terça-feira, 13 de janeiro de 2026

[Livros & Leituras] As atribulações de um chinês na China

Júlio Verne, Desenhos da edição original francesa: L. Benett, Amigos do Livro Editores, Lisboa. 

Kin-Fo é um jovem extremamente rico e entediado que não vê sentido nenhum na vida, e nem a perspectiva do seu casamento com a bela Le-U consegue animá-lo. O seu grande amigo Wang, um filósofo, acusa-o de não dar valor à felicidade porque nunca passou por provação alguma, já que sempre teve tudo aquilo que desejava sem precisar de se esforçar. Porém, um dia a desgraça bate à porta de Kin-Fo: o banco americano no qual depositara toda a sua fortuna faliu e o jovem perdeu tudo o que tinha.

É então que Kin-Fo assina um contrato com uma companhia de seguros, cuja apólice garantiria a Le-U e ao amigo Wang uma quantia considerável no caso da sua morte. Em nome da amizade que os une, pede então a Wang que se comprometa a matá-lo antes do prazo determinado na apólice do seguro de vida, entregando-lhe uma carta em que assume a culpa da sua morte.

No entanto, Wang desaparece, ao mesmo tempo que Kin-Fo descobre que a sua fortuna continua intacta, pelo que este decide então atravessar a China para evitar ser morto pelo amigo antes de o contrato expirar. O medo transforma-se em pânico quando recebe uma mensagem de Wang a comunicar-lhe que não conseguiu reunir coragem para o matar e que por isso entregou a sua carta a Lao-Shen, um assassino frio e impiedoso, que se encarregará de cumprir a promessa que lhe fez... 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Quando a ficha caía: o objeto esquecido que ensinou o carioca a entender o mundo

Antes do celular, a comunicação no Rio dependia de um disco metálico, dos telefones públicos vermelhos e azuis e de empresas como Telerj e Telemar — um tempo em que entender a vida, literalmente, exigia que a ficha caísse

Bruna Castro

Houve um tempo em que fazer uma ligação no Rio de Janeiro exigia planejamento, bolso atento e um pequeno ritual. Antes do celular, antes mesmo dos cartões telefônicos, havia a ficha telefônica — um objeto simples, pesado, metálico, que cabia na palma da mão e decidia se a conversa ia acontecer ou não. 

Quem viveu aquele tempo lembra bem. A ficha ficava guardada na carteira, no porta-luvas do carro, na gaveta da sala ou no bolso da calça. Era comum sair de casa “com ficha”, da mesma forma que se saía com chave. Sem ela, o telefone público virava apenas um marco urbano silencioso diante da urgência de um recado, de um atraso avisado às pressas, de uma ligação feita correndo, em pé, com o fone pesado apoiado no ombro.

No Rio, essa história se confunde com a trajetória das empresas de telefonia que marcaram gerações e hoje já não existem mais. Vieram a Companhia Telefônica Brasileira, depois a Telerj, a Cetel e, por fim, a Telemar. Cada uma delas deixou sua marca não apenas nos postes, tampões de piso e cabos da cidade, mas no cotidiano mais banal do carioca: o ato de telefonar.

Diferentemente de muitos países do exterior, onde o telefone público funcionava com moedas correntes — quarters, francs, liras —, o Brasil nunca conseguiu adotar esse sistema de forma estável. A hiperinflação tornava a moeda rapidamente obsoleta. O valor da ligação mudava, a moeda perdia poder de compra, e o telefone público precisava de algo mais previsível. A solução brasileira foi a ficha: um valor fixo, controlado, imune à corrosão diária da inflação galopante.

The “Trump Doctrine” Is Shaped By Elbridge Colby’s “Strategy Of Denial”

Andrew Korybko 

The “Trump Doctrine” is all about the US’ continued military overmatch vis-à-vis China together with placing the US in a position where it can complementarily deny China access to the energy and markets that it requires to maintain its growth and thus its superpower trajectory

Trump 2.0’s grand strategy has become much clearer over the past month since the US bombed ISIS in Nigeria on Christmas, executed its astoundingly successful “special military operation” in Venezuela, and is now threatening new strikes against Iran on the pretext of supporting anti-government protesters. What these three states have in common is their important roles in the global energy industry, whether present or potential (due to sanctions-related limitations), and in China’s Belt & Road Initiative (BRI).

Accordingly, coercing those countries into subordinating themselves to the US (whether by tariffs, force, subversion, etc.) would result in Trump 2.0 obtaining influence over their energy exports and trade ties, which could be weaponized to pressure China. What the US wants from China is for it to agree to a lopsided trade deal that would then be replicated with the EU and the US’ other partners for, as the new National Security Strategy states, “rebalanc[ing] China’s economy towards household consumption”.

The implied goal is to coerce China into correcting its overproduction, which is responsible for its unprecedented global exports that displaced the West’s leading role in world trade and led to enormous influence over the Global South, thus restoring the West’s global market share and influence. Such a radical policy change would have major economic and therefore political repercussions that could destabilize the country, not to mention ending its superpower rise, so it wouldn’t be done voluntarily.

Venezuela 2026: A operação que não foi pelo petróleo, mas pela geopolítica do século XXI


Francisco Henriques da Silva 
 

A operação militar dos EUA na Venezuela, em 3 de janeiro de 2026, entrou para a história como a maior na região desde a invasão do Panamá. A explicação pública rapidamente se centrou em torno do petróleo e do combate ao narcotráfico. Por outras palavras, uma narrativa vendável, conveniente, palatável e repetida à exaustão. Todavia, essa versão desfaz-se numa análise estratégica mínima. A realidade é bem menos transparente, mais intrincada e infinitamente mais perigosa. 

O primeiro mito a ser desfeito é o do processo decisório. Ações desta magnitude não emanam da Casa Branca, mas sim do Pentágono. O mecanismo é claro: os militares avaliam, calculam riscos e, uma vez assente que uma ameaça terá ultrapassado o limiar do tolerável, a decisão efetiva está tomada. Ao presidente cabe o papel executivo de assinar e, posteriormente, articular publicamente uma justificativa para o irreversível. Trump citou o petróleo porque é um símbolo que ressoa. Mas o motivo real jaz noutro lugar. 

O detonador não foi o barril de crude, mas uma convergência estratégica sem precedentes. Pela primeira vez, os três principais adversários geopolíticos dos Estados Unidos – China, Irão e Rússia – estabeleceram uma presença operacional integrada e avançada em um único território, a apenas duas horas de voo da Península da Flórida. 

A China transcendeu a mera aquisição comercial. Assumiu o controle direto da extração de minerais estratégicos – tântalo, cobalto, terras raras – no coração do Arco Mineiro do Orinoco. Estes são os elementos vitais para a indústria de alta tecnologia, inclusive a bélica. Era uma ocupação de recursos com implicações diretas na cadeia de suprimentos de defesa norte-americana.

O barulho chato que salvava o verão carioca

Antes do ar-condicionado dominar os apartamentos do Rio, foi o ventilador — de metal, de plástico, de coluna, barulhento e incansável — que ajudou gerações a atravessar o calor, as madrugadas e a vida cotidiana da cidade

Bruna Castro

DIÁRiO tem feito sucessivas reportagens sobre a quase insuportável onda de calor que vem assolando a cidade, como, aliás, ocorre em todos os verões. Eu dou graças a Deus pela vida de Willys Carrier, inventor do condicionador de ar. Mas houve um tempo em que o verão carioca não era enfrentado em silêncio e no fresquinho. Ele vinha acompanhado de um som constante, metálico ou plástico, que atravessava tardes, noites e madrugadas: o barulho do ventilador, ou do circulador de ar. Antes do ar-condicionado virar promessa de alívio — e muito antes de virar preocupação — era esse aparelho simples, quase rude, que fazia a cidade seguir respirando nos meses mais quentes. 

Os primeiros eram de metal, pesados, sólidos, praticamente indestrutíveis. Ventiladores que pareciam feitos para durar mais do que a própria casa onde estavam. Muitos deles, de marcas como a General Electric, passavam de geração em geração, atravessavam mudanças, reformas, trocas de endereço. Até hoje temos um que era do avô do meu marido (foto principal). Ligados na tomada, não refrescavam exatamente — empurravam o ar quente de um lado para o outro —, mas criavam a ilusão necessária de movimento, de sobrevivência térmica. Às vezes mais de um ligados nos faziam sentir-nos numa air fryer.

Depois vieram os ventiladores de coluna, de pé, quase sempre de plástico, menos elegantes, mais ruidosos. Aliás acho que os de plástico já vêm barulhentos de fábrica, enquanto os de metal começam a bater o pino depois de velhos. Tinham grades frouxas, hélices que vibravam, botões que às vezes falhavam. Faziam um barulho louco, mas “ventavam como poucos”. Eram presença obrigatória em quartos apertados, salas mal ventiladas, apartamentos antigos do Rio onde o calor parecia se acumular nos cantos. Dormia-se com o ventilador apontado para o rosto, para o peito, para o nada — e acordava-se com dor de garganta, mas vivo. E nem vou falar daqueles de teto, espalhadores de poeira e maldição para os alérgicos.

Rio chega aos 40°C e alcança a maior temperatura do ano

A umidade relativa do ar pode variar entre 21% e 30% em alguns pontos do município, índices considerados muito baixos

O Dia 

Recém-inaugurado Parque Piedade Arlindo Cruz recebeu visitantes em domingo de sol, foto: Érica Martin/Agência O Dia

Os termômetros registraram a maior temperatura do ano na cidade do Rio neste domingo (11), às 14h25, chegando a 40 °C em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. O calor extremo lotou as praias e os parques cariocas, mas também trouxe um alerta importante.

O Alerta Rio emitiu um aviso meteorológico válido das 14h deste domingo (11) até as 18h de segunda-feira (12). Durante o período, a umidade relativa do ar pode variar entre 21% e 30% em alguns pontos do município, índices considerados muito baixos.

Recomendações para períodos de baixa umidade: beba bastante água, evite exercícios físicos ao ar livre entre 10h e 16h, use soro fisiológico nos olhos e no nariz, aplique protetor solar, não queime lixo ou vegetação e mantenha os ambientes arejados.

Francesco Farioli renova contrato

FC Porto prolongou o vínculo com o técnico italiano até 2028


O ciclo continua e a ambição mantém-se: o FC Porto e Francesco Farioli acabam de prolongar contrato. Num momento crucial da época desportiva, Clube e treinador chegaram a acordo para manter a ligação nas próximas duas temporadas e meia, até 30 de junho de 2028.

Da equipa técnica do plantel principal passa a fazer parte o adjunto Felipe Sánchez, que até agora desempenhava o mesmo papel na Real Sociedad e que já tinha acompanhado Francesco Farioli no Karagümrük, Alanyaspor, Nice e Ajax. O espanhol junta-se a Dave Vos, Lino Godinho, Lucho González e André Castro (treinadores adjuntos), Callum Walsh (preparador físico), Osman Kul (analista), Iñaki Ulloa e Diogo Almeida (treinadores de guarda-redes).

Francesco Farioli chegou à Invicta em julho e foi eleito Treinador do Mês logo em agosto. Sob o seu comando, o FC Porto completou a melhor primeira volta da história do futebol nacional e ostenta o melhor registo defensivo da Europa: quatro golos consentidos e 13 folhas limpas em 17 jornadas.

"ainda me impressiono com o nível de cinismo dessa gente"

Leandro Ruschel

Mesmo acompanhando, ao longo de décadas, a decadência do jornalismo — e sua transformação em militância de redação de esquerda —, ainda me impressiono com o nível de cinismo dessa gente.

Uma militante de redação do Globo, empresa que recebe centenas de milhões por ano do regime para fazer propaganda, teve a cara de pau de contrapor o jornalismo “profissional”, supostamente pautado em “revisão e checagem”, ao trabalho de influenciadores que teriam recebido dinheiro para defender o Banco Master nas redes. 

Ora, a diferença entre esses influenciadores e O Globo não é apenas o tamanho do cheque que recebem para fazer propaganda: é também o impacto do trabalho. No caso do jornal, ele é incomparavelmente mais nefasto.

‘Refugiados’ mudaram de nome, agora viraram ‘turistas’

A imprensa é IMUNDA

Título, Texto e Imagem: Ana, X, 11-1-2026, 16h46

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“Se você não é venezuelano, não tente nos ensinar como sentir ou celebrar. Quem não viveu a dor, que ao menos respeite o alívio.”
Regime Tweaking, Not Regime Change, Is What The US Just Achieved In Venezuela
Deus abençoe a Venezuela! 🙏🏼 

A Venezuela e o irrealismo mágico


São tempos estranhos, em que parte do mundo se sacrifica para alcançar os valores ocidentais da liberdade e da democracia, e parte do Ocidente está empenhada em sacrificar quem calha para os suprimir.

Por enquanto, só vi meia dúzia de pessoas notar que milhões de outras pessoas ficaram muito mais indignadas com o sequestro do sr. Maduro do que com o sequestro de 251 israelitas a 7 de Outubro de 2023. Aliás, este último episódio nem os indignou de todo, visto que, conforme explicou o secretário-geral das Nações Unidas, o rapto de centenas de inocentes (e a chacina de mil e duzentos) “não aconteceu no vácuo”. Já sobre a prisão do sr. Maduro, o ectoplasma que formalmente preside à ONU mostrou-se “profundamente preocupado”, chamou à operação “um precedente perigoso” e afirmou que “as regras do direito internacional não foram respeitadas”. Declarações destas é que acontecem no vácuo, o vácuo que preenche por inteiro a caixa craniana do eng. Guterres.

Claro que o eng. Guterres nunca fala por ele, coitado. O homem limita-se a ecoar os slogans da ortodoxia em vigor, que lhe puxa os cordelinhos. E se, na sequência do 7/10, a ortodoxia saiu às ruas e entrou nos estúdios televisivos a exigir a extinção de Israel e a difundir propaganda terrorista, esta semana a causa da moda transladou-se do Médio Oriente para o Caribe. De repente, o sr. Maduro, um tirano e um traficante que assassinava opositores, submetia a população à fome e possui contas recheadas na Suíça, substituiu os “resistentes” do Hamas nos corações dos “ativistas” ocidentais. Por pudor e estratégia, os “ativistas” raramente elogiam o sr. Maduro como raramente assumiam servir o Hamas. Antes, disfarçavam (mal) as preferências com alusões ao “genocídio” imaginário em Gaza. Hoje, invocam em uníssono o “direito internacional”.

domingo, 11 de janeiro de 2026

"Acabou, porra!"


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Aí pega!😧

[As danações de Carina] O bom de ser velho quando chegar nosso tempo de velhice


Carina Bratt

RECEBI DA BÁRBARA, uma amiga de WhatsApp. Estamos numa idade muito elegante. Temos praticamente tudo o que queríamos possuir há 60 anos, ou até mais.

Não vamos mais à escola nem ao trabalho.

Temos mesada mensal do INSS e moradia digna. Construímos isso com o suor de nosso rosto, sem roubar de ninguém. No nosso tempo, os ladrões de colarinho branco nem colarinho usavam.

Não somos forçados a chegar em casa na hora. O papai não nos espera atrás da porta, disfarçado de relógio cuco com uma cinca nas mãos.

A nossa esposa não nos força a fazer sexo. Prefere dormir de conchinha ouvindo Carlos José, Inezita Barroso ou Caçulinha.

Alguns de nossa estirpe têm carteira de motorista e até carro próprio. Serve para nossos netos gastarem a gasolina as nossas custas.

Gente da nossa idade não tem medo de engravidar ou morrer de doença venérea pegando uma novinha no puteiro da esquina.

Já temos sorte de estarmos quase velhos, todavia, sem a preocupação de quem vai fazer os preparativos para quando o carro da funerária bater na nossa porta.

Então, senhoras e senhores da minha idade. Por conta, a vida, à nossa vida é ótima! A vida é estupenda e maravilhosa. Além disso, somos incrivelmente mais cultos e inteligentes. Sabemos coisas que muitos doutores diplomados não fazem a menor ideia. 

Uma nova ordem global?

Por menos que tenha melhorado a situação da Venezuela, a ação que prendeu Maduro pode ter desencadeado a maior mudança geopolítica vista no mundo desde a Segunda Guerra

Arte: Kiko

Nuno Vasconcellos

É muito provável que, se a Venezuela não tivesse a quantidade de petróleo que tem, o mundo não prestaria tanta atenção no que acontece por lá. É provável, também, que, se o país não tivesse, nas últimas décadas, aberto tantos e tão desnecessários pontos de atrito com os Estados Unidos, nem tivesse transformado o tráfico de drogas, sob proteção do Estado, numa atividade central de sua economia, não teria se tornado uma ameaça para o Ocidente, como acabou se tornando. E, nesse caso, o governo do presidente Donald Trump, por menos que gostasse do ditador Nicolás Maduro, jamais teria se dado o trabalho de mobilizar alguns dos mais bem treinados soldados do mundo para levar adiante uma operação cinematográfica como a que realizou no sábado retrasado, dia 3 de janeiro.

Só que a Venezuela se julgava intocável e não apenas vinha lançando uma série de desafios aos Estados Unidos como seu caudilho fazia questão de zombar de todas as propostas para normalizar a situação política do país. O país caribenho, que no passado foi uma das economias mais prósperas e uma das poucas democracias consolidadas da América Latina, havia baixado à condição de uma das ditaduras mais abjetas do mundo. O país se tornou um pária e passou a fazer questão de agir como tal. E a situação talvez continuasse piorando se Trump não tivesse tomado a decisão de pôr em prática um plano que, no final das contas, terá consequências não apenas sobre a Venezuela e a América Latina, mas sobre toda a própria ordem geopolítica global.

Desde sua volta à Casa Branca, Trump vinha se mostrando decidido a recuperar a hegemonia econômica e geopolítica que os Estados Unidos — mais por omissão dos próprios governos do que por ação dos adversários — vinham perdendo na região. E, depois de uma espera que vinha parecendo longa, resolveu agir. Numa ação precisa, soldados de elite entraram em Caracas, invadiram o quartel onde Nicolás Maduro estava escondido, o capturaram junto com a mulher, Cília Flores, e os levaram para Nova Iorque.

Até segunda ordem, eles permanecerão presos e responderão pelos crimes dos quais são acusados. Ainda é cedo, porém, para se especular sobre os desdobramentos do destino dos dois. É provável que o ditador passe o resto de seus dias numa prisão americana. Ou, então, que só retorne a seu país quando não passar de um tigre desdentado e incapaz de oferecer qualquer perigo. Mas, diante do alvoroço que se viu em torno desse fato na semana passada, a impressão que fica é a de que, à primeira vista, houve barulho demais para resultado de menos. Será?

Onde é? Qual o nome? 😉

sábado, 10 de janeiro de 2026

“Então eu acho que cabe à Venezuela mostrar a sua narrativa”


LULA: Sabe companheiro Maduro, a Venezuela precisa mostrar sua narrativa. Tem gente que acha que a Venezuela tem problemas com a democracia. 

Ontem, a Venezuela soltou 800 presos políticos.

CANALHA!

Texto e Vídeo: Bruno Souza, X, 9-1-2026, 12h19

Praia no Rio vira artigo de luxo: preços abusivos levam Paes a cogitar tabelamento na orla carioca

Prefeito afirma que há “enorme abuso” nos preços cobrados por comerciantes neste verão e determina que secretarias estudem a possibilidade de regulação

Gabriella Lourenço

A imagem clássica de curtir um dia de sol na orla do Rio está ficando cada vez mais distante — pelo menos para o bolso. Em pleno verão, relaxar na praia virou um programa caro, tanto para turistas quanto para cariocas. Segundo levantamento do jornal O Globo, o aluguel diário de uma espreguiçadeira já chega a R$ 100, enquanto, em áreas mais disputadas da Zona Sul, um sofá pode custar até R$ 850 por dia.

Praia do Flamengo, foto: Phillipe Lima

Diante da avalanche de reclamações sobre valores considerados abusivos, o prefeito Eduardo Paes (PSD) afirmou, em publicação nas redes sociais neste sábado (10), que a prefeitura estuda a possibilidade de tabelar os preços cobrados por comerciantes nas praias cariocas.

De acordo com Paes, todas as atividades econômicas realizadas na orla funcionam por meio de permissão ou concessão municipal, o que abre espaço para algum nível de regulação.

“Temos visto um enorme abuso nos preços exorbitantes praticados por alguns desses comerciantes neste verão”, escreveu o prefeito. Ele informou ainda que determinou que as secretarias de Ordem Pública e de Defesa do Consumidor iniciem estudos para avaliar a viabilidade do tabelamento.

A discussão ganhou ainda mais força após Paes compartilhar uma imagem enviada pelo vereador Flávio Valle (PSD) mostrando o modelo adotado nas praias de Tel Aviv, em Israel, onde os preços de serviços semelhantes são regulados. Para o prefeito, a comparação faz sentido, já que outros serviços sob concessão municipal, como os táxis, também operam com tarifas definidas pelo poder público.

Estado do Rio terá calor excessivo nos próximos dias, diz Secretaria de Saúde

Segundo o Centro de Inteligência da pasta, a partir do domingo (11) o Estado do Rio ficará sob a influência de calor excessivo. A população da capital deve tomar cuidados redobrados a partir de segunda-feira

Patricia Lima

Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que a partir do domingo (11) o Estado do Rio ficará sob a influência de calor excessivo. Segundo o Centro de Inteligência (CIS) da pasta, os municípios de Belford RoxoJaperiMaricáPiraíQueimadosSão GonçaloSeropédica, Nova Iguaçu, Guapimirim e Itaguaí entram em nível Laranja, de uma escala de quatro níveis.

Ainda segundo o CIS, a partir de segunda-feira (12), o calor se intensifica e a cidade do Rio de Janeiro entra na lista. Na terça-feira (13), Guapimirim atinge o nível Vermelho, o mais elevado da escala.

A Secretaria de Saúde tomou uma série de providências para enfrentar o calor extremo. Entre elas, a instalação de pontos de hidratação externa nas 27 UPAs estaduais para a população de rua; a adoção de protocolos específicos de classificação de risco e distribuição de sais de hidratação para idosos e crianças; e o reforço na atuação SAMU 192.

[Aparecido rasga o verbo] As bonecas de pano da Izabel ou a Izabel das bonecas de pano?

Aparecido Raimundo de Souza 

A MARIA IZABEL da Conceição tinha uma coleção de bonecas de pano, cada uma com um nome e uma personalidade. À noite, quando o silêncio tomava conta da casa de feições humildes, parecia que elas ganhavam vida e conversavam longamente com a sua criadora. Em tom amigável, dialogavam sobre aventuras mágicas vividas em mundos de algodão e bordadas com linhas coloridas que pareciam descidas do mais alto céu...

Izabel morava numa casa simples, bem antiga, conhecida como “Morada da Alegria”. Todavia, essa residência, com o descender do dia e das horas, uma luz resplandecia. Ela tinha as mãos habilidosas e um coração para lá de grandioso. Todos os dias, assim que se via em pé e depois de ter tomado o seu café, se sentava perto da janela da sala cercada por um punhado de linhas, tecidos e botões e a partir daí dava formatos mágicos à sua imaginação. 

Cada boneca de pano, se anunciava única: umas tinham vestidos floridos, outras usavam chapéus engraçados, e algumas traziam bolsos secretos para guardar pequenos tesouros. Izabel costurava com tanto carinho e amor, que esse amor primoroso se tornava grandioso demais e parecia por conta, colocar um pedacinho de seu “eu” interior em cada ponto de arremate. As crianças da cidade, sem tirar nem pôr, adoravam visitar essa jovem criatura moldadora de embevecimentos perpétuos.

Quando elas recebiam uma boneca... uau! seus olhinhos brilhavam de alegria. O presente não se consubstanciava apenas num brinquedo. Se transformava num abraço feito de tecido e amor. As bonecas, por seu turno, se faziam companheiras de aventuras, se viam prontas e de certa forma adultas para encararem os segredos confidentes da guardiã de todos os sonhos.

Com o tempo, passaram a dizer que a Izabel não fazia apenas bonecas, mais que isso, construía a felicidade costurada à mão. E assim, nesse tom magnânimo, a sua pequena casa simples se transformou num palacete à margem de um lago imaginável de água azul, um lugar indubitavelmente mágico, onde cada criança que chegava encontrava um pedaço de ternura enorme para levar consigo dentro do peito batendo intermitentemente em festa.

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[Versos de través] Da nossa casa o Alentejo é verde

Sebastião da Gama

Nem mais, nem menos: tudo tal e qual 
o sonho desmedido que mantinhas.
Só não sonharas estas andorinhas
que temos no beiral

E moramos num largo… E o nome lindo
que o nosso largo tem!
Com isto não contáramos também.
(Éramos dois sonhando e exigindo).

Da nossa casa o Alentejo é verde. 
É atirar os olhos: São searas,
são olivais, são hortas… E pensaras
que haviam nossos de ter sede!

E o pão da nossa mesa! E o pucarinho
que nos dá de beber!... E os mil desenhos
da nossa loiça: flores, peixes castanhos,
dois pássaros cantando sobre um ninho…

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

8 de Janeiro e a FARSA da “tentativa de golpe”

Leandro Ruschel

A manifestação que acabou em depredação no dia 8 de janeiro de 2023 jamais foi uma “tentativa de golpe” no sentido real e objetivo do termo. Foi, isto sim, um protesto popular que descambou para o vandalismo, agravado por um fator que até hoje segue mal explicado: a inação, ou incompetência, das forças de segurança para impedir as invasões e conter a escalada da violência.

O precedente histórico para tal leitura é cristalino: em 2006, quando centenas de militantes de um movimento sem terra, liderado por um integrante da Executiva do PT, invadiram e depredaram a Câmara dos Deputados — deixando funcionários gravemente feridos e um rastro de destruição —, a Justiça Federal ordenou a soltura imediata de quase todos os 542 detidos em menos de 48 horas. Naquela ocasião, a decisão foi enfática ao atribuir a responsabilidade à fragilidade do policiamento e à omissão do Estado em proteger o prédio público, tratando o episódio como uma falha de segurança e não como um atentado contra a ordem constitucional — um contraste gritante com o rigor seletivo e as prisões em massa que sustentam a narrativa atual.

O que ocorreu em 2023 foi uma explosão de revolta popular diante daquilo que, para milhões de brasileiros, representou o verdadeiro “golpe” em curso nos anos anteriores: a descondenação de Lula, a reabilitação política de seu grupo e sua alçada de volta ao poder, na esteira do avanço de um regime de censura, perseguição política e criminalização sistemática do campo conservador.

A narrativa oficial exige que aceitemos como plausível que um grupo formado, em sua maioria, por cidadãos comuns — muitos idosos, desarmados e sem qualquer estrutura militar — teria ido a Brasília para derrubar a República. É uma tese que desafia a lógica.

Como um golpe de Estado poderia ser conduzido por esse perfil de manifestante? Uma frase escrita com batom numa estátua é uma “tentativa de golpe”? É sério?

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Wagner Moura mente. E mente muito 
Não existe gente mais desonesta e cínica do que os militantes de redação, Globo à frente

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

J’ai toujours été choqué para la présence des islamistes en France

Omar Youssef Souleimane

Moi qui viens de Syrie, un pays où ces derniers manipulent la société, la culture et l’être humain, je me demande: “Comment est-il possible qu’en France, pays de la laïcité, les intégristes soient si présents? Qu’ils profitent de la démocracie pour y infiltrer leur idéologie?”

Cela ne détruit pas seulement la citoyenneté française, mais aussi les musulmans de France. Ces hommes et ces femmes, qui ne souhaitent que vivre comme tout le monde, se retrouvent pris en otage para un discours communautaire fondé sur la peur de l’autre, cet autre qui, en réalité, est leur compatriote. Mais le plus troublant, c’est cette aliance entre les islamistes et l’extrême gauche.

Pour moi, c’est tout simplement hallucinant.

Au Proche-Orient, le conflit entre la gauche árabe et les islamistes découle d’un contraste profond entre leurs convictions et leurs positions. La gauche árabe adopte des projets de modernité, de laïcité. Elle considere souven la réligion comme un obstacle au progrès, nottament en ce qui concerne les droits des femmes, la liberté d’expression et la séparation entre l’État et la réligion.

Les islamistes, de leur côté, defendent une vision dans laquelle l’islam constitue un système global incluant la vie politique, économique et sociale. N’importe quel imam considère les idées de gauche comme des synonymes d’infidélité, d’hérésie et de perversion.

Tandis que pour la gauche, l’islam n’est qu’une idéologie arriéré, une des raisons pour lesquelles les pays árabes n’ont pas progressé depuis des années.

Titre et Texte: Omar Youssef Souleimane, in “Les Complices du mal”, page15; Copie: JP, 8-1-2026

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