António Justo
A memória dos antepassados e a bandeira portuguesa, símbolo máximo da Nação, não são um fardo do passado, mas a bússola do futuro. Integrar sem apagar, abrir sem se perder, construir com a sabedoria de quem nos precedeu é o desafio perene que vos traz esta carta. Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, Instituições da Nação, é a vós que me dirijo, certo de que a integração plena do passado e do presente é o único caminho para uma sociedade verdadeiramente humana e universal.
A verdadeira integração nunca se edifica sobre os escombros da cultura que pretende abraçar. Quando, em nome de uma pretensa abertura, se suprime a identidade que nos define, o que se obtém não é coesão, mas sim uma fratura silenciosa e profunda. É precisamente este o cerne da questão que opõe o Presidente da República, António José Seguro, ao decreto do Parlamento e que expõe, de forma crua, o embate entre a defesa do interesse coletivo e a imposição de agendas ideológicas fragmentárias.
Em junho, o Chefe de Estado vetou o diploma que visava proibir o hastear de bandeiras “de natureza ideológica, partidária ou associativa” nos edifícios públicos. Sob o argumento aparentemente plausível de que o texto encerra conceitos vagos e que as causas humanitárias ou ambientais gozam de acolhimento constitucional, o Presidente oferece, na verdade, um flanco perigoso: o da relativização do próprio símbolo máximo da Nação. Ao fazer tábua rasa da distinção entre o que é estruturante e o que é acessório, ele e as forças que o apoiam abrem caminho para que a bandeira nacional seja remetida para um plano secundário, enquanto os estandartes sectários ocupam o espaço público, sem resistência e sem pudor.






















