sexta-feira, 5 de junho de 2026

A decadência da UE é três vezes mais rápida do que a queda da dinastia Qing

Paulo Hasse Paixão

Uma das vozes mais influentes da política externa francesa fez um alerta contundente: a União Europeia está a decair três vezes mais depressa do que a China Imperial durante o colapso da dinastia Qing, no fim do século XIX. E a responsabilidade cabe, segundo Luis Vassy, à incapacidade das suas elites para lidarem com as relações de poder que atualmente vigoram no mundo 

Os exércitos estrangeiros da Aliança das Oito Nações celenbram a vitória na Batalha de Pequim, dentro dos muros da Cidade Proibida, em 28 de novembro de 1900

Num importante ensaio publicado na Le Grand Continent, Luis Vassy — recém-nomeado diretor da Sciences Po e antigo diplomata francês de alto nível — defende que a Europa não está a conseguir compreender as brutais realidades da política de poder num mundo cada vez mais dominada pela força em vez das regras e valores ocidentais.

O ensaio é particularmente notável porque parte do próprio estabelecimento francês, e não de vozes populistas ou eurocépticas.

Vassy escreve que a Europa passou de uma posição em que projetava as suas ideias, valores e influência sobre o mundo para uma situação em que o mundo projeta agora as suas ideias, valores e influência sobre ela.

“As condições de possibilidade da nossa vida em comum, do nosso modelo social, das nossas liberdades, da nossa capacidade de escolher coletivamente o nosso caminho, são determinadas em grande parte por fatores externos a nós”.

O académico francês está aqui deveras equivocado, porque a responsabilidade pela redução das liberdades dos povos europeus cabe inteiramente às elites europeias, e não a fatores externos. Mas adiante.

Entre 1990 e 2005, escreve Vassy, ​​​​​​​​a soma do PIB americano e europeu representava mais de metade da riqueza mundial. Isto abriu caminho às teorias do “fim da história” e à unidade cultural transatlântica. Mas agora, há uma exigência de foco na segurança e na defesa.

[Aparecido rasga o verbo] O Tranco do Jeep

Aparecido Raimundo de Souza

O JEEP vivia entre estradas de terra e poeira, acostumado ao barulho das pedras contra a sua lataria e ao cheiro de gasolina misturado com aventura. O bicho era bruto, sincero, sem frescura. Apesar disso, numa tarde ensolarada, ao cruzar a avenida principal de uma cidade onde nunca havia estado antes, ele viu passar uma estonteante Mercedes toda reluzente, deslizando como se fosse feita de seda e silêncio.

Acostumado a arrancar com trancos e soluços, o Jeep sentiu, pela primeira vez, o seu motor bater diferente: não era falha mecânica, mas o coração acelerado batendo de forma diferente dentro do seu e isso o deixou desvairado. A Mercedes, com seus faróis que pareciam olhos de rainha, olhou para o Jeep e sorriu com o reflexo cromado.

O Jeep, ainda meio atordoado pela beleza da deidade, tentou se aproximar, porém, cada vez que engatava a marcha, vinha aquele tranco característico, quase num tropeço desajeitado. A Mercedes ria. Logo de cara achou graça daquela tentativa sincera e desajeitada A certa altura, Mercedes vendo a aflição do pobre coitado, se aproximou e disse:

— Você não precisa ser ou parecer ser suave —, disse ela com o ronco discreto do motor. Devo lembrar que eu gostei do seu jeito bruto, porque nele vi, logo de cara, uma verdade pura que nunca me deixou preso nas mãos da dúvida.

Por conta dessas palavras, do nada, nasceu uma paixão meio improvável: o Jeep, com sua força de trilha, e a estonteante Mercedes, com a sua elegância de salão refinado. Nesse cruzamento das diferenças, descobriram com a continuidade da conversa que o amor não se fazia sobre andar na mesma velocidade, porém, cada um aceitar o ritmo do outro.

O Jeep nunca deixou de dar seus trancos. Todavia, agora cada solavanco se transformou em uma música melodiosa. E a Mercedes, que antes só conhecia o deslizar perfeito, aprendeu que às vezes é no sacolejo da estrada que se encontra a verdadeira poesia que transforma a vida e, de roldão, as aventuras se formam avassaladoras.

O Jeep seguiu a sua rotina de estrada, acostumado ao barulho da terra e ao cheiro dominador das aventuras. Todavia, a partir daquele dia tudo mudou da água para o vinho e, do nada, a vida de ambos, se tornou inesquecível. Com isso, desde aquele instante quando ao entrar na cidade, ou melhor, ao dar de cara com a exuberante Mercedes deslizando como se fosse feita de vento repletado da mais suave e doce felicidade, seu coração perdeu o tino.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

O Fingidor e o Espelho


Marcos Paulo Candeloro

Há uma distinção que a filosofia moral estabeleceu há séculos e que o debate político brasileiro insiste em ignorar por conveniência: a distinção entre o mentiroso e o fingidor. O mentiroso conhece a verdade e a oculta deliberadamente. O fingidor faz algo muito mais sofisticado e muito mais perturbador. O indivíduo treina diante do espelho até que a performance adquira verossimilhança suficiente para convencer, antes de tudo, a si mesmo. Stanislavski chamou esse método de identificação total do ator com o personagem. A política brasileira transformou o conceito em método de governo. 

Lula não mente. Essa é a tese desconfortável que a oposição sistematicamente recusa a enfrentar porque, se enfrentada com honestidade intelectual, tornaria muito mais complexa a tarefa de combatê-lo. O mentiroso possui um ponto de vulnerabilidade preciso: o momento em que a verdade emerge e a contradição se torna indefensável. O fingidor não possui esse ponto. Ele não pode ser desmascarado porque não há máscara. Há apenas camadas sucessivas de convicção construída. 

Ortega y Gasset descreveu o homem-massa como aquele que perdeu a capacidade de distinguir entre sua opinião e a realidade. O que vivemos no Brasil é algo mais específico e mais patológico. Uma classe política que aperfeiçoou o mecanismo de produção de falsa consciência ao ponto de torná-la genuína. O afegão médio mais desinformado do Brasil compreende, sem necessidade de elaboração teórica, que um governo sustentado por militantes subsidiados não representa o povo no sentido republicano do termo. Qualquer observador razoável compreende. O fingidor não compreende. E não compreende porque precisar compreender destruiria a performance. 

O que Lobaczewski identificou em seu estudo da ponerologia política é que certos perfis psicológicos desenvolvem uma capacidade extraordinária de construir realidades alternativas autossustentáveis. O sistema de crenças se fecha sobre si mesmo. O povo, nesse sistema, não é a totalidade dos cidadãos com suas contradições e pluralidades. O povo é o conjunto de pessoas que usam camiseta vermelha nos atos subsidiados. O povo é a turma da mortadela. O povo é o militante remunerado. E isso não é cinismo. É ontologia. Para o fingidor, o povo honorário não é metáfora. É a definição real, a única operacionalmente válida. 

As múltiplas personalidades de Alexandre de Moraes: vítima, relator e julgador

Alexandre Garcia

Alexandre de Moraes, que é o relator de tudo no Brasil, liberou para julgamento no STF uma ação que acusa Eduardo Bolsonaro do crime de coação contra o Supremo no julgamento do pai dele, Jair Messias Bolsonaro. Explicando: o Supremo é a vítima, e a vítima vai julgar o suposto agressor. Não é incrível? É incrível – a acepção da palavra “incrível” é algo em que não é possível acreditar, de tão absurdo que é. Mas isso não é novidade: no 8 de janeiro, há gente acusada de planejar o sequestro e o assassinato de Moraes, e o próprio Moraes é relator e julgador. Nenhuma escola de Direito aceitaria uma coisa dessas, mas é o que acontece no Brasil.

Foto: André Borges/EFE

Era previsível que tentassem incluir Flávio Bolsonaro nos inquéritos

Como era previsível também, uma vez que Flávio se tornou candidato, também virou alvo. Há pedidos do Psol e do PT para incluir Flávio nesse mesmo caso, alegando que ele foi para os Estados Unidos para pedir aos americanos que pressionassem o Supremo. O líder petista, Lindbergh Farias, acionou a Procuradoria-Geral da República pedindo a inclusão de Flávio, e agora um deputado do PSOL, Henrique Vieira, pediu a mesma coisa. Era de se esperar, até porque Flávio não só é candidato, mas também aparece nas pesquisas como o principal adversário de Lula.

A esquerda também se aproveita da relação entre Flávio e Daniel Vorcaro, quando o senador pediu ao banqueiro que pagasse o que ele havia se comprometido a desembolsar para a produção do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. A defesa de Vorcaro está preparando uma segunda versão da delação; na primeira, ele já tinha prometido devolver R$ 60 bilhões. Isso é praticamente o orçamento do Exército Brasileiro inteiro! Vorcaro tinha tudo isso? É incrível! E, se ele tinha tudo isso para devolver, é claro que ele tem reservas de toda ordem, bens imóveis, ativos de giro, em paraísos fiscais, em nome de laranjas...

Polícia Federal recupera e devolve seis peças sacras históricas à Igreja de Santa Luzia

Tocheiros foram localizados em uma loja de antiguidades

O Dia

Seis tocheiros sacros foram devolvidos à Igreja de Santa Luzia, no Centro, nesta quarta-feira (3). As peças, confeccionadas em madeira entalhada, dourada e policromada, ornamentavam o primeiro degrau do altar-mor do templo, que é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Os itens foram recuperados pela Polícia Federal (PF).

As peças, confeccionadas em madeira entalhada, dourada e policromada, ornamentavam o primeiro degrau do altar-mor do templo tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)Divulgação PF

A recuperação ocorreu após uma investigação iniciada a partir de uma denúncia que indicava que os objetos estavam em um estabelecimento de antiguidades e leilões. Com base nas informações recebidas, agentes federais deram início às diligências para localizar e identificar os bens.

Segundo a PF, a confirmação da origem dos itens foi possível após análises técnicas realizadas pela Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente (DMA). Fotografias históricas do acervo da Irmandade da Virgem e Mártir Santa Luzia foram comparadas com os objetos encontrados, o que permitiu comprovar que os tocheiros pertenciam ao conjunto sacro do templo.

[Fotografando por aí] Fátima

2-6-2026, foto: JP
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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Forca trocada

Rafael Nogueira

Semana passada, Flávio Bolsonaro esteve no Salão Oval, em Washington, e passou pelo Departamento de Estado. Hoje tudo foi resumido por Lula numa sequência de frases infelizes. E foi a fala do presidente que mais uma vez nos deu exemplo do mau estado do debate público nacional.

Recapitulemos, porque a memória brasileira anda curta, seletiva e meio bêbada. Entre 26 e 28 de maio, Flávio foi recebido por Donald Trump na Casa Branca, encontrou-se com autoridades americanas e defendeu a tese segundo a qual Comando Vermelho e PCC já não são só problemas de delegacia, porque são organizações com domínio territorial, redes internacionais e capacidade de desafiar o Estado.

As facções brasileiras deixaram de caber na segurança pública convencional, por mandarem em territórios, infiltrarem-se na economia e humilharem o cidadão comum, superando o banditismo comum por inaugurar uma soberania paralela — o verdadeiro problema de soberania de que padecemos.

Diante disso, Lula de novo perdeu a compostura. Comentando a ameaça de novas tarifas americanas, chamou os filhos de Bolsonaro de “vendilhões da pátria”, “traidores” e invocou a Inconfidência Mineira, dizendo que, por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, delator de Tiradentes, teria sido enforcado. E perguntou: “O que merecem os traidores da pátria?”

A resposta é da história, essa velha senhora que não frequenta comícios petistas. Joaquim Silvério dos Reis não foi enforcado. Nunca. Jamais. Recebeu vantagens, honrarias, pensão, proteção e morreu de morte natural no Maranhão, em 1819. Quem subiu ao cadafalso, em 21 de abril de 1792, foi Tiradentes. O traidor prosperou. O patriota foi à forca.

Não lhes trago preciosismo de professor corrigindo prova. Lula quis chamar o adversário de Joaquim Silvério e acabou entregando-lhe a túnica heroica de Tiradentes. Pior: reservou para si o papel do carrasco, daquele que aponta o dedo, distribui a pecha de traição e pergunta o que deve acontecer com o inimigo.

Dirão que foi força de expressão. Mas palavras presidenciais não são conversa de boteco. Um chefe de Estado fala com a liturgia do cargo, com a caneta que nomeia, com o aparato que pune e com a máquina que investiga.

Gilmarpalooza em Lisboa

Artigo de Bruno Brandão, diretor da Transparência Internacional Brasil, para o Jornal Expresso, de Lisboa, sobre a efeméride anual naquelas terras, conhecida como Gilmarpalooza. Uma excelente leitura: 👇

João Luiz Mauad, Facebook, 2-6-2026, 3h05 

No início de julho do ano passado, o Aeroporto de Lisboa atingiu o seu limite de aterragem para jatos privados, forçando diversas aeronaves a desviaremse para Cascais e Faro. A razão? Um fluxo extraordinário de grandes empresários brasileiros.

Não chegavam à capital para aproveitar o verão europeu. Tampouco se tratava de uma conferência empresarial — ou seria? O motivo dessa invasão foi o 13.º Fórum de Lisboa, realizado na Universidade de Lisboa, e sobretudo o seu animado programa paralelo de eventos sociais. Nesta semana, é de esperar novo engarrafamento de aviões de luxo nos céus portugueses, para a atual edição deste evento anual, que começa esta segunda-feira.

Oficialmente, o Fórum de Lisboa é coorganizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), juntamente com o Instituto de Ciências Jurídico-Políticas (ICJP) da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. O seu site descreve-o como um espaço anual de diálogo sobre “desafios, visões e diferentes modelos de sistemas jurídicos presentes em ambos continentes e a partir de perspetivas variadas”.

Até à 11.ª edição, chamava-se “Fórum Jurídico de Lisboa”, mas, à medida que a participação se expandiu muito para além dos círculos (e dos interesses) jurídicos, os organizadores optaram por retirar a palavra “Jurídico”.

O que Moraes disse em Lisboa sobre as Big Techs

Leandro Ruschel

Alexandre de Moraes acertou o diagnóstico. Esse é o ponto de partida. As Big Techs não são neutras, os algoritmos não são inocentes e o poder de moldar percepção em escala massiva é real. Gilmar Mendes, ao falar em tecnofeudalismo e servidão digital, foi na mesma direção. Até aqui, o diagnóstico está certo. O problema começa quando se olha para o alvo escolhido e para o remédio proposto. 

Na narrativa que hoje domina parte do Supremo, as plataformas teriam sido instrumentos de ascensão do populismo de direita, da radicalização conservadora e da corrosão institucional. Por isso, dizem eles, seria preciso regular conteúdo, limitar alcance, apertar plataformas e ampliar o poder do Estado sobre o debate público. É aí que a inversão aparece.

Houve manipulação massiva das redes, sim. Só que ela não operou a favor da direita. Operou contra ela.

O primeiro dado é quase primário: o viés ideológico interno das grandes empresas de tecnologia. Não estamos falando de neutralidade que se perdeu no caminho, mas de uma cultura política que já estava ali desde o início, organicamente alinhada ao campo esquerdista, ao Partido Democrata nos Estados Unidos e a uma visão tecnocrática globalista de mundo. Isso apareceu em doações, em falas públicas, em reuniões internas, em critérios opacos de moderação e, depois, nos arquivos internos revelados quando esse sistema começou a ser exposto.

O segundo dado é ainda mais importante: a censura não começou por imposição estatal. Ela começou por iniciativa das próprias plataformas, muitas vezes em sintonia ideológica com os setores que hoje se apresentam como reguladores virtuosos. Depois veio a pressão dos governos, das agências, das estruturas de checagem e do aparato burocrático que percebeu o potencial daquela máquina. Ou seja: primeiro houve alinhamento cultural. Depois houve captura política.

No Brasil, esse processo ganhou uma feição ainda mais grave, porque o protagonismo deixou de ser das plataformas e passou a ser do Estado. Não é a plataforma que, sozinha, decide ocultar, remover ou suspender. É o ministro que manda. É a corte que impõe. É a engrenagem institucional que transforma a regulação em instrumento de contenção de um campo político específico.

Americanos querem acabar com o PIX? Bolsonaros são "traidores da pátria"? Como o regime petista e a militância de redação enganam o público

Leandro Ruschel 

Americanos querem acabar com o PIX? Bolsonaros são "traidores da pátria"? Como o regime petista e a militância de redação enganam o público

O Descondenado encontrou seu novo cavalo de batalha eleitoral. A narrativa, repetida em cadeia nacional e amplificada pela militância de redação, é simples e mentirosa: "os Estados Unidos querem acabar com o PIX". A frase é perfeita para o palanque. Mexe com o brio nacional, transforma uma disputa comercial técnica em afronta à soberania, e empacota Lula como defensor do povo contra o imperialismo estrangeiro.

Só tem um problema. É falso.

Vamos aos fatos, que estão em documento público, em inglês, no site do próprio USTR, o representante comercial dos Estados Unidos.

O que os EUA realmente pedem

Em julho de 2025, o USTR (Office of the United States Trade Representative, o escritório do representante comercial dos Estados Unidos) abriu uma investigação contra o Brasil sob a Seção 301 do Trade Act de 1974. A investigação busca determinar se práticas do governo brasileiro relacionadas a comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, interferência no combate à corrupção, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal são injustas ou discriminatórias contra o comércio americano.

Repare na lista. PIX é um item entre vários. E o pedido americano sobre o PIX não é "acabar" com nada. A reclamação é que o PIX combina funções regulatórias e operacionais dentro do Banco Central, criando desequilíbrio competitivo contra operadoras privadas americanas como Visa e Mastercard. Ou seja, o que está em jogo é acesso ao mercado por empresas americanas, não a destruição do sistema.

[Língua Portuguesa] Eminente ou Iminente

Flávia Neves

As palavras iminente e eminente existem na língua portuguesa e estão corretas. Como os seus significados são diferentes, devem ser usadas em situações diferentes.

Qual é, então, a diferença entre eminente e iminente?

Iminente, com i inicial, se refere a alguma coisa que está prestes a acontecer, muito proximamente ou imediatamente:

·         perigo iminente;

·         risco iminente;

·         partida iminente;

·         morte iminente;

·         derrocado iminente;

·         ...

Eminente, com e inicial, se refere a alguém ou alguma coisa superior, excelente, ilustre, de grande importância:

·         personalidade eminente;

·         posição eminente;

·         deputado eminente;

·         região eminente;

·         ...

Iminente: sinônimo de imediato e urgente

Iminente é sinônimo de imediato, urgente, impendente, próximo, prestes e perto.

Exemplos com iminente:

·         A minha passagem a diretor da empresa está iminente.

·         Temos que evacuar este prédio que está em risco de perigo iminente.

Iminente tem sua origem na palavra em latim imminens, devendo assim ser escrito com i na primeira sílaba. Também com i deverá ser escrita a palavra iminência, cognatas de iminente.

[Quadro da Quarta] Henry Fielding (* 22-4-1707 – † 8-10-1754)

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terça-feira, 2 de junho de 2026

[Aparecido rasga o verbo] Quem ama você em silêncio, lê o seu olhar sem te ver

Aparecido Raimundo de Souza

EXISTE NUM LUGAR bem longe da Terra, uma infinidade de amores imperecíveis, paixões as mais diversificadas que não se anunciam em palavras. Esses sentimentos se escondem nos intervalos entre um gesto e outro, se ocultam nas pausas de uma respiração, se asilam nos silêncios que parecem desocupados, mas que, em verdade, carregam em seus núcleos viscerais uma espécie de gestação infinita e intocável de um mundo pra lá de sobrenatural além, claro, de atabafar o verdadeiro sentido da felicidade plena e de cultivar a quietude benfazeja em sua melhor forma de expressão.

Quem tem a sorte de amar em silêncio um desses amores vindos desse paraíso bem distante, pelo resto de sua vida não precisará da evidência da percepção visual. O interessado, ou a interessada, lerá na assimilação. Ao visualizar o outro, sentirá aquele amor sem ver, desbastará como quem decifra uma carta invisível escrita à flor da pele. É um amor que se move na penumbra, um gostar discreto, firme, forte como o vento que não se vê e, ainda assim, dobra árvores, derruba casas, faz carros voarem, e levanta a calmaria dos mares.

Esse amor não pede palco, nem plateia. Ele se contenta em existir nos subterrâneos da vida, onde o tempo não se limita e a distância não se decompõem. É o amor que entende seus cansaços, que percebe as suas alegrias antes mesmo que você as reconheça. E talvez seja esse o mais raro dos afetos, aquele que não carece de ser dito, tampouco necessita ser tocado, porque já é compreendido e por ser assim, não necessita de subterfúgios. Quem ama em silêncio sabe que o olhar é mais eloquente que qualquer discurso. E, sem te ver, lhe enxerga por inteiro. A isso se dá o nome de relações silenciosas ou linguagem do olhar maior. As relações silenciosas são aquelas que não precisam de declarações constantes para existir. Elas se sustentam em gestos mínimos. Um café preparado sem pedir, uma presença discreta em momentos difíceis, o respeito pelo espaço do outro...

A linguagem do olhar maior, por seu turno, da mesma forma não se exibe, se revela igualmente em detalhes. A cumplicidade invisível, nasce da confiança mútua, cresce e se agiganta sem a necessidade de palavras. Do mesmo modo, o afeto cotidiano. Ele se patenteia em pequenas ações que parecem banais, mas sem subcarregar o seu parceiro ou parceira. Se amolda em significado profundo. Essas relações são como pequenos rios subterrâneos. Não se veem, mas alimentam a vida na superfície. Mesmo sentido, esse olhar maior existe e talvez seja a forma mais direta de comunicação silenciosa. Ele atravessa barreiras que a fala, por vezes, não consegue dimensionar.

[Livros & Leituras] O meu amigo Billy

Como o amor de um gato mudou para sempre a vida de um menino autista

Louise Booth, Porto Editora, 1ª edição: setembro de 2015. 208 páginas. 

Fraser é uma criança autista de três anos, tensa e ansiosa, com acessos de raiva tão súbitos quanto incontroláveis.

A vida dos Booth, numa pequena casa na herdade de Balmoral, a residência de verão da rainha de Inglaterra, é dura e muitas vezes desesperante. Para Louise, a mãe de Fraser, o futuro parece pouco animador.

É então que o filho conhece Billy, um gato cinzento e branco, e a amizade que nasce entre os dois irá mudar para sempre as suas vidas. Os dois tornam-se inseparáveis e, com a ajuda do seu novo amigo de quatro patas, Fraser começa a fazer progressos: pequenas coisas que, somadas, dão vida a um verdadeiro milagre. 


«A forma como Billy encoraja Fraser é inspiradora.»
James Bowen, autor de A minha história com Bob

«Um exemplo da força das relações entre os mais novos e um animal de estimação.»
The Times

«Um relato enternecedor.»
Daily Mail

👍👍👍

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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Paris, cidade-luz (a luz é do fogo posto)

Alberto Gonçalves comenta a destruição nas ruas de diversas cidades francesas após a vitória do PSG

Um pormenor engraçado sobre a selvajaria em França: os que nunca referem a ascendência da maioria dos autores dos distúrbios são os mesmos que usam a “exclusão social” a que são votados os jovens magrebinos para tentar explicar (e legitimar) os distúrbios.

Infelizmente, a “exclusão social” não explica nada. A imigração desmesurada explica bastante. E a vergonha que o Ocidente sente de si próprio explica tudo.

Por culpa de governos débeis e por isso perigosos, e dos cidadãos que os elegem, a Europa abdicou de garantir a sua sobrevivência enquanto tal.

Não sei se isto foi deliberado, mas sei que foi permitido.

E, de uma maneira ou de outra, não vai acabar bem. 

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O suicídio sindical

Henrique Pereira dos Santos

Como a generalidade das pessoas, ligo pouco ao que fazem, e menos ainda ao que dizem, os sindicatos, organizações que estão tão desligadas dos trabalhadores que a anterior Secretária Geral da CGTP era uma senhora que toda a sua vida profissional se limitava a funcionária sindical.

Achei curioso um título sobre os quatro dias de greve convocados pelo Sindicato dos Técnicos da Migração numa semana em que há uma greve geral à quarta feira e um feriado à quinta, que resolvi ver a notícia para saber que greve era essa. 

É uma greve à segunda, terça, quarta (o dia da greve geral), interrompe à quinta (feriado) e retoma a sexta-feira, num princípio de junho de tempo ameno.

Ri-me, naturalmente, da caricatura em que os funcionários dos sindicatos estão a transforma o movimento operário e iria passar à frente quando reparei nas reivindicações que justificavam os quatro dias de greve:

 “crescente degradação das condições de trabalho e o aumento da pressão sobre os trabalhadores, sem o correspondente reforço de meios humanos e técnicos” e “preocupação com o recurso ao ‘outsourcing’ em funções de elevada complexidade técnica, colocando em causa a qualidade do serviço público”.

Moraes acelera projeto de controle das redes às vésperas da eleição

Enquanto o governo fala em regulação, todos sabem que os brasileiros estão perdendo cada vez mais liberdade para se expressar nas redes

Timeline

LISBOA, 1º de junho de 2026 — A poucos meses da eleição presidencial, Moraes voltou a defender a regulamentação das redes sociais. Oficialmente, o discurso é o mesmo de sempre: combater a desinformação, proteger a democracia e limitar o poder das Big Techs. 

Mas a essa altura dos acontecimentos, poucos brasileiros ainda acreditam que essa discussão seja apenas sobre tecnologia.

O que está em jogo é poder.

Poder para definir quem pode falar. Poder para determinar quais narrativas são aceitáveis. Poder para decidir quais opiniões permanecerão visíveis e quais serão empurradas para a invisibilidade digital.

Durante anos, o establishment político brasileiro tratou as redes sociais como um problema a ser resolvido. Não porque elas ameaçam a democracia, mas porque romperam o monopólio da informação que durante décadas esteve concentrado nas mãos de governos, grandes veículos de comunicação e grupos políticos tradicionais.

Foi justamente nesse ambiente sem intermediários que surgiram movimentos políticos capazes de desafiar as estruturas de poder consolidadas em Brasília.

Não é coincidência que a pressão por controle tenha aumentado exatamente depois disso.

A União Europeia à margem da paz que negociou

Bruxelas reclama lugar nas negociações, mas Moscovo recusa-a como mediadora e Washington já não a consulta

António Justo

A União Europeia encontra-se hoje perante uma contradição diplomática de difícil resolução: após a escalada do conflito em 2022, os aliados ocidentais de Kiev romperam laços com Moscovo e adoptaram uma estratégia de isolamento total da Rússia, e agora vê-se excluída das negociações de paz que se desenvolvem sem a sua presença efetiva.

Estão em curso negociações trilaterais com os Estados Unidos, a Federação Russa e a Ucrânia nos Emirados Árabes Unidos, o que coloca em evidência o papel marginal da UE nos esforços diplomáticos para pôr termo à guerra que decorre no seu próprio continente. O Parlamento Europeu reconheceu formalmente que a marginalização da UE destas conversações é uma consequência direta da sua incapacidade de seguir uma estratégia diplomática autónoma, caracterizada pela ausência de iniciativa própria e por uma dependência excessiva de abordagens militarizadas, alinhadas pelos EUA e pela NATO.

Perante este impasse, a Alta Representante da UE, Kaja Kallas, admitiu abertamente que a Europa nunca será um mediador neutro entre a Rússia e a Ucrânia, porque está do lado da Ucrânia e defende os seus próprios interesses de segurança fundamentais. A declaração, ao reconhecer publicamente a perda de neutralidade, terá agravado as perspectivas de Bruxelas participar nas negociações. Moscovo, pela voz do ministro Lavrov, classificou as condições impostas pela UE como “idióticas”, e acusou a União Europeia de praticar “diplomacia de megafone”, emitindo ultimatos públicos em vez de procurar negociações substantivas.

Éric Zemmour sur Sud Radio : Nous vivons les débuts de la guérilla!


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Paulo Hasse Paixão

Mais de 750 pessoas foram detidas, 219 ficaram feridas e 57 polícias ficaram feridos após a vitória do Paris Saint-Germain sobre o Arsenal na final da Liga dos Campeões, que provocou distúrbios generalizados em toda a França.

Os adeptos encheram a famosa avenida Champs-Élysées imediatamente após o PSG garantir a vitória por pênaltis, com imagens a captar violências generalizadas, viaturas automóveis e bicicletas elétricas incendiadas, lojas vandalizadas e fogo de artifício a ser usado como arma contra a polícia.

Os problemas já tinham começado quando os adeptos se juntaram no estádio do PSG, o Parc des Princes, para assistir à partida em ecrãs gigantes.

Porta falsa

Escultura ‘rara’ é encontrada em mansão de R$ 220 milhões no Leblon antes de demolição

Obra do mestre romeno, avaliada com lance inicial de R$ 400 mil, estava em um quarto fechado da residência; tapeçaria original de Basquiat também será leiloada

Victor Serra

À medida que se aproxima a demolição de uma das residências mais caras já vendidas no mercado imobiliário brasileiro, novas descobertas continuam surgindo dentro da mansão do Jardim Pernambuco, no Leblon. A mais recente delas é uma escultura do artista romeno Constantin Brancusi (1876-1957) [foto], considerada uma raridade e que será colocada à venda com lance inicial de R$ 400 mil.

A peça foi encontrada em um quarto que permanecia fechado na propriedade, vendida no ano passado por R$ 220 milhões. O imóvel já tem demolição autorizada para dar lugar ao condomínio de luxo Estância Pernambuco

Outra surpresa revelada durante o processo de catalogação foi uma tapeçaria original do artista americano Jean-Michel Basquiat, um dos nomes mais valorizados da arte contemporânea mundial.

As duas obras estarão entre os destaques de um novo leilão marcado para o próximo dia 9 de junho. Segundo o leiloeiro Ernani Costa, responsável pelo processo, cerca de 1.600 itens estão sendo preparados para o pregão, que ainda passa pela fase final de catalogação.

Primeiro leilão impressionou com acervo

A descoberta amplia uma coleção que já havia chamado atenção no fim do ano passado. Em novembro, um primeiro grande leilão realizado na residência reuniu aproximadamente 2 mil lotes e quase 10 mil objetos pertencentes à família Amaral, antiga proprietária da rede de supermercados Disco. O conjunto de peças foi avaliado em mais de R$ 25 milhões.