sábado, 4 de abril de 2026

[Versos de través] O sonho de Ulisses

Alexandra Barreiros

Pelos caminhos brancos de Ítaca 
Naveguei em pleno mar, em pleno vento 
Pelas ondas escuras da memória, 
atravessadas de luar
E se tentei, em vão, ultrapassar o tempo,
Não foi para me salvar da morte
Foi para guardar Ítaca em mim, para sempre.

Mas coisa que procurei fixar
Queimaram-me por dentro
Como uma febre, ou uma ausência,
um cansaço imenso de pensar.
E Ítaca tornou-se aos poucos
a visão longínqua e transparente
de um homem louco.

Ao cântico das sereias abandonei-me,
Inteiro, até à loucura.
E assim voguei,
de desespero e amargura
até à extrema fronteira do sonho
E no mundo brilhante e puro que ali reencontrei,
a Odisseia foi a história
que a mim próprio contei.

Alexandra Barreiros

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Túnel 
Poemas aos homens do nosso tempo 
Porque há desejo em mim 
Passeio 
Aquela

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