A classificação do CV e do PCC como terroristas gera reações inflamadas e mostra que, mais do que criticar Flávio, o governo precisa estar mais atendo ao tema da Segurança
Nuno Vasconcellos
Se ainda houvesse dúvidas sobre a
importância da viagem do senador e pré-candidato à presidência da República,
Flávio Bolsonaro (PL/RJ), aos Estados Unidos na semana passada, elas
desapareceram na tarde de quinta-feira. A viagem foi importantíssima — e a
prova disso está na reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de
seus apoiadores à principal novidade que o filho mais velho de Jair Bolsonaro
trouxe na bagagem. Há muito tempo, a esquerda não tinha uma reação tão irada e
uníssona diante de um fato político como teve ao ouvir a notícia de que o
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquadrou como terroristas as
facções do crime organizado Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando
Vermelho (CV).
A notícia sequer foi dada por Flávio.
Ela partiu do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, por meio de
uma postagem em suas redes sociais. Conhecido pelas posições rigorosas que
defende no combate aos cartéis de drogas e ao crime transnacional, Rubio nunca
fez segredo da intenção de classificar as duas facções brasileiras como
“Organizações Terroristas Internacionais”.
A Casa Branca já considerava tomar essa decisão desde fevereiro de 2025, quando a lei americana passou a admitir essa classificação. Só não tinha feito isso antes devido à resistência do governo brasileiro a essa medida. Na avaliação da diplomacia americana, a relação entre os dois países já acumulava desgastes suficientes para ser piorada por mais um contencioso.















.jpg)

