Marcelo Guterman
“How convenient!”, dizem os americanos
quando se veem diante de uma situação em si correta ou justificável, mas que,
coincidentemente, ajuda a pessoa vítima ou autora daquela situação.
Lula usou e abusou da sua prerrogativa
de indicar ministros do Supremo. Apontou para a vaga um advogado do PT que
bombou duas vezes para concurso de juiz e também o seu advogado particular.
Agora, sob o risco real de perder a caneta, quer propor a discussão sobre quem
teria a prerrogativa de nomear ministros. Uma discussão válida em si, mas que,
na boca de Lula, soa a puro oportunismo eleitoral.
Nem deveria perder tempo com isso, mas vamos explorar um pouco a “ideia”. Se não o presidente, quem? Edinho Silva, porta-voz de Lula, fala genericamente em “sociedade civil”.
Gostaria de um dia encontrar essa tal “sociedade civil”, uma senhora virtuosa e impoluta. Na prática, sob o codinome “sociedade civil” normalmente temos um grupo de pessoas engajadas com um determinado grupo político. Afinal, como seria o processo de escolha dos representantes da sociedade civil?
No final do dia, já temos
exatamente isso: os senadores são esses representantes, que têm como
prerrogativa vetar nomes propostos pelo presidente. O que nasce como uma
espécie de “Conselho de Sábios” representando a sociedade civil no lugar dos
senadores termina como um agrupamento de advogados do Prerrogativas não eleitos
e com o poder de indicar ministros do Supremo.
O Constituinte já previu a
participação da sociedade civil na escolha dos ministros. O problema não está
na forma da escolha, mas na vergonhosa atuação dos senadores nesses anos todos.
Achar que é possível estabelecer uma espécie de corpo apolítico em um processo
eminentemente político é só uma ilusão convenientemente usada por Lula como
jogada eleitoral desesperada.
Imagens e Texto: Marcelo Guterman, Facebook, 7-10-2026, 10h15
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Mais que desespero, pilantragem escancarada: o cara indicou e conseguiu nomear o próprio advogado e o primeiro ministro comunista; tentou emplacar o "Bessias"...
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