quarta-feira, 3 de junho de 2026

Forca trocada

Rafael Nogueira

Semana passada, Flávio Bolsonaro esteve no Salão Oval, em Washington, e passou pelo Departamento de Estado. Hoje tudo foi resumido por Lula numa sequência de frases infelizes. E foi a fala do presidente que mais uma vez nos deu exemplo do mau estado do debate público nacional.

Recapitulemos, porque a memória brasileira anda curta, seletiva e meio bêbada. Entre 26 e 28 de maio, Flávio foi recebido por Donald Trump na Casa Branca, encontrou-se com autoridades americanas e defendeu a tese segundo a qual Comando Vermelho e PCC já não são só problemas de delegacia, porque são organizações com domínio territorial, redes internacionais e capacidade de desafiar o Estado.

As facções brasileiras deixaram de caber na segurança pública convencional, por mandarem em territórios, infiltrarem-se na economia e humilharem o cidadão comum, superando o banditismo comum por inaugurar uma soberania paralela — o verdadeiro problema de soberania de que padecemos.

Diante disso, Lula de novo perdeu a compostura. Comentando a ameaça de novas tarifas americanas, chamou os filhos de Bolsonaro de “vendilhões da pátria”, “traidores” e invocou a Inconfidência Mineira, dizendo que, por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, delator de Tiradentes, teria sido enforcado. E perguntou: “O que merecem os traidores da pátria?”

A resposta é da história, essa velha senhora que não frequenta comícios petistas. Joaquim Silvério dos Reis não foi enforcado. Nunca. Jamais. Recebeu vantagens, honrarias, pensão, proteção e morreu de morte natural no Maranhão, em 1819. Quem subiu ao cadafalso, em 21 de abril de 1792, foi Tiradentes. O traidor prosperou. O patriota foi à forca.

Não lhes trago preciosismo de professor corrigindo prova. Lula quis chamar o adversário de Joaquim Silvério e acabou entregando-lhe a túnica heroica de Tiradentes. Pior: reservou para si o papel do carrasco, daquele que aponta o dedo, distribui a pecha de traição e pergunta o que deve acontecer com o inimigo.

Dirão que foi força de expressão. Mas palavras presidenciais não são conversa de boteco. Um chefe de Estado fala com a liturgia do cargo, com a caneta que nomeia, com o aparato que pune e com a máquina que investiga.

Gilmarpalooza em Lisboa

Artigo de Bruno Brandão, diretor da Transparência Internacional Brasil, para o Jornal Expresso, de Lisboa, sobre a efeméride anual naquelas terras, conhecida como Gilmarpalooza. Uma excelente leitura: 👇

João Luiz Mauad, Facebook, 2-6-2026, 3h05 

No início de julho do ano passado, o Aeroporto de Lisboa atingiu o seu limite de aterragem para jatos privados, forçando diversas aeronaves a desviaremse para Cascais e Faro. A razão? Um fluxo extraordinário de grandes empresários brasileiros.

Não chegavam à capital para aproveitar o verão europeu. Tampouco se tratava de uma conferência empresarial — ou seria? O motivo dessa invasão foi o 13.º Fórum de Lisboa, realizado na Universidade de Lisboa, e sobretudo o seu animado programa paralelo de eventos sociais. Nesta semana, é de esperar novo engarrafamento de aviões de luxo nos céus portugueses, para a atual edição deste evento anual, que começa esta segunda-feira.

Oficialmente, o Fórum de Lisboa é coorganizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), juntamente com o Instituto de Ciências Jurídico-Políticas (ICJP) da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. O seu site descreve-o como um espaço anual de diálogo sobre “desafios, visões e diferentes modelos de sistemas jurídicos presentes em ambos continentes e a partir de perspetivas variadas”.

Até à 11.ª edição, chamava-se “Fórum Jurídico de Lisboa”, mas, à medida que a participação se expandiu muito para além dos círculos (e dos interesses) jurídicos, os organizadores optaram por retirar a palavra “Jurídico”.

O que Moraes disse em Lisboa sobre as Big Techs

Leandro Ruschel

Alexandre de Moraes acertou o diagnóstico. Esse é o ponto de partida. As Big Techs não são neutras, os algoritmos não são inocentes e o poder de moldar percepção em escala massiva é real. Gilmar Mendes, ao falar em tecnofeudalismo e servidão digital, foi na mesma direção. Até aqui, o diagnóstico está certo. O problema começa quando se olha para o alvo escolhido e para o remédio proposto. 

Na narrativa que hoje domina parte do Supremo, as plataformas teriam sido instrumentos de ascensão do populismo de direita, da radicalização conservadora e da corrosão institucional. Por isso, dizem eles, seria preciso regular conteúdo, limitar alcance, apertar plataformas e ampliar o poder do Estado sobre o debate público. É aí que a inversão aparece.

Houve manipulação massiva das redes, sim. Só que ela não operou a favor da direita. Operou contra ela.

O primeiro dado é quase primário: o viés ideológico interno das grandes empresas de tecnologia. Não estamos falando de neutralidade que se perdeu no caminho, mas de uma cultura política que já estava ali desde o início, organicamente alinhada ao campo esquerdista, ao Partido Democrata nos Estados Unidos e a uma visão tecnocrática globalista de mundo. Isso apareceu em doações, em falas públicas, em reuniões internas, em critérios opacos de moderação e, depois, nos arquivos internos revelados quando esse sistema começou a ser exposto.

O segundo dado é ainda mais importante: a censura não começou por imposição estatal. Ela começou por iniciativa das próprias plataformas, muitas vezes em sintonia ideológica com os setores que hoje se apresentam como reguladores virtuosos. Depois veio a pressão dos governos, das agências, das estruturas de checagem e do aparato burocrático que percebeu o potencial daquela máquina. Ou seja: primeiro houve alinhamento cultural. Depois houve captura política.

No Brasil, esse processo ganhou uma feição ainda mais grave, porque o protagonismo deixou de ser das plataformas e passou a ser do Estado. Não é a plataforma que, sozinha, decide ocultar, remover ou suspender. É o ministro que manda. É a corte que impõe. É a engrenagem institucional que transforma a regulação em instrumento de contenção de um campo político específico.

Americanos querem acabar com o PIX? Bolsonaros são "traidores da pátria"? Como o regime petista e a militância de redação enganam o público

Leandro Ruschel 

Americanos querem acabar com o PIX? Bolsonaros são "traidores da pátria"? Como o regime petista e a militância de redação enganam o público

O Descondenado encontrou seu novo cavalo de batalha eleitoral. A narrativa, repetida em cadeia nacional e amplificada pela militância de redação, é simples e mentirosa: "os Estados Unidos querem acabar com o PIX". A frase é perfeita para o palanque. Mexe com o brio nacional, transforma uma disputa comercial técnica em afronta à soberania, e empacota Lula como defensor do povo contra o imperialismo estrangeiro.

Só tem um problema. É falso.

Vamos aos fatos, que estão em documento público, em inglês, no site do próprio USTR, o representante comercial dos Estados Unidos.

O que os EUA realmente pedem

Em julho de 2025, o USTR (Office of the United States Trade Representative, o escritório do representante comercial dos Estados Unidos) abriu uma investigação contra o Brasil sob a Seção 301 do Trade Act de 1974. A investigação busca determinar se práticas do governo brasileiro relacionadas a comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, interferência no combate à corrupção, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal são injustas ou discriminatórias contra o comércio americano.

Repare na lista. PIX é um item entre vários. E o pedido americano sobre o PIX não é "acabar" com nada. A reclamação é que o PIX combina funções regulatórias e operacionais dentro do Banco Central, criando desequilíbrio competitivo contra operadoras privadas americanas como Visa e Mastercard. Ou seja, o que está em jogo é acesso ao mercado por empresas americanas, não a destruição do sistema.

[Língua Portuguesa] Eminente ou Iminente

Flávia Neves

As palavras iminente e eminente existem na língua portuguesa e estão corretas. Como os seus significados são diferentes, devem ser usadas em situações diferentes.

Qual é, então, a diferença entre eminente e iminente?

Iminente, com i inicial, se refere a alguma coisa que está prestes a acontecer, muito proximamente ou imediatamente:

·         perigo iminente;

·         risco iminente;

·         partida iminente;

·         morte iminente;

·         derrocado iminente;

·         ...

Eminente, com e inicial, se refere a alguém ou alguma coisa superior, excelente, ilustre, de grande importância:

·         personalidade eminente;

·         posição eminente;

·         deputado eminente;

·         região eminente;

·         ...

Iminente: sinônimo de imediato e urgente

Iminente é sinônimo de imediato, urgente, impendente, próximo, prestes e perto.

Exemplos com iminente:

·         A minha passagem a diretor da empresa está iminente.

·         Temos que evacuar este prédio que está em risco de perigo iminente.

Iminente tem sua origem na palavra em latim imminens, devendo assim ser escrito com i na primeira sílaba. Também com i deverá ser escrita a palavra iminência, cognatas de iminente.

[Quadro da Quarta] Henry Fielding (* 22-4-1707 – † 8-10-1754)

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terça-feira, 2 de junho de 2026

[Aparecido rasga o verbo] Quem ama você em silêncio, lê o seu olhar sem te ver

Aparecido Raimundo de Souza

EXISTE NUM LUGAR bem longe da Terra, uma infinidade de amores imperecíveis, paixões as mais diversificadas que não se anunciam em palavras. Esses sentimentos se escondem nos intervalos entre um gesto e outro, se ocultam nas pausas de uma respiração, se asilam nos silêncios que parecem desocupados, mas que, em verdade, carregam em seus núcleos viscerais uma espécie de gestação infinita e intocável de um mundo pra lá de sobrenatural além, claro, de atabafar o verdadeiro sentido da felicidade plena e de cultivar a quietude benfazeja em sua melhor forma de expressão.

Quem tem a sorte de amar em silêncio um desses amores vindos desse paraíso bem distante, pelo resto de sua vida não precisará da evidência da percepção visual. O interessado, ou a interessada, lerá na assimilação. Ao visualizar o outro, sentirá aquele amor sem ver, desbastará como quem decifra uma carta invisível escrita à flor da pele. É um amor que se move na penumbra, um gostar discreto, firme, forte como o vento que não se vê e, ainda assim, dobra árvores, derruba casas, faz carros voarem, e levanta a calmaria dos mares.

Esse amor não pede palco, nem plateia. Ele se contenta em existir nos subterrâneos da vida, onde o tempo não se limita e a distância não se decompõem. É o amor que entende seus cansaços, que percebe as suas alegrias antes mesmo que você as reconheça. E talvez seja esse o mais raro dos afetos, aquele que não carece de ser dito, tampouco necessita ser tocado, porque já é compreendido e por ser assim, não necessita de subterfúgios. Quem ama em silêncio sabe que o olhar é mais eloquente que qualquer discurso. E, sem te ver, lhe enxerga por inteiro. A isso se dá o nome de relações silenciosas ou linguagem do olhar maior. As relações silenciosas são aquelas que não precisam de declarações constantes para existir. Elas se sustentam em gestos mínimos. Um café preparado sem pedir, uma presença discreta em momentos difíceis, o respeito pelo espaço do outro...

A linguagem do olhar maior, por seu turno, da mesma forma não se exibe, se revela igualmente em detalhes. A cumplicidade invisível, nasce da confiança mútua, cresce e se agiganta sem a necessidade de palavras. Do mesmo modo, o afeto cotidiano. Ele se patenteia em pequenas ações que parecem banais, mas sem subcarregar o seu parceiro ou parceira. Se amolda em significado profundo. Essas relações são como pequenos rios subterrâneos. Não se veem, mas alimentam a vida na superfície. Mesmo sentido, esse olhar maior existe e talvez seja a forma mais direta de comunicação silenciosa. Ele atravessa barreiras que a fala, por vezes, não consegue dimensionar.

[Livros & Leituras] O meu amigo Billy

Como o amor de um gato mudou para sempre a vida de um menino autista

Louise Booth, Porto Editora, 1ª edição: setembro de 2015. 208 páginas. 

Fraser é uma criança autista de três anos, tensa e ansiosa, com acessos de raiva tão súbitos quanto incontroláveis.

A vida dos Booth, numa pequena casa na herdade de Balmoral, a residência de verão da rainha de Inglaterra, é dura e muitas vezes desesperante. Para Louise, a mãe de Fraser, o futuro parece pouco animador.

É então que o filho conhece Billy, um gato cinzento e branco, e a amizade que nasce entre os dois irá mudar para sempre as suas vidas. Os dois tornam-se inseparáveis e, com a ajuda do seu novo amigo de quatro patas, Fraser começa a fazer progressos: pequenas coisas que, somadas, dão vida a um verdadeiro milagre. 


«A forma como Billy encoraja Fraser é inspiradora.»
James Bowen, autor de A minha história com Bob

«Um exemplo da força das relações entre os mais novos e um animal de estimação.»
The Times

«Um relato enternecedor.»
Daily Mail

👍👍👍

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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Paris, cidade-luz (a luz é do fogo posto)

Alberto Gonçalves comenta a destruição nas ruas de diversas cidades francesas após a vitória do PSG

Um pormenor engraçado sobre a selvajaria em França: os que nunca referem a ascendência da maioria dos autores dos distúrbios são os mesmos que usam a “exclusão social” a que são votados os jovens magrebinos para tentar explicar (e legitimar) os distúrbios.

Infelizmente, a “exclusão social” não explica nada. A imigração desmesurada explica bastante. E a vergonha que o Ocidente sente de si próprio explica tudo.

Por culpa de governos débeis e por isso perigosos, e dos cidadãos que os elegem, a Europa abdicou de garantir a sua sobrevivência enquanto tal.

Não sei se isto foi deliberado, mas sei que foi permitido.

E, de uma maneira ou de outra, não vai acabar bem. 

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O suicídio sindical

Henrique Pereira dos Santos

Como a generalidade das pessoas, ligo pouco ao que fazem, e menos ainda ao que dizem, os sindicatos, organizações que estão tão desligadas dos trabalhadores que a anterior Secretária Geral da CGTP era uma senhora que toda a sua vida profissional se limitava a funcionária sindical.

Achei curioso um título sobre os quatro dias de greve convocados pelo Sindicato dos Técnicos da Migração numa semana em que há uma greve geral à quarta feira e um feriado à quinta, que resolvi ver a notícia para saber que greve era essa. 

É uma greve à segunda, terça, quarta (o dia da greve geral), interrompe à quinta (feriado) e retoma a sexta-feira, num princípio de junho de tempo ameno.

Ri-me, naturalmente, da caricatura em que os funcionários dos sindicatos estão a transforma o movimento operário e iria passar à frente quando reparei nas reivindicações que justificavam os quatro dias de greve:

 “crescente degradação das condições de trabalho e o aumento da pressão sobre os trabalhadores, sem o correspondente reforço de meios humanos e técnicos” e “preocupação com o recurso ao ‘outsourcing’ em funções de elevada complexidade técnica, colocando em causa a qualidade do serviço público”.

Moraes acelera projeto de controle das redes às vésperas da eleição

Enquanto o governo fala em regulação, todos sabem que os brasileiros estão perdendo cada vez mais liberdade para se expressar nas redes

Timeline

LISBOA, 1º de junho de 2026 — A poucos meses da eleição presidencial, Moraes voltou a defender a regulamentação das redes sociais. Oficialmente, o discurso é o mesmo de sempre: combater a desinformação, proteger a democracia e limitar o poder das Big Techs. 

Mas a essa altura dos acontecimentos, poucos brasileiros ainda acreditam que essa discussão seja apenas sobre tecnologia.

O que está em jogo é poder.

Poder para definir quem pode falar. Poder para determinar quais narrativas são aceitáveis. Poder para decidir quais opiniões permanecerão visíveis e quais serão empurradas para a invisibilidade digital.

Durante anos, o establishment político brasileiro tratou as redes sociais como um problema a ser resolvido. Não porque elas ameaçam a democracia, mas porque romperam o monopólio da informação que durante décadas esteve concentrado nas mãos de governos, grandes veículos de comunicação e grupos políticos tradicionais.

Foi justamente nesse ambiente sem intermediários que surgiram movimentos políticos capazes de desafiar as estruturas de poder consolidadas em Brasília.

Não é coincidência que a pressão por controle tenha aumentado exatamente depois disso.

A União Europeia à margem da paz que negociou

Bruxelas reclama lugar nas negociações, mas Moscovo recusa-a como mediadora e Washington já não a consulta

António Justo

A União Europeia encontra-se hoje perante uma contradição diplomática de difícil resolução: após a escalada do conflito em 2022, os aliados ocidentais de Kiev romperam laços com Moscovo e adoptaram uma estratégia de isolamento total da Rússia, e agora vê-se excluída das negociações de paz que se desenvolvem sem a sua presença efetiva.

Estão em curso negociações trilaterais com os Estados Unidos, a Federação Russa e a Ucrânia nos Emirados Árabes Unidos, o que coloca em evidência o papel marginal da UE nos esforços diplomáticos para pôr termo à guerra que decorre no seu próprio continente. O Parlamento Europeu reconheceu formalmente que a marginalização da UE destas conversações é uma consequência direta da sua incapacidade de seguir uma estratégia diplomática autónoma, caracterizada pela ausência de iniciativa própria e por uma dependência excessiva de abordagens militarizadas, alinhadas pelos EUA e pela NATO.

Perante este impasse, a Alta Representante da UE, Kaja Kallas, admitiu abertamente que a Europa nunca será um mediador neutro entre a Rússia e a Ucrânia, porque está do lado da Ucrânia e defende os seus próprios interesses de segurança fundamentais. A declaração, ao reconhecer publicamente a perda de neutralidade, terá agravado as perspectivas de Bruxelas participar nas negociações. Moscovo, pela voz do ministro Lavrov, classificou as condições impostas pela UE como “idióticas”, e acusou a União Europeia de praticar “diplomacia de megafone”, emitindo ultimatos públicos em vez de procurar negociações substantivas.

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Paulo Hasse Paixão

Mais de 750 pessoas foram detidas, 219 ficaram feridas e 57 polícias ficaram feridos após a vitória do Paris Saint-Germain sobre o Arsenal na final da Liga dos Campeões, que provocou distúrbios generalizados em toda a França.

Os adeptos encheram a famosa avenida Champs-Élysées imediatamente após o PSG garantir a vitória por pênaltis, com imagens a captar violências generalizadas, viaturas automóveis e bicicletas elétricas incendiadas, lojas vandalizadas e fogo de artifício a ser usado como arma contra a polícia.

Os problemas já tinham começado quando os adeptos se juntaram no estádio do PSG, o Parc des Princes, para assistir à partida em ecrãs gigantes.

Porta falsa

Escultura ‘rara’ é encontrada em mansão de R$ 220 milhões no Leblon antes de demolição

Obra do mestre romeno, avaliada com lance inicial de R$ 400 mil, estava em um quarto fechado da residência; tapeçaria original de Basquiat também será leiloada

Victor Serra

À medida que se aproxima a demolição de uma das residências mais caras já vendidas no mercado imobiliário brasileiro, novas descobertas continuam surgindo dentro da mansão do Jardim Pernambuco, no Leblon. A mais recente delas é uma escultura do artista romeno Constantin Brancusi (1876-1957) [foto], considerada uma raridade e que será colocada à venda com lance inicial de R$ 400 mil.

A peça foi encontrada em um quarto que permanecia fechado na propriedade, vendida no ano passado por R$ 220 milhões. O imóvel já tem demolição autorizada para dar lugar ao condomínio de luxo Estância Pernambuco

Outra surpresa revelada durante o processo de catalogação foi uma tapeçaria original do artista americano Jean-Michel Basquiat, um dos nomes mais valorizados da arte contemporânea mundial.

As duas obras estarão entre os destaques de um novo leilão marcado para o próximo dia 9 de junho. Segundo o leiloeiro Ernani Costa, responsável pelo processo, cerca de 1.600 itens estão sendo preparados para o pregão, que ainda passa pela fase final de catalogação.

Primeiro leilão impressionou com acervo

A descoberta amplia uma coleção que já havia chamado atenção no fim do ano passado. Em novembro, um primeiro grande leilão realizado na residência reuniu aproximadamente 2 mil lotes e quase 10 mil objetos pertencentes à família Amaral, antiga proprietária da rede de supermercados Disco. O conjunto de peças foi avaliado em mais de R$ 25 milhões.

France’s “Forward Deterrence” Vis-à-vis Russia Raises The Risk Of Nuclear War

Andrew Korybko 

France’s planned deployment of nuclear-armed Rafale jets armed in the Arctic, Central Europe, and possibly also the Balkans poses a qualitatively new strategic threat to Russia

The announcement in late April that France and Poland will carry out regular nuclear drills, which analysts reasonably believe are aimed against Russia (specifically Kaliningrad) and Belarus, represented the first application of what French President Emmanuel Macron has termed “forward deterrence”. It followed his speech earlier in the year where he introduced this concept, essentially the expansion of France’s nuclear umbrella over Europe, that in turn came shortly after the expiry of the New START.

The Telegraph detailed what Macron had in mind in their article about “How France took the nuclear option to make Putin think twice”. Rafale jets armed with tactical nukes will deploy not only to Poland, but likely also to the Netherlands, Belgium, Greece, Sweden, Denmark, and Germany, all of which showed interest in his “forward deterrence” initiative. The day after their article was published, Norway announced that it’ll participate in this initiative, thus likely holding regular nuclear drills like Poland will.

The tactical aspect of the nukes that France envisages deploying with its Rafales all across Europe are significant, the Telegraph explains, because they form part of what its nuclear doctrine calls a “nuclear warning shot”. This refers to “a single, non-renewable, limited nuclear strike, which would most likely be aimed at a military target.” The purpose is to spook the target, understood to be Russia, into halting military operations and resorting to solely diplomatic means for resolving whatever the dispute may be.

Galo vence confronto direto e afunda o Vasco no Brasileirão

O Atlético-MG venceu o Vasco por 1 a 0 na tarde deste domingo (31), em São Januário, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro, e agravou a crise do clube carioca, que terminou a rodada na zona de rebaixamento. O único gol da partida foi marcado por Vitor Hugo, de cabeça, após cobrança de escanteio ainda no primeiro tempo.

O lance decisivo aconteceu aos 31 minutos da etapa inicial. Após cobrança de escanteio pela direita, Vitor Hugo subiu mais alto que a defesa vascaína e cabeceou no canto, sem chances para o goleiro Léo Jardim. O Atlético-MG mostrou eficiência em uma das poucas oportunidades criadas e conseguiu administrar a vantagem até o apito final.

Mesmo atuando diante de sua torcida, o Vasco teve maior volume ofensivo e pressionou em diversos momentos da partida, mas encontrou dificuldades para transformar as chances em gols. O goleiro Everson foi um dos destaques do time mineiro, com defesas importantes que garantiram o resultado positivo para o Galo.

[Sétima Arte] Hamnet

Hamnet (bra: Hamnet: A Vida Antes de Hamlet; prt: Hamnet) é um filme drama histórico dirigido por Chloé Zhao, baseado no romance de 2020 de Maggie O'Farrell. 

O filme teve sua estreia mundial no 52.º Festival de Cinema de Telluride e teve lançamento limitado nos cinemas dos Estados Unidos e Canadá em 27 de novembro de 2025 pela Focus Features, expandindo para todo o país em 12 de dezembro de 2025. O filme recebeu críticas positivas pelas atuações de Buckley e Mescal. 

Premissa

Uma história fictícia sobre a vida de William Shakespeare e sua esposa Agnes Shakespeare, após a morte de seu filho de 11 anos, Hamnet. Wikipédia 

Inglaterra, 1580. William Shakespeare, um tutor de latim empobrecido, conhece Agnes, uma mulher de espírito livre. Fascinados um pelo outro, envolvem-se num caso tórrido que leva ao casamento e a três filhos. 

No entanto, enquanto Will persegue uma carreira teatral em ascensão na distante Londres, Agnes permanece sozinha no domínio doméstico.

domingo, 31 de maio de 2026

Jogada de Lula liga alerta nas eleições: “O medo vai calar opiniões”

*O presidente da Gazeta do Povo, Guilherme Cunha Pereira*, faz um alerta sobre os impactos do novo decreto do governo Luiz Inácio Lula da Silva que regulamenta decisões do Supremo Tribunal Federal sobre redes sociais.

Segundo ele, o Brasil pode entrar em um ambiente de “censura silenciosa”, no qual plataformas removem conteúdos preventivamente por medo de punições.

O comentário destaca o risco de críticas políticas e debates eleitorais desaparecerem das redes às vésperas das eleições.

Guilherme também questiona o aumento do poder de órgãos do Executivo sobre conteúdos online, e afirma que o debate público brasileiro pode sofrer um forte enfraquecimento.

O episódio termina com um chamado para reação da sociedade, do Congresso e das plataformas digitais em defesa da liberdade de expressão.


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Guerra ao Terror

A classificação do CV e do PCC como terroristas gera reações inflamadas e mostra que, mais do que criticar Flávio, o governo precisa estar mais atendo ao tema da Segurança


Nuno Vasconcellos

Se ainda houvesse dúvidas sobre a importância da viagem do senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL/RJ), aos Estados Unidos na semana passada, elas desapareceram na tarde de quinta-feira. A viagem foi importantíssima — e a prova disso está na reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de seus apoiadores à principal novidade que o filho mais velho de Jair Bolsonaro trouxe na bagagem. Há muito tempo, a esquerda não tinha uma reação tão irada e uníssona diante de um fato político como teve ao ouvir a notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquadrou como terroristas as facções do crime organizado Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

A notícia sequer foi dada por Flávio. Ela partiu do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, por meio de uma postagem em suas redes sociais. Conhecido pelas posições rigorosas que defende no combate aos cartéis de drogas e ao crime transnacional, Rubio nunca fez segredo da intenção de classificar as duas facções brasileiras como “Organizações Terroristas Internacionais”.

A Casa Branca já considerava tomar essa decisão desde fevereiro de 2025, quando a lei americana passou a admitir essa classificação. Só não tinha feito isso antes devido à resistência do governo brasileiro a essa medida. Na avaliação da diplomacia americana, a relação entre os dois países já acumulava desgastes suficientes para ser piorada por mais um contencioso.

Você entende o que está acontecendo?

Apenas mostre isso a quem está perdido na guerra de narrativas ou não acompanha política e pergunte: 

[As danações de Carina] Quando numa corrida a cegueira se torna o milagre daquele corredor que não enxerga um palmo adiante do nariz

Carina Bratt

BEM LÁ NO ALTO do Infinito, o sol quente e radioso, ainda não tinha rompido por completo o horizonte de rosto macio quando os corredores se alinharam. É bom que se diga, não havia cronômetros digitais, nem tênis de última geração. Se faziam presentes apenas os pais, os avós e outros familiares, além dos guias de cada competidor. Apesar de toda a ansiedade pelo início da batalha a ser travada e o silêncio terno da expectativa exuberante atrelado ao som dos passos em desalinho que logo ecoariam com força total pela longevidade do asfalto que se perdia de vista, pairava no ar um certo temor e receio.

Na corrida às cegas, não se corre apenas contra o tempo. Igualmente, de roldão, pairam no ar o medo tétrico e a escuridão medonha que insistem em se instalar dentro de cada um de maneira alarmante. Os olhos vendados dos partícipes revelam o que a visão teimava esconder: a confiança no outro. Guias seguros e à disposição dos meninos e meninas, seguravam fortemente as cordas, cordas essas leves como fios de esperança, e na hora precisa conduziriam o parceiro, caso ele se desviasse, do carreiro a ser vencido.

Cada passo nesse tipo de pugilato é uma espécie de pacto. O guia anuncia: -- Cuidado, buraco à frente, Logo em seguida, curva à direita, agora acelera... vai, vai...  E o corredor, entregue ao intruso do desconhecido, aprende a confiar cegamente naquilo que não vê. Descobre também que correr sem ver é como enxergar com o corpo sem vida, com o ouvido tampado e com o coração quase a saltar pela boca. Sobretudo com o coração prestes a explodir

O público ao longevo do caminho, observa. Alguns incrédulos, outros emocionados. Porque ali naquela corrida não há vencedores solitários. Há duplas que se tornam uma só respiração, um só ritmo, um só coração enorme, batendo alvissareiro como se englobasse todos os demais. A corrida cega é a metáfora da vida: na verdade, ninguém, por mais esperto e ladino que seja, não chega longe se estiver sozinho. Podem ter certeza que não.