Certificada pelo Rank Brasil, Deolira Glicéria Pedro da Silva enfrenta agora o desafio de comprovar sua idade ao Guinness e superar a marca da francesa Jeanne Calment
Altair Alves
Com 121 anos completados em março, Deolira Glicéria Pedro da Silva [foto], moradora de Itaperuna, no Noroeste Fluminense e nascida em 1905, foi reconhecida oficialmente como a mulher mais velha do Brasil. O título foi homologado pelo Rank Brasil, sistema responsável pelo registro de recordes nacionais. O reconhecimento pode representar um passo importante para uma possível certificação internacional. O título atualmente pertence à britânica Ethel Caterham, de 116 anos. As informações foram divulgadas pelo Jornal Extra.
O geriatra Juair de Abreu
Pereira, que acompanha Deolira e reúne documentos para comprovar sua idade,
relatou que o processo para que ela seja reconhecida pelo Guinness
World Records como a pessoa mais idosa do mundo está atualmente
parado. Ainda assim, o médico acredita que a certificação nacional possa
contribuir para a retomada da análise.
A principal dificuldade encontrada pela família para comprovar a idade de Deolira está relacionada à perda de documentos originais. Em 1977, quando ainda vivia em Porciúncula, cidade onde nasceu e passou a maior parte da vida, uma grande enchente atingiu a residência da família e destruiu parte da documentação. Diante disso, foi necessário recorrer a cartórios para recuperar registros e emitir novos documentos. A família também contou com o apoio da Arquidiocese de Campos para validar a certidão de batismo da idosa.
Para a auditoria do Rank
Brasil, a documentação apresentada foi suficiente para a homologação do recorde
brasileiro. Já para a certificação nacional, foram exigidos a certidão de
nascimento atualizada e o último extrato do benefício do INSS. O
procedimento, no entanto, é diferente do adotado pelo Guinness, que utiliza
critérios mais rigorosos e exige documentos originais para comprovar a idade.
O recorde brasileiro anterior
reconhecido pelo Rank Brasil pertencia à paranaense Maria Olívia da
Silva, que morreu em 2010, com 130 anos de idade. O ser humano que
mais viveu até hoje, oficialmente, foi a francesa Jeanne Calment, que morreu
aos 122 anos e 164 dias em 1997.
Idosa
viu guerras, invenção do avião e chegada do homem à lua
Deolira Glicéria Pedro da
Silva testemunhou a maior transformação tecnológica, social e política
da história da humanidade, desde a invenção do avião até a era da internet.
Com a idade avançada, a idosa
viveu o período da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Holocausto e
o uso das bombas atômicas.
Deolira também presenciou fatos históricos como a Grande
Depressão, grave crise econômica mundial iniciada nos Estados
Unidos, em 1929, a chegada do homem à Lua, em 1969, além de
mais de 20 edições dos jogos olímpicos e todas as 23 Copas do Mundo já
realizadas.
Título e Texto: Altair
Alves, Diário do Rio, 1-2-2026, 18h26

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