sexta-feira, 4 de setembro de 2026

[Aparecido rasga o verbo] O que leva as pessoas a sentirem tanto ódio?

Aparecido Raimundo de Souza

Indubitavelmente, uma ótima pergunta, além de profundamente humana. O ódio, especialmente quando é grande demais e enorme, persistente e parece sem fim. Quase nunca essa chaga aberta nasce do nada. Ele é uma espécie de dor profunda e recalcada que não se curou, ou melhor dito, que virou parte da sua estrutura e ganhou de alguém uma armadura. Em rápidas pinceladas, tentarei explicar não como especialista, por conta disso, serei objetivo escrevendo o que penso, o que vivo no meu dia a dia, o que sinto de quem tem ódio de mim, de forma simples e verdadeira. Por que uma pessoa carrega tanto ódio, insisto?

Seria essa coisa chata uma espécie de válvula de escape de uma ferida enraizada e não totalmente curada? O ódio, na sua base, não é raiva, nem é dor. Quem odeia muito alguém, carrega no seu DNA um ferimento antigo. Uma espécie de fardo ou peso morto, um pacote melindrado e enganoso que nunca foi tratado como deveria ter sido E por ele ser um “pacote trambolhado”, uma carga sem vida, incomoda, aborrece, desagrada e enraivece. Importuna, enfada, e se engrandece.

Faço referência a uma traição, um abandono, uma humilhação, um sofrimento que ninguém reconheceu. Em vez de chorar ou perdoar, a pessoa se brinda e carreia isso tudo para dentro de seu “eu” interior, e a partir daí a coisa toda se complica e se agarra e se muda de mala e cuia para dentro do coração. O ódio se multiplica como erva daninha, como políticos safados e ladrões, enganadores do povinho furreca. Essa bosta se adultera, se abalança e se deprava. Em paralelo, se constrange, se desfigura e se conturba... pior, ainda, se encoleriza e modifica literalmente o âmago do ser vivente porque odiar dói menos do que admitir que foi um dia ferido, seja no ontem, seja no hoje, no agora e, sobretudo, no amanhã.

Iria mais longe e acrescentaria que o ódio é uma forma mórbida de defesa imbecilizada em grau máximo.  O cérebro faz isso sem que a pessoa que odeia perceba: "se eu odiar muito, não me deixarei machucar de novo". Ledo engano! O ódio, a meu ver, acaba virando um escudo, notadamente se a pessoa se deixar ser levada a bel prazer de outros aparentados, ou a se convencer de que o “odiado” é totalmente mau, ruim, perverso, asqueroso, filho da puta, um borra-botas que ninguém precisa sentir pena, nem carece de um pingo de compaixão, pior ainda, não necessita sequer ser lembrado.

Essa ação ao odiado, é uma proteção falsa, recalcada, como um câncer inoportuno que se alojou nas entranhas da carne e virou uma eterna prisão. É ainda o passado que não solta. O ódio é como viver dentro de uma porra de uma jaula maldita que já aconteceu. A pessoa não consegue seguir adiante, não consegue porque toda manhã acorda e relembra a ofensa, a dor, a injustiça, o abandono de um pai pelo filho, ou filha. Repete tanto essa loucura dentro da cabeça, da mente, do peito e da alma, que essa coisa “sedentariamente maçante e importunosa” acaba se consolidando e, nos finalmente, se transformando na sua outra identidade.

Com o ódio lhe consumindo, ela se perde dentro de si mesma a ponto ou ao absurdo de não saber mais quem é. Ela sente a falta de compreensão e vazio. Muitas vezes, o ódio cresce tanto, mas tanto, onde não há ninguém para ouvir, para desabafar, para soltar uma palavra amiga, ou para dar um conselho bom de ser ouvido e que faça um bem vivificante ao sofredor flagelado. 

Quando essa criatura adoentada mentalmente ou espiritualmente sente que não foi vista, não foi ouvida, ou não foi entendida, como um machucado adormecido em algum lugar do corpo, ou que não deu ares de ir embora, a frustração acumula e vira raiva.

O ódio preenche o vazio que a falta de afeto e acolhimento deixou durante o caminho e isso às vezes segue junto com a criatura até o fim de seus dias. Segundo o espertalhão do doutor Drauzio Varella, (aquele médico que vende remédios falsos para “desaumento” da próstata, com cara de imberbe mal curado) deixa claro que existe um “ciclo de repetição”. E sustenta que “as vezes, esse ciclo vem de gerações anteriores. Pessoas que cresceram num ambiente de brigas, ressentimentos e durezas aprendem a carregar o ódio como se fosse natural”.

Já em oposto, o doutor Isaac Efraim leciona que “o ódio gera desgaste físico e estresse, além de problemas imunológicos. E arremata: Esses seres humanos não aprenderam a perdoar, nem a conversar, tampouco a se soltarem das amarras dos geradores desse problema”. Pelo menos, esse médico não está pagando ou recebendo uma grana da tal da Anvisa (Agência Nacional de Vigaristas Safados) para vender seus comprimidos vigorosos para os sofredores da próstata de cara inchada e falar bonito com a fuça de um salafrário que apregoa estar processando criminalmente quem está usando o seu nome indevidamente pelas redes sociais.

Pois bem! Os cantores Sergio Reis, Daniel, Chitãozinho e Xororó entre outros artistas famosos (percebam que não existe nenhum cantor pobretão ou via idêntica, senhores de idades avançadas, notadamente os moradores de favelas ou alguém desconhecido do povo, fazendo arruaça e propagando mentiras ociosas sobre esse ou aquele medicamento, “entre aspas”), bênçãos salvadoras para darem um fim definitivo na sarcástica e apavorante Hiperplasia Maligna ou mesmo a Benigna da acidentada próstata escangalhada.

Faltou o rei Roberto Carlos se manifestar. Não sei por qual motivo ainda o Cachoeirense não entrou em cena. Talvez, creio, pelo fato de ser honesto e não “onesto”, como os demais que andam por aí vomitando proezas magnânimas advindas de outras galáxias. Remédios para as próstatas aumentadas não fazem mal a elas, só acariciam de maneira meiga os bolsos desses médicos e artistas famosos uma vez que, lado igual, enriquecem as contas bancárias dessas figuras sensacionalistas além de ajudarem a colocar no mercado verdadeiros milagres em formas de pílulas vindas diretamente do Criador de Todas as Coisas.

Voltando ao tema do texto, inconscientemente ou às vezes até por vontade própria, uma vontade desgraçada e incurável, tipo uma “sarna chocadeira ou coçadeira”, os que odeiam alguém deveriam entender que se faz mister ter em mente, que a verdade é a coisa mais importante.

O ódio não pesa em quem é odiado. Jamais. Aborrece tão somente para quem o carrega. Quem vive cheio de ódio, não prejudica o outro. Se mata aos pousos, se esfaqueia, se enforca, se pune a si mesmo e faz isso dias após dias, noites após noites. É como beber uma taça do melhor veneno importado das terras do pato Donald Trompa, perdão Trump, veneno esse encontrado nesses supermercados encabeçados pela “Estátua da Liberdade” e esperar que o outro morra. O ódio não é eterno.

Ele pode ser desfeito de maneira tão rápida, quanto a liquidação fajuta do Banco Master e do sumiço controlado do roubo das contas dos aposentados do INSS, que sinalizam “quando a pessoa consegue nomear a dor que está por trás do ódio, quando o ser humano, o filho pelo pai, pela mãe, por um ente querido que no passado lhe foi prejudicial, com um pouco de boa vontade, carinho e compreensão, conseguirá falar e se abrir sobre essa questão, notadamente quando, mesmo norte, se sentir obsequiosamente ouvida.

Em epítome, nessa hora, o ódio começa a diminuir. Some, desaparece, cria pernas como nos dias em que os manés e obcecados por serem roubados pelos candidatos maquiavélicos são obrigados a irem às urnas de votação nessas zonas ou pocilgas eleitoreiras com a convicção que votaram no candidato “A’ e seus sufrágios pegaram carona num avião furreca da FAB, (Força Aérea dos Bandidos) e inexplicavelmente escafederam para o candidato “B” porque ele, o ódio, é como política suja de merda. Em outras palavras, nunca foi efetivamente correta e legal. 

Assim como o ódio, sempre foi uma dor dilacerante pedindo urgentemente, aos gritos e aos berros, rogando pelo amor do Pai Maior, que esse ódio “maledito” seja adormecido para sempre nos cafundós dos quintos e que deixe o adoentado expiador (não no sentido de espiar) viver plenamente em PAZ.

Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Nova Venécia, ES, 4-9-2026

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