Rejeição de parte da elite financeira a Flávio revela menos prudência econômica e mais disposição de negociar com um sistema que ela diz criticar, mas do qual muitas vezes se beneficia
Leandro Ruschel
Por que a Faria Lima insiste tanto numa terceira via? Por que parte dela parece disposta até a ir de Lula para não ir de Flávio Bolsonaro?
Antes de responder, é preciso fazer uma precisão importante: não existe uma única Faria Lima. Existe gestor liberal de verdade. Existe gente que financia boa causa. Existe empresário que entendeu o tamanho do jogo. Existe gente séria, corajosa, que não se rendeu ao vocabulário bonito da captura estatal.
Mas existe também um comportamento médio. E esse comportamento médio tem dois defeitos graves.
O primeiro é a tolerância com a corrupção quando ela convém.
O mesmo mercado que fala em governança, compliance, eficiência, previsibilidade e segurança jurídica muitas vezes engole balcão, emenda, capitalismo de compadrio e proteção regulatória quando o arranjo rende negócio. O discurso liberal vai até a página em que começa o subsídio, o crédito amigo, a regra feita sob medida, a conversa certa no gabinete certo.
Para essa turma, o problema nunca foi exatamente o sistema podre. Foi não ter assento preferencial na mesa.
Essa é a contradição que precisa ser encarada. Parte da elite financeira brasileira gosta da estética do mercado, mas não necessariamente da ética do mercado. Gosta da linguagem da eficiência, mas se acomoda muito bem ao jogo dos favores. Gosta de defender liberdade econômica em painel, evento e relatório, mas não se incomoda tanto assim quando o Estado vira sócio oculto, garantidor de privilégio e distribuidor de proteção.






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