Leandro Ruschel
Em 19 de julho, no ato dos 47 anos da revolução sandinista, Daniel Ortega, companheiro de Foro de São Paulo, anunciou que "não haverá mais eleições" na Nicarágua, para que a oposição não chegue ao poder. Sem poder deixar de condenar o autogolpe, a Folha fez o que a militância de redação sabe fazer: saiu à procura de um "equivalente" do outro lado. E escalou Nayib Bukele.
O texto vergonhoso
"esquece" que Bukele foi reeleito em 2024 com quase 85% dos votos,
depois de ter praticamente ACABADO com o crime no país que, em 2015, era o mais
violento do planeta, com 103 homicídios por 100 mil habitantes. El Salvador fechou
2025 com 82 homicídios. Oitenta e dois, no país inteiro, no ano inteiro.
É razoável questionar medidas
do governo Bukele quanto ao devido processo legal, e a reeleição indefinida
aprovada em 2025 merece crítica. Também é certo que nenhum país com aquela
violência encerraria o ciclo do crime sem romper com a lógica dos "direitos
dos manos", em que o criminoso acumula direitos infinitos e a vítima tem
apenas o direito de perecer diante dele, exatamente como ocorre no Brasil.
Só que em El Salvador há
eleição marcada para 2027 e há oposição no parlamento. Ortega acaba de anunciar
que eleição não haverá mais nenhuma.
Mas a principal falha do
editorial nem é a falsa equivalência entre um governo eleito que combate o
crime e um regime comunista sem eleições, que reprime o opositor, não o
bandido.
O maior problema da peça é não
mencionar o Brasil.
A Folha também ignora as centenas de presos, condenados e exilados políticos produzidos pelo estado de exceção brasileiro. Não se trata de dizer que todo mundo que estava em Brasília no 8 de Janeiro era inocente, nem que vandalismo não deva ser punido. Trata-se de olhar para o que foi feito com os réus.













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