segunda-feira, 21 de junho de 2021

domingo, 20 de junho de 2021

Adieu à la raison : la menace de Sparte

Michel Onfray

Le XXème siècle, siècle rouge, a posé les fondations de son successeur, celui du catastrophisme vert. Michel Onfray retrace l'histoire intellectuelle de cet ascétisme militant et totalitaire qui creuse aujourd'hui son lit. Et devant cette nouvelle Sparte, austérité grimée en vertu, Athènes doit savoir faire face.

L’écologie est un mot récent, on connaît sa date de naissance, 1866, et son créateur, Ernst Haeckel, un biologiste philosophe qui définissait de la sorte une « science qui étudie les milieux où vivent et se reproduisent les êtres vivants, ainsi que les rapports de ces êtres avec le milieu ». La chose n’est guère plus récente car un signifié précède la plupart du temps assez peu son signifiant. Il faut attendre les ravages de la planète par la révolution industrielle conjugués à la technique libérée de tout usage éthique dans les domaines civils et militaires pour obtenir une véritable conscience écologique politique et donner au mot le sens qu’on lui connaît désormais.

Le XXe siècle a inventé les moyens d’effacer toute vie sur la surface de la planète avec la bombe atomique. On parle assez peu des effets ontologiques de la création d’une arme nucléaire et de son double exercice à Hiroshima et Nagasaki. Pour la première fois dans l’histoire de l’humanité, les hommes se sont offert, avec force génie scientifique, les moyens de se suicider collectivement et se sont comportés comme des enfants jouant avec des allumettes dans un magasin à poudre.

Outre cette bombe atomique, il y eut également des bombes au napalm qui ont été utilisées pour la première fois par les Américains en Normandie dans les semaines qui ont suivi le débarquement du 6 juin 1944, à Coutances près de Saint-Lô et, dit-on, près de Chambois, mon village natal, lors de la fermeture de la poche de Falaise. On sait qu’ensuite, cet armement qui incendiait les hommes, les bêtes, les forêts où se cachaient les Vietnamiens, a été utilisé avec la même désinvolture écologique.

Le productivisme qui fut l’horizon indépassable de la gauche et de la droite pendant des dizaines d’années, du marxisme-léninisme au national-socialisme, mais également le natalisme, une idéologie partagée par les mêmes, ont l’un et l’autre contribué à épuiser la planète et à faire naître un sentiment écologique.

Le nucléaire civil fut aussi de la partie : l’explosion de la centrale atomique soviétique de Tchernobyl le 26 avril 1986 a moins généré dans le grand public et chez de nombreux intellectuels une critique de l’impéritie soviétique qu’une condamnation du nucléaire dans l’absolu.

Enfin, des catastrophes industrielles, comme les naufrages de pétroliers, qu’on songe au Torrey Canyon en 1967, à l’Amoco Cadizen 1978, à l’Exxon Valdez en 1989 ou à l’Erika en 1999, ont achevé de convaincre les peuples du péril que le cynisme marchand fait courir à la nature.

Ajoutons à cela les épidémies de vaches folles, les poulets à la dioxine, la fièvre aphteuse, la grippe aviaire, les épidémies de SRAS, d’Ebola, du Zika, aujourd’hui du Covid, tout cela achève d’inquiéter sur les zoonoses planétaires et les risques d’un holocauste pandémique. 

En Allemagne, Günter Anders, Karl Jaspers ou Hans Jonas abordent politiquement la question écologique. Anders publie L’Obsolescence de l’homme en 1956, Jaspers La Bombe atomique et l’avenir de l’homme en 1963 et Jonas Le Principe responsabilité : une éthique pour la civilisation technologique en 1979.

La France philosophante se montre à la traîne : côté thuriféraire de l’écologie, Félix Guattari, qui a adhéré aux Verts en 1985, publie ses Trois Écologies en 1989 ; Michel Serres fait paraître son planant Contrat naturel en 1990. Côté critique, et plutôt critique féroce, Luc Ferry publie son Nouvel Ordre écologique en 1992, il revient sur ce sujet avec un nouvel ouvrage : Les Sept Écologies (lire l’interview de l’auteur p. 22, N.D.L.R.), mais également Pascal Bruckner avec Le Fanatisme de l’ApocalypseSauver la Terre, punir l’homme en 2011.

Capital chinês faraônico abraça o Canal de Suez

ABIM

A pandemia abalou a economia mundial, como todos sentem. Mas países como a China, onde se originou o vírus, gastam como se lucrassem fabulosamente.

Entre muitos outros exemplos, nota-se isso no Egito, que constrói uma nova capital para pelo menos seis milhões de habitantes, a custos multibilionários, com ministérios que evocam templos faraônicos e um complexo islâmico para sede de governo.

Os 50 mil funcionários públicos que se instalarão ali no corrente ano terão uma ferrovia paga pela China, enquanto o distrito financeiro é erigido pela China State Construction Engineering Co.

Com diplomacia, dinheiro e tecnologia, Pequim abraçou com seu tentáculo um país estratégico do Canal de Suez (12% do comércio mundial). Sob a pandemia há manobras obscuras, que fazem pensar num plano de domínio mundial pelo marxismo chinês.

Título, Imagem e Texto: ABIM, 19-6-2021

Manifestantes fazem atos contra Bolsonaro

Lula não compareceu, mas Fernando Haddad participou do protesto

Artur Piva

Neste sábado, 19, ocorreram manifestações contra o governo Bolsonaro em cidades pelo país. O evento contou com a convocação e apoio de deputados como Gleisi Hoffmann (PT-PR), Erika Kokay (PT-DF) e Marcelo Freixo (PSB-RJ).

O ex-presidente Lula não compareceu, mas Fernando Haddad, que subsistiu o petista na última disputa à presidência da República, participou do ato em São Paulo. O músico Chico Buarque, que também apoia a legenda, esteve no protesto no Rio de Janeiro.

Foto: Ricardo Stuckert

Na imagem, bandeiras de partidos políticos, centrais sindicais e muita aglomeração — situação bastante criticada pelos políticos presentes quando o alvo eram os atos em apoio ao presidente. Um deles, “motociata” realizada no fim de semana anterior.

Crítica a muitas posturas do atual governo e contrária a ações da militância de esquerda, a deputada estadual, Janina Paschoal (PSL-SP), comentou a contradição.

Título e Texto: Artur Piva, revista Oeste, 19-6-2021, 19h11

[As danações de Carina] Linhas byronianas

Carina Bratt

O amanhecer é um pássaro ligeiro. Leva nas asas a escuridão da noite’.
do livro ‘Asas’ de Jaime Vieira.
 

HOJE ESTOU me sentindo como se estivesse sendo afetadamente vexada e espremida contra um enorme e compacto isolamento de vidro. Tipo uma separação consistente e maciça, maior que a porcaria daquele quadro cenográfico imbecilizado, na verdade, um game show que ficou conhecido, aqui no Brasil, como The Wall (ou a Parede), exibido no programa do Luciano Huck, que a Rede Globo manda para o ar, todas as tardes de sábado.

Mesmo fluxo, enquanto tento escapar da maldita parede envidraçada, pirralhos, em polvorosa, brincam numa varanda próxima à minha torre. Cacafelhos barulhentos e sapecas, gritam e pulam, saltam e se esgoelam numa espevitação fora do normal. Toda esta confusão perturba os meus ouvidos, fere a minha paciência pra lá de impaciente. Minha cabeça estropia e lateja. Para completar, tenho a impressão de estar sendo vigiada por mil câmeras.

De repente, o vidro que me esmaga e me amassa, se desembaça e me deixa completamente despida das vestes. Literalmente nua, padeço de vergonha incontida, num reality show cafona, onde uma enxurrada de embasbacados fotografa cada pedacinho dos meus tremeliques e assombros, receios e estuporações. Tento me restabelecer, me recompondo. O barulho que faço é tão sutil quanto uma serra elétrica fora de controle. 

À custo, consigo olhar para a rua, lá embaixo. Iluminada pelas luzes bruxuleantes, a visão que tenho da avenida, vista daqui da altura do meu andar, aumenta, assustadoramente os meus desconfortos. Chega a me dar calafrios na alma, com respingos no coração frangalhado. Sem dar um minuto de trégua, os ‘patricinhos’ insuportáveis seguem deblaterando, alariando num fuzuê pesado, como hipopótamos descendo uma ladeira íngreme em insuportáveis carrinhos de rolimã.

Ainda com o rosto achatado contra o vidro gigantesco, as minhas tentativas de fuga empinam ondas de desespero que se lançam rasgando as paredes frias do meu apê. Num piscar de olhos, do nada, sem que espere por uma folga, ou por algo que me desagarre, ou me liberte, caio no chão, me estabano no tapete da sala, num puro reflexo de exaustão que se perde e se esvai, como num despertar entedioso navegando fantasmagoricamente no meio do começo de noite.

[Antigamente] Anterior ao fax

Imagem retirada daqui.
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Fax 
[Antigamente] Computador

sábado, 19 de junho de 2021

Presidente Bolsonaro participa da entrega de espadins na Escola Naval

Cerimônia foi no Rio de Janeiro

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro participou neste sábado (19), no Rio de Janeiro, da cerimônia de entrega de espadins a 177 aspirantes da turma Almirante Bosisio, da Escola Naval. O espadim é o símbolo do compromisso que os aspirantes assumem com a Marinha.

Na cerimônia, o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, disse que os militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica são indispensáveis para o progresso, para a liberdade e para a democracia do país. “O recebimento do espadim é a materialização do esforço e da dedicação dos senhores e das senhoras”, disse o ministro aos aspirantes.

Título e Texto: Agência Brasil; Edição: Fernando FragaAgência Brasil, 19-6-2021, 13h15

Debbie Hayton : changer de genre n’est pas un jeu d’enfant

Propos recueillis par Sylvie Perez

Née homme, en Angleterre, il y a cinquante-deux ans, Debbie Hayton est aujourd’hui une femme, membre du Parti travailliste et du bureau national du deuxième syndicat d’enseignants de son pays. Cela ne l’empêche pas de dénoncer l’idéologie transgenre, le militantisme dogmatique qui récuse la biologie et qui réduit tous ses adversaires au silence. Elle n’a pas que des copines.


La question transgenre occupe le débat sur les minorités sexuelles. Parmi les disgrâces contemporaines, le délit de transphobie supplante désormais tous les autres. Alors mieux vaut surveiller son langage. Dans ce contexte, la voix de Debbie Hayton, dépourvue de préjugé idéologique ou esprit de corps, détonne. Debbie Hayton, 52 ans, est une trans femme. Née homme, elle a entrepris une chirurgie de changement de sexe en 2012 et modifié son identité. Depuis vingt ans, elle enseigne la physique dans le même lycée de Birmingham (Royaume-Uni) où ses élèves ont vu Monsieur devenir Madame. Elle est membre du Parti travailliste ainsi que du bureau national du syndicat d’enseignants NASUWT. Debbie Hayton intervient régulièrement dans les médias britanniques, inquiète de la dérive du militantisme transgenre qui s’en prend à la liberté d’expression et usurpe les droits des femmes.

Causeur. Vous avez changé d’identité mais vous vivez avec la mère de vos trois enfants. Un modèle de famille nucléaire ?

Debbie Hayton. Lorsque j’ai changé d’identité, nous étions mariés depuis dix-neuf ans. Pour moi ce fut une libération, pour Stéphanie, ma femme, ça a été très dur. On a réussi à traverser cette épreuve ensemble. Notre plus jeune garçon a 18 ans et vit encore avec nous ; les deux autres sont de retour à la maison pour les cours d’université en ligne.

Votre désir de devenir une femme a-t-il été inspiré par la théorie du genre, la littérature de Judith Butler ou Monique Wittig ?

Je n’avais jamais rien lu de tout ça. Je souhaitais avoir le corps d’une femme, c’est tout. J’ai compris a posteriori que j’étais autogynéphile, une forme d’excitation sexuelle liée au fait de s’imaginer en femme qui, à mon avis, concerne la plupart des trans femmes. J’étais convaincue d’être une femme dans un corps d’homme, ce qui peut sembler étrange pour une scientifique. J’avais la certitude que modifier mon corps résoudrait mes problèmes psychologiques. Et ça a marché ! Cependant, cela a perturbé mon entourage, un aspect qu’il ne faut pas négliger. Trop souvent, les transgenres pensent à eux-mêmes et oublient leurs proches.

"Bonita camisa, 'Fernandinho'"

Covid-19: Lisboa enfrenta novo confinamento

Governo português proíbe circulação de e para a área metropolitana de Lisboa nos fins de semana

Raquel Hoshino

O alto número de casos de covid-19 levou o governo português a aplicar uma medida de restrição na área metropolitana de Lisboa. A partir das 15 horas desta sexta-feira, 18, até as 6 horas da segunda-feira 21, está proibido entrar ou sair do perímetro que abrange 18 conselhos.

Foto: B. Lucava

Segundo a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, a restrição de circulação tenta conter os casos na região metropolitana para preservar outras áreas. “É mais uma medida de proteção do resto do país, para não estender o fenômeno de Lisboa para outras regiões”, noticiou o portal G1.

O número de casos de covid-19 praticamente duplicou em apenas três semanas no país, e Lisboa e o Vale do Tejo concentram mais de 70% deles. A variante Delta, inicialmente identificada na Índia, seria uma das principais razões para a situação epidemiológica na capital, afirma uma reportagem do site Público.

Portugal já registrou 860 mil casos e 17 mil mortos desde o início da pandemia. No início do ano, o país enfrentou um rígido confinamento, com duração de quase dois meses, após detectar um novo pico de infecções que praticamente deixou o sistema de saúde em colapso. Segundo o Ministério da Saúde do país europeu, 45% dos portugueses receberam a primeira dose de uma vacina contra o novo coronavírus e 23,8% completaram o regime vacinal.

Título e Texto: Raquel Hoshino, revista Oeste, 18-6-2021, 20h20

‘Não deixam’ Bolsonaro governar, diz presidente do Superior Tribunal Militar

'Tudo atribuem ao presidente. Tudo de errado', disse o general Luis Carlos Gomes Mattos

Fábio Matos

O presidente do Superior Tribunal Militar (STM), general Luis Carlos Gomes Mattos, saiu em defesa do governo de Jair Bolsonaro. Em entrevista à revista Veja, ele acusou a oposição de tentar, a todo custo, impedir o presidente de comandar o país, “esticando demais a corda”.

“Houve alguma acusação de corrupção contra o presidente Bolsonaro? Ele se elegeu para combater a corrupção. De todas as maneiras estão tentando atribuir alguma coisa a ele e não conseguiram até agora. Deviam deixar o presidente governar, mas não deixam”, disse o general.

“Quem critica Bolsonaro faz isso de manhã, de tarde, de noite… Tudo atribuem ao presidente. Tudo de errado. Será que você aguentaria isso? Que reação eu teria? Não sei. E alguma coisa boa atribuem? O Brasil está crescendo, a economia está crescendo, mesmo com todas as dificuldades. Não tenho dúvida de que estão esticando demais a corda”, prosseguiu o presidente do STM.

Indagado sobre quem seriam as forças interessadas em “esticar a corda”, o militar disse que se referia aos oposicionistas. “Política é assim: tem gente contra e tem gente a favor. Quem está contra logicamente vai esticar essa corda, como se diz, até que ela arrebente. Esses, na verdade, são os que não têm muito apreço pela democracia, os que defendem ditaduras e apoiam ditadores. Quando a corda vai arrebentar? Isso eu não sei”, concluiu Mattos.

Título e Texto: Fábio Matos, revista Oeste, 18-6-2021, 17h40

Crítica Nacional ingressará com interpelação judicial contra YouTube por prática de censura contra o jornal

Paulo Eneas

O Crítica Nacional ingressará com medida de interpelação judicial contra o YouTube do Brasil por prática de censura. A ação será movida pelo advogado Dr. Danilo Garcia de Andrade, que já tomou conhecimento do fato e está dando andamento à iniciativa.

A ação do Crítica Nacional é motivada por decisão arbitrária e unilateral do YouTube Brasil de remover o vídeo da transmissão do dia 17 de junho da edição noturna do Jornal Crítica Nacional, apresentado diariamente por Paulo Eneas, editor do site, e por Val Lopes, colaboradora do nosso canal.

O vídeo desta transmissão removido arbitrariamente pelo YouTube estará disponibilizado ao público em outra plataforma neste final de semana.

No entanto, a despeito desta opção em paralelo, entraremos na justiça na defesa da liberdade de expressão garantida pela Constituição Federal do Brasil, e que vem sendo sistematicamente desrespeitada pelo YouTube.

Título e Texto: Paulo Eneas, Crítica Nacional, 18-6-2021

Defendendo o tratamento precoce

[Versos de través] Angústia

Florbela Espanca

Tortura do pensar! Triste lamento! 
Quem nos dera calar a tua voz! 
Quem nos dera cá dentro, muito a sós, 
Estrangular a hidra num momento!

E não se quer pensar! ... e o pensamento 
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós ... 
Querer apagar no céu – ó sonho atroz! – 
O brilho duma estrela, com o vento! ...

E não se apaga, não ... nada se apaga! 
Vem sempre rastejando como a vaga ... 
Vem sempre perguntando: “O que te resta? ...”

Ah! não ser mais que o vago, o infinito! 
Ser pedaço de gelo, ser granito, 
Ser rugido de tigre na floresta!


Título e Texto: Florbela Espanca

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A mulher 
Aqui morava um rei 
Mulher proletária 
O Relógio 
Bem no fundo Cobra Norato (trecho da obra) 

Assalto no bairro Rocha

[Pernoitar, comer e beber fora] Restaurante A Ribeira: onde se canta o cardápio

Numa noite da metade primaveril de junho, fomos à “A Ribeira”. Fica no Alentejo, em Montemor-o-Novo.

Os preços são módicos, média 8€.

Portanto, de saída e em relação aos preços, já declaro: se vai passar ou está passando por Montemor-o-Novo, vale a pena lá entrar, sentar e comer.

Chocos à algarvia:

Filetes de linguado:

Tiras de choco:

Migas de espargos com carne de alguidar:

Agora, para assistir e, muito importante, participar e interagir na apresentação inusitada, porque cantada, do cardápio, vale muito a pena a ida!

sexta-feira, 18 de junho de 2021

A opressão latino-americana

Eliminar o corporativismo, o mercantilismo, o privilégio, a transferência de riqueza por meio do Estado deve ser uma meta perseguida por todos os que defendem a liberdade

Rodrigo Constantino

A América Latina é terreno fértil para demagogos, populistas autoritários, socialistas em geral. Em ambiente com miséria e ignorância, esses oportunistas se criam com mais facilidade, exploram suas vítimas mascarando seu projeto de poder com slogans bonitinhos de igualdade e “justiça social”. E o mais grave é que a história se repete com incrível frequência, como se o povo fosse incapaz de aprender com os próprios erros.

A bola da vez é o Peru, depois de a Argentina trazer de volta ao poder o Foro de SP, mirando no péssimo exemplo venezuelano. Um livro clássico nos meios liberais é O Manual do Perfeito Idiota Latino-americano, escrito por três autores, entre eles Álvaro Vargas Llosa, filho do Prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, que escreveu a apresentação do livro. Eles tiveram de retornar ao tema com A Volta do Idiota, perplexos com essa insistência nos mesmos erros.

Mario Vargas Llosa disputou a Presidência do Peru em 1990 e perdeu para Fujimori. Desta vez, o escritor liberal apoiou a filha do ex-presidente, para tentar impedir o destino trágico do socialismo. Mas o “professor esquerdista” Pedro Castillo assumiu a liderança numa contagem sob suspeita e por poucos votos a mais pode selar o destino do país rumo ao abismo. É uma sensação grande de impotência por parte de quem sabe o que está em jogo.

Álvaro é autor de outro livro instigante, Liberty for Latin America, em que define os cinco pilares da opressão. A ideia central talvez possa ser resumida por essa frase de Llewellyn Rockwell Jr.: “Devemos nossa liberdade não ao desejo do Estado de permitir que as pessoas e as instituições sejam livres, mas ao desejo das pessoas e das instituições de resistir”. Os oprimidos esperam tudo do Estado opressor! E aí começam os problemas.

O Bem e o Mal

Cuidado: você pode ser condenado de uma hora para outra como 'fascista', 'extremista de direita/inimigo da democracia', ou até como 'genocida', se não prestar atenção no que está dizendo

J. R. Guzzo

Num país onde a vida política se degradou a tal ponto que um cidadão com nove processos penais nas costas vira o relator de uma “CPI” que tem pretensões de restaurar a moralidade pública, o “novo normal” passou a ser tudo o que é anormal. Cabe na cabeça de alguém que uma substância química, por exemplo, ou um tipo de veículo sobre duas rodas possam se tornar questões de vida ou morte para determinar o que é politicamente certo ou errado, ético ou imoral, bom ou ruim? Não, não é — não pela lógica comum. Mas no Brasil de hoje é isso, exatamente, o que se pode esperar em matéria de ideias. Se uma “CPI” como essa da covid pode ter esse relator que está aí (para não falar do presidente, que foi investigado por corrupção pesada e teve a própria mulher e três irmãos presos pelo mesmo motivo), por que haveria problema com qualquer outra coisa? Vida que segue.

Aceita-se com a maior passividade do mundo, assim, que assuntos estritamente técnicos, ou da mais completa desimportância, se tornem o marco regulatório que define quem o sujeito é, dos pontos de vista político, moral e humano. Não é só no Brasil, é claro, que as coisas andam assim. Lá fora, por exemplo, o “bem” — ou tudo o que recebe uma certidão de “coisa de esquerda” — prevê que o sujeito assuma posições firmes a favor da inclusão de homens nas equipes femininas de esporte, ou contra o aquecimento da calota polar. O “mal” — ou tudo o que leva o carimbo de “coisa de direita” — é o exato contrário. Aqui, a coisa fica pior por conta do ambiente cada vez mais envenenado que envolve a vida política. Trata-se, mais e mais, de um processo de degeneração. Os temas em que há divergências políticas legítimas vão sendo crescentemente contaminados por questões que são neutras por sua própria natureza, ou pelo bom senso mais elementar. O resultado é um desastre.

Bolsonaro está a favor? Então só pode ser ruim

Cuidado, portanto: você pode ser condenado de uma hora para outra como “fascista”, “extremista de direita/inimigo da democracia”, ou até como “genocida”, se não prestar atenção no que está dizendo — e no que estão dizendo a mídia, as classes intelectuais e o circuito STF-OAB-MST-CNBB-PT-etc. É relativamente simples. Faça uma lista com as coisas que você, pessoalmente, acha corretas, lógicas e decentes; faça uma outra, ao lado, com tudo o que você acha que está errado, ou não concorda. Em dois minutos fica claríssimo que a esquerda brasileira e mundial é totalmente contra aquilo que está na primeira lista; é totalmente a favor do que está na segunda. E as questões — são tantas, não é mesmo? — em relação às quais o cidadão não sabe, honestamente, o que é certo e o que é errado? Para obter solução imediata, basta avançar para o passo seguinte: verifique o que a esquerda está dizendo a respeito e acredite no oposto. Pronto. Operação concluída com sucesso.

A censura nas redes sociais beira o absurdo


A censura e os ataques à liberdade de expressão cresceram de forma tão absurda nesses infindáveis meses de pandemia que é difícil acompanhar. Num piscar de olhos, ficamos sabendo de mais e mais pessoas impedidas de publicar, curtir, comentar e compartilhar conteúdos nas redes sociais porque tiveram o perfil bloqueado. Isso quando publicações não são apagadas sem aviso prévio, como mostra a colunista da Gazeta do Povo, Cristina Graeml

A justificativa sempre é a de que houve infrações às regras da plataforma, sem qualquer detalhamento de quais foram, afinal, as regras desrespeitadas. O colunista da Gazeta do Povo, Rodrigo Constantino, por exemplo, reclamou recentemente de ter sofrido censura e ter sido punido com alguns dias de proibição de uso do Twitter por supostamente ter divulgado imagens de nudez no meio de uma live de análise política, coisa que obviamente não fez. 

Há poucos meses a empresária Renata Barreto teve duas publicações apagadas do Instagram sob acusação de que eram notícias falsas. Não eram. Ela tinha compartilhado matérias da Gazeta do Povo e da CNN sobre as "gotas milagrosas" anunciadas pelo ditador venezuelano Nicolás Maduro  como cura da Covid. O ditador realmente anunciou isso, tanto que a Gazeta e a CNN noticiaram e não tiveram publicações apagadas. 

Em entrevista, Biden perde a paciência com repórter da CNN

Assista ao vídeo

Cristyan Costa

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, subiu o tom com uma jornalista da CNN norte-americana em uma entrevista coletiva que precedeu o encontro entre o democrata e Putin, em Genebra, na quarta-feira 16. Ao ser interpelado se estava confiante acerca da mudança de postura do líder russo perante os EUA, Biden perdeu a paciência. “Eu não estou confiante de que ele vai mudar de comportamento. Mas que diabos você faz o dia todo? Quando foi que eu disse que estava confiante?”, indagou Biden, com dedo em riste.

Segundo o chefe do Executivo, ele afirmou que o que mudará o comportamento do mandatário estrangeiro é a pressão mundial. “Não estou confiante de nada, só estou afirmando um fato”, acrescentou Biden. A repórter insistiu ao lembrar de uma reunião entre os dois presidentes em que Putin negara envolvimento em ataques hackers contra os EUA, além de minimizar violações de direitos humanos cometidas na Rússia. “Se você não entende isso, está na profissão errada”, concluiu Biden, ao se retirar. 

Assista ao vídeo:

Título e Texto: Cristyan Costa, revista Oeste, 18-6-2021, 11h40

Espanha anuncia fim da obrigatoriedade das máscaras

'Nossos rostos vão recuperar seu aspecto normal nos próximos dias', disse o primeiro-ministro do país

Artur Piva

Nesta sexta-feira, 18, o premiê espanhol, Pedro Sánchez (PSOE) [foto], afirmou que o uso de máscaras ao ar livre no país deixará de ser obrigatório a partir de 26 de junho. Ele disse que o Conselho dos Ministros se reunirá no dia 24 para propor o fim da obrigatoriedade. O uso da proteção facial está em vigor na Espanha há cerca de um ano.

“Nossos rostos vão recuperar seu aspecto normal nos próximos dias”, afirmou Sánchez. “Voltaremos, com isso, a desfrutar de uma vida na rua sem máscaras, e vamos fazê-lo porque estamos atingindo todos os marcos que estabelecemos frente à pandemia”. 

Título e Texto: Artur Piva, revista Oeste, 18-6-2021, 10h

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"Acabe por perceber"

Rui Rio [foto] participou esta semana nas Jornadas Parlamentares do PSD, realizadas em Portalegre, e mais uma vez sentiu-se na obrigação de justificar o seu estranho estilo de “oposição” ao governo de esquerda apoiado pela extrema-esquerda.

Disse, na essência, que anda “há anos a dizer o mesmo”, que “em dez milhões de portugueses não deve haver muita gente” com a sua “autoridade moral” e que ”o povo vai acabar por perceber” que foi o PS que “não aproveitou a oportunidade de ter um líder da oposição” como ele para “fazer as reformas de que o país precisa”.

Há nesta súmula uma obstinação maníaca, uma confissão de impotência e a vaga esperança de um dia, num futuro longínquo, talvez ainda neste século, alguém venha a entender este grande homem incompreendido.

Rio só ainda não percebeu uma coisa: que foi eleito para apresentar uma alternativa à esquerda, não para se entender com ela. Talvez também ele um dia “acabe por perceber”.

Título e Texto: Fra Diavolo, o Diabo, nº 2320, 18-6-2021

As temidas

No Dia Mundial do Médico de Família, a ministra da Saúde, Marta Temido, distribuiu pela blogosfera uma mensagem em vídeo. A intervenção da governante foi citada no site do Serviço Nacional de Saúde britânico, acompanhada de uma legenda que fazia a tradução literal do seu apelido: “Marta Feared”, imagine-se. Ai, que medo!

Menos citada na comunicação social, mas não menos temida pelos adversários, a candidata do centro-direita à Câmara da amadora, Suzana Garcia [foto], aproveitou uma visita de propaganda ao problemático bairro da Cova da Moura para mandar uma mensagem aos traficantes de estupefacientes que por ali abundam:

“Vão traficar para o concelho que vos pariu!”.

Tomada à letra, a admoestação de Suzana levaria muitos dos negociantes de droga para paragens bem distantes…

Título e Texto: o Diabo, nº 2320, 18-6-2021