sexta-feira, 10 de abril de 2026

Tráfico proíbe circulação de entregadores e motoristas de aplicativo em comunidades da Zona Oeste do Rio

Profissionais relatam ameaças armadas e impedimento de entrada em comunidades de Senador Camará, Santa Cruz e Vila Aliança

Mariana Motta 

Entregadores e motoristas de aplicativo denunciam que estão sendo impedidos de circular em comunidades da Zona Oeste do Rio. Segundo os relatos, em áreas como o Complexo de Senador Camará, profissionais afirmam ter sido abordados por homens armados e proibidos de entrar nas regiões. Um dos motoristas contou em entrevista ao programa Bom Dia Rio que foi interceptado antes mesmo de chegar ao destino, na Rua Olga.

“Acabei de ir lá na Senador Camará, ali na Rua Olga, nem cheguei lá, mano. Os caras me enquadraram de fuzil, perguntaram se eu era 99 ou se eu era moto Uber. Eu falei que era da favela, que ia pegar um passageiro ali e levar para Realengo. Eles mandaram eu voltar”, disse.

Segundo ele, a orientação foi direta sobre a proibição de circulação. “Falaram que não querem ninguém de aplicativo dentro de Camará. Disseram que se entrar vai perder a chave da moto e vai ficar por isso mesmo. Falaram que só querem os mototáxis deles”, completou.

Segundo os motoristas, circulam em grupos de redes sociais orientações para evitar corridas com destino à região, devido ao risco de abordagens. A denúncia é de que criminosos estariam permitindo apenas a atuação de mototáxis locais, impedindo a entrada de carros e motos vinculados a aplicativos. A situação, segundo os profissionais, tem causado medo e prejuízo financeiro, já que muitos estão recusando corridas para a região.

Moradores e usuários de aplicativos também relatam problemas semelhantes em comunidades da Ilha do Governador, em Santa Cruz e na Vila Aliança, onde motoristas evitam concluir viagens para áreas específicas, como a Reta do João 23.

Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) informou que acompanha com preocupação as restrições impostas a motoristas de aplicativos e destacou que as plataformas associadas oferecem botões de segurança, que permitem o acionamento imediato do número de emergência 190.

Em nota, a Polícia Militar informou que o policiamento na região é feito de forma permanente. A corporação disse ainda que o planejamento operacional é baseado na análise de dados e no monitoramento das dinâmicas criminais, com foco na prevenção e na garantia da livre circulação.

PM reforçou a importância da colaboração da população por meio do Disque Denúncia, pelo telefone (21) 2253-1177. Em casos de emergência, a orientação é acionar o 190 ou o aplicativo 190 RJ.

Título e Texto: Mariana Motta, Diário do Rio, 9-4-2026

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