Eça de Queirós, Círculo do Livro, São Paulo, Brasil, 234 páginas.
A Relíquia é um romance
realista fantástico do escritor português Eça de Queiroz, publicado em 1887 no Porto, pela Typographia de A. J. da Silva
Teixeira.
O autor
deu-lhe como subtítulo, a agora célebre frase ”sobre a nudez forte da
verdade — o manto diáfano da fantasia”. A obra é influenciada pela Vida
de Jesus e São Paulo, ambas de Ernest Renan, e pelas Memorias de Judas, de Ferdinando Petruccelli della Gattina.
Alguns
autores acusaram Eça de Queiroz de ter plagiado a obra de Petruccelli della
Gattina.
Enredo
A Relíquia começa com a apresentação do narrador e protagonista da história, Teodorico Raposo, que busca explicar ao leitor o que o motivou a escrever suas memórias. Ele nos diz que a principal motivação está no facto de tanto ele como seu cunhado, Crispim, acreditarem que aquelas memórias contêm "uma lição lúcida e forte" da vida, sendo merecedoras da imortalidade que só "a literatura propicia". A narração se concentra numa viagem feita por Teodorico ao Egito e à Palestina, logo após uma decepção amorosa. Buscando fugir ao modelo de "guia de viagem", Teodorico nos conta com suposta "sobriedade e sinceridade" os casos que provocaram mudanças significativas em sua vida, principalmente no que tange à herança que supunha merecer.
Na verdade,
a narrativa de Teodorico possui um outro objetivo, a saber, promover uma
correção no livro que seu amigo letrado, Topsius, que participara daquela
viagem, escrevera sobre Jerusalém. Naquela obra, intitulada "Jerusalém
Passeada e Comentada", Topsius afirmava que Teodorico levava em dois
embrulhos de papel os "restos de seus antepassados". Tal afirmação
preocupava Teodorico em relação à burguesia local, já que isso poderia
acarretar problemas para o futuro e que só por meio da burguesia se tinha
acesso às "coisas boas da vida". Teodorico desejava então explicar a
natureza e o verdadeiro conteúdo daqueles pacotes. (…)
Em A
Relíquia, Eça de Queiroz apresenta um desejo de realizar um "inquérito
à vida portuguesa", uma "crítica ácida e ferina direcionada,
especialmente, à questionável influência da Igreja na sociedade e às práticas e
crenças religiosas consideradas nefastas para o povo". Para o Professor de
Literatura Portuguesa da Universidade Federal do Paraná Antonio
Augusto Nery, a obra demonstra "toda a intensidade da crise religiosa e da
tendência anticlerical que predominou no Oitocentos e da qual a Geração de 70
foi difusora."
Influências
Se tivermos
a conta a opinião de alguns críticos queirosianos (nomeadamente: Alberto
Machado da Rosa; Ernesto Guerra da Cal; e Manoel da Costa Fontes), poderemos
afirmar algo em que os três foram unânimes — que A Relíquia pode ser
lida, analisada, considerada uma narrativa picaresca.
Apesar de o próprio Eça não se referir diretamente a este romance como picaresco, observa-se, no entanto, que o escritor português provavelmente leu as narrativas clássicas espanholas do séc. XVI para compor o seu romance, pois, de acordo com Alberto Machado da Rosa, Eça de Queirós "conhecia o Lazarilho, pelo menos, desde os remotos tempos de Évora, e apreciava muito o Gil Blas de Lesage, expressão francesa da mais autêntica tradição da picaresca espanhola". Wikipédia
Do que eu
mais gostei foi do final. 😅
👍👍👍👍
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