Paulo Hasse Paixão
Se não os podes vencer nas urnas, interdita-os. Esta
parece ser a resposta à enorme derrota eleitoral da CDU na Saxónia-Anhalt, por
aquele que é um dos principais candidatos para substituir Friedrich Merz, que
apelou à criação de um grupo de trabalho para examinar a possibilidade de banir
o AfD
Após uma vitória eleitoral histórica para o Alternativa para a Alemanha (AfD) no estado da Saxónia-Anhalt, no leste da Alemanha, Hendrik Wüst [foto], um figura poeminente da CDU, apelou a que sejam dados os primeiros passos concretos para uma possível interdição do partido populista.
O governador da Renânia do
Norte-Vestfália afirmou:
“Eu disse algo hoje, mas
penso que ainda nenhum membro da CDU o disse publicamente: que sou a favor da
nomeação deste comité, que irá então realizar este trabalho.”
O trabalho de acabar com a
democracia na Alemanha, bem entendido.
A própria Renânia do
Norte-Vestfália enfrentará eleições estaduais em Abril de 2027. As projecções
dão a vitória à CDU, com a AfD no segundo lugar nas preferências de voto dos
eleitores locais.
Wüst, que já se referiu repetidamente ao AfD como um “partido nazi”, fez estas declarações na noite de segunda-feira em Berlim, perante uma plateia maioritariamente de esquerda, durante uma palestra organizada pela “investigadora de transformação” Maja Göpel, apresentando este grupo de trabalho como um pré-requisito para qualquer apelo ao mais alto tribunal da Alemanha, o Tribunal Constitucional Federal, no sentido da proibição total do AfD.
Enquanto os populistas quase
obtiveram a maioria absoluta, com 43,8%, nas eleições da Saxónia-Anhalt, o
partido globalista de Wüst sofreu uma queda histórica, tendo o seu apoio sido
reduzido para metade, (17,2%). Os resultados terão mergulhado a liderança da
CDU, juntamente com o Chanceler Friedrich Merz, numa crise existencial.
Wüst não gosta do facto de os
eleitores se estarem a afastar do seu partido e agora quer que este “comité”
examine a AfD em preparação para uma possível proibição, embora afirme,
contrafeito, que outros desfechos são possíveis para além da proibição.
Especula-se também que o
próprio Wüst seja um forte candidato a substituir Merz caso este se demita.
Merz, por sua vez, rejeitou a proibição da AfD, afirmando que
esta “cheira muito a eliminação de rivais políticos”.
Não cheira. Tresanda.
Para além do Bundestag e do
governo federal, o Bundesrat, do qual Wüst é membro como chefe do governo de um
estado, também pode iniciar tais processos. No entanto, a decisão final sobre
uma proibição cabe ao Tribunal Constitucional.
Wüst enquadrou o resultado
desta revisão como um dever constitucional. Se o exame do grupo de trabalho
revelar que a AfD pode ser proibida, esta seria uma “ordem para proteger esta
Constituição” e por isso incontornável. Tal como foi noticiado pelo Die Welt,
Wüst acrescentou:
“Se, após uma análise,
chegarmos à seguinte conclusão: este partido pode ser banido, então o processo
de banimento deve ser iniciado. Para mim, isto é relativamente claro. Mas passo
a passo”.
Mais cedo, nesse mesmo dia,
num evento de campanha em Berlim, já tinha alertado para que o AfD não fosse
subestimado após o resultado na Saxónia-Anhalt:
“Não podemos ser ingénuos e
acreditar que o AfD vai mudar de rumo. Eles têm um plano para este país, e não
é um bom plano.”
Dificilmente será um plano
pior que aquele que os globalistas implementaram no país, com
desindustrialização acelerada, substituição demográfica sob esteróides,
escassez energética e russofobia crónica que pode levar a Alemanha para mais um
terceiro apocalipse em pouco mais de 100 anos.
Título, Imagem e Texto: Paulo
Hasse Paixão, ContraCultura,
10-9-2026
"irónico: um homem que passou a vida a dizer que combatia o sistema de favores e boatos, hoje vive de boatos..."
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AfD consegue resultado histórico nas eleições estaduais de Saxónia-Anhalt. Mas precisa de uma geringonça para governar
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