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| Filhas de Adauto e Ieda Denardi estudando em casa. Foto cedida pela família à ACI Digital |
Nathália Queiroz
A organização de defesa
jurídica da liberdade religiosa Alliance
Defending Freedom (ADF International) assumiu a defesa de Ieda
Cristina Denardi e Adauto José Denardi, condenados a 50 dias de prisão, em
regime semiaberto, por educarem as duas filhas durante três anos em casa, no
sistema conhecido no mundo todo como homeschooling. O caso foi
tipificado como abandono intelectual. Para a ADF, a sentença é inédita no
Brasil, representa um abuso do direito penal e tem motivação ideológica.
"Nunca antes havíamos nos
deparado, em nível internacional, com um caso como este", disse à ACI
Digital o assessor jurídico da ADF International para a América Latina, Julio
Pohl. "É impressionante que pais tenham sido condenados à prisão simplesmente
por educarem seus filhos segundo suas convicções morais e religiosas."
A condenação foi proferida
pelo juiz da 2ª Vara Criminal de Jales (SP), Júnior da Luz Miranda. O recurso
do casal será analisado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Na
semana passada, porém, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu a absolvição
dos pais por entender que não houve abandono intelectual.
Segundo Pohl, a condenação é
inédita porque, até hoje, famílias que optavam pelo ensino domiciliar
enfrentavam, no máximo, medidas administrativas relacionadas à matrícula
escolar. "Nunca antes o crime de abandono intelectual havia sido utilizado
para condenar pais por praticarem homeschooling no
Brasil", disse. “Está tudo errado neste caso. A condenação é totalmente
desproporcional e abusiva em relação ao que os pais fizeram."
Ele destacou que o próprio
Ministério Público concluiu que "não cabia o crime de abandono
intelectual".