Mesmo com processo rigoroso de aprovação e veto do conselho, clube mantém fila de espera por novos sócios
Victor Serra
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| Foto: NicolóLanfranchi/The Observer |
No mercado imobiliário do Rio, R$ 800 mil compram espaço, endereço e, em muitos casos, realização pessoal. Em Copacabana, por exemplo, não é difícil encontrar apartamentos na faixa dos 60 a 70 metros quadrados por esse valor, em alguns casos, reformados. Um imóvel pronto para morar, perto da praia, com escritura no papel e chave na mão. Ainda assim, há quem prefira investir praticamente a mesma quantia em algo bem menos tangível. Um título no Country Club de Ipanema, por exemplo.
Considerado o mais caro e
seleto da cidade, o clube vê agora o valor de seus títulos encostar nos R$
800 mil. E o mais curioso é que isso não esfriou a demanda. Pelo contrário.
Há fila de interessados tentando atravessar um dos processos de admissão mais
fechados do Rio.
Processo de “admissão”
Ser sócio do Country nunca foi apenas uma questão financeira. O dinheiro abre a porta, mas não garante a entrada. O ritual de admissão segue bem rígido, como acontece, praticamente, desde a sua abertura. O candidato tem nome e foto expostos por 60 dias numa parede de pedra dentro da sede, acompanhado de um breve histórico de vida. Depois disso, passa pelo crivo de um conselho que decide seu destino com votos secretos. Bola preta veta, bola branca se abstém, bola vermelha aprova.
Histórias de rejeição circulam
há décadas e alimentam essa tal aura do clube. Um dos casos mais lembrados é o
da atriz Guilhermina Guinle, descendente direta do clã que fundou a
instituição e ergueu marcos como o Copacabana Palace e o Palácio
das Laranjeiras, mas que acabou barrada. Só conseguiu depois de uma
insistência. Há quem diga que até o Rei Pelé tentou o título,
mas não passou pelo crivo dos conselheiros.
Somente em 2022, por exemplo, aceitou pela primeira vez um casal homoafetivo entre os sócios, após cumprir todo o ritual tradicional de exposição e votação.
A transferência também é cara:
do título pode ultrapassar R$ 200 mil, enquanto a mensalidade gira em torno de
R$ 1.200.
Sobrevivente da especulação
imobiliária do bairro
Instalado na Rua
Prudente de Morais desde 1916, o clube, fundado por ingleses e
americanos ligados à antiga Light, ocupa um terreno de mais de 12 mil metros
quadrados, com fundos voltados para a Vieira Souto. Uma raridade em
uma área onde a pressão imobiliária praticamente devorou o bairro a partir da
década de 1970.
A sede funciona em um casarão
de cor salmão, cercado por seis quadras de tênis — por onde já passaram nomes
como Robert Falkenburg, bicampeão de Wimbledon e criador do Bob’s,
e Jorge Paulo Lemann, um dos controladores da AB InBev — além de
outras comodidades, como piscinas, sauna, cinema e o disputado restaurante
comandado pelo chef belga Frédéric de Maeyer.
Dos cerca de 850 sócios, pouco
mais de 200 aparecem com regularidade.
Título e Texto: Victor Serra, Diário do Rio, 24-4-2026


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