Toda eleição tem vencedores.
Os
que recebem mais votos.
Os
que conquistam mandatos.
Os
que sobem aos palanques, abraçam correligionários e fazem discursos de
agradecimento.
Esta
eleição teve um vencedor muito particular.
Não
fez campanha.
Não
pediu voto.
Não
participou de comícios.
Não
apareceu no horário eleitoral.
Não
concedeu entrevistas.
Não
tinha redes sociais.
Não
comandava grupos de WhatsApp.
Não
votou.
Na
verdade, sequer podia falar com seus eleitores.
Estava
preso.
Incomunicável.
E,
ainda assim, esteve presente durante toda a eleição.
Foi ele quem escolheu o candidato à Presidência.
Foi
ele quem estabeleceu prioridades.
Fez
escolhas que contrariaram aliados, provocaram desconfianças e despertaram
críticas até dentro do próprio campo político.
Enquanto
permanecia atrás das grades, suas peças avançavam pelo tabuleiro.
Governadores.
Senadores.
Deputados
federais.
Deputados
estaduais.
E
a família também chegou às urnas.
A
esposa, senadora.
Um
filho, senador.
Outro,
deputado federal.
No
popular, não há cientista político capaz de resumir melhor: fez barba, cabelo e
bigode.
E
aí está o paradoxo desta eleição.
Prenderam
o homem.
Mas
não prenderam seu nome.
Sem
palanque, estava nos palanques.
Sem
microfone, era ouvido.
Sem
redes sociais, circulava pelas redes.
Sem
participar da campanha, tornou-se uma de suas principais referências.
Sem
chegar perto de uma urna, atravessou o país dentro delas.
Gostem
dele ou não.
Concordem
com ele ou não.
A
política também é feita de símbolos.
E
esta eleição produziu um dos seus mais curiosos: um homem preso e sua sombra
projetada sobre milhares de urnas.
Seu
nome?
A
esta altura, desnecessário seria dizer.
Mas
eu digo.
Jair
Messias Bolsonaro.
Agora
resta uma última imagem.
A
rampa do Palácio do Planalto.
Pai
e filho.
Lado
a lado.
Subindo.
E,
lá embaixo, uma multidão.
Dela
virá o grito que o acompanha há tantos anos:
MITO!
Marcelo Duarte Lins, Facebook, 6-9-2026, 3h09

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