Carina Bratt
SEREI BREVE nas minhas ‘Danações’ de hoje. Reparem. Nesses tempos modernos, em que vivemos, um saco de gatos miando desordenadamente surgem com doenças velhas, incômodos e enfermidades maquiadas com rostinhos de santinhos do pau oco. Faço referência aqueles padecimentos que não aparecem em exames, que não tem nome médico definido, ou remédio milagroso que especialista, por mais estudado que seja, em aviar uma receita, chega perto do privilégio da cura. E que doença é essa?
É a doença de simplesmente ser ‘mulher’.
Mulher doente, no sentido de ter ao seu lado um homem que, em vez de cama, faz
dela um campo de batalha. Elas deitam com febre, com dor nos ossos, com a alma
cansada e estuporada de lutar, de pelejar com unhas e dentes contra o próprio
corpo e em vez de uma mão caridosa na testa, umas palavras suaves, um copo de
água trazida com a calma necessária, recebem um ajuntamento de cobranças, um
calhamaço de silêncios que pesam, que ferem, que mortificam, seguidos sempre de
comentários infames que cortam mais fundo que qualquer cirurgia conhecida nos
campos da medicina.
’Você só quer atenção.’ ‘Isso é frescura.’ ‘Já cansei de cuidar de você.’ ‘Vá para os quintos do inferno e leve o diabo junto’. Frases impróprias que não saem de uma boca de quem ama, mas de um vomitador nojento, de um desgraçado insano de quem se acha deus e por conta disso, vê a esposa como um objeto vulgar e que pelo fato de ter parado de funcionar, carece, com certa urgência ser substituída por outra. De preferência, mais nova.




















