Entenda por que o Bolsa Família só subiu quando a urna ficou perto, e quem vai pagar a conta depois
Rogerio Pires
Ontem, segunda-feira, o dinheiro novo do Bolsa Família começou a
cair nas contas de milhões de famílias. Faltam cinco dias para o segundo turno.
Em 17 de setembro, o governo anunciou o aumento e publicou o decreto no mesmo
dia, em edição extra do Diário Oficial. Tudo a toque de caixa, num único dia,
com a eleição já em campo. Coincidência de calendário?
Os números são estes: o piso sobe de R$ 600 para R$ 691, aumento
de 15,04%, e o valor médio por família vai de R$ 675 para R$ 777. O programa
atende mais de 19 milhões de lares. Quem recebe vai sentir no bolso, e é
justamente por isso que a data importa.
Agora o ponto que o Planalto prefere esconder: esse aumento não
estava no orçamento. O projeto que o governo enviou ao Congresso em agosto
reservava R$ 157,1 bilhões para o programa em 2027 e não previa reajuste
nenhum. Se a correção era uma necessidade real, por que ficou de fora da peça
que o próprio governo escreveu? Porque a necessidade não era do beneficiário.
Era da campanha.
O governo responde que é mera reposição da inflação, o INPC acumulado de março de 2023 a agosto de 2026. Então por que ela não veio ao longo do caminho? A inflação justificaria a correção desde o início do mandato. Durante meses o beneficiário ficou com o valor defasado, e a correção só apareceu quando a urna ficou perto. Foi uma decisão tomada às pressas, de olho na pesquisa, não no orçamento.


















