Afonso Belisário
Não é por acaso que o governo
alemão decidiu anunciar, cinco dias antes das eleições de 6 de setembro
na Saxónia-Anhalt, que a Rússia era responsável por um pequeno drone descoberto
no Aeroporto de Leipzig/Halle mais de um mês antes. Embora o drone
transportasse uma carga explosiva, o dispositivo não causou danos e permaneceu
no aeroporto despercebido durante muitas horas no dia 4 de agosto. Quando a
Alemanha acusou a Rússia de perpetrar o “ataque” quatro semanas depois, Berlim
não apresentou provas concretas para as suas conclusões.
Apesar disso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e os líderes nacionais de toda a Europa declararam imediatamente solidariedade para com a Alemanha e condenaram a “guerra híbrida” da Rússia em “solo da União Europeia”. Para muitos observadores, a acusação de Berlim pareceu ter sido feita num momento oportuno para travar o ímpeto do partido político “Alternativa para a Alemanha” (AfD), que o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão Friedrich Merz e o establishment europeu difamaram como “nazis” e “fantoches da Rússia”. Se o objetivo de Merz era evitar a derrota eleitoral dos seus aliados políticos acusando falsamente os seus adversários de serem ferramentas e espiões russos, não resultou. O AfD venceu decisivamente as eleições de 6 de setembro na Saxónia-Anhalt, e uma semana depois aseleições em Mecklemburgo-Pomerânia, e o apoio ao partido político pró-soberania nacional continua a crescer em toda a Alemanha.
Incidentes semelhantes,
fabricados sob o pretexto de “segurança nacional”, ocorreram antes das eleições
na Roménia,
Polónia, Hungria e Moldávia. Os partidos pró-União Europeia acusaram a Rússia
de interferência eleitoral, sabotagem económica e até de ataque iminente,
enquanto rotulavam os partidos da oposição como agentes russos. No caso da
Roménia, os tribunais alinhados com a UE anularam as eleições presidenciais de
2024 devido a alegações espúrias de “ingerência russa”.
Embora os políticos europeus
recorram, previsivelmente, ao espantalho russo antes de cada eleição, parecem
estar a intensificar o alarmismo em antecipação das eleições intercalares nos
Estados Unidos. Com excepção da Eslováquia (e da Hungria, antes da derrota eleitoral do ex-primeiro-ministro Viktor Orbán), os governos europeus
parecem empenhados
numa guerra alargada contra a Rússia num futuro próximo.
Na semana passada, o
Presidente dos EUA, Donald Trump, pediu ao Presidente da Ucrânia, Volodymyr
Zelenskyy, que se abstivesse de atacar as refinarias de petróleo russas, num
esforço para estabilizar os mercados globais. Depois de concordar, Zelenskyy
fez exatamente o contrário e anunciou a utilização, por parte da Ucrânia, de sistemas de
mísseis fornecidos pela NATO para atingir instalações russas, ação
presumivelmente destinada a provocar a Rússia a atacar diretamente os membros
da NATO.
De forma sinistra, o
“jornalista” ucraniano e confidente de Zelensky, Dmytro Gordon, anunciou
recentemente:
“Literalmente, em poucos
dias, algo acontecerá que nos dará grande esperança… Não posso dizer o que é –
é um segredo militar. Mas sei que nos próximos dias… algo acontecerá que dará
asas à nação. Eu sei disso.”
🇺🇦 "Literally within days, something will happen that will give Ukraine great hope" — Dmytro Gordon, journalist close to Zelensky "I can't say what it is — it's a military secret. But I know that in the coming days, something will happen that will give the nation wings" This comes just hours after European leaders and mainstream media told people to prepare for war
— The Other Side Media (@TheOtherSideRu) September 19, 2026
A promessa de Gordon de que
“algo vai acontecer” parece ser um segredo aberto em toda a Europa. As
autoridades da Comissão Europeia estão a encorajar
todos os quatrocentos e cinquenta milhões de cidadãos europeus a armazenar
água, alimentos e medicamentos em preparação para a guerra.
O Ministro da Defesa alemão,
Boris Pistorius, declarou ao Bundestag que a guerra está a chegar, e a
Chanceler Merz conseguiu contornar os limites legais anteriores para aumentar
substancialmente as despesas com a defesa, ao mesmo tempo que alvitrou que a Alemanha “já está em conflito com a Rússia”.
A Alemanha, a Dinamarca, a Noruega, a Suécia, a Finlândia, a Estónia, a
Letónia, a Lituânia e a Polónia estão a expandir o tamanho dos seus respectivos
exércitos e a implementar programas de recrutamento mais vastos.
O presidente francês, Emmanuel
Macron, terá informado os líderes políticos de que a guerra com a Rússia
chegou, e o governo britânico está a rever freneticamente os seus manuais de
guerra, a organizar exercícios de defesa civil e a preparar-se para o
recrutamento militar em grande escala, incluindo a ativação
de militares na reserva até aos 65 anos de idade. Na última semana, os dez
principais jornais do Reino Unido publicaram mais de duzentos e cinquenta artigos sobre a
probabilidade de guerra com a Rússia.
Jacob Rees-Mogg, antigo
ministro e outrora favorito do Partido Conservador para primeiro-ministro, afirmou,
entretanto, que o povo britânico deve lutar e morrer pelo seu país:
“Nos próximos anos, podemos enfrentar uma guerra e, se a enfrentarmos, precisaremos de pessoas que se alistem nas forças armadas e que cumpram o seu dever. Podemos até enfrentar circunstâncias em que as pessoas têm de morrer para salvar o seu país, como aconteceu na Primeira e na Segunda Guerra Mundial… É isso que faz um país sobreviver. Se as pessoas não estiverem dispostas a cumprir o seu dever, o país será dominado por outro.”
News🇬🇧🔥🇷🇺: "Over the next few years we may have to go to war, some of you may die? but this is about doing your DUTY". Watch as @Jacob_Rees_Mogg goes into new levels of pomposity rarely seen in British politics, since Lord Kitchener pointed at British men and cried "Your country Needs You". Mogg demands and expects that most white working class Brits go 'over the top' for a King and Government who treat them with sheer contempt. Under JRM's best friend and fellow bumchum at Eton, Boris Johnson, the UK was intentionally flooded with around 5 million Islamist loving migrants and African former military, blighting the nation for decades to come perhaps forever. Sir Jacob gushes over King Charles III, who is more interested in the "wisdom of Islam", than speaking out against the planned invasion of our/his Kingdom. This former Tory MP is laying the table for the UK and Europe being involved in a full-scale war with Russia. He demands that you and your sons head over into the meat grinder to satisfy his sense of "duty". Going into the slaughterhouse of Ukraine, where perhaps over 1 million white Christian men have died, is not the Falklands, or any form of conflict which threats British sovereignty under the Thomas Aquinas Just War Theory. The Thomas Aquinas war in his work 'Summa Theologiae', arguing that war is not always a sin if it meets strict moral criteria. Ukraine is a proxy war for EU expansion and theft, by an institution which has destroyed Europe via 'net-zero, mass immigration and super demonic DEI diktats. Tell me @Jacob_Rees_Mogg, when will you and yours be popping of into the Zelensky/EU/NATO killing machine to satisfy your deities and quench your thirst for patriotic blood, by a King and government who abandoned indigenous Brits decades ago?
— HIN News🇬🇧🇺🇸 (@HerdImmunity12) September 20, 2026
Rees-Mogg é um aristocrata afetado
que, enquanto esteve no Parlamento, foi frequentemente ridicularizado como o
“honorável deputado do século XVIII”. Não espanta assim que a sua insistência
para que os britânicos comuns deem a vida pelo seu país soe completamente
desligada da realidade.
De acordo com os registos do Ministério do Interior, um
imigrante ilegal recebe residência permanente ou cidadania britânica a cada minuto. Os contribuintes britânicos estão a pagar mais subsídios às
famílias migrantes do que nunca. A defecação a céu aberto na via pública é tão comum que o
Reino Unido tem de colocar placas a avisar o número crescente de imigrantes de
que tal comportamento é inapropriado. O governo britânico distribui um folheto de nove páginas aos imigrantes ilegais,
informando-os de que violar mulheres e crianças e roubar autocarros é errado.
Uma aldeia britânica já votou a secessão
do Reino Unido, depois de o governo ter insistido em edificar mesmo ao lado da
localidade um campo de migrantes com capacidade para alojar um número de
estrangeiros dez vezes superior ao total da população nativa.
O antigo chefe do MI6, Sir
Richard Dearlove, alertou recentemente o público de que a obsessão do governo
com as “alterações climáticas” e a “energia verde” tornou o país fraco e
praticamente indefeso contra os seus inimigos. E, em vez de combater qualquer
uma destas ameaças à segurança nacional, o governo tem usado os seus recursos
cada vez mais escassos para prender
quase 65.000 britânicos por “crimes relacionados com a liberdade de expressão”
nos últimos cinco anos.
Quando as pessoas comuns ouvem
Rees-Mogg dizer que devem estar dispostas a “cumprir o seu dever” e a “morrer”,
ou a Grã-Bretanha “será tomada por outro país”, abanam a cabeça, incrédulas. O
governo do Reino Unido espera que os jovens morram repelindo imaginárias
embarcações de desembarque russas, enquanto estende o tapete vermelho dos
benefícios para invasores reais, frequentemente perigosos, e encarcera os
cidadãos por crimes de opinião
A “classe dominante” da Europa
quer sacrificar cidadãos numa guerra sem sentido contra a Rússia. Os cidadãos
deveriam, em vez disso, derrubar a sua “classe dominante”.
Antes que seja tarde demais.
Título, Imagem e Texto: Afonso Belisário, ContraCultura, 30-9-2026

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