enfaixado com o propósito de conter o sangue que escorria.
Quem apanhasse a imagem fora
do contexto, diria que tinha acabado de tirar a mão da ferida do FC Porto.
O líder do campeonato sofreu uma emboscada feita pelas emoções. Muitas vezes, os dragões usam-na a seu favor, mas, aqui, pareciam estar a fazer peso nos bolsos. Já o tempo se aproximava, com os descontos, dos três algarismos quando Victor Froholdt lavrou um pedaço do relvado com uma entrada à queima despropositada. Roméo Beney aproveitou a virilidade descontrolo do dinamarquês e infiltrou-se na área no lance em que Rodrigo Pinheiro fez o 2-2, anulando, aos 90+9’, uma vantagem que os azuis e brancos tinham conquistado oito minutos antes.
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| Foto: Diogo Cardoso |
O FC Porto vai mancando nesta
segunda volta. Soma já uma derrota e três empates, sendo o candidato ao título
que mais pontos perdeu (9) na derradeira metade da I Liga. Benfica e Sporting
cederam ambos apenas 4. O maior perigo vem do lado dos leões. Caso a equipa de
Alvalade vença o jogo que tem em atraso, pode ficar a apenas 2 pontos do topo.
Já o Famalicão, angariou uma igualdade preciosa na luta pela defesa do 5º
lugar.
A equipa de Hugo Oliveira foi carismática no Estádio do Dragão com os toques de personalidade, entre outros fornecedores, a serem dados por Gustavo Sá. Ser capitão de uma equipa da I Liga aos 21 anos significa ter um certificado de competência atarraxado ao braço. Teria sido um duro golpe para o campeonato perdê-lo no mercado de inverno para a Arábia Saudita. A classe média do futebol português precisa de mais exemplos assim.
Sempre pensando o impensável,
foi com um requintado túnel sobre Victor Froholdt que a nobre presença de
Gustavo Sá mudou o centro do jogo para a esquerda. Sorriso, esquecido na ala,
progrediu até junto de Diogo Costa. Tendo optado por ir tão longe na condução,
foi abafado pelo guarda-redes. O FC Porto livrou-se de boa logo aos 3’.
Lazar Carević não cedeu ao
estigma que o tenta posicionar junto à baliza só porque calça luvas e veste um
equipamento diferente. O guarda-redes ostentou o jogo de pés em parceria com os
centrais, fator surpresa que fez colapsar a pressão azul e branca. A coragem do
montenegrino corroeu várias amarras.
O Famalicão fez a exibição
mais ornamentada. Superando a pressão desde trás, os médios interiores surgiram
desacompanhados em zona de remate. Gustavo Sá rematou ligeiramente ao lado, o
que, somado à tentativa de igual modo ameaçadora de Mathias de Amorim,
inclinava as possibilidades de vitória.
A reação veio de onde menos se
esperava. Zaidu galvanizou-se e, na sequência de uma arrancada, cruzou para o
desvio de Terem Moffi travado por Carević com o peito. Conhecemo-lo como
Alberto Baio, transformou-se em Alberto Costa. Desta vez, não ganhou um apelido,
mas ficou registado na Sociedade Portuguesa de Autores de Golos. O lateral
estreou-se a marcar no campeonato e logo num momento em que os dragões
precisavam de soluções.
Farioli, uma vez em vantagem, ganhou fôlego para pensar no que fazer. Com urgência, era preciso remendar o meio-campo com a terceira opção para um lugar. Gabri Veiga cumpriu castigo e Rodrigo Mora foi titular. No entanto, devido a um problema muscular, teve que sair ao intervalo. Compensou-o Seko Fofana.
Este era definitivamente um
jogo em que o FC Porto fez tudo ao contrário. O italiano não conseguiu estancar
a ferida. Froholdt, que tantas recuperações costuma fazer, teve uma perda
comprometedora. O critério e a variação entre jogo interior e exterior revelaram
espaço para Rafa Soares cruzar na direção de Simon Elisor. Diogo Costa colocou
ao dispor da adoração a espetacularidade da sua defesa. Na recarga, Sorriso
empatou.
O FC Porto jogava ao
desbarato. O Famalicão, do início ao fim, foi lógico nas saídas para o ataque e
teve o mérito de nunca adotar uma estratégia defensiva também conhecida por
soubemos sofrer.
O vinco deixado pela filosofia convicta foi indelével, mas testado. Numa jogada individual, Seko Fofana rematou em jeito, dando ao FC Porto uma vantagem que, pelo pouco tempo remanescente, parecia definitiva. O médio que foi herói em Braga e também tinha aparecido no clássico frente ao Sporting parecia ter vestido o fato de novo.
Acontece que o Famalicão
equipou de amarelo torrado, o que, com a exibição apresentada, criava um efeito
brilhante. E o ouro fica sempre o sobre o azul. O estádio festejou tanto o 2-1
que ficou desolado com o aceitável 2-2.
Título e Texto: Francisco
Martins, Tribuna Expresso, 4-4-2026, 23h33
Igualdade ao cair do pano
“Temos de virar a página”
“Temos de reagir com força”


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