quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Para salvar a democracia: Após vitória da AfD, governador da CDU apela à interdição do partido populista

Paulo Hasse Paixão

Se não os podes vencer nas urnas, interdita-os. Esta parece ser a resposta à enorme derrota eleitoral da CDU na Saxónia-Anhalt, por aquele que é um dos principais candidatos para substituir Friedrich Merz, que apelou à criação de um grupo de trabalho para examinar a possibilidade de banir o AfD

Após uma vitória eleitoral histórica para o Alternativa para a Alemanha (AfD) no estado da Saxónia-Anhalt, no leste da Alemanha, Hendrik Wüst [foto], um figura poeminente da CDU, apelou a que sejam dados os primeiros passos concretos para uma possível interdição do partido populista. 

O governador da Renânia do Norte-Vestfália afirmou:

“Eu disse algo hoje, mas penso que ainda nenhum membro da CDU o disse publicamente: que sou a favor da nomeação deste comité, que irá então realizar este trabalho.”

O trabalho de acabar com a democracia na Alemanha, bem entendido.

A própria Renânia do Norte-Vestfália enfrentará eleições estaduais em Abril de 2027. As projecções dão a vitória à CDU, com a AfD no segundo lugar nas preferências de voto dos eleitores locais.

Wüst, que já se referiu repetidamente ao AfD como um “partido nazi”,  fez estas declarações na noite de segunda-feira em Berlim, perante uma plateia maioritariamente de esquerda, durante uma palestra organizada pela “investigadora de transformação” Maja Göpel, apresentando este grupo de trabalho como um pré-requisito para qualquer apelo ao mais alto tribunal da Alemanha, o Tribunal Constitucional Federal, no sentido da proibição total do AfD.

Enquanto os populistas quase obtiveram a maioria absoluta, com 43,8%, nas eleições da Saxónia-Anhalt, o partido globalista de Wüst sofreu uma queda histórica, tendo o seu apoio sido reduzido para metade, (17,2%). Os resultados terão mergulhado a liderança da CDU, juntamente com o Chanceler Friedrich Merz, numa crise existencial.

Wüst não gosta do facto de os eleitores se estarem a afastar do seu partido e agora quer que este “comité” examine a AfD em preparação para uma possível proibição, embora afirme, contrafeito, que outros desfechos são possíveis para além da proibição.

Especula-se também que o próprio Wüst seja um forte candidato a substituir Merz caso este se demita. Merz, por sua vez, rejeitou a proibição da AfD, afirmando que esta “cheira muito a eliminação de rivais políticos”.

Não cheira. Tresanda.

Para além do Bundestag e do governo federal, o Bundesrat, do qual Wüst é membro como chefe do governo de um estado, também pode iniciar tais processos. No entanto, a decisão final sobre uma proibição cabe ao Tribunal Constitucional.

Wüst enquadrou o resultado desta revisão como um dever constitucional. Se o exame do grupo de trabalho revelar que a AfD pode ser proibida, esta seria uma “ordem para proteger esta Constituição” e por isso incontornável. Tal como foi noticiado pelo Die Welt, Wüst acrescentou:

“Se, após uma análise, chegarmos à seguinte conclusão: este partido pode ser banido, então o processo de banimento deve ser iniciado. Para mim, isto é relativamente claro. Mas passo a passo”.

Mais cedo, nesse mesmo dia, num evento de campanha em Berlim, já tinha alertado para que o AfD não fosse subestimado após o resultado na Saxónia-Anhalt:

“Não podemos ser ingénuos e acreditar que o AfD vai mudar de rumo. Eles têm um plano para este país, e não é um bom plano.”

Dificilmente será um plano pior que aquele que os globalistas implementaram no país, com desindustrialização acelerada, substituição demográfica sob esteróides, escassez energética e russofobia crónica que pode levar a Alemanha para mais um terceiro apocalipse em pouco mais de 100 anos.

Título, Imagem e Texto: Paulo Hasse Paixão, ContraCultura, 10-9-2026

Relacionados:
"irónico: um homem que passou a vida a dizer que combatia o sistema de favores e boatos, hoje vive de boatos..." 
[Livros & Leituras] CAUSEUR 
AfD consegue resultado histórico nas eleições estaduais de Saxónia-Anhalt. Mas precisa de uma geringonça para governar 
A imprensa que promove a extrema-direita

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Não publicamos comentários de anônimos/desconhecidos.

Por favor, se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.

Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-