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domingo, 5 de julho de 2020

O reino da hipocrisia

Heitor Buchaul

“Sempre que se dá ao erro a possibilidade de se disseminar, ali se dá ao mesmo tempo apoio a uma perseguição à verdade. E sempre que se dá ao mau ou ao mal a liberdade, apoia-se uma perseguição ao bom e ao bem. Porque está na índole do erro de ser contagioso. Depois do pecado original, o homem tem uma apetência de erro”.1


Nas recentes manifestações que sob o pretexto de defesa da igualdade racial entre negros e brancos ocorreram nos Estados Unidos e na Europa, vimos uma aplicação do princípio acima enunciado: como uma ínfima minoria protegida pelo relativismo igualitário, fruto do estado liberal, consegue criar um clima de revolta.

Qual não foi nossa surpresa ao ler nesse interim que um muçulmano — em nome velho lema hippie “paz e amor”, que desfigurou o sentido destas nobres palavras — encabeça uma lista pedindo a remoção da cidade de Saint Louis, capital de Missouri, não apenas da estátua equestre do rei-cruzado que lhe deu o nome, como também nome da cidade.

O muçulmano se chama Umar Lee. Nascido em uma família norte-americana de origem europeia, ele adotou na juventude a religião islâmica. Dentre os motivos que elenca contra o Santo rei — cujos conselhos eram ouvidos pelos próprios muçulmanos contra os quais combatia — é de ter sido islamofóbico e antissemita, por ter liderado uma cruzada. Mas não diz uma só palavra sobre os crimes cometidos pelos islâmicos contra cristãos no Oriente e no Ocidente, tanto no passado quanto na atualidade.

Na verdade, Umar e todo o movimento “Black lives matter” não constituem senão um dente da engrenagem do processo revolucionário gerador daquilo que no conceito de revolução cultural Plinio Corrêa de Oliveira chama de Quarta Revolução: “A partir da rebelião estudantil da Sorbonne, em maio de 1968 , numerosos autores socialistas e marxistas passaram a reconhecer a necessidade de uma forma de revolução prévia às transformações políticas e sócio econômicas, que operasse na vida cotidiana, nos costumes, nas mentalidades, nos modos de ser, de sentir e de viver. É a chamada Revolução Cultural”.2

É exatamente o que podemos constatar no movimento “Black lives matter”, em cujos atos de vandalismo se pode ver sua sigla ao lado da foice e do martelo, tudo em tinta vermelha, como a dizer: “Não somos o marxismo clássico, mas seus legítimos e orgulhosos descendentes”.

Não deixa de ser interessante analisar as contradições daqueles que enquanto gritam “vidas negras importam”, nada fazem contra os inúmeros cristãos negros perseguidos em território africano; daqueles que no Ocidente gritam por “liberdade” quando quereriam gritar “libertinagem”, pois apoiam o regime comunista ditatorial e repressor de Cuba ou da Coréia do Norte; daqueles que esbravejam contra o capitalismo, mas vivem das benesses e do conforto proporcionado por ele…

Título e Texto: Heitor Buchaul, ABIM, 4-7-2020

Notas:
1. Plinio Corrêa de Oliveira – “São Domingos de Gusmão”, reunião de 4
de agosto de 1965, site www.pliniocorreadeoliveira.info
2. Plinio Corrêa de Oliveira, Revolução e Contra-Revolução, Parte
III – Cap. III – “A quarta Revolução que nasce”.

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