Aparecido Raimundo de Souza
Para meu Pai Roberto, onde estiver, as
minhas saudades eternas. E aos meus filhos, todas as felicidades do mundo.
A minha vida, desde os 19 de março de
1953, sofre com esse esvaziado. Meu pai nunca me segurou desde os encantos dos
primeiros passos. Não ouviu as minhas primeiras palavras, não esteve ao meu
redor quando careci de conselhos, nem quando celebrei as minhas conquistas.
Cresci ao apego do acaso, carregando um silêncio pesado dentro do peito, um
espaço grandioso e incomensurável que nunca se preencheu — e eu, tolo, abobado,
abestalhado, infantil e leigo, julguei houvesse me ajustado ou me amoldado, ou
ainda, me naturalizado com a densa situação.
Certas coisas, em nossa vida, a gente
por mais que se viva ou queira deixar que passe em branco, tipo assim
despercebido, não gera os resultados esperados.
Até que a notícia chegou do nada: Papai havia morrido. Foi a partir de
então, quando descobri, ou melhor, me conscientizei de que ele já não estava
mais neste mundo. A saudade dele bateu e caiu intransigente. Se fez forte,
corpulenta e grossa, destemida, alentada e fornida. Caiu como um temporal com
ventos destruidores. Estranho, não é mesmo? Esquisito pra caramba, assemelhado
a um membro paralítico que a gente sabe que tem na conjunção do corpo, todavia,
por algum motivo de força maior, não podemos usá-lo.
Se faz inerte. Foi assim ou pior. Foi por esse sentir que a falta dele se apossou de mim. Estagnou. O não estar presente o autor da minha vida, me moldou por completo. Meu Deus, sentir uma falta tamanha de quem nunca esteve presente não é coisa normal. Mas na saudade, ou dentro dela, foi por conta do seu peso malévolo que descobri tarde demais, ela não nasce apenas do que vivemos.





















