Durante anos, censura e perseguição foram justificadas como defesa da democracia; agora, até vozes da imprensa começam a admitir que os limites foram rompidos
Leandro Ruschel
Merval Pereira [foto] fez ontem, na Lula News, algo raro no seu meio: um mea-culpa em nome da imprensa.
Disse que jornalistas aceitaram
medidas claramente fora da lei porque achavam que o sujeito “merecia” ser
condenado. Que as formalidades são fundamentais. Que, sem elas, o país fica nas
mãos de pessoas como Moraes, com pontos de vista “bastante contestáveis”.
Mais importante: reconheceu que a
lógica dos fins justificando os meios estava errada.
É o primeiro passo. Mas não pode ser o
último.
Admitir o erro não basta quando o erro
destruiu vidas, censurou pessoas, perseguiu opositores, prendeu inocentes,
esmagou reputações e ergueu um regime de exceção inteiro sob a camuflagem da
“defesa da democracia”.
Vale lembrar: durante anos, parte da
imprensa tratou o inquérito das fake news como instrumento legítimo de proteção
das instituições. Na prática, ele foi usado como máquina de censura,
perseguição e intimidação política. Agora que alguns começam a acordar, é
preciso dizer o óbvio: o que é ilegal é ilegal.
E se é ilegal, precisa ser ANULADO.
Não adianta dizer “nós erramos” e
seguir em frente como se milhares de brasileiros não tivessem sido atingidos.
Não adianta reconhecer que o método passou do limite e, ao mesmo tempo, aceitar
que os efeitos desse método continuem de pé.
Pedido de desculpas não devolve liberdade. Mea-culpa não anula condenação. Arrependimento tardio não repara censura.
Se o Merval quer fazer diferença de
verdade, o caminho é claro: comece uma campanha pela anulação de tudo que
nasceu dessa monstruosidade jurídica. Porque foi isso que o Brasil viu. Uma
monstruosidade jurídica.
Você não defende a democracia
implementando uma ditadura. Não protege instituições destruindo o devido
processo legal. Não salva a República entregando a vida de cidadãos a um
sistema em que vítima, investigador e juiz se confundem na mesma mão.
Esse foi o problema desde 2019.
O inquérito das fake news não foi
apenas um inquérito. Foi o ato institucional que abriu a porta para a exceção.
Dali nasceram censuras, perseguições, abusos, prisões, decisões sem rito e uma
máquina de poder que passou a operar acima da Constituição.
Agora Fachin apresentou um primeiro
caminho para encerrar esse instrumento, ao retirar de Moraes a caneta sobre o
inquérito das fake news. É importante. É um recuo. Mas está longe de ser
suficiente.
Tirar o poder da mão de Moraes daqui
para frente não resolve o que foi feito para trás.
Os atos precisam ser anulados. As
condenações precisam ser revistas. As perseguições precisam cessar. Os
censurados precisam ser reparados. E os presos desse regime de exceção precisam
ter sua situação enfrentada com justiça, não com esquecimento conveniente.
Por muito menos, anularam condenações
da Lava Jato. Por muito menos, devolveram direitos políticos ao sujeito que
hoje ocupa a Presidência e simboliza a destruição moral do Brasil.
Não há como sustentar dois pesos e
duas medidas.
Se filigranas jurídicas serviram para
anular condenações no maior caso de corrupção da história do Brasil,
perseguição política e desrespeito sistemático a direitos fundamentais são
motivo muito mais consistente. Por que tudo isso ainda não foi anulado?
Outro ponto da fala do Merval precisa
ser enfrentado. O que a imprensa chama de “tentativa de golpe”, e que jamais
foi isso, aconteceu muito depois de o sistema passar anos atropelando
liberdades fundamentais. O inquérito foi aberto em 2019. O 8 de janeiro foi em
2023.
Não se usa um evento posterior para
justificar uma ilegalidade anterior. Aliás, ilegalidades e imoralidades não se
justificam nunca.
Esse truque retórico precisa acabar.
O Brasil precisa passar isso a limpo.
É preciso investigar Moraes. É preciso afastá-lo dos instrumentos que usou para
perseguir adversários. Mas, acima de tudo, é preciso anular as condenações e os
atos derivados dessa engrenagem totalitária.
Porque o problema não é apenas Moraes.
O problema é o precedente.
Quando a imprensa aceita que
formalidades sejam ignoradas porque não gosta do alvo, ela autoriza a
destruição da lei. Quando jornalistas celebram arbitrariedades em nome de uma
causa política, deixam de fiscalizar o poder e passam a servi-lo. Quando o devido
processo legal vira detalhe, ninguém está seguro.
Nem mesmo quem aplaudiu no começo.
Por isso o mea-culpa do Merval
importa: mostra que a justificativa moral do regime começou a ruir. Já não é
tão simples vender censura como democracia, perseguição como justiça e exceção
como defesa institucional.
Mas arrependimento precisa produzir
consequência.
Se era ilegal, anule. Se passou do
limite, repare. Se destruiu vidas, CORRIJA.
O Brasil não precisa de confissão
tardia. Precisa de justiça. E justiça, neste caso, começa por uma palavra
simples: anulação.
Veja a declaração completa do Merval:
Título, Imagem, Texto e Vídeo: Leandro
Ruschel, Substack,
10-9-2026
Manifestantes pela Democracia
10-9-2026: Oeste sem filtro – m. anuncia, depois cancela pronunciamento + Flávio Bolsonaro acusa Dino de interferência eleitoral + Dino age para tentar salvar Lula
Para salvar a democracia: Após vitória da AfD, governador da CDU apela à interdição do partido populista
"irónico: um homem que passou a vida a dizer que combatia o sistema de favores e boatos, hoje vive de boatos..."
9-9-2026: Oeste sem filtro – Fachin tira m. da relatoria do inquérito das fake News

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