Aos 250 anos, a nação mais livre e próspera da história
começa a sentir os efeitos de uma doença política incubada por décadas nas
universidades, nos sindicatos e nas primárias democratas
Leandro Ruschel
Há 250 anos, os Estados Unidos
nasceram de uma desconfiança radical contra o poder concentrado. Não foi um
acidente histórico. A ideia fundadora era simples e profunda: o governo existe
para servir ao cidadão, não para redesenhá-lo; o Estado deve ser limitado,
não adorado; a propriedade, a liberdade de expressão, o direito de
defesa e a vida comunitária não são concessões da autoridade, mas barreiras
contra ela.
Esse arranjo produziu a nação
mais livre e próspera da história humana. E é justamente por isso que o que
está acontecendo agora deveria assustar qualquer pessoa minimamente séria.
A ameaça mais grave contra os Estados Unidos não vem de um exército estrangeiro, nem de uma potência rival cruzando o oceano. Vem de dentro. Vem de uma mutação ideológica que, durante décadas, foi tratada como folclore universitário, militância juvenil, exagero retórico, “coisa de estudante”. Hoje essa militância vence primárias, ocupa prefeituras, chega ao Congresso e empurra o Partido Democrata para uma região cada vez mais hostil aos fundamentos da própria América.
A sigla é DSA: Democratic
Socialists of America. O nome foi escolhido para tranquilizar. “Socialistas
democráticos” soa quase europeu, domesticado, inofensivo. Dá a impressão de que
se trata de uma social-democracia de bem-estar social, com impostos altos,
sindicatos fortes e um verniz escandinavo. Mas a fachada engana. No vocabulário
marxista, “democrático” raramente significa liberdade, alternância de poder e
império da lei. Significa, antes, a pretensão do partido de falar em nome do
povo.
A Alemanha Oriental se chamava “democrática”. A Coreia do Norte também.



















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