Gastão Reis
Muitas décadas atrás, ainda me recordo
de uma entrevista de uma atriz americana dizendo que, na política, ela adotava
a sugestão de seu pai, que alternava entre votar nos democratas ou nos
republicanos a cada pleito. No fundo, punha em prática a alternância no poder.
Tal mecanismo não funciona sempre, mas, em média, se sai melhor do que aquela
atitude de votar sempre no mesmo partido, em especial quando ele já está no
poder por tempo demais.
No atual Patropi, um dos lados se vê
sempre no papel do mocinho, o bandido é quem não reza pela mesma cartilha. Este
lado, por sua vez, se vê como mocinho. O bandido é sempre o outro, que dele
discorda. Tal clima político tem dificultado, e até impossibilitado, o diálogo
entre familiares, amigo (a)s e cidadão (ã)s. Trata-se de um fenômeno de
regressão cultural em que a mudez tomou conta do pedaço. Mas conversar e
debater civilizadamente é preciso.
Quem é de direita, direito que lhe é
legitimo, vira extrema direita, fascista mesmo, ou seja, defende a repressão
sob a batuta de um ditador à qualquer oposição política. Logo, quem tem perfil
conservador é sinônimo de atrasado ou autoritário, independentemente de suas
posições em casos concretos. O apagão de nossa memória histórica do século XIX
nos impede de tomar conhecimento, por exemplo, de que todas as leis
abolicionistas foram passadas por gabinetes conservadores, acompanhando as
aspirações da sociedade na época.
A polarização política extremada abre espaço para a burrice aguda. Ela estreita, em muito, o papel da inteligência na politica. Gera um clima de destruição mútua. Nós estamos votando sempre no mal menor, ou até no mal maior, sem nos darmos conta. Manter no poder um presidente que buscou comprar votos, usando a máquina pública para distribuir benesses bilionárias de montão, sem nenhum posicionamento restritivo dos tribunais superiores, é uma situação mais que preocupante. Lembra Dilma no segundo mandato, que acabou em impeachment.



















