Vasco da Gama sente os desfalques, produz menos no ataque e para na boa organização defensiva do Remo em São Januário
Altair Alves
A ótima fase do Vasco teve um
freio na noite deste sábado, em São Januário. O time carioca não conseguiu
superar o virtual rebaixado Remo e ficou no 0x0 diante de seu torcedor. Apesar
de não se apresentar de forma desorganizada e desinteressada, o nível de
desempenho dos donos da casa não foi o mesmo da maioria dos últimos jogos. A
produção ofensiva esteve abaixo do ideal.
O time com algumas mexidas, a ausência de Bruno Duarte, e a lesão de Colídio no início do 2º tempo, certamente têm grande parcela de responsabilidade no cenário. Mas o Remo também merece destaque pelo bom trabalho defensivo, além da coragem para ser agudo com a bola em diferentes momentos da partida. Levou perigo em alguns ataques na etapa final.
Escalações
Pedro Emanuel não teve o
zagueiro Cuesta e o atacante Bruno Duarte. Saldívia foi mantido na defesa e
David começou no ataque. Paulo Henrique, Cuiabano e Sosa iniciaram no banco,
provavelmente preservados para o jogo de terça, contra o Boca Juniors. Puma Rodriguez,
Lucas Piton e Jair foram titulares.
Em seu terceiro jogo no
comando do Remo, Thiago Carpini seguiu sem poder contar com o zagueiro Tchamba,
mas teve o retorno de Zé Welison, que atuou mais como defensor do que como
volante. Picco foi para o banco. Zé Ivaldo foi mantido no time. Eduardo Melo
ganhou chance como centroavante e Gabriel Taliari começou pelo lado esquerdo do
ataque.
O jogo
Regularidade para encontrar as combinações e criar com frequência diante de uma fechada defesa adversária. Esse foi o principal problema do 1º tempo do Vasco. O time da casa teve mais a bola, trocou passes dentro do campo do Remo, mas produziu menos que o esperado para merecer abrir o placar.
É verdade que houve uma
melhora considerável depois dos 30 minutos. Deste momento até o fim da 1ª
etapa, o Cruzmaltino produziu três boas jogadas pela meia-esquerda, sempre
contando com ações interessantes e as aproximações de Lescano e Colídio. David
e Lucas Pitón perderam chances reais diante de Marcelo Rangel, que fez defesas
com ótima velocidade de reação.
A proposta ofensiva do Vasco
era a mesma da maioria dos jogos recentes. Liberar os dois laterais em
amplitude no campo de ataque. Promover aproximações entre Colídio e o atacante
central – nesta noite David. Andrés Gómez variava entre receber a bola mais
aberto ou transitar na lacuna entre Zé Ivaldo e Marlon Matheus. Puma Rodriguez
revezava com o colombiano a área de ataque.
Lescano e Thiago Mendes
tentavam ser influentes com passes para o trio de ataque ou para os laterais.
Flutuavam em alguns momentos nas costas de Zé Ricardo e Patrick. Abriam para
enxergar o jogo de frente, em uma zona menos congestionada. O argentino foi
mais produtivo. Thiago esteve discreto até o intervalo, assim como os dois
laterais da equipe.
O Remo possui méritos
defensivos para o placar inalterado ao término do 1º tempo. Preencheu bem a
própria área. Defendeu à frente dos zagueiros com Zé Ricardo e Patrick. Contou
com a disciplina tática de Pikachu e Gabriel Taliari para compor a linha de quatro
do meio-campo no momento defensivo. Com a bola, o Leão evitou rifar. Conseguiu
algumas boas trocas de passe até os 30 minutos.
Buscou algumas infiltrações
com Patrick pela esquerda e escapadas rápidas de Marcelinho pela direita.
Finalizou com as combinações citadas acima, mas sem nenhum perigo para Léo
Jardim. Gabriel Taliari buscou se aproximar de Eduardo Melo pelo centro do ataque.
Deu trabalho a Saldívia e a Robert Renan, mas os zagueiros do Gigante da Colina
mostraram bom poder de recuperação.
A produtividade na
meia-esquerda cruzamaltina seguiu na volta para o 2º tempo. Colídio finalizou
com muito perigo uma boa jogada construída por David e Lucas Pitón logo no
primeiro minuto. O atacante argentino, no entanto, sentiu ao finalizar e deu
lugar a Nuno Moreira na sequência.
O Remo não conseguia mais ter
períodos de posse de bola longe da sua área e era pressionado pelos anfitriões.
Carpini mexeu antes dos 15 minutos. Sacou sua dupla de laterais. Marcelinho e
Marlon Matheus deram lugar a David Braga e Mayk. Pikachu foi recuado para sua
posição de origem. As substituições aumentaram a agressividade da equipe, que
não demorou a crescer.
Eduardo Melo e Gabriel Taliari
cabecearam com perigo os bons cruzamentos de Mayk e Patrick. David respondeu da
mesma forma pelo Vasco na sequência, mas Pedro Emanuel fez logo três trocas
para inibir a melhora remista. Spinelli, Cuiabano e Ramon Rique substituíram
David, Lucas Pitón e Lescano, este último sumido na 2ª etapa.
O Vasco manteve-se mais tempo
com a posse. Tinha Nuno Moreira buscando se aproximar da influência de Colídio
nas flutuações pela meia-esquerda, mas sem o mesmo sucesso. Cuiabano oferecia a
força costumeira pela esquerda. O Cruzmaltino chegou a assustar em cabeçada de
Spinelli, aproveitando o cruzamento de Puma Rodriguez. A qualidade ofensiva, no
entanto, não era a mesma.
Carpini viu o Remo melhorar
ofensivamente com David Braga e Mayk em campo. Voltou a mexer aos 25′. Jajá e
Leonel Picco entraram nas vagas de Eduardo Melo e Zé Ricardo. Gabriel Taliari,
que se movia com inteligência e intensidade, passou a jogar de centroavante. Já
Pedro Emanuel utilizou Sosa em sua última troca disponível. Jair saiu.
Matheus Alexandre foi o último
a entrar no Remo, que perdeu ímpeto ofensivo depois dos 35 minutos. O exausto
Pikachu deixou o campo. O Vasco pressionou até os minutos finais. Chegou perto
de abrir o placar com Andrés Gómez, mas o atacante finalizou mal o bom passe em
profundidade de Ramon Rique e parou em Marcelo Rangel.
Envolvido nas semifinais da
Copa Sul-Americana e da Copa do Brasil, o Gigante da Colina torce agora por
tropeços das equipes que estão abaixo na tabela e jogam neste domingo.
Fonte: Globo Esporte
Título e Texto: Altair
Alves, Vasco Notícias, 10-10-2026
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