Flávio Bolsonaro fará seu primeiro ato da campanha presidencial no domingo (16), na Praia de Copacabana, em uma manifestação organizada pela cúpula do PL no Rio
Quintino Gomes Freire
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) escolheu um cenário conhecido do bolsonarismo para fazer sua primeira demonstração de força na campanha. O senador dará a largada na corrida ao Palácio do Planalto no próximo domingo (16), na Praia de Copacabana, palco usado diversas vezes por Jair Bolsonaro para reunir apoiadores.
Com previsão de sol no Rio
de Janeiro, a cúpula estadual do PL prepara um ato ao ar
livre inspirado nas manifestações realizadas pelo ex-presidente na orla. A
organização pretende mobilizar dirigentes partidários, parlamentares,
candidatos e militantes.
A escolha também tem peso
simbólico. Flávio Bolsonaro começará a campanha no estado onde
construiu sua trajetória eleitoral e foi eleito senador, em 2018. Além disso,
fará o primeiro ato em um local ligado às principais mobilizações políticas do
pai.
Durante a Presidência e,
sobretudo, depois de deixar o Palácio do Planalto, Jair
Bolsonaro usou Copacabana como palco em diferentes
momentos. Os atos foram marcados por bandeiras do Brasil, discursos em carros
de som e convocações feitas pelas redes sociais.
A opção por uma manifestação
aberta, em vez de um lançamento restrito a convidados, será o primeiro teste da
capacidade de Flávio Bolsonaro de levar às ruas a base
política construída pelo ex-presidente.
Copacabana se tornou um dos principais palcos do bolsonarismo no país. Ainda presidente, Bolsonaro reuniu apoiadores na orla durante as comemorações do Bicentenário da Independência, em 7 de setembro de 2022.
Fora do governo, voltou ao
bairro em abril de 2024, para uma manifestação em defesa da liberdade de
expressão. Em março de 2025, participou de outro ato, desta vez centrado no
pedido de anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro.
Em setembro daquele ano, uma
nova manifestação reuniu cerca de 42 mil pessoas em Copacabana,
segundo levantamento do Monitor do Debate Político da Universidade de
São Paulo (USP). Entre as principais bandeiras estavam a anistia e as
críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Em março deste ano, já
com Jair Bolsonaro preso, outro ato bolsonarista realizado na
região teve público menor. Cerca de 4,7 mil pessoas participaram, de acordo com
o monitoramento acadêmico.
Campanha começa pelo berço
político
O lançamento em Copacabana faz
parte da estratégia de Flávio Bolsonaro de concentrar esforços
no Sudeste no início da disputa. A campanha planeja dedicar
cerca de 60% da agenda do candidato à região, onde estão os três maiores
colégios eleitorais do país.
São Paulo, Minas
Gerais e Rio de Janeiro somam 63,3 milhões de
eleitores. O número representa 39,9% dos 158 milhões de brasileiros aptos a
votar nas eleições de 2026.
No mesmo domingo, Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) também começará a campanha retornando às
próprias origens políticas. O presidente escolheu São Bernardo do Campo,
no ABC Paulista, onde construiu sua trajetória sindical e iniciou a
carreira política, para o primeiro ato da tentativa de reeleição.
Os dois principais candidatos
abrirão a disputa no Sudeste e em locais associados às
trajetórias políticas de seus respectivos grupos.
As pesquisas mais recentes
da Quaest ajudam a explicar a atenção dedicada à região. Flávio
Bolsonaro aparece com 40% contra 35% de Lula em São
Paulo. No Rio de Janeiro, o senador tem 38%, ante 35% do
petista.
Em Minas Gerais, o
cenário se inverte. Lula aparece com 38%, enquanto Flávio soma
35%. No Rio e em Minas, as diferenças estão dentro
da margem de erro.
Para Flávio Bolsonaro,
o Rio de Janeiro tem uma função particular. Foi no estado que
o senador construiu sua carreira política. É também onde a campanha pretende
começar a tentativa de preservar a vantagem conquistada pelo pai há quatro
anos.
No segundo turno de
2022, Jair Bolsonaro recebeu 56,53% dos votos válidos entre os
eleitores fluminenses. Lula ficou com 43,47%.
Desta vez, porém, Flávio chega
à disputa com um cenário estadual menos confortável. Em 2022, Bolsonaro tinha
como candidato ao governo Cláudio Castro (PL), reeleito ainda no
primeiro turno.
Agora, o PL terá Douglas
Ruas na disputa pelo Palácio Guanabara, em uma chapa pura
e sem alianças. O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), por sua vez,
começa a campanha consolidado na liderança das pesquisas para o Governo do
Estado.
Título e Texto: Quintino
Gomes Freire, Diário do Rio, 11-8-2026

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Não publicamos comentários de anônimos/desconhecidos.
Por favor, se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-