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terça-feira, 6 de outubro de 2026

[Livros & Leituras] A relíquia

Eça de Queirós, Círculo do Livro, São Paulo, Brasil, 234 páginas. 

A Relíquia é um romance realista fantástico do escritor português Eça de Queiroz, publicado em 1887 no Porto, pela Typographia de A. J. da Silva Teixeira.

O autor deu-lhe como subtítulo, a agora célebre frase ”sobre a nudez forte da verdade — o manto diáfano da fantasia”. A obra é influenciada pela Vida de Jesus e São Paulo, ambas de Ernest Renan, e pelas Memorias de Judas, de Ferdinando Petruccelli della Gattina.

Alguns autores acusaram Eça de Queiroz de ter plagiado a obra de Petruccelli della Gattina.

Enredo

A Relíquia começa com a apresentação do narrador e protagonista da história, Teodorico Raposo, que busca explicar ao leitor o que o motivou a escrever suas memórias. Ele nos diz que a principal motivação está no facto de tanto ele como seu cunhado, Crispim, acreditarem que aquelas memórias contêm "uma lição lúcida e forte" da vida, sendo merecedoras da imortalidade que só "a literatura propicia". A narração se concentra numa viagem feita por Teodorico ao Egito e à Palestina, logo após uma decepção amorosa. Buscando fugir ao modelo de "guia de viagem", Teodorico nos conta com suposta "sobriedade e sinceridade" os casos que provocaram mudanças significativas em sua vida, principalmente no que tange à herança que supunha merecer.

Na verdade, a narrativa de Teodorico possui um outro objetivo, a saber, promover uma correção no livro que seu amigo letrado, Topsius, que participara daquela viagem, escrevera sobre Jerusalém. Naquela obra, intitulada "Jerusalém Passeada e Comentada", Topsius afirmava que Teodorico levava em dois embrulhos de papel os "restos de seus antepassados". Tal afirmação preocupava Teodorico em relação à burguesia local, já que isso poderia acarretar problemas para o futuro e que só por meio da burguesia se tinha acesso às "coisas boas da vida". Teodorico desejava então explicar a natureza e o verdadeiro conteúdo daqueles pacotes. (…)

Em A Relíquia, Eça de Queiroz apresenta um desejo de realizar um "inquérito à vida portuguesa", uma "crítica ácida e ferina direcionada, especialmente, à questionável influência da Igreja na sociedade e às práticas e crenças religiosas consideradas nefastas para o povo". Para o Professor de Literatura Portuguesa da Universidade Federal do Paraná Antonio Augusto Nery, a obra demonstra "toda a intensidade da crise religiosa e da tendência anticlerical que predominou no Oitocentos e da qual a Geração de 70 foi difusora."

Influências

Se tivermos a conta a opinião de alguns críticos queirosianos (nomeadamente: Alberto Machado da Rosa; Ernesto Guerra da Cal; e Manoel da Costa Fontes), poderemos afirmar algo em que os três foram unânimes — que A Relíquia pode ser lida, analisada, considerada uma narrativa picaresca.

Apesar de o próprio Eça não se referir diretamente a este romance como picaresco, observa-se, no entanto, que o escritor português provavelmente leu as narrativas clássicas espanholas do séc. XVI para compor o seu romance, pois, de acordo com Alberto Machado da Rosa, Eça de Queirós "conhecia o Lazarilho, pelo menos, desde os remotos tempos de Évora, e apreciava muito o Gil Blas de Lesage, expressão francesa da mais autêntica tradição da picaresca espanhola". Wikipédia 

Do que eu mais gostei foi do final. 😅

👍👍👍👍 

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O crime do Padre Amaro 
L’Incorrect 
O Choque das Civilizações e a Mudança na Ordem Mundial 
Ecos de quem fui 
CAUSEUR 
O primo Basílio

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