Metamorfose tática transforma o extremo num jogador mais completo. Soma mais desarmes do que Bednarek e Kiwior em conjunto. Brasileiro foi titular em todos os jogos, surgindo como elemento fundamental na pressão alta. Condição física em níveis elevados permite jogar com a intensidade que Farioli gosta
Carlos Gouveia
Depois de uma época de explosão a nível ofensivo, em que compensou bastante a ausência de Samu, há um novo William Gomes [foto] no Dragão. Aos 20 anos, o extremo não é apenas aquele jogador que desequilibra, finta para dentro e marca golos de assinatura, estando a tornar-se cada vez mais completo. Sem perder a magia nos pés, o brasileiro assume-se como um elemento fundamental na estratégia de Francesco Farioli, ao ponto de ter "deslocado" o amigo Pepê para o outro lado.
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| Foto: EPA |
O que mais tem impressionado
no arranque desta época é o compromisso sem bola. A pressão alta, que é uma das
imagens de marca do italiano, tem passado sobretudo pela capacidade de William
"saltar para cima" dos adversários, fazendo uso da velocidade e,
sobretudo, de uma capacidade física que não tinha mostrado anteriormente para
encurtar espaços e abafar a saída de bola adversária no último terço.
Os dados estatísticos
sustentam esta transformação com clareza. No campeonato, o jovem extremo soma
mais desarmes (15) do que os dois defesas-centrais titulares, Bednarek e
Kiwior, juntos (13). A maioria destas recuperações de bola acontece em zonas
adiantadas do terreno, originando transições rápidas e perigosas que apanham as
estruturas defensivas opostas descompensadas.
No fundo, William Gomes deixou de ser apenas o autor de lances espetaculares para se assumir como o motor de intensidade da equipa portista, confirmando que o talento natural ganha outra dimensão quando aliado ao compromisso coletivo.
No clássico com o Benfica, William fez aquilo que, no passado, Samu fazia: cair em cima dos rivais e obrigar ao erro, somando quatro recuperações de bola, uma intercepção e um corte. Na retina dos adeptos ficou um lance em que correu dezenas de metros até à sua área para impedir que Prestianni finalizasse, numa altura em que o jogo ainda estava empatado sem golos.
A condição física impressiona
e houve outro momento de compromisso coletivo perto do final da primeira parte,
em que atingiu uma velocidade de 36,8 quilómetros por hora para interceptar um
passe de Circati e quase bater Samuel Soares. Um pico incrível, já quase com 45
minutos nas pernas, que sustenta o excelente momento físico da equipa de
Francesco Farioli, construído ao longo de uma pré-temporada muito exigente.
50,3 MILHÕES
O valor de mercado atribuído pelo CIES a William
Gomes, colocando-o como o sétimo jogador mais "caro" do campeonato
português
Com contrato até 2029, William
está seguro no Dragão (tem uma cláusula de rescisão de 80 milhões de euros),
mas a SAD pondera apresentar-lhe uma nova proposta em breve, sobretudo para
compensar o rendimento do jogador com um ordenado maior, avaliando ainda a
possibilidade de adquirir os 20% dos direitos económicos que ainda pertencem ao
São Paulo, de forma a que um futuro encaixe financeiro seja maior.
No último defeso, o extremo
recebeu várias sondagens de emblemas espanhóis, italianos e ingleses, mas não
chegou qualquer proposta concreta. Contudo, a situação pode ser diferente no
final da época.
William, refira-se, foi
recentemente avaliado em 50,3 M€ pelo CIES, o que significa que, nesta altura,
é o sétimo jogador mais valioso do campeonato português.
Título e Texto: Carlos
Gouveia, O Jogo, 27-9-2026, 8h38

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