Paulo Hasse Paixão
A ministra do Partido Trabalhista que dirige o Reino Unido, e membro do Parlamento, Sarah Sackman, apelou à remoção de bandeiras britânicas de um bairro no norte de Londres, descrevendo-as como “inquietantes, intimidantes” e símbolos de “divisão”
Sackman criticou as bandeiras
num artigo de opinião para o The Barnet Post, um jornal local, argumentando que
“já é tempo de serem retiradas”. A ministra descreveu ainda as bandeiras como
símbolos de “divisão e intimidação” e insistiu que a identidade britânica se
resume a ser “inclusiva e acolhedora, não exclusiva e hostil”:
“Vários [residentes]
descreveram [as bandeiras] como perturbadoras, intimidantes e não inclusivas –
algo que não podemos ignorar… Numa comunidade diversa e inclusiva como a nossa,
ninguém se deve sentir indesejado.”
A senhora não esclareceu como é que a bandeira de um país pode parecer hostil aos cidadãos desse país. Também não explicou como é que a interdição da bandeira do Reino Unido contribui para a integração das multidões intermináveis de imigrantes que têm entrado no país nas últimas décadas.
Sackman é uma das muitas
figuras políticas de esquerda da capital britânica que manifestaram apoio à
remoção de bandeiras nacionais de locais públicos. Por exemplo, o presidente da
Câmara de Tower Hamlets, Lutfur Rahman, nascido no Bangladesh, apelou à remoção
das bandeiras inglesas no ano passado, apesar de ter permitido que as bandeiras
palestinianas fossem hasteadas no município.
No mês passado, o Tribunal
Superior aprovou uma injunção apresentada pelo Conselho de Oxfordshire, que
impedia a exibição das bandeiras de Inglaterra e da Grã-Bretanha nas
infraestruturas públicas. Em 2025, um protesto contra os hotéis de imigrantes
em Essex culminou na
detenção de Sarah White, candidata do Partido Reformista de Nigel Farage, por
ter pendurado a Union Jack num edifício público, enquanto um
município de Essex oferecia “apoio
emocional” a funcionários “incomodados” pela essa mesma bandeira. Em março
deste ano, um rascunho da política de coesão social do governo britânico que
foi divulgado publicamente sugeria que
as bandeiras britânica, inglesa e escocesa poderiam ser “instrumentos de ódio”.
Espantoso.
Título, Imagem e Texto: Paulo
Hasse Paixão, ContraCultura,
19-8-2026

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