Henrique Pereira dos Santos
Um dia destes, depois de eu
ter feito uns comentários favoráveis à coerência e consistência estratégica que
os EUA têm vindo a demonstrar na guerra com o Irão (que dois artigos de Bernardo Ribeiro da Cunha me ajudaram a nomear, falando da vitória da contenção), um amigo meu disse ironicamente qualquer coisa sobre
o meu apoio a Trump.
Acontece que reconhecer que a
consistência estratégica dos EUA no Irão não tem qualquer relação com apoios ou
desapoios a Trump.
As pessoas não são
indiferentes, não será igual estar Trump ou Obama a tomar decisões nesta
guerra, mas eu não acho que os governantes sejam inteiramente livres nas suas
decisões, nem Trump, nem mesmo Khamenei, Putin ou Xi Ji Ping, todas estas
pessoas, e mais as que governam países democráticos, como Trump ou Nethanyahu,
tomam decisões dentro de contextos sociais e políticos que limitam a sua
vontade de fazer isto ou aquilo.
A doutrina de contenção, para
usar a expressão de Bernardo Ribeiro da Cunha nos artigos que citei, é visível
na intervenção na Venezuela (Maduro é removido, mas não se mexe mais que o
necessário para que o regime se alinhe com os interesses ocidentais), em Cuba
(não há intervenção directa, mas um dos efeitos da mudança Venezuela é a
capitulação do regime cubano que as reformas apresentadas pelos seu presidente
representam) ou no Irão, não são possíveis de ser desenhadas e aplicadas porque
um dia o presidente dos EUA, seja ele qual for, acordou e decidiu isto ou
aquilo.
Atribuir a Trump a decisão final de lançar uma ofensiva no Irão é razoavelmente correcto - no topo do processo de decisão ele poderia decidir o contrário - mas pensar que é Trump que orienta todo o processo de decisão que culmina na sua decisão final, é achar que os governos mandam muito mais do que realmente mandam.




















