Aparecido Raimundo de Souza
Até hoje, no interior, ou nas casas de
fazendas e sítios, nas cozinhas de famílias numerosas ou nas festas populares,
o Tacho se faz uma peça fundamental: ele fica sobre o fogo por horas, recebendo
mexidas constantes, carregado de cheiros que se espalhavam pelo quintal, pela
rua, enfim, por todo o bairro. É considerado símbolo de fartura, de trabalho
coletivo, de refeições feitas com calma e repletado do mais saboroso carinho.
Nesse tom, o nosso Tacho aqui
transformado em formato de crônica, continua sendo aquele trocinho dos tempos
idos, ou seja, segue a sua trajetória trazendo alegrias. É ele, aquele ser
(inanimado), ou aquele ser pervertido, (no bom sentido) que não se sabe por
qual cargas d’água, segue sendo aquele cidadão (cidadão?), que do nada, num
repente, se lhe der na telha, muda a fisionomia alegre e divertida e passa a
espalhar o errado em tudo o que poderia fazer de bom para dar certo.
Este meu texto de hoje, trata disso.
Traz à tona, um Tacho zangado. Tudo começou no começo do final de semana,
quando Dona Carabina de Assunção resolveu preparar um doce de abóbora, a sua
especialidade mais requintada. O Tacho estava guardado num canto da despensa.
Se fazia triste, solitário, tipo assim, querendo trepar no fogão e sentar na
grelha queimadora sentindo o fogo na sua bunda. Por conta disso, se viu tirado
com todo o cuidado, limpo com pano grosso e posto sobre o suporte onde ele
queria realmente estar.
E onde ele queria estar? Nos braços do fogão a lenha, que toda vez que
se via acionado, soltava labaredas altas. A receita a ser posta em ação, se
consubstanciava simples: abóbora madura, açúcar, um pouco de água, cravo e
canela. Mas como toda história que vira calamidade, nessa hora o erro começou
pequeno, quase imperceptível. Dona Carabina de Assunção colocou a abóbora
cortada em pedaços, acrescentou o açúcar, mas por algum motivo se distraiu com
a conversa da vizinha fofoqueira que parou à porta e veio falar do Lula Mula.
Dona Carabina de Assunção odeia essa desgraça.
Pois bem! Por conta dessa conversa, dona Carabina de Assunção esqueceu de mexer o que havia colocado dentro do Tacho logo no começo. Ao se dar conta do erro, vociferou:

















