sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Mais vale tarde do que nunca

Só agora?

Fra Diavolo

Confesso que foi com alguma surpresa que ouvi Manuela Ferreira Leite [foto] afirmar há dias que o entendimento governativo do OS com a “esquerda radical”, nomeadamente com o Bloco de Esquerda, “é o caminho da ruína do país”.

E acrescentar: “Numa política de esquerda como aquela que tem estado a ser seguida não se pode esperar apoios para a redução de impostos, nem para as empresas nem para a classe média. Portanto, é contra isto que temos de lutar”.

É difícil não concordar com a antiga presidente do PSD. O que é menos fácil de entender é a profunda mudança no seu discurso.

Será esta a mesma pessoa que passou todo o mandato de Pedro Passos Coelho a criticar as políticas de direita e tudo aquilo que o governo PSD/CDS fazia?

Seja como for, saúde-se a nova orientação política de Ferreira Leite, que constitui um verdadeiro ato de contrição depois de uma inexplicável deriva de “centro-esquerda”.

Mais vale tarde do que nunca.

Título e Texto: Fra Diavolo, o Diabo, nº 2334, 24-9-2021

Amizade com categoria

Aristóteles Drummond

Um olhar sobre as relações do Brasil com Portugal no século passado mostra a força da união dos dois povos e a qualidade de seus homens públicos e dos seus contemporâneos que passaram pelo poder. Estadistas de qualidade e uma elite que não se aproveitava da proximidade com o poder. 

Os anos Vargas, no Brasil, coincidiram com os de Salazar, em Portugal. Nunca se falaram, mas respeitavam-se e admiravam-se. E, nos dois países, os embaixadores eram a nata da diplomacia. Quando Plínio Salgado, líder integralista e intelectual brasileiro viveu em Portugal, exilado, de 1938 a 1945, apesar das afinidades ideológicas e até religiosas – é o autor da mais editada “Vida de Cristo” em português –, nunca foi recebido por Salazar, que não queria eventualmente contrariar Getúlio Vargas. Este, por sua vez, fez o Brasil presente com grande pompa na Exposição do Mundo Português, em 1940.  

No governo de Juscelino Kubitscheck, deu-se a maior recepção popular da história a um governante estrangeiro, na visita do Presidente General Craveiro Lopes ao Brasil, com mais de cem mil pessoas para o saudar na Avenida Rio Branco, no centro do Rio. E visitar Portugal tornou-se uma rotina dos presidentes, desde Café Filho. 

Em 1972, foi o presidente Américo Tomás quem levou, num barco da Marinha de Portugal, os restos mortais de D. Pedro I do Brasil, por ocasião dos 150 anos da Independência. Foi recebido pelo presidente Emílio Médici, o mais popular da República, quando fez o Brasil crescer a mais de 10% ao ano. 

Marcelo Caetano, que desde sempre teve amigos e admiradores no Brasil, onde já havia feito mais de uma viagem de carácter particular, quando primeiro-ministro, em 1969, foi ao Rio de Janeiro receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em solenidade que contou com a presença do ministro da Justiça e eminente jurista professor Gama e Silva, que mais tarde veio a ser embaixador em Lisboa. Marcelo estava acompanhado do ministro Franco Nogueira e foi recebido ainda pelo governador do Rio, Negrão de Lima, antigo embaixador em Lisboa e que, anos depois, o acolheu quando do exílio. O embaixador de Portugal era José Manuel Fragoso que, depois do 25 de Abril, veio morar no Rio. E houve um grande almoço no Iate Clube do Rio de Janeiro. 

FMI: economia brasileira está melhor que o esperado

Organismo internacional debitou na conta de 'medidas energéticas das autoridades' parcela do salvo positivo

Cristyan Costa

Fundo Monetário Internacional (FMI) informou que o desempenho econômico do Brasil tem sido melhor que o esperado. Em relatório divulgado na quarta-feira 22, o organismo avaliou que a melhora do Produto Interno Bruto (PIB) se deu “em parte devido à resposta enérgica das autoridades”. A previsão do FMI para o PIB do país este ano é de expansão de 5,3%, inalterada em relação à estimativa de julho.

“A incerteza em torno das perspectivas é excepcionalmente alta, mas os riscos para o crescimento são vistos como amplamente equilibrados”, observaram técnicos do Fundo, ao alertarem para desafios de longa data para um maior crescimento e inclusão socioeconômica devido à pandemia. “O mercado de trabalho está atrasado em relação à recuperação da produção e a taxa de desemprego é alta, especialmente entre jovens, mulheres e afro-brasileiros.”

Título e Texto: Cristyan Costa, revista OESTE, 24-9-2021, 7h06 

Costa não está bem

Costa e outros responsáveis políticos do Governo e do PS interiorizaram uma ideia de impunidade, de que são os ‘donos disto tudo’, que podem dizer tudo, fazer tudo, e os outros têm de se agachar perante o seu poder.

José António Saraiva

Eu via e não acreditava. António Costa, muito exaltado, muito inflamado, muito suado, vociferava contra o encerramento da refinaria da Galp em Matosinhos, dizendo que era «difícil imaginar tanto disparate, tanta asneira, tanta irresponsabilidade, tanta falta de solidariedade, como aquela de que a Galp deu provas em Matosinhos». 

E ia mais longe dizendo esperar um castigo exemplar «para servir de lição» a outras empresas que queiram fazer o mesmo.

Houve quem dissesse que parecia Hugo Chávez; a mim fez-me lembrar Vasco Gonçalves em Almada no Verão Quente de 1975.

A mesma exaltação, a mesma arrogância, a mesma hostilidade à iniciativa privada.

Pensei: ‘António Costa não está bem!’

Confesso que já tinha ficado chocado há uns meses ao ouvir os ataques feitos por Pedro Nuno Santos à anterior administração da TAP e depois aos acionistas da Groundforce. 

Mas de Nuno Santos já esperamos tudo, após ter ameaçado com voz grossa os banqueiros alemães.

Agora António Costa é primeiro-ministro de um país da União Europeia, é o principal representante do Governo de um país democrático, que supostamente respeita a iniciativa privada e a sua autonomia.

Como poderia estar a falar daquela maneira?

Como podia atacar tão violentamente uma empresa?

Como podia negar-lhe a possibilidade de fazer as suas opções estratégicas?

Um hino à moderação

O projeto do governo que visa a conter as big techs não propõe nada que possa ser considerado como um incentivo ao ódio, à mentira ou ao totalitarismo

J. R. Guzzo

É realmente muito esquisito viver numa época em que a função de lutar pelas liberdades individuais passou a ser exercida, basicamente, pelo governo — e não, como deveria ser, pela sociedade civil, no grande leque de instituições que vai da mídia e da OAB até as entidades de representação profissional e os partidos políticos. Está acontecendo, no Brasil de hoje, o tempo todo. A última manifestação desta anomalia é a batalha, travada nos tribunais e no Congresso, em favor da liberdade de expressão. Quem está a favor da liberdade é o governo. A maior parte daquilo que se chama de “forças democráticas” está contra. Pode?

Foto: Antonio Molina/Foto Arena/Estadão Conteúdo

É assim que o governo, depois de tentar sem sucesso aprovar uma medida provisória, enviou ao Congresso um projeto de lei — agora sim, com tudo direitinho no papel — para limitar a interferência das grandes plataformas de comunicação social na publicação de informações, opiniões ou notícias produzidas por seus usuários. Sabe-se muito bem qual é o problema. A todo e qualquer instante, Twitter, Facebook, Instagram e demais operadores (estrangeiros, todos eles) dessas redes eliminam o que não querem ver publicado. Junto, eliminam os autores, que se veem perseguidos, hostilizados e reprimidos de todas as forças pelos donos do sistema.

As plataformas chamam a isso de “moderação”. O nome real para o que fazem é censura. Ninguém trabalha, no dia a dia da vida real nas redes, num exame criterioso do material enviado para publicação — o que acontece é a proibição e punição sistemáticas de tudo o que consideram de “direita” ou politicamente errado, num arco-íris que começa no apoio aos “atos antidemocráticos” e acaba na tolerância com o “tratamento precoce” da covid. As punições não se aplicam a conteúdos específicos; o sujeito é reprimido pelo conjunto da obra, ou porque a rede não vai com a cara dele, e sempre sem explicação nenhuma. A lei, para tudo, exige que se diga com precisão porque “A” ou “B” está sendo acusado de alguma coisa. Na internet não precisa.

LIVE com o presidente Bolsonaro, 24 de setembro + Análise

[Aparecido rasga o verbo] Na cumeeira do telhado

Aparecido Raimundo de Souza

EPARMINONDAZINHO RESOLVEU
mandar bilhetinhos para Luluzinha, a menina mais bonita da sala. Aliás, não só da sala. Da escola inteira, da rua e do bairro onde moravam. Ele paquerava com ela onde desse pé. Nos corredores, na hora do recreio, na entrada e na saída, na porta do banheiro, na cantina, no instante em que ela se sentava reservadamente para falar ao telefone celular com a mãe. Embora nunca tivessem permutado um toque de mãos, ou um beijinho, o menino insistia em espalhar para seus amiguinhos que ela era a sua namoradinha oficial.

Luluzinha sabia de tais conversas. Não dizia nem sim, nem não, não confirmava, nem desconfirmava. Simplesmente aceitava, de bom grado os olhares compridos, as espiadelas carinhosas e brejeiras pelos corredores. Se sentia lisonjeada e saltitante. Quando as amigas próximas vinham tirar satisfações, saia com elegância estudada, fugia pela tangente, sorria, mudava de assunto. Eparminondazinho, com o passar do tempo, resolveu usar uma tática diferente, com a princesa que povoava seu mundinho vazio e carente, desejoso, todavia, daquela bonequinha charmosa.

Extremamene tímido e pessimista, sempre que queria dizer alguma coisa à adorável, fazia um bilhetinho, ou melhor, compunha um versinho e mandava entregar diretamente em mãos da sua doce amada. O escolhido, não outro, senão o Dirceu, um garoto cadeirante que dava todo apoio ao colega que torcia pelos pombinhos de forma incondicional. Nesse tom de romance solto por todos os poros, logo que a donzela atravessava o portão da escola, o piá chamava o Dirceu. Um dia se excedeu. Foi mais longe. Na emoção, escreveu:
...Você que amo tanto,
Sei não quer me escutar...
para aumentar o meu encanto,
só me falta te beijar...

Luluzinha, de antemão, tinha pleno conhecimento que bastava o Eparminondazinho vê-la em algum lugar dentro das dependências do estabelecimento de ensino, logo a seguir seria procurada pelo Dirceu. Curiosa, ela lia com a rapidez que atropelava a sua alma em festa e respondia, em seguida, igualmente da mesma forma. Aproveitava a boa vontade do coleguinha que se prestava a se fazer de arauto e a esperar para devolver a réplica. Luluzinha se baseava no gancho das palavras que o ‘apaixonado’ lhe endereçava. Num deles, ousou:
...Sem querer te ofender,
Fale o que pensa, de frente.
Caso contrário irá perder,
O meu amor muito ‘eloquente...’.

Eparminondazinho, neste dia, com o sabor adocicado da imediata e inesperada resposta, se abarrotou de alegria. Ficou eufórico. Manhã seguinte foi o primeiro a chegar e o primeiro a entrar em sala. Endereçou uma rápida olhadela à Luluzinha (quatro carteiras atrás da sua) que não desviou às vistas e se manteve firme à fitá-lo. Sem se desfazer do sorriso que bailava em seu rosto, o moleque se acomodou e abriu o caderno. De dentro, em meio às folhas, sacou um papel de guardanapo. E lá, de novo, os acuros do porta-voz Dirceu, na sua barulhenta cadeira de rodas.

[Foco no fosso] Racha cuca

Haroldo Barboza

No dia 18/9/2021, alguns deputados e vereadores do RJ projetaram um “racha” (*) de futebol seguido de um churrasco. Tudo quase pronto para ser realizado na sede social do Flamengo (**) na Gávea. No entanto, alguns sócios (***) conscientes quanto aos riscos de aglomerações em suas instalações, efetuaram um protesto e conseguiram evitar que tal evento fosse concretizado no local. Louvável atitude dos que pagam as mensalidades da entidade e a desejam higienizada. 

Os incautos que deveriam dar exemplo (****), não se deram por vencidos. Partiram para o “ninho do urubu” (*****) em Vargem Grande, onde os atletas de futebol realizam seus treinos regulares. E lá realizaram o arriscado evento. De certa forma, com o aval do Governador, que deu uma passadinha no local para dar um abraço (?) em alguns colegas. 

Para nós restritos a poucos locais disponíveis (tendo de exibir certificado de vacinação), sobra oportunidade de entrar no site rachacuca, onde diversas atividades lúdicas estão disponíveis para nos ajudar a esquecer que pagamos impostos para que estes tipos de gestores definam as normas de “segurança” da população só lembrada nas eleições.  

* = melhor que “rachadinhas” nos gabinetes de muitos pilantras.

** = autorizado pela diretoria para ficar bem com os “parças”; vai que algum descontente dá idéia de abrir CPI para investigar movimentações estranhas em fundo de pensão!

*** = se eles não podem desfrutar do campo por segurança dos demais sócios, por que os aloprados não marcaram uma pelada num lixão da zona suburbana?

**** = Se seguirmos seus exemplos, os cofres públicos entrarão em falência em três meses.

***** = alto risco de se transformar no “ninho das ratazanas”.

Título e Texto: Haroldo Barboza, setembro de 2021

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Túnel às escuras 
Fé demais ou fede menos? 
O peso da “seriedade” Esquentando a revolta
A 4ª “onda” pode chegar em agosto
Embromações - capítulo 5 (final)
Embromações - capítulo 4

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Entrevista com Ana Paula Henkel

Se eu fosse um australiano

Péricles Capanema

Barafunda.

Austrália, Estados Unidos, França e Inglaterra estão em um tremendo forrobodó diplomático. Não sou australiano, nem cidadão de qualquer dos países acima mencionados, em princípio nada tenho a ver com a embrulhada entre eles. Só em princípio. Na prática, tenho e muito; todo mundo tem. Veremos abaixo, é questão de vida e morte para cada um, assunto de repercussão mundial. Assim, ainda que não me veja diretamente envolvido, embora não seja “apenas um pobre homem da Póvoa de Varzim” e seja na verdade apenas um pobre homem de Pará de Minas, o tema me interessa muito, como deve chamar a atenção de todos os pobres homens da Terra.


Contrato do século.

Adiante. Contas feitas, os maiores e mais próximos interessados no caso são os australianos. Estão certos? Agiram bem? Se eu fosse um australiano, o que estaria pensando? Vamos aos fatos. Em 2016, o governo da Austrália contratou na França a construção de doze submarinos diesel-elétricos, contrato na ocasião de mais de 40 bilhões de dólares. Os custos andaram subindo muito, já há gente que fala em negócio de 70 bilhões de dólares, até mais. De fato, não é possível planejar com segurança o custo da construção de 12 submarinos, manutenção, adaptação de portos, fornecimento de peças ao longo de décadas. Na França, era comum a qualificação de “contrato do século”, “casamento de 50 anos”. Era também aliança estratégica; a França tem cerca de dois milhões de cidadãos na região indo-pacífico. De repente, quando menos se esperava…

Contrato cancelado.

Em 15 de setembro passado a Austrália anunciou que havia rompido o contrato com os franceses e concluído uma aliança estratégica com os Estados Unidos e a Inglaterra para a construção de submarinos com propulsão nuclear. Pela primeira vez os Estados Unidos irão compartilhar sua tecnologia de propulsão nuclear com um país que não seja a Inglaterra. Até aqui, uma parte da realidade.

Nova aliança na região indo-pacífico.

Na verdade, o que aconteceu foi enormemente mais amplo. Estados Unidos, Inglaterra e Austrália anunciaram ao mesmo tempo a constituição de uma aliança estratégica de segurança e defesa (AUKUS alliance ou AUKUS partnership — em tradução livre, aliança ou parceria da Austrália, Reino Unido e Estados Unidos) com efeitos ao longo dos próximos anos e até décadas à frente, cujo adversário, óbvio, é a China Comunista. Congruente, a China reagiu furiosa com o anúncio de tal aliança — “mentalidade anacrônica de guerra fria” e ameaçou os australianos a “que se preparem para o pior”, dando a entender, de início, seriam retaliações de ordem comercial. O Japão manifestou seu contentamento. Stephen Lovegrave, conselheiro para a Segurança Nacional do governo inglês, comentou que a aliança é o “mais significativo acordo de colaboração das últimas seis décadas”. Biden enfatizou a necessidade de manter “a região indo-pacífico livre e aberta”. Em 24 de setembro, o Presidente norte-americano coordenará reunião inicial do Quad — bloco que envolve, além do Japão, Estados Unidos, Austrália e Índia. O primeiro efeito prático de tal aliança será a construção para a Austrália pelos Estados Unidos e Inglaterra de submarinos mais potentes, menos detectáveis pelo inimigo, com maior capacidade de destruição por causas do armamento mais letal e moderno que carregarão, fornecido pelos Estados Unidos. Logicamente, o contrato com a França deixou de ter sentido; foi cancelado. Claro, haverá perdas e danos, multas e muita coisa mais. Mas os submarinos novos da Austrália serão construídos nos Estados Unidos e na Inglaterra. A movimentação diplomática em curso tem potencialidades para a constituição de organismo semelhante à NATO na região indo-pacífico.

Maior avião do mundo, Airbus A380 volta a voar no Brasil

Aeronave tem capacidade para transportar entre 489 e 615 passageiros

Fábio Matos

A partir do dia 31 de outubro, o maior avião de passageiros do mundo, o Airbus A380, voltará a circular no Brasil. A informação foi divulgada pela Emirates, única companhia aérea que opera com a aeronave no país.

A operação com o Airbus A380 será retomada com voos diários entre São Paulo e Dubai, nos Emirados Árabes, pela primeira vez desde o início da pandemia de covid-19. Em março do ano passado, os voos foram suspensos.

A Emirates já havia voltado a operar no Brasil em agosto de 2020, mas com outro tipo de aeronave. O A380 tem capacidade para transportar entre 489 e 615 passageiros.

Título e Texto: Fábio Matos, revista OESTE, 23-9-2021, 13h15

Jornalista detido por Moraes não come há 18 dias, relata esposa

Wellington Macedo é investigado em inquérito que apura supostas fake news contra o STF

Cristyan Costa

Andressa Macedo, esposa do jornalista Wellington Macedo, denunciou que o marido não come há 18 dias. Ele foi detido a mando do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes no inquérito das supostas fake news.

Foto: Nelson Jr/SCO/STF

“O meu esposo está morrendo na cadeia”, relatou Andressa, em publicação no Instagram. “Alguém faz alguma coisa, pelo amor de Deus. Há 18 dias está sem comer e agora não consegue nem beber água” disse a mulher.

Wellington Macedo está no presídio da Papuda, em Brasília, desde o dia 3 de setembro. Ele teve a prisão decretada por Moraes após pedido feito pela Procuradoria-Geral da República.

Título e Texto: Cristyan Costa, revista OESTE, 23 SET 2021 - 10:26

TV Cultura fecha contrato com agência de notícias controlada pelo Partido Comunista da China

Emissora brasileira vai produzir documentários e programas culturais com veículo de comunicação asiático

Cristyan Costa

A agência de notícias Xinhua, sob controle do Partido Comunista da China, e a TV Cultura, ligada ao governo do Estado de São Paulo, fecharam um contrato de cooperação. A parceria consiste em um “intercâmbio de informações e, futuramente, de documentários, séries e programas culturais.” As partes fecharam negócio na segunda-feira 20, com a participação do presidente da Fundação Padre Anchieta (FPA), José Roberto Maluf, o diretor da estatal asiática, Chen Weihua, entre outras autoridades.

“Esse acordo permite que a TV Cultura vá se informar na fonte primária, não na fonte alternativa ou secundária que são as agências ocidentais de informação sobre a China”, declarou o chefe da FPA. “Nós temos condições de, doravante, saber exatamente como pensam os chineses e o que dizem os chineses”, acrescentou. “A parceria entre a Xinhua e a TV Cultura vai ajudar os dois povos a se conhecerem cada dia mais”, complementou o CEO da companhia estrangeira, ao ressaltar a amizade entre Brasil e China.

Fundada em 1931, a Xinhua possui mais de 10 mil funcionários, 31 escritórios na China e 107 espalhados pelo mundo, com publicações em árabe, chinês, espanhol, francês, inglês, russo, português e alemão.

Título e Texto: Cristyan Costa, revista OESTE, 22-9-2021, 21h36

Vem aí novo colunista às segundas

CNI: capacidade instalada segue elevada e emprego mantém crescimento

Estoques seguem abaixo do planejado pelas empresas

Agência Brasil

A Sondagem Industrial de agosto aponta que a utilização da capacidade instalada da indústria segue elevada no país, acima do registrado em anos anteriores, e o emprego também continua crescendo no setor. Os dados foram divulgados hoje (23) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Foto: José Paulo Lacerda/CNI

Por outro lado, o nível de estoques praticamente não mudou no mês, e segue abaixo do planejado pelas empresas. É o terceiro mês consecutivo em que a diferença entre o nível de estoque efetivo e o desejado pelas empresas se mantém. A CNI, destaca, entretanto, que essa diferença é muito menor que no mesmo mês de 2020, quando o problema da falta de insumos e matérias-primas vinha se tornando mais crítico.

As expectativas do empresário mostraram estabilidade no mês, “mas seguem especialmente positivas”, segundo a CNI, esperando também o aumento da demanda e das exportações, assim como o número de trabalhadores e as compras de matérias-primas. “Nesse cenário, de otimismo do empresário e de alta utilização da capacidade instalada, a intenção de investir do empresário segue também elevada”, diz a entidade.

Dados de agosto

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) aumentou 1 ponto percentual, para 72%, entre julho e agosto de 2021. O percentual para o mês se iguala ao registrado no mesmo mês de 2014 e supera o registrado no mês de agosto dos anos seguinte.

De acordo com a CNI, o resultado é maior mesmo em relação a agosto de 2020, “quando a indústria vinha em forte recuperação após a paralisação causada pela covid-19”. E desde maio deste ano a UCI se mantém acima da média dos mesmos meses de 2011 a 2019.

Os empresários da indústria também voltaram a indicar novo crescimento da produção entre julho e agosto. É o quarto mês consecutivo que os empresários da indústria de transformação e extrativa, de todos os portes, apontam aumento frente ao mês anterior. O índice de evolução da produção ficou em 53 pontos, acima da linha divisória de 50 pontos que separa queda de alta da produção.

Países do G4 pedem reforma do Conselho de Segurança da ONU

Alemanha, Brasil, Índia e Japão são candidatos a assento permanente

Andreia Verdélio

O ministro das Relações Exteriores, Carlos França [foto], se reuniu ontem (22) com os demais chanceleres dos países do G4, grupo formado por Alemanha, Brasil, Índia e Japão, durante a 76ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos. Em comunicado conjunto, eles defenderam a urgência da reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Para eles, as mudanças no órgão podem torná-lo “mais legítimo, eficaz e representativo, ao refletir a realidade do mundo contemporâneo, incluindo países em desenvolvimento e os principais contribuintes”. O conselho é um importante órgão da ONU responsável pela segurança coletiva internacional.

No biênio 2022-2023, o Brasil ocupará um assento não permanente na entidade, mas os países do G4 são candidatos a uma cadeira definitiva. Atualmente, o Conselho de Segurança é integrado apenas pelos Estados Unidos, Inglaterra, França, Rússia e China.

De acordo com o comunicado, os ministros do G4 confirmaram o comprometimento de todos os chefes de Estado e governo em “injetar vida nova nas discussões sobre a reforma do Conselho de Segurança” e celebraram, ainda, a prontidão do secretário-geral da ONU, António Guterres, em oferecer o apoio necessário à reforma. O documento de elementos, preparado pelas cofacilitadoras das Negociações Intergovernamentais, também apresentou avanços, com atribuições parciais das posições e propostas dos Estados-membros do conselho.

Polícia prende no Rio 12 pessoas envolvidas com milícias

São cumpridos 23 mandados de prisão temporária

Vitor Abdala

A Polícia Civil faz hoje (23) uma ação contra suspeitos de envolvimento com uma milícia que atua nas comunidades de Rio das Pedras e Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro. A operação Blood Money [dinheiro sujo] cumpre 23 mandados de prisão temporária e 63 de busca e apreensão. Até as 7h20 da manhã, 12 pessoas tinham sido presas.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Entre os alvos, que são investigados por lavagem de dinheiro para o grupo paramilitar, estão envolvidos na construção e venda de imóveis que desabaram em abril de 2019, na Muzema, matando 24 pessoas.

Segundo a Polícia Civil, investigações constataram movimentações financeiras de grandes volumes realizadas, em um curto período de tempo, por pessoas e empresas. Apenas dois dos investigados movimentaram R$ 8,5 milhões em pouco mais de um ano. 

“Essas movimentações não são compatíveis com o que os investigados afirmam ser. Um deles relatou trabalhar como encarregado de obras, recebendo R$ 4 mil mensais”, informou nota da Polícia Civil.

Título e Texto: Vitor Abdala; Edição: Kleber SampaioAgência Brasil, 23-9-2021, 8h10

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

O Vaticano e a segregação de milhões de pessoas

Telmo Azevedo Fernandes

O Vaticano proibiu a entrada nesta cidade-estado a 5.400 milhões de pessoas. Isto porque segundo despacho oficial do Estado do Vaticano, a partir de 1 de outubro próximo qualquer pessoa que não esteja munida do certificado de vacinação Covid será impedida de entrar no território da sede da Santa Sé.

Como a proibição não abrange a possibilidade de participar na missa na Basílica de S. Pedro, – desde que se entre e saia imediatamente e apenas para esse efeito – podemos colocar de lado a possibilidade de o decreto atender a motivos estritamente sanitários. O caso parece, pois, uma manifestação pública de suposta virtude pelo atual ocupante da Cadeira de Pedro. Se 68% da população mundial não está hoje vacinada pelos mais variados motivos, que virtude é esta em que o Papa impede a entrada de mais de meio mundo no seu domínio territorial? Domínio esse outorgado em 1929 por Mussolini, que foi quem permitiu que a cidadela do Vaticano tivesse “fronteira”.

Seguindo o exemplo de Cristo que chamou a si os leprosos, a Igreja Católica sempre acolheu e foi próxima dos doentes. Por isso seria já de si uma enorme perplexidade que o atual Papa permitisse afastar do Vaticano os que sofrem de doenças infeciosas, através da lei e com fiscalização policial. Mas o Papa Francisco vai mesmo ainda mais longe na ignomínia e perversão da palavra de Deus ao excluir por decreto a possibilidade de uma pessoa saudável, mas sem vacina da Covid, se deslocar e permanecer até numa Praça de São Pedro deserta.

O Papa já antes tinha dito coisas pouco cristãs numa entrevista a um canal de televisão italiano. Pasme-se e atente-se à forma bruta e arrogante de Francisco quando afirma e cito novamente: “Eticamente todos devem tomar a vacina. Não é uma opção”. E mais uma vez, faz alusão ao “negacionismo” que apesar de nunca explicar em concreto de que se trata, reconhece que não consegue explicar a “negação suicida” (na expressão do Papa) de quem opta por não se vacinar.

Recentemente, o Papa Francisco fez outras declarações aos jornalistas aquando da sua viagem à Eslováquia que são no mínimo de mau gosto, e indiscutivelmente perversas e impróprias para um líder religioso que não queira ceder ao populismo e fomentar a divisão e tribalismo entre seres humanos. Disse Francisco e cito: “Mesmo no Colégio de Cardeais há alguns negacionistas da vacina. Mas um deles, por má sorte, está hospitalizado com o vírus” E acrescentou o Papa: “Essas são as ironias da vida.”

Google e Twitter veem ordens de Moraes contra bolsonaristas como desproporcionais e citam ‘censura’

Big techs se manifestaram em âmbito de inquérito

Cristyan Costa

Em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), o Google e o Twitter classificaram de “desproporcionais” as ordens do ministro Alexandre de Moraes [foto] que derrubaram perfis de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais. As big techs citaram ainda “censura prévia” no documento solicitado pelos investigadores de inquérito aberto a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). O procedimento investiga suposta organização criminosa que estaria por trás dos atos do Dia da Independência. Os protestos reuniram milhões de pessoas contra a postura adotada pelos juízes do STF.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Às vésperas do 7 de Setembro, Moraes determinou o bloqueio pelo Instagram, Youtube, Facebook e Twitter de páginas de bolsonaristas envolvidos nos protestos. Um dos alvos foi o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ), que teve sua conta no Twitter bloqueada. “Embora as operadoras do Twitter tenham dado cumprimento à ordem de bloqueio da conta indicada por vossa excelência, o Twitter Brasil respeitosamente entende que a medida pode se mostrar, data maxima venia, desproporcional, podendo configurar-se inclusive como exemplo de censura prévia”, informou a big tech, na investigação.

O Google citou o Marco Civil da Internet ao sustentar que a decisão de Moraes contém irregularidades: 1) é ilegal pedir o bloqueio de páginas em sua plataforma sem apontar conteúdos específicos — “ainda que o objetivo seja impedir eventuais incitações criminosas que poderiam vir a ocorrer, seria necessário apontar a ilicitude que justificaria a remoção de conteúdos já existentes”; 2) ao transferir para a PGR a prerrogativa para determinar o que deveria ser removido, Moraes deixa de “atender o dispositivo que exige a prévia apreciação do Poder Judiciário quanto à ilicitude do conteúdo.”

A posição das big techs foi publicada nesta terça-feira, 21, pelo jornal Folha de S.Paulo.

Título e Texto: Cristyan Costa, revista OESTE, 21-9-2021, 20h15

Fiocruz é selecionada para desenvolver vacinas de RNA mensageiro, decide OMS

Agência especializada em saúde enviará uma equipe de especialistas para ajudar na produção de imunizantes

Cristyan Costa

A Organização Mundial da Saúde (OMS) escolheu a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) como polo de desenvolvimento e produção de vacinas de RNA mensageiro na América Latina. Os imunizantes da Pfizer e da Moderna são feitos a partir dessa tecnologia. A OMS bateu o martelo na terça-feira 21.

A seleção do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos é resultado de uma chamada mundial lançada em abril, com a finalidade de aumentar a capacidade de ampliar o acesso aos produtos anticovid-19. Cerca de trinta empresas e instituições científicas latino-americanas participaram da disputa.

Como resultado da decisão, a OMS vai enviar à Fiocruz uma equipe de especialistas de diferentes áreas, de modo a contribuir para o desenvolvimento das mercadorias. A Fiocruz se comprometeu a compartilhar seu conhecimento para a produção de vacinas com demais laboratórios da região.

Título e Texto: Cristyan Costa, revista OESTE, 22-9-2021, 7h05

Produção agrícola em 2020 bate novo recorde e atinge R$ 470,5 bilhões

Produto que mais contribuiu para o resultado foi a soja

Ana Cristina Campos

O valor da produção agrícola do país em 2020 bateu novo recorde e atingiu R$ 470,5 bilhões, 30,4% a mais do que em 2019. A produção agrícola nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas chegou, no ano passado, a 255,4 milhões de toneladas, 5% maior que a de 2019, e a área plantada totalizou 83,4 milhões de hectares, 2,7% superior à de 2019.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

Os dados constam da publicação Produção Agrícola Municipal (PAM) 2020, divulgada hoje (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Com a valorização do dólar frente ao real, houve também um crescimento na demanda externa desses produtos, o que causou impacto direto nos preços das principais commodities, que apresentaram significativo aumento ao longo do ano. Como resultado, os dez principais produtos agrícolas, em 2020, apresentaram expressivo crescimento no valor de produção, na comparação com o ano anterior”, explicou o IBGE.

A cultura agrícola que mais contribuiu para a safra 2020 foi a soja, principal produto da pauta de exportação nacional, com produção de 121,8 milhões de toneladas, gerando R$ 169,1 bilhões, 35% acima do valor de produção desta cultura em 2019.

Em segundo lugar no ranking de valor, veio o milho, cujo valor de produção chegou a R$ 73,949 bilhões, com alta de 55,4% ante 2019. Pela primeira vez desde 2008, o valor de produção do milho superou o da cana-de-açúcar (R$ 60,8 bilhões), que caiu para a terceira posição. A produção de milho cresceu 2,8%, atingindo novo recorde: 104 milhões de toneladas.

O café foi o quarto produto em valor de produção, atingindo R$ 27,3 bilhões, uma alta de 54,4% frente ao valor de 2019. Já a produção de café chegou a 3,7 milhões de toneladas, com alta de 22,9% em relação ao ano anterior, mantendo o Brasil como maior produtor mundial.

“Quem vive no Rio é sortudo, meu irmão” declara nova campanha do Pão de Açúcar

Com uma música autoral e um refrão contagiante, o Bondinho do Pão de Açúcar presta homenagem aos cariocas e moradores do Rio de Janeiro

Renata Granchi

Com uma música autoral e um refrão contagiante, o Bondinho do Pão de Açúcar presta mais uma homenagem aos cariocas e moradores do Rio de Janeiro. Desenvolvida pela Brick, agência do Bondinho do Pão de Açúcar desde dezembro de 2020, a campanha reforça o conceito “A maior maravilha do Rio é ser carioca”.

Lindas imagens da cidade e suas características próprias são embaladas pela música produzida em parceria pela Brick e a Produtora Frisson e destaca: “Se liga nessa e pega o refrão. Quem vive no Rio é sortudo, meu irmão”. O filme já pode ser conferido nas redes sociais do Bondinho do Pão de Açúcar e nas plataformas digitais.

A campanha também divulga o desconto exclusivo de 50% na compra do bilhete Carioca Maravilha por moradores e nascidos na cidade do Rio de Janeiro e Grande Rio. Basta apresentar um comprovante de residência nominal para moradores ou carteira de identidade para nascidos na cidade e desfrutar do desconto.

Ventania arrancou quase 100 árvores no Rio; previsão é de mais ventos fortes nesta quarta

Previsão é que esta quarta-feira também tenha ventos fortes, podendo chegar a 60km/h

Larissa Ventura

Os fortes ventos que atingiram o Rio nesta terça-feira (21/9) fizeram estragos. Foram quase 100 árvores arrancadas, imóveis destelhados e até um muro que desabou. A ventania também fechou a Ponte Rio-Niterói por cerca de 30 minutos, ocasionou queda de energia em alguns bairros, suspendeu temporariamente a circulação dos trens da Supervia e deixou alguns bairros sem luz.

Queda de árvore atingiu um ônibus na Rua Muniz Barreto, em Botafogo. Foto: Seop

Até a noite desta terça-feira, a Prefeitura havia mapeado 87 árvores caídas pela cidade. Além disso, a ventania derrubou um dos muros do prédio da Oi, na Rua Adelaide Chiozzo, no Engenho Novo, Zona Norte do Rio, atingindo vários carros que estavam estacionados.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou um pico com ventos de 77,8 km/h no Forte de Copacabana. 

Mas a previsão para esta quarta-feira (22/9) é de mais ventos fortes, podendo ter rajadas de até 60km/h. O mar está de ressaca, com ondas de até 3,5 metros. Também está previsto que pode chover de forma leve a qualquer hora do dia.

Título e Texto: Larissa Ventura, Diário do Rio, 22-9-2021

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