Paulo Hasse Paixão
Um programa escolar que ensina teorias raciais
controversas, incluindo a afirmação de que apenas as pessoas brancas podem ser
racistas, gerou reacções negativas por parte dos pais e de vários sectores da
sociedade britânica
O currículo baseia-se em
teorias popularizadas por académicos radicais como Patricia Bidol-Padva, que
defende que o racismo é “preconceito mais poder”, e foi endossado por
justiceiros sociais como Robin DiAngelo. Os críticos observam que estas ideias
são apresentadas como factos, apesar de serem altamente contestadas e
contrárias à lei britânica.
Os críticos argumentam que
estas aulas podem exacerbar as tensões raciais entre os alunos, enfatizando a
divisão e promovendo uma narrativa unilateral. Além disso, os alunos brancos da
classe trabalhadora, que já estão entre os mais desfavorecidos na Grã-Bretanha,
podem ser ainda mais marginalizados por estes ensinamentos, particularmente à
medida que a demografia das escolas muda. Os alunos brancos já são uma minoria
numa em cada quatro escolas inglesas.
Durante os governos do Partido Conservador que antecederam o atual governo do Partido Trabalhista, o Sindicato Nacional da Educação promoveu ensinamentos semelhantes, incluindo a introdução de conceitos de “Privilégio Branco” para crianças de apenas cinco anos de idade.
O racismo dirigido a pessoas
de compleição branca é um problema claro nas sociedades ocidentais
contemporâneas. Eis alguns exemplos do síndroma, noticiados pelo ContraCultura.
Ainda no Reino Unido, a polícia de West Yorkshire bloqueou candidaturas de pessoas brancas em favor de candidatos da “diversidade” e a polícia londrina criou prémios de mérito exclusivamente para agentes negros. Em 2024, uma funcionária de topo da BBC classificou as pessoas brancas como uma “raça bárbara, sedenta de sangue, genocida e parasita”.
Em 2023, a polícia de Southampton algemou e deixou morrer sem assistência médica um jovem nativo que tinha sido
esfaqueado por um imigrante Sikh, porque este acusou a vítima de racismo. No
início de 2024 foi revelado que
a Royal Air Force discriminou ilegalmente os homens brancos, chegando mesmo a
apelidá-los de “homens brancos inúteis” e forçando uma recrutadora que se
queixou da discriminação a abandonar a sua carreira.
Em França, mais de dois terços
da população considera que
o racismo contra os brancos se tornou um problema significativo no país, de
acordo com um novo inquérito realizado pelo Institut d’Études, um importante
instituto de sondagens francês.
Na Dinamarca, uma campanha
paga pela televisão estatal sugeriu que
brancos procriarem com brancos é uma espécie de endogamia, e que os jovens
nativos devem encontrar parceiros com genética mais “exótica”.
Nos Estados Unidos, depois dos
motins BLM de 2020, as grandes corporações prometeram contratar muito mais
pessoas de cor. A promessa, inerentemente racista, foi cumprida:
de entre 320 mil novos postos de trabalho criados em 2021, apenas 20 mil foram
entregues a profissionais de cara pálida. Em 2023, um filme apocalíptico
produzido por Barak Obama para a Netflix alertava para
o perigo das “pessoas brancas”. Também nesse ano, a Escola Primária
Anthony Chabot, em Oakland, realizou um
encontro de crianças onde não eram permitidos os alunos de pele branca. Suprema
ironia: o evento foi organizado pelo “comité de equidade e inclusão” da escola.
Na Alemanha, Dirk Adams, o
ministro da justiça de Olaf Scholz, foi substituído muito
simplesmente por ser um homem branco, que é, para o Partido Verde alemão
(aliado da coligação no poder na altura), a pior coisa que se pode ser, desde
que Deus do barro fez Adão. Isto enquanto a Igreja Evangélica Alemã foi acusada de
racismo em 2025, depois de ter proibido crianças brancas de participarem num
workshop sobre ser “corajoso e forte” durante um Congresso em Hanover.
A Wikipedia acha que
há virtudes e defeitos inerentes ao tom de pele de cada um, ou decorrentes das
inclinações da sua libido. E toda a gente é virtuosa, exceto os brancos
heterossexuais, coitados, que devem viver mergulhados na culpa e na vergonha.
Título, Imagem e Texto: Paulo
Hasse Paixão, ContraCultura,
12-6-2026

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