terça-feira, 28 de setembro de 2021

No caminho errado

Carlos Moedas deixou o país boquiaberto com uma vitória na qual, presumo, nem o próprio acreditava totalmente.

Sandra Felgueiras

Fernando Medina ficou tão atónito que não soube sequer elencar as razões que o conduziram à derrota. Mas que o país não estivesse à espera da surpresa da noite, é normal.

Que Fernando Medina, António Costa e Duarte Cordeiro tenham cantado vitória até não ser mais possível é só o espelho de quem se alheou das pessoas e do que as preocupa realmente. Quem conhece a história política do país sabe que o fim do cavaquismo começou assim.

Em 1995, o país cansou-se da prepotência. Do poder absoluto. De um partido que se confundia com o próprio Estado.

Nos últimos 14 anos, o PS e a câmara de Lisboa tornaram-se duas faces da mesma moeda. E Moedas foi o homem que ironicamente acabou por pôr um ponto final a essa lógica de poder que não é de Medina, mas de Costa, o eterno presidente que nunca deixou de governar a capital e que nunca se cansou de repetir que Lisboa é essencial à governação do país.

Quem conhece a Câmara de Lisboa, fala com os seus funcionários e sente o pulsar da instituição sabe que Fernando Medina nunca teve pulso na casa. Durante seis anos, deu-se ao luxo de nunca ter dirigido palavra a dezenas de funcionários.

Na verdade, Medina era "dono" de uma casa que não era sua. Uma espécie de inquilino de António Costa a quem foi delegada a missão de continuar a sua obra. Medina deveria ter dito não.

"Não" a ser uma linha contínua quando esbarrou nos primeiros casos de corrupção. "Não" quando viu que o desnorte era tanto que se podiam violar dados de manifestantes sem que ele próprio soubesse. "Não" quando, mais recentemente viu que a presidente da junta de Arroios, Margarida Martins, se abastecia livremente nos mercados de Lisboa com motorista e tudo. Mas confrontado com tudo isto, preferiu dizer sempre "sim".

E foram esses "sins" constantes que lhe custaram a vitória. Porque um homem tem, não deve apenas, tem de dizer "não" à política, mas sobretudo ao eticamente condenável. Um homem não pode passar a vida a pedir desculpa e a demitir os mais fracos, como fez no caso hilariante da violação da proteção de dados dos manifestantes russos.

Reino Unido: corrida a postos seca 90% das bombas de combustível

Crise é provocada em parte por falta de tranportadores

Guy Faulconbridge e Alistair Smout

Até 90% dos postos de combustível do Reino Unido ficaram secos nesta segunda-feira (27), depois que episódios de compra impulsiva aprofundaram uma crise na cadeia de abastecimento, provocada em parte por falta de transportadores. A situação, segundo varejistas, pode abalar a quinta maior economia do mundo. 

Foto: Peter Nicholls/Reuters

Uma escassez enorme de motoristas de caminhão, que ocorreu depois da pandemia de covid-19, semeia o caos nas cadeias de suprimento britânicas, de alimentos a combustíveis, elevando a ameaça de transtornos e aumentos de preço no período pré-natalino.

Poucos dias depois de o governo do primeiro-ministro, Boris Johnson, gastar milhões de libras para evitar a falta de alimentos causada por uma disparada nos preços do gás natural e maior custo da produção de fertilizantes, ministros pediram às pessoas que não façam compras por pânico.

Mas filas de dezenas de carros se formaram nos postos de combustíveis de todo o país no domingo (26), forçando o fechamento de muitos pontos de venda. Em várias cidades britânicas, as bombas ou estavam fechadas, ou mostravam cartazes anunciando falta de combustível nesta segunda-feira, disseram repórteres da Reuters.

Direto ao ponto: Presidente Jair Bolsonaro – 27 de setembro de 2021

JAIR BOLSONARO - DIRETO AO PONTO - 27/9/21

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Transmissão ao vivo realizada há 7 horas

Jovem Pan News, 27-9-2021

[Aparecido rasga o verbo] Três por quatro

Aparecido Raimundo de Souza 

O REPÓRTER se prepara para entrevistar as candidatas ao concurso “MISS BONECA MAIS LINDA DO BRASIL”, que acabaram de chegar ao hotel fazenda, vindas das mais variadas capitais. E aquela loirinha de cabelos longos e olhos verdes claros, sem sombra de dúvidas, foi a que mais lhe chamou a atenção, logo que ela desceu do panorâmico Double decker. Não só pela beleza inigualável, como pela altura e pelo sorriso lindo e pelo porte elegante de andar com circunspeção estudada. Vibrou quando soube, pela produção, que a beldade era a mais cotada para levar o prêmio dentro de uma lista de trinta participantes. 

A princípio, o jornalista a achou, não só bonita e interessante igualmente sublime e excelsa, a ponto de cochichar com seus próprios botões que, se fosse um dos jurados, certamente seu voto seria para ela. Entretanto, no decorrer de uma conversa prévia, que teve com ela, apesar dos seus cabelos esvoaçarem de maneira cadenciada, alheios à vontade do vento, os dentes muito brancos, os lábios pecaminosos, explodindo sensualidade e, a voz, como se animada por um contentamento indizível, sua opinião foi se modificando literalmente. 

Sentados de frente para a piscina olímpica, longe dos gritos e arruídos, tomando água de coco, o ar pleno de primavera inebriando um dia encantadoramente promissor, o bate papo teve início.
— Oi, linda. Vamos lá? Deixe me apresentar. Meu nome é Hércules Toledo Pizza. Sou repórter da “Revista Espia Vê Tudo”. Estou aqui para lhe entrevistar juntamente com as suas coleguinhas concorrentes ao título “Miss Boneca Mais Linda do Brasil”. Podemos começar?
— Sim.
— Pronto. Gravador ligado. Seu nome?

— O meu? Ypsilona Canuda da Costa. Ypsilona com ípsilon.
— Idade?
— A minha? Acho que 18... não, 19...
— Local de nascimento?
— O meu? Berço da maternidade Dona Carmelita Umbigosa. Fica ao lado da prefeitura.
— OK. Qual seu estado?
— Aquele que queria ser um automóvel.
— Automóvel? Seja mais clara.
— Moço eu nasci naquele estado que queria ser um JEEP...

— Entendi... Aracaju?
— Não, seu burro. Desculpe. Sergipe.
— Entendi. Sergipe. Peso?
— O meu? 56. Mas sempre sobe um pouco. Agora, por exemplo, estou com 57.
— Altura?
— A minha? 1.72. Mas de uns dias pra cá, diminuí...
— Diminuiu?
— É.
— Como assim?
— Estiquei encolhendo.

[Estórias da Aviação] A Varig... Luanda & Cabul

José Manuel

Muito se tem falado e escrito sobre a dramática fuga de Afegãos e estrangeiros, no aeroporto de Cabul, com cenas de deixar envergonhado qualquer ser humano, na estupidez cometida pelo presidente americano ao ordenar uma retirada completamente "non sense", deixando para trás vasto material militar e valiosas vidas humanas à própria sorte.

Cenas como a de pessoas caindo do avião militar na decolagem atabalhoada são vergonhas para não serem esquecidas, muito menos repetidas.

Curiosamente, no mesmo mês de agosto próximo passado, mas em 1975, e lá se vão 46 anos, a VARIG, empresa de bandeira brasileira, prestou um dos maiores serviços humanitários que se tem notícia no mundo, mas que os brasileiros mais velhos esqueceram e os mais novos nunca irão saber, se nós que participamos ativamente desse processo nada escrevermos sobre isso.

O Brasil, por sua vez, e suas politicalhas desclassificadas ao longo dos tempos, em agradecimento a uma empresa privada por estes serviços prestados à humanidade, permitiu que atos espúrios dizimassem essa empresa, seus funcionários e ainda tenta a todo custo apagar qualquer vestígio dessa epopeia vivida por nós. Mas enquanto formos vivos estaremos aqui para lembrar a esses pulhas e aos brasileiros honestos, aquilo que com orgulho fizemos em nome do Brasil.

Nunca recebemos, enquanto pessoas, um sequer agradecimento pelo serviço à pátria com louvor.

No dia 20 de agosto de 1975, a VARIG, a pedido do governo brasileiro, que à época não dispunha de aeronaves em condições de participar de uma ponte-aérea humanitária de tamanha envergadura, iniciou a retirada de refugiados do aeroporto de Luanda, fugindo da guerra que se instalara em Angola, após Portugal ter concedido a independência àquela sua colônia.

Logo, foram realizados os primeiros 14 voos com os Boeing 707, e eu estava por duas vezes entre os primeiros, mas nada que se comparasse aos episódios de Cabul, pois o governo português teve a hombridade e a responsabilidade de manter as forças armadas em Luanda, até à retirada total dos que queriam sair de lá.

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Brasil, um país comunista?

Hélio Brambilla

Num dia desses, um amigo me disse ter comprado dois carros. Minha resposta foi imediata: — Renovou a frota! O seu e o da esposa! Replicou ele: — Que nada! Na verdade, eu comprei duas SUVS, sendo uma para mim e a outra para o Estado, pois paguei praticamente a metade de imposto na compra.

Como você sabe — continuou —, o Brasil tem uma das maiores taxas de impostos sobre carros do mundo, apesar de eles serem fabricados aqui, o ferro utilizado nele ser daqui a borracha ser daqui, mas na aquisição de um automóvel, o brasileiro paga o equivalente ao valor de dois, sendo que a metade do valor é para alimentar a máquina estatal.

O amigo estava indignado, pois não parava de se referir à compra de um carro pelo valor de dois, que o estado brasileiro era muito socialista, quase comunista… E o retorno que ele dá para o cidadão todos nós conhecemos de sobejo, na segurança, educação, saúde… exatamente como muitos dizem, imposto sueco com retorno de país paupérrimo.

O Impostômetro da Fecomércio, no Centro de São Paulo, neste final de agosto já aponta para a marca próxima de R$ 2.000.000.000.000,00 (dois trilhões de reais) de impostos pagos pelos contribuintes. Isso apenas nos primeiros oito meses do ano. Esta é a triste realidade vivida por nós nessas duas décadas do século XXI, época em que muitos sonhavam já estar vivendo num paraíso redimido pela ciência e pela técnica…

Se tudo isso ainda não bastasse, o Brasil sofre no momento mais uma grande ameaça à sua soberania arquitetada por ONGs e outros organismos internacionais, seguramente não alheios aos olhos amendoados dos chineses. Como se não fossem suficientes os 13% de nosso território demarcados para uma população de menos de um milhão de índios, querem mais uma ‘fatiazinha’ de 14%, o que somará quase 30% do Brasil… Esse imenso território será mesmo para os índios, ou para testas-de-ferro de poderes internacionais que se escondem atrás deles?

Não sou contrário às demarcações de terras para os silvícolas, conforme previsto na Constituição de 1988, ou seja, as terras ocupadas e habitadas por eles até a promulgação da lei magna atual, limite esse chamado de “marco temporal”. Trata-se agora de nossos índios trabalharem as suas terras como muitas aldeias já vêm fazendo. E com sucesso! Por que não o fazem? Porque Ongs, Cimi, CPT, CNBB e assemelhados não querem… não querem por quê? Dizem eles que é por amor ao índio! Quanto a mim, tenho minhas dúvidas…

Até há pouco, a própria Fundação Nacional do Índio — Funai não queria também, mas parece que isso vem mudando no atual governo. Vamos pedir a Deus para que mude mesmo de uma vez por todas, pois será a única saída para tirar os índios da tutela malsã do estado socialista, quase diria escravidão estatal, além de ONGs, Cimis e CPTs. Ademais, isso não é mais novidade, pois já são 78 aldeias que já optaram pelo seu próprio desenvolvimento.

A humilhante resposta que Amoêdo recebeu no Novo

Rodrigo Constantino

João Amoêdo [foto] é o principal fundador do Partido Novo, não só pela idealização do projeto, mas por seu financiamento. Não obstante, justamente pelo Novo representar uma tentativa de mudança de postura na política nacional, o partido não tem dono - ou não deveria ter. Ele deve seguir princípios e valores, não caciques partidários com interesses próprios.

E é por essa razão que a criatura tem cada vez buscado se afastar mais do principal criador. Amoedo mudou muito de postura, só pensa em atacar Bolsonaro, pedir seu impeachment, agir de forma estranha e aparentemente sem qualquer espírito público. Não são críticas construtivas com base em discordâncias legítimas - essa é a postura da bancada do partido no Congresso.

Amoedo parece obcecado em derrubar Bolsonaro, não se importando de ficar ao lado de Ciro Gomes, do PCdoB e de movimentos esquerdistas para esse propósito. E passou a perseguir "bolsonaristas" no partido, ou seja, aqueles que não dormem e acordam só pensando em derrubar o presidente, como o próprio Amoêdo.

Com isso em mente, Amoêdo enviou aos diretórios do Partido Novo uma carta com a intenção de retomar ao comando da sigla. Amoedo se colocou com uma espécie de Messias salvador do partido, que está rachado por culpa dele mesmo. Disse em seu texto:

Prezados membros do Diretório Nacional, continuamos de luto pela morte de quase 600 mil brasileiros, vitimados pela COVID, e o Brasil tem hoje um quadro econômico, sanitário e social devastador. As escolhas políticas que faremos nas próximas eleições serão determinantes para a reversão deste cenário. Apesar de estar afastado há mais de 18 meses da direção do NOVO e dos poucos contatos que tivemos durante esse período, tenho, como filiado e fundador, acompanhado o desempenho do partido. 

Infelizmente, a polarização, as narrativas que não condizem com a verdade e a perda de identidade que contaminam e enfraquecem inúmeras instituições, estão hoje também presentes no NOVO. Entretanto, permaneço otimista e continuo a vislumbrar no partido, pela inovação que representa na política, todas as condições para ser um protagonista e uma plataforma importante no processo de reconstrução do nosso país. 

Mas, para isso, é fundamental que com humildade, profissionalismo, equilíbrio e coerência façamos antes a reconstrução do NOVO. Precisamos de uma instituição que represente a esperança de mudança, na qual a energia seja direcionada para o crescimento da marca e estejamos todos reunidos e trabalhando com um único objetivo: melhorar a vida do brasileiro. 

Militante comunista prega violência contra STF… e continua solto!

Rodrigo Constantino

O historiador e militante comunista Jones Manoel defendeu o incentivo do “ódio de classe” entre trabalhadores contra seus patrões e os representantes da “burguesia brasileira”, como ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e presidentes da Câmara e do Congresso.

“Uma das tarefas fundamentais da gente é estimular o ódio de classe. Tem que acordar todo dia querendo esfolar o patrão”, disse durante uma palestra no Sindicato da Construção Civil de Fortaleza em 18 de setembro. “Tem que acordar todo dia querendo pegar pelos cabelos cada um daqueles ministros do STF –se puxar pelo Fux sai a peruca–, o presidente da Câmara dos Deputados, presidente do Congresso, tem que odiar, tem que xingar. Tem que ver uma foto e ter raiva, ter vontade de cuspir, tem que odiar a burguesia brasileira, e seus representantes”, declarou.

O vídeo circulou bastante pelas redes sociais, mas não por conta da mobilização dos comunistas, já que esses contam com a simpatia de artistas como Caetano e da militância da imprensa, mas zero de engajamento. O vídeo circulou por iniciativa de bolsonaristas, para mostrar o duplo padrão vigente em nosso país.

Não custa lembrar que temos um deputado federal preso por gravar um vídeo desejando agredir um dos ministros supremos. Ele tem imunidade parlamentar, não pode ser preso por dar sua opinião, por mais radical que seja. Não obstante, está preso há meses, mesmo após pagar fiança. E para essa prisão ilegal, o STF inovou criando o flagrante perpétuo.

O que fica claro para todos é que o combate ao discurso de ódio e às Fake News nunca passou de um engodo, de um pretexto para se criar regras subjetivas e elásticas que, na prática, permitem a perseguição da direita. Quem se considera de esquerda pode tudo, tem um salvo-conduto para destilar ódio, desejar a morte do presidente, fazer ameaças veladas ou até escancaradas.

As eleições de ontem em Portugal

Ontem, domingo, 26 de setembro de 2021, realizaram-se as eleições autárquicas (municipais) em Portugal.

A abstenção foi de 46,35%, votos em branco 2,50%, e os nulos 1,58%.

Separei os resultados das seguintes cidades/concelhos:

Amadora

Aveiro

Coimbra

Lisboa

Porto

Seixal

Sintra

Vila Nova de Gaia



‘Estão dobrando a aposta’, diz Eduardo sobre críticas da imprensa a Bolsonaro

'Está cada vez mais claro que o problema não é o presidente. E ele se torna o representante dessa população', diz o deputado

Fábio Matos

Em entrevista ao programa Opinião no Ar, exibido nesta segunda-feira, 27, pela RedeTV!, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou que, ao contrário do que indicam as pesquisas divulgadas recentemente por institutos como o Datafolha, o presidente Jair Bolsonaro conta com apoio cada vez mais expressivo da população brasileira.

Bolsonaro completa hoje mil dias como presidente da República. Segundo Eduardo, parte da grande imprensa não esconde sua oposição ao atual governo.

“Existe uma parte da imprensa que parece que não entende o que aconteceu em 2018 e tenta dobrar a aposta”, afirmou o deputado. “Se você mostra nas pesquisas que o Lula ganha de todo mundo, que a máscara é apoiada pela maioria das pessoas… eles ainda acham que esse mundo que criaram é o mundo real”, prossegue Eduardo. 

“Cada vez mais pessoas estão indo às ruas. Eles estão dobrando o efeito de 2018, quando as pessoas estavam revoltadas com a corrupção do PT. […] Está cada vez mais claro para a população que o problema não é o presidente. E ele se torna o representante dessa população. Ao contrário do ‘Lulinha paz e amor’, Jair Bolsonaro não fala o que o povo quer ouvir. Ele fala o que o povo quer falar.”

Eduardo Bolsonaro comentou também sobre a moderação do discurso do presidente, principalmente depois das manifestações do Sete de Setembro em apoio ao governo. “Não sei o que o presidente falou com [Michel] Temer ou qualquer autoridade que seja. Eu não falo em nome do presidente. O que eu percebo é que, ao que parece, após o Sete de Setembro, todos estão mais focados em colocar adiante temas que importam ao país, muito mais do que aumentar qualquer tipo de tensão”, disse. 

Entenda de onde vem a tradição de dar doces no Dia de Cosme e Damião

Santos católicos estão associados a orixás da umbanda e candomblé

Beatriz Albuquerque

Quando falamos em São Cosme e São Damião lembramos, na hora, da tradição de distribuir doces para as crianças no dia 27 de setembro. Na família da jornalista Aline Monteiro, isso acontece há muitos anos. A mãe fez uma promessa a esses santos pela saúde dos filhos e, desde então, oferece guloseimas para os pequenos no mês de setembro. A promessa acabou e Aline ainda vai para rua dar continuidade à tradição que a mãe começou anos atrás.

"Hoje em dia já não é mais a promessa, mas a gente continua a tradição. Acredito que mais em agradecimento, à perpetuação, à repercussão da fé que continua. E claro, pedindo mais e mais saúde", conta Aline.

Mas você sabe como começou esse hábito? Ou até mesmo quem foram esses santos para quem tantas pessoas fazem promessas?

O professor Agnaldo Cuoco Portugal, do Departamento de Filosofia da Universidade de Brasília (UnB), explicou que, na religião católica, Cosme e Damião eram dois irmãos gêmeos, considerados curandeiros - médicos na comunidade onde viviam.

Para o catolicismo, não havia nenhuma ligação entre os irmãos e as crianças ou a distribuição de doces. Essa prática veio da associação que os escravos fizeram de Cosme e Damião a orixás da umbanda e do candomblé: os Ibejis, filhos gêmeos de Xangô e Iansã.

O professor explicou que, como havia muita repressão na época da escravidão no Brasil aos cultos africanos, os negros precisavam adorar suas divindades sempre associando a algum santo católico. E foi isso que aconteceu com são Cosme e são Damião.

Condomínios cobram passaporte de vacinação de moradores em áreas comuns

A recomendação é da Abadi (Associação Brasileira de Administração de Imóveis)

Felipe Lucena

Os condomínios, mesmo sem estarem incluídos no decreto da Prefeitura do Rio de Janeiro sobre a obrigatoriedade da comprovação da vacinação contra Convid-19, vêm orientado que os síndicos apliquem esta exigência no uso das áreas comuns. A recomendação é da Abadi (Associação Brasileira de Administração de Imóveis).

Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

Segundo o coordenador da Cipa SíndicaBruno Gouveia, a empresa vem solicitando, nos condomínios que administra, o certificado de imunização para atualização do cadastro de todas as unidades sob sua responsabilidade.

“Além de ser uma medida que ajuda a garantir uma maior segurança sanitária interna, ela evita possíveis ações jurídicas do poder público contra condomínios que não sigam esta regra. Mesmo que não haja no decreto nada que especifique a atuação dos condomínios, é importante que o síndico cumpra com a determinação e evite, com isso, problemas tanto de da saúde quanto do ponto de vista legal”, explica o coordenador da Cipa Síndica.

A recomendação é que o comprovante seja cobrado quando houver circulação do morador nas áreas comuns, como academias, piscinas, salões de festa, quadra de esportes etc. O documento de vacinação pode ser apresentado via carteira de vacinação ou pelo Conect SUS.

Título e Texto: Felipe Lucena, Diário do Rio, 27-9-2021

[Observatório de Benfica] A grande vitória de Lisboa

Mário Florentino

Carlos Moedas, contra tudo e contra todos, ganhou a Câmara Municipal de Lisboa. Ao início da noite, as projeções das empresas de sondagens adivinhavam um empate. Foi uma longa noite de espera, até que se confirmou a vitória do ex-comissário europeu. Está de parabéns pela coragem de ter avançado - deixando um cargo de prestígio na Fundação Gulbenkian - e lançar-se numa luta que sabia difícil. E pela excelente campanha que fez, no seu estilo sóbrio e moderado, sem ceder a populismos nem levantar a voz.

Medina é o grande derrotado da noite. Contando com uma vitória folgada, suportado pelas sondagens e por uma comunicação social amiga, apareceu nos debates com a arrogância e prepotência habituais. Os eleitores não lhe perdoaram. Com o desconfinamento, o caos voltou ao trânsito da cidade, agravado pelas ciclovias, em regra vazias.

Medina é natural do Porto e nunca entenderá a capital. A ciclovia da Almirante Reis terá sido um tiro no pé fatal. E a recente polémica com Margarida Martins - a presidente da Junta que utiliza o poder para proveito pessoal de forma descarada - terá ditado a sentença fatal.

António Costa é o outro grande derrotado da noite, por mais números e percentagens que venha agora debitar para tentar esconder o desaire. Não precisava, mas quis “nacionalizar” a campanha, percorrendo o país de lés-a-lés a prometer os milhões de Bruxelas, dando a entender que a "bazuca" só chegaria às câmaras do PS. O povo pode estar distraído, mas não é burro, e sabe que as coisas não são assim. Depois de quase meio século nestas andanças do voto, não se deixou enganar com tanta facilidade.

“Socialismo ou liberdade” foi o slogan com que Isabel Ayuso (do PP espanhol) ganhou a Câmara de Madrid. Moedas não precisou de usar esse mesmo slogan para ganhar, mas foi isso mesmo que esteve em causa em Lisboa. Os madrilenos já sentem o efeito dessa libertação do socialismo estatizante e asfixiante, com impostos mais baixos e crescimento econômico em alta. Em breve, nós, lisboetas, poderemos dizer o mesmo.

Hydroxychloroquine

Early combination therapy with hydroxychloroquine and azithromycin reduces mortality in 10,429 COVID-19 outpatients

We evaluated the age-specific mortality of unselected adult outpatients infected with SARS-CoV-2 treated early in a dedicated COVID-19 day hospital and we assessed whether the use of hydroxychloroquine (HCQ) + azithromycin (AZ) was associated with improved survival in this cohort.

A retrospective monocentric cohort study was conducted in the day hospital of our center from March to December 2020 in adults with PCR-proven infection who were treated as outpatients with a standardized protocol.

The primary endpoint was 6-week mortality, and secondary endpoints were transfer to the intensive care unit and hospitalization rate. Among 10,429 patients (median age, 45 [IQR 32–57] years; 5597 [53.7%] women), 16 died (0.15%).

The infection fatality rate was 0.06% among the 8315 patients treated with HCQ+AZ. No deaths occurred among the 8414 patients younger than 60 years. Older age and male sex were associated with a higher risk of death, ICU transfer, and hospitalization.

Treatment with HCQ+AZ (0.17 [0.06–0.48]) was associated with a lower risk of death, independently of age, sex and epidemic period. Meta-analysis evidenced consistency with 4 previous outpatient studies (32,124 patients—Odds ratio 0.31 [0.20–0.47], I2 = 0%).

Early ambulatory treatment of COVID-19 with HCQ+AZ as a standard of care is associated with very low mortality, and HCQ+AZ improve COVID-19 survival compared to other regimens.

Reviews in Cardiovascular Medecine 

[O cão tabagista conversou com] Raffaine Júnior: "Já passei por três AVC's, um tumor no pescoço e nunca desisti de ser feliz e continuar caminhando.”

Nome completo: Romildo Raffaine Junior

Nome de Guerra: Raffaine Junior

Onde e quando nasceu?

Jaú, SP, em 10 de setembro de 1962, mas só fui registrado em 5 de fevereiro de 1963.

Onde estudou?

Comecei meus estudos na cidade de Jaú, em 1969 na EEPG Dr Domingos de Magalhães.  Minha primeira professora, Arlete Nassif, com quem tenho a honra de ter contato até hoje.

Depois fui fazer o, na época, ginasial na Escola Industrial Joaquim Ferreira do Amaral. Tínhamos nessa escola, para os meninos aulas de marcenaria e mecânica, para as meninas bordados, corte e costura, artes plásticas.

Em 1975 mudamos para São Paulo e terminei o Ginasial na Escola EEPSG MARECHAL DEODORO, no bairro do Bom Retiro.

Terminado o ginasial em 1976, em 1977 prestei o vestibulinho e ingressei no colégio DR ALARICO SILVEIRA no bairro de Barra Funda onde terminei o colegial e não fiz faculdade.

Onde passou a infância e juventude?

A minha infância, até os meus 13 anos, passei em Jaú. 

A juventude, passei em São Paulo, onde fiquei até o ano de 2012.

Nesse ano retornei com minha mãe para a cidade de Jaú, onde estou até hoje.

Qual (ou quais) acontecimento marcou a sua infância e juventude?

Momentos que marcaram a minha infância: nasci e cresci na casa de meus avós paternos, juntos com meus tios e tias. Os meus tios quando eu nasci eram jovens, o meu tio mais novo é sete anos mais velho que eu. Então, a convivência com toda a minha família italiana na infância ficou gravado em minha memória.

Mas também convivi muito com a família dos meus avós maternos. Sempre fui muito apegado aos meus familiares, e ainda sou até hoje, meus primos são como irmãos para mim.  Meus pais sempre fizeram questão de sempre nos manter reunidos e isso perdura até hoje. 

Já na minha juventude, morando em São Paulo, comecei a minha vida profissional de 15 para 16 anos numa companhia de seguros, Seguradora Bandeirantes, que hoje já não existe mais. Fiquei até 1983.

Em 1982 fiz meu serviço militar, no 2°Batalhão de Guardas, no parque D. PEDRO II.

Minha juventude foi marcada por responsabilidades que tive que tomar, por ter iniciado tão cedo no mercado de trabalho.

Então começou a trabalhar em 1977?

Então, comecei na Seguradora e logo que terminou meu serviço militar, três meses depois, comecei minha carreira na aviação.

domingo, 26 de setembro de 2021

[Antigamente] O que é (foi) isto?


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O desenho da casinha 
Opala SS 4... 
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Pato Donald 
Topo Gigio 
O que é (foi) isto? 

Os verdadeiros campeões do desmatamento

A Europa detinha mais de 7% das florestas do planeta e hoje tem apenas 0,1%. A África possuía 11% e agora tem menos de 4%

Evaristo de Miranda

“Há 8 mil anos, o Brasil possuía 9,8% das florestas mundiais. Hoje, o País detém 28,3%. Dos 64 milhões de quilômetros quadrados de florestas existentes antes da expansão demográfica e tecnológica dos humanos, restam menos de 15,5 milhões, cerca de 24%. Mais de 75% das florestas primárias já desapareceram. Com exceção de parte das Américas, todos os continentes desmataram, e muito, segundo estudo da Embrapa Monitoramento por Satélite sobre a evolução das florestas mundiais.

A Europa, sem a Rússia, detinha mais de 7% das florestas do planeta e hoje tem apenas 0,1%. A África possuía quase 11% e agora tem 3,4%. A Ásia já deteve quase um quarto das florestas mundiais, 23,6%, agora possui 5,5% e segue desmatando. No sentido inverso, a América do Sul, que detinha 18,2% das florestas, agora detém 41,4%, e o grande responsável por esses remanescentes, cuja representatividade cresce ano a ano, é o Brasil.

Se o desflorestamento mundial prosseguir no ritmo atual, o Brasil – por ser um dos que menos desmatou – deverá deter, em breve, quase metade das florestas primárias do planeta. O paradoxo é que, ao invés de ser reconhecido pelo seu histórico de manutenção da cobertura florestal, o País é severamente criticado pelos campeões do desmatamento e alijado da própria memória.”

*Trechos de capítulo publicado no livro do autor: Quando o Amazonas corria para o Pacífico – Uma história desconhecida da Amazônia. Ed. Vozes, Petrópolis, 2007. 253p.

Título e Texto: Evaristo de Miranda, revista OESTE, 26-9-2021, 11h53

Projeção TVI: abstenção entre 45% e 50% (Lamentável!)

As eleições autárquicas que hoje se realizaram motivaram a ida às urnas de cerca de metade dos eleitores, segundo a projeção da TVI

Paula Oliveira

A abstenção nas eleições autárquicas ter-se-á situado entre 45% e 50%, segundo uma projeção da TVI.

De acordo com dados oficiais, votaram nestas eleições, até às 16 horas, 42,34% dos eleitores. Segundo a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, esta percentagem está abaixo da registada nas eleições autárquicas de 2017, à mesma hora, 44,39%. 

Apurados os votos em 2017, a abstenção ficou-se nos 45%.

Um total de 9.306.120 eleitores encontravam-se inscritos para votar neste domingo em 308 municípios, onde mais de 20 partidos concorreram, aos quais se somam as candidaturas de grupos de cidadãos em 64 concelhos.

Há quatro anos, o PS foi o grande vencedor das eleições autárquicas ao conquistar 161 câmaras, duas das quais em coligação. Em 2017, o PSD piorou o resultado em eleições autárquicas, ao vencer em 98 municípios (79 conquistadas sozinho, 19 em coligação), menos oito em relação a 2013.

Os resultados eleitorais deste domingo começam a ser divulgados às 21 horas.

Texto: Paula Oliveira, TVI, 26-9-2021, 20h08

Quase a metade da população do país! Lamentável e... revoltante!

Se algum dia fui favorável ao voto facultativo, mudei de ideia, agora sou contra, radicalmente.

Viva o VOTO OBRIGATÓRIO!

[Observatório de Benfica] Apresentação

Observatório de Benfica é uma coluna semanal às segundas-feiras. Aqui falarei um pouco de tudo. Política, economia, sociedade, cinema, artes, viagens, e o que mais me aprouver. Sempre com ironia, porque "a ironia é a expressão mais perfeita do pensamento", como disse Florbela Espanca.

Mário Florentino, 26-9-2021


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Insécurité et immigration : les liaisons dangereuses

D’après toutes les enquêtes d’opinion, et ce depuis au moins 1945, les Français ont tendance à considérer que les immigrés commettent davantage d’actes délictueux que le reste de la population. Connu pour ne pas pratiquer la langue de bois, le criminologue Xavier Raufer nous aide à démêler le vrai du faux à ce sujet.


La population immigrée est-elle plus impliquée dans des actes délictueux que la moyenne des Français ?

D'abord, permettez-moi de noter que vous ne faites sans doute allusion ici qu’aux infractions de voie publique. Aucun des actes délictueux auxquels on pense quand on parle d’immigration ne concerne les autres domaines de l'illicite que sont par exemple les fraudes financières ou les atteintes à l'environnement. Ensuite, j’attire votre attention sur le fait que les immigrés sont, à l'origine du moins, pour la plupart d’entre eux des hommes jeunes venus « vendre leur force de travail ». On trouve rarement dans de telles aventures, forcément durables et pénibles, de vieilles dames ou des femmes enceintes. Or, la criminalité de voie publique est bien sûr principalement le fait d'hommes jeunes. Chez ces migrants économiques, à distinguer donc des familles qui fuient une guerre ou un cataclysme, les jeunes mâles sont surreprésentés par rapport à la population locale, dont la pyramide des âges, elle, est complète. Quelle que soit l'origine de ces migrants, la proportion de malfaiteurs potentiels en son sein est donc mathématiquementsupérieure à celle de la population autochtone comparable, comprise entre bébés et vieillards.

Voyez les Irlandais à New York : leur première génération se comporta de façon si agitée qu'aujourd'hui encore, la camionnette de police (« panier à salade » à Paris) y a toujours pour surnom argotique Paddy Wagon(en français : « fourgon des Irlandais »). Idem pour les juifs ou les Italiens dans la mafia new-yorkaise des années 1930, qui se sont assagis dès la deuxième génération. Le problème, en France, c’est que ça ne se calme pas, du fait d'incessantes vagues migratoires peu ou pas intégrées.

Enfin, je remarque que tout phénomène massif, mais incompréhensible à première vue, « s’explique » d'abord socialement en mode conspiratif. Du XVIIIe au XIXe siècle, l'économie villageoise devient nationale puis internationale ? Complots juifs ou francs-maçons ! Attentat du 11 Septembre ? Complot de la CIA ou du Mossad ! Et cetera.

Vos contempteurs vous accusent régulièrement d’être le père du concept d’ensauvagement. Est-ce le cas ?

Le sociologisme est à la sociologie ce que l'islamisme est à l'islam : dans les deux cas, d'ignares fanatiques maudissent leurs contradicteurs, faute de pouvoir convaincre. Évitant les termes emphatiques, j'ai parlé une seule fois d'ensauvagement dans la préface du superbe France, orange mécanique de Laurent Obertone (éd. Ring, 2013), qui fit exploser le réel criminel à la face de la bienséance médiatique. Or bien sûr, le terme avait déjà servi. Dès 1950, dans son Discours sur le colonialisme, Aimé Césaire dénonçait « l'ensauvagement de l'Europe » ; en 2005, la politologue Thérèse Delpech publiait L’Ensauvagement : le retour de la barbarie au XXIesiècle (éd. Grasset). Creusons plus profond. La décennie 1970 révèle la passion gauchiste pour ce « sauvage », cet « ensauvagement » sans cesse invoqué. En 1970, Bernard Kouchner signe avec Michel-Antoine Burnier La France sauvage sur les violences politico-sociales dans la France post-1968. À l'époque, Jean-Paul Sartre dirige chez Gallimard la collection La France sauvage, qui publie dix-sept ouvrages anars-maoïstes. Pauvres sociologues-gauchistes : ils ignorent même leur propre histoire.

Est-ce un invariant anthropologique que de considérer l’étranger comme un potentiel facteur de troubles au sein d’une société d’accueil ?

La xénophobie est un réflexe universel, que seule l'éducation réduit et corrige. Pour la France de 2021, que l'essentiel de la criminalité de voie publique soit le fait d'étrangers, ou d'individus d'origine « extra-européenne » aggrave plutôt les choses. Ce n'est pas moi qui le dis, mais le ministère de l'Intérieur. En 2020, deux rapports (police et gendarmerie) sur le crime organisé en France énumèrent tous les groupes criminels à l'œuvre chez nous : excepté les bandits corses de Marseille, sur 400 pages de texte environ, plus un Français d'origine dans les listes ! C'est si criant que ces deux rapports ont été mis en « diffusion restreinte », sans doute pour ne pas alarmer le bon peuple. Mais bien sûr, ces informations nous parviennent quand même…

A genealogia do fanatismo

João Maurício Brás

Cioran, num admirável texto, A genealogia do fanatismo, explica o que sucede quando animamos as nossas ideias com os nossos delírios e estas se transformam em crenças que têm de se concretizar no tempo. Desse modo, surgem as ideologias e as doutrinas e se consumam as farsas sangrentas. As tentativas de realizar o céu na terra têm centenas de milhões de mortes no seu currículo.

Os piores episódios da nossa história, excetuando as catástrofes nacionais e as epidemias e pestes incontroláveis, são o resultado de ideias para salvar o homem. “[...] forcas, masmorras e condenados só prosperam à sombra de uma fé, - dessa necessidade de crer que infestou o espírito para sempre. O diabo empalidece comparado a quem dispõe de uma verdade, de sua verdade.

Somos injustos com os Neros e com os Tibérios: eles não inventaram o conceito de herético: foram apenas os sonhadores degenerados que se divertiam com os massacres. Os verdadeiros criminosos são os que estabelecem uma ortodoxia no plano religioso ou político, os que distinguem entre o fiel e o cismático”.

Cada época com os seus salvadores apresenta-se sempre como a solução final, a derradeira palavra, o viático para a salvação, neste caso na terra. Estes salvadores não perdoam a rejeição das suas verdades e das suas excitações.

A eventual intransigência de um inquisidor dominicano não é menor do que a de uma ativista feminista do século XXI, ou de um movimento antirracista, de um vegan ou de um defensor dos animais.

A salvação desceu do céu para a terra e secularizou-se. As utopias caracterizam-se sempre como distopias, o assustador admirável mundo novo cega ao século XXI com um potencial científico e tecnológico único, o que torna tudo mais aterrador. Autores como Michel Houellebecq, George Orwell, Aldous Huxley, H. G. Wells, Yevgeny Zamyatin, ou J. G. Ballard traçam retratos factuais deste tempo.

[As danações de Carina] Um pouco da história do tango

Carina Bratt

DIZEM OS ENTENDIDOS no assunto que a música do tango tem alguma coisa de diferente, de cativante e de espiritual bailando no ar. Ela prende a alma e embriaga o coração, como uma bebida forte, assim como embebeda os sentidos. Todos os sentidos. A melodia do tango, é doce, evocativa, amorosa, sensual, tudo a um só tempo. Por essa razão, entrou em nossos salões de baile, nos clubes de danças e venceu. Criou mais força e robustez, se fez de raiz profunda, depois do quadro a ‘Dança dos Famosos’, do ‘Domingão do Faustão’, onde vários globais bruxuleavam, aos sons de relíquias famosas, as trocentas cadências, entre elas, claro, o tango e seus compassos conhecidos como 2 por 4.

Aliás, minhas amigas e leitoras, é bom que se deixe esclarecido, o tango é originário de uma cidadezinha conhecida como Rio da Prata e se tornou quase uma doença (doença, aqui, no bom sentido) em pleno século XIX, na voz de seu maior intérprete, Carlos Gardel. Gardel, no início do século vinte, viajou por toda a Europa fazendo com que esse ritmo se espalhasse e explodisse, notadamente em toda a eterna Buenos Aires e Montevidéu. Para o restante do mundo, em pouco tempo, criou uma multidão infindável de adeptos que aderiram e se curvaram aos seus encantos e prazeres.

Os trejeitos que compõem a dança são seguidos de compassos e cadências considerados os mais belos e charmosos. Nada mais gostoso e adorável, vermos um sem número de pares percorrendo os espaços de um canto a outro, ao som mavioso de uma dessas melodias tão cheias de atrativos e pura sedução. Todas nós, nos acostumamos a chamar esse fascínio de: ‘tango argentino’. Procede, a bem de esclarecimento, que foi, de fato, lá na Argentina, que ele se firmou, e, com o passar dos anos, se aperfeiçoou e se notabilizou. Desde então, houve uma metamorfose inexplicável. ‘La Cimparsita’ é uma peça, vamos colocar assim, composta por Gerardo Rodriguez, que não envelhece, não perde a cor nem o viço, não caduca, apesar do tempo de existência.

Em Buenos Aires, surgiu uma avalanche de compositores e cantores como Carlos Gardel que chegou até mim através de meus pais (que tinham todos os seus álbuns) que me deram o prazer de conhecer esse cantor-músico e suas canções maravilhosas em pleno glamour de sua carreira. Carreira, por sinal, vitoriosa que, infelizmente, veio a ser interrompida em face de um desastre de avião até nossos dias considerado inexplicável. Carlos Gardel nasceu em 11 de dezembro de 1890, em Toulouse, na França e nos deixou em 24 de junho de 1935, aos 44 anos, em Medellín, na Colômbia, depois de uma turnê fabulosa que fazia por aquelas paragens.

Qual o nome desta rua?