sábado, 4 de abril de 2026

Não foi nada disso, Estadão... Moro não ruiu como herói ao entrar no governo Bolsonaro

Para variar, o panfleto "liberal" oferece o INVERSO da realidade 

Moro ruiu como herói no EXATO momento em que resolveu colocar uma faca nas costas de Jair Bolsonaro, acreditando que enterraria o chamado "bolsonarismo" e sairia como líder inconteste da direita. Ali ele demonstrou o seu caráter e deu fôlego para a montagem do estado de exceção, que estava em seus estágios iniciais.  

Vale lembrar: foi no âmbito da saída de Moro do Ministério da Justiça, sob a denúncia de que Bolsonaro estaria instrumentalizando a PF ao demitir o então diretor-geral Maurício Valeixo, que veio a primeira decisão de Moraes contra o próprio presidente da República. Logo após Bolsonaro indicar Ramagem para o cargo, Moraes impediu-o de exercer a sua prerrogativa de nomear o chefe da Polícia Federal, usando como justificativa, pelo menos em parte, as próprias acusações de Moro.  

Não contente com isso, Moro participou ativamente da perseguição à direita, chegando ao ponto de ser TESTEMUNHA contra os conservadores perseguidos, acusando-os de formar um "gabinete do ódio". Na prática, nada mais do que a criminalização da atividade política de direita nas redes.  

Diante do insucesso na empreitada de tomar a liderança do movimento de direita, tendo inclusive se lançado como pré-candidato a presidente, Moro recuou. Ainda durante a campanha ao Senado em 2022, passou a cortejar o eleitorado bolsonarista. 

Já eleito, chegou ao ponto de ir beijar a mão de Gilmar Mendes para não perder o mandato de senador. O ministro tripudiou, dizendo que a biblioteca do Senado "é ótima" e que Moro "deveria frequentá-la".  A prova de que Moro passou a ser visto como aliado do sistema é que ele não foi cassado.  

E apesar de Moro negar, ficou na cara que a preservação do seu mandato passou pelo voto favorável ao petista Flávio Dino, hoje um dos soldados mais aguerridos de Lula no Supremo. Quando confrontado por aliados, o senador respondeu por mensagem que manteria "o voto secreto", por ser "um instrumento de proteção contra retaliação". Proteção contra retaliação de quem? Do eleitor conservador que o colocou lá, e que esperava dele, no mínimo, um voto contra a indicação de um ministro de Lula para o Supremo. 

Durante a sua trajetória política, Moro basicamente TRAIU todos os seus aliados, pulando de galho em galho, até supostamente voltar ao "bolsonarismo", se filiando ao PL para disputar o governo do Paraná. 

A questão não é se, mas QUANDO Moro trairá novamente.  

Que a direita aceite Moro de volta, esquecendo tudo o que ele fez, é apenas mais uma prova do quanto o movimento conservador brasileiro é desorganizado e volúvel. 

Título, Imagem e Texto: Leandro Ruschel, X, 3-4-2026, 16h02

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