terça-feira, 11 de maio de 2021

[Versos de través] Os deslimites da palavra

Manoel de Barros 


Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino. 
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.


Título e Texto: Manoel de Barros 

Anteriores: 
Desencanto 
Motivo 
Tateio 
Mulher da vida 
Com licença poética 
O sonho 

[Quadro da hora] A Liberdade guiando o povo


La Liberté guidant le peuple

Autor: Eugène Delacroix

Data: 1830

Técnica: óleo sobre tela

Dimensões: 260  × 325

Localização: Museu do Louvre, Paris

Comment la gauche a perdu son âme

Perdre son âme : le programme commun de la gauche depuis quarante ans

Valérie Toranian

Quarante ans après l’accession de François Mitterrand [photo] à la présidence de la République, que reste-t-il de la gauche ? Totalisant à grand peine 30 % des voix dans les intentions devotes, divisée en trois blocs opposés (Insoumis, PS, Verts) incapables de se mettre d’accord sur un programme et une candidature commune, elle a peu de chance de figurer au second tour de l’élection présidentielle de 2022. En 1981, les socialistes promettaient au « peuple de gauche [de] passer des ténèbres à la lumière », selon la célèbre formule de Jack Lang. Une chose est sûre, quarante ans plus tard, la gauche n’a jamais été aussi éloignée des Lumières. Le côté obscur de la force semble avoir eu raison d’elle : néo-racisme, communautarisme, relativisme culturel, américanisation, défense de la religion contre la laïcité. Le Parti socialiste n’a plus de boussole, les Verts financent les mosquées des Frères musulmans et défilent avec l’extrême gauche contre l’« islamophobie », le nouveau crime de blasphème remis au goût du jour par le camp du bien. Interdiction de critiquer la religion. Tout ça pour ça !, doivent se lamenter Voltaire, Hugo et Jaurès en se retournant dans leurs tombes.

François Mitterrand vote lors du premier tour de l'élection présidentielle, le 27 avril 1981. Photo: Alamy/ABACAPRESS.COM

La gauche avait un sens lorsqu’elle représentait les classes populaires, se battait pour les réformes sociales, valorisait le travail, défendait l’esprit de la laïcité, était fidèle aux valeurs universalistes. La IIIe République, dont on critique tant le bilan à cause du colonialisme, avait réussi à forger un socle unificateur. Une grammaire commune dans laquelle se reconnaissait ceux qui défendaient l’égalité des chances et des droits, qui valorisaient le mérite et chérissaient l’éducation comme pilier de l’émancipation. Le récit national, en grande partie forgé par la gauche, embrassait les grandes heures de l’histoire française, réconciliait dans un même mouvement allant de Vercingétorix à la guerre de 14 « ceux qui croyaient au ciel et ceux qui n’y croyaient pas », les défenseurs de la nation et ceux de la République. Après des décennies de combats violents avec l’église, le principe de laïcité avait été accepté. Au-delà de la loi de séparation de 1905, l’État avait pour mission de protéger la liberté de conscience mais veillait aussi à ce que le religieux n’interfère pas dans la vie publique. Nul ne le contestait plus.

« Pétrifiée par la faute originelle du colonialisme mais aussi par celle de la collaboration (la chambre du Front populaire a voté les pleins pouvoirs à Pétain), la gauche a mis en place une rhétorique implacable pour se faire « pardonner » ses crimes d’antan. »

Quarante ans plus tard, la gauche n’est plus qu’un grand corps malade. La décennie des années 1980 qui l’a portée au pouvoir fut celle de la fin des idéologies, de la chute du mur, de la mondialisation. Le monde d’avant semblait englouti. La désindustrialisation accentuait le sentiment de déclassement. On prétendait que c’était le sens de l’histoire. Les ouvriers ? Une classe révolue. Il s’agissait de conquérir de nouveaux publics : les minorités, les « communautés », les populations issues de l’immigration, nouveau « peuple de gauche ». La fameuse note du think tank Terra Nova de 2011, actant cette mutation de l’électorat de gauche, ne faisait qu’entériner une réalité. Le parti socialiste a-t-il eu raison d’en faire sa bible, son petit livre rose ?

"Tratamento sem eficácia comprovada"?

A guerra que o crime move no RJ tem um lado só, o dos bandidos

Não se diz uma sílaba, entre os militantes da 'justiça social' e nos telejornais, sobre o sofrimento eterno da população das favelas

J. R. Guzzo

A guerra que o crime move há anos contra a população do Rio de Janeiro é uma história que tem um lado só — o lado dos bandidos. Nas classes intelectuais, na bolha em que vivem os políticos e na maioria dos meios de comunicação — para não falar numa vasta porção do aparelho judiciário —, os criminosos são tratados oficialmente como mártires de uma “luta social” dirigida contra os pobres, os negros e os favelados. Não importa, nunca, o que eles tenham feito: todas as vezes em que trocam tiros com a polícia, o Brasil “que pensa” diz automaticamente que houve um massacre — como se as forças da ordem tivessem entrado numa “comunidade” pacífica e começado a matar gente a torto e a direito. Não se diz, jamais, que a polícia se apresentou para cumprir o dever legal de combater o crime e cumprir ordens da Justiça. Nunca se diz, também, que os policiais foram recebidos à bala pelos bandidos, nem que os mortos eram criminosos; são apresentados ao público, simplesmente, como “pessoas” ou “moradores”.

Acaba de acontecer mais uma vez no Rio, com uma operação policial que deixou 29 mortos na favela do Jacarezinho. Desses 29, só um não era criminoso — justamente, um policial civil que participou das ações. Três dos que morreram estavam denunciados pelo Ministério Público e eram procurados pela Justiça. A polícia foi à favela para cumprir ordens legais de desmontar esquemas em que os bandidos dão treinamento de tiro a crianças e adolescentes, e os forçam a estar sempre na linha de frente nos confrontos com a polícia; a adesão é obrigatória, sob ameaça de morte. Parece perfeitamente justo que a autoridade policial tente fazer alguma coisa para combater uma opressão particularmente cruel como essa. É compreensível, também, que abram fogo se são recebidos com granadas e tiros de fuzil automático. Só que não.

A reação da elite foi a mesma de sempre: “Mais uma vez a polícia massacra cidadãos da comunidade”. Segue-se, até o caso cair no esquecimento, uma maciça campanha de propaganda na mídia, no mundo político e na elite, pedindo “punição para os culpados” e verbas para “atender aos interesses da população das comunidades”. Desta vez houve também um manifesto “popular” pela legalização da maconha — armou-se, inclusive, uma comovida declaração de apoio do ministro Luís Roberto Barroso a essa tese. (Seu colega Edson Fachin já havia proibido a polícia de fazer voos de helicóptero sobre as favelas do Rio; também não pode chegar a menos de 100 metros de uma escola, o que transformou o setor escolar num território livre para o crime.)

Rio teve madrugada mais fria do ano

Em Jacarepaguá, a temperatura chegou a bater 14,7°C. No entanto, a expectativa é que a temperatura aumente e chegue a 30°C

Larissa Ventura

Esta terça-feira (11/5) teve a madrugada mais fria do ano na cidade do Rio de Janeiro. No Alto da Boa Vista, ocorreu a menor temperatura do ano: 13,7°C, por volta das 4h30. Em Jacarepaguá, na Zona Oeste, a temperatura chegou a 14,7°C. No entanto, ao longo do dia, a expectativa é que a temperatura aumente.

Foto: Cleomir Tavares/Diário do Rio

Entre 6h e 7h a temperatura na capital fluminense estava em torno de 15°C, mas está previsto que os termômetros cheguem a 30°C durante a tarde.

Para o restante da semana, estão previstas temperaturas parecidas. Na quarta-feira, os termômetros variam entre 15°C e 30°C, com chances de pancadas de chuva.

Já na quinta-feira, o dia deve ser chuvoso. A mínima prevista é de 17°C e a máxima de 25°C.

E na sexta-feira, a previsão é de sol entre nuvens com pancadas de chuva; as temperaturas variam entre 16°C e 26°C.

Título e Texto: Larissa Ventura, Diário do Rio, 11-5-2021

Ladrão finge estar lendo jornal e rouba carro com cachorros dentro em Botafogo

A família fez publicações em redes sociais alertando sobre o crime e o roubo dos cães - Momoa e Lud - e pedindo ajuda das pessoas para encontrar os pets

Larissa Ventura

No último sábado (8/5), uma família da Zona Sul do Rio teve dois cachorros roubados em um assalto. A dona dos animais, Ingrid Meneses, estava com eles no carro, quando parou na Rua Paulino Fernandes, em Botafogo, para ajustar as coleiras. Ela foi abordada por um assaltante que roubou o veículo com os dois cães dentro. O crime aconteceu pouco antes das 14h.

Foto: Reprodução/TV Globo

O ladrão havia passado disfarçadamente pela calçada, aparentando ler um jornal. No entanto, ele voltou e cometeu o crime minutos depois.

Por um momento, eu achei que queria roubar meu celular, mas ele pediu o carro e eu comecei a gritar desesperadamente para ele me dar os cachorros. Mesmo assim, ele levou o carro. Minhas filhas estão dilaceradas“, disse Ingrid.

A família fez publicações em redes sociais alertando sobre o crime e o roubo dos cães – Momoa e Lud – e pedindo ajuda das pessoas para encontra os pets. Porém, até então, não receberam nenhuma informação sobre o paradeiro dos cachorros. A Polícia Militar informou que está apurando o caso.

Momoa e Lud, foto: TV Globo

Título e Texto: Larissa Ventura, Diário do Rio, 10-5-2021

[Aparecido rasga o verbo] A preciosidade ocultada

Aparecido Raimundo de Souza 

BELINHA ERA UMA CRIATURINHA encantadoramente sensual. Seu perfil de menina do interior, com seu sorriso terno e maroto, deixava os homens endoidecidos, principalmente os mais avançados na idade. Não à toa, desde que viera de Araguarí, nas Minas Gerais, para trabalhar no Rio de Janeiro, na casa de tolerância de dona Rosa (por indicação de uma ‘amiga’ de infância que vivia, há tempos, no meio libertino), a freguesia masculina aumentara de forma assustadora.  

Em razão disto, em menos de três meses, dona Rosa, a cafetina, começou a ver, com olhos esbugalhados, seus negócios passaram de um simples comércio capenga para deslanchar, de vento em popa, numa escala de progressão incrivelmente estonteante e meteórica. A rapaziada, a cada noite, aumentava mais e mais o rebuliço, fazendo com que a cáften enchesse as burras e saísse do vermelho à passos de Golias.  

De repente, dona Rosa trocou de carro, aumentou a casa de alvenaria onde funcionava a muvuca, acrescentando mais de uma dúzia de quartos aos treze existentes. Mudou de uma residência relativamente simples, em Pedra de Guaratiba, para um condomínio de luxo, na avenida das Acácias, na Barra da Tijuca. Da noite para o dia, se firmou à alimentar uma conta bancária com numerários vultuosos, num banco onde, meses atrás, mantinha na conta corrente, o suficiente para os gastos com a mantença e o sustento de suas ‘colaboradoras’ na requintada morada de prostituição.  

A mineirinha Belinha se tornara a mais solicitada e a que contribuía com o maior acréscimo de programas para que os rendimentos do rendez-vous triplicassem num abrir e fechar de olhos. Caminho paralelo, a rapaziada só queria a Belinha e havia até uma fila de espera bastante significativa para conseguir subir com ela para o andar superior, onde ficavam dispostos os aposentos dos prazeres mais envolventes.  

As outras partícipes da fratria da carne fraca, e fresca, não permaneciam ociosas. Pelo contrário, não davam conta, tamanha a movimentação que varava das cinco da tarde (hora em que o ‘inferninho’ abria) só terminando o tráfico do ‘entra e sai’ dos usuários, quase às primeiras horas de um novo amanhecer. Apesar da Belinha ser a ‘número um’, a azeitona da empada na preferência da plebe dos machos simpatizantes, as demais do grupo de ninfetas, num total de dezoito rameiras, careciam trabalhar dobrado. 

Todas, sem exceção, se viravam literalmente nos trinta, para darem conta dos tresloucados que desembolsavam uma nota violenta por algumas horas de sexo e prazer regadas a bebidas importadas da zona franca de Manaus e até uns produtos diferenciados vindos diretamente da Cracolândia Paulista. O fato é que, entre trancos e barracos, altos e baixos, em pouco tempo, a Belinha igualmente fez seu pé de meia. Comprou um apartamento no bairro do Leme, um carro quase zero quilômetro e abriu uma conta poupança para, num futuro próximo, largar de vez daquela vida que ela, de antemão, sabia de cor e salteado, não a levaria muito longe. 

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Terrifying moment packed balcony collapses in Malibu captured on video

Yaron Steinbuch

Terrifying video captured the moment a Malibu beach house balcony packed with partygoers collapsed onto the sand and rocks below – wounding nearly a dozen people, two critically, according to reports.

The Los Angeles County Fire Department responded to the scene along the Pacific Coast Highway shortly after 5 p.m. Saturday, KABC reported.

Witnesses told the news outlet that they had gathered for a birthday party when the accident occurred.
“(There were) probably like 10 people on the back deck and we heard a crack and I literally saw all of my best friends and my girlfriend fall 15 feet to the rocks,” one man told KABC. “It was a freak accident. I don’t know how that happens…the deck literally just gave out.”

A total of nine people were evaluated for injuries, including four who were taken to the hospital. Two suffered critical injuries, officials said.

[Discos pedidos] Joe Dassin

Marega deixa FC Porto e assina pelo Al Hilal a custo zero

Ao todo, Moussa Marega fez 72 golos e 33 assistências em 190 jogos com a camisola do FC Porto

Foto: Manuel Fernando Araújo/Agência Lusa

Al Hilal da Arábia Saudita confirmou a contratação de Moussa Marega, avançado do FC Porto. O maliano de 30 anos vai deixar os azuis e brancos no final da temporada, quando terminar o seu contrato, pelo que sai do Dragão a custo zero.

De acordo com o jornal Record, o avançado maliano irá auferir 15 milhões de euros por três épocas de contrato, fora o prémio de assinatura.

Recentemente, numa entrevista ao Porto Canal, Pinto da Costa disse que estava à espera do empresário de Marega para dar início às negociações para a renovação do contrato.

"Com o Marega já comunicámos que estamos interessados em renovar, estamos à espera que o empresário venha cá, porque tem tido dificuldades em viajar para cá. Otávio está preso por detalhes, o Marega assim que o empresário possa vir, negociaremos", disse o líder azul e branco.

O jogador chegou a ser dado como possível reforço dos clubes de topo da Turquia, mas, numa publicação recente na rede social Instagram, negou qualquer tipo de negociações com clubes turcos.

"O meu empresário não falou com nenhum jornalista nos últimos dias. Parem de me associar a clubes da Turquia, não tenho contacto com eles, tudo isso é falso", escreveu o avançado de 30 anos.

Ao defender a polícia e a pauta da segurança, Claudio Castro cresce

Ao defender a ação no Jacarezinho e apostar na pauta da Segurança, o governador Claudio Castro pode ter pavimentado o caminho para sua reeleição

Governador Claudio Castro, foto Philippe Lima/Governo do RJ

Quintino Gomes Freire

Há um erro grande de alguns políticos e de boa parte da imprensa do Rio de Janeiro em achar que a população veria com maus olhos as operações de segurança do governo, as incursões em favelas e mesmo as operações de ordem urbana por parte da Prefeitura. O carioca se sente inseguro, o fluminense não gosta de desordem, por mais que façam uma tentativa de desenhá-los como exatamente o oposto. Quem mora sob o domínio de traficantes e milicianos não está nada feliz.

Foi justamente o fato de tantos políticos viverem em bolhas, distantes do grosso de uma população majoritariamente conservadora, que fez com que Jair Bolsonaro fosse tão bem votado no estado em 2018, e ainda elegesse a reboque um desconhecido juiz, Wilson Witzel (PSC). Ambos defendiam uma pauta de conflito, de defesa da polícia e de combate ao tráfico. Enquanto esta questão era levada para debates acadêmicos por parte dos outros candidatos, que se mostraram tímidos quando o assunto era segurança.

Na verdade, a situação do Rio é tal que o político que tiver um plano de combate ao poder paralelo do tráfico e milícias, mostrando que agirá duramente contra as organizações, tem grandes chances de ser eleito, bastando ter projetos “medianos” para as outras áreas.

Não por acaso, ambos foram bem votados em áreas dominadas pela milícia e narcotraficantes, de tão cansadas que as pessoas estão de viver sob a mira do fuzil. E não ajuda nada quando após uma operação como a do Jacarezinho, mostram na TV a mãe de bandidos gritando pedindo Justiça. Para a maior parte da população, os bandidos mortos é que foram a verdadeira Justiça. As pessoas que vivem em áreas conflagradas não aguentam mais suas filhas sendo obrigadas a sair e se relacionar com traficantes; as senhoras não aguentam mais ter gente separando drogas e embalando cocaína na cozinha das suas casas, e nem os moradores adoram ver pessoas guardando armas debaixo das camas onde dormem.

Essas pessoas que vivem em áreas conflagradas, se comportam em público como querem os “donos da favela”. Depois das incursões policiais, se jogam no chão, queimam pneus, gritam que morreram trabalhadores. O script é seguido à risca. Mas na hora que estão dentro da cabine de votação, o número que digitam muitas vezes é o do candidato que promete acabar com tudo aquilo, inclusive à custa de incursões policiais. Aquele momento de cara-a-cara com a urna eleitoral é um momento pessoal; ali é o local onde ‘falam a verdade’, muito mais do que quando são entrevistados pela TV Local, mostrando a cara. Isso aí é que quem está na bolha da intelectualidade de esquerda não percebe.

[Exclusif] Signez la nouvelle tribune des militaires


Depuis quelques jours, la rumeur courait qu'une nouvelle tribune de militaires allait être dévoilée. Emanant de militaires d'active, elle vient en soutien à celle précédemment publiée sur le site de Valeurs actuelles. Ce texte, qui circule déjà beaucoup et dont les médias se font l'écho, nous avons décidé de le publier. Et de l'ouvrir, en bas de cette tribune, à la signature des citoyens français qui le trouveraient à la hauteur des enjeux qui sont les nôtres.

Tout en continuant, avec une méthodologie exigeante, à nous tenir à la disposition des professionnels des armées qui souhaiteraient y prendre part. Comme la précédente, le but de cette tribune n'est pas de mettre à mal nos institutions mais d'alerter sur la gravité de la situation.

Par valeursactuelles.com
Publié le 9 mai 2021 à 22h18
Mis à jour le 10 mai 2021 à 11h20

Lire

Dialética da inveja

Olavo de Carvalho


A inveja é o mais dissimulado dos sentimentos humanos, não só por ser o mais desprezível, mas porque se compõe, em essência, de um conflito insolúvel entre a aversão a si mesmo e o anseio de autovalorização, de tal modo que a alma, dividida, fala para fora com a voz do orgulho e para dentro com a do desprezo, não logrando jamais aquela unidade de intenção e de tom que evidencia a sinceridade.

Que eu saiba, o único invejoso assumido da literatura universal é O sobrinho de Rameau, de Diderot, personagem caricato demais para ser real. Mesmo O homem do subterrâneo de Dostoiévski só se exprime no papel porque acredita que não será lido.

Agente confessa ódio, humilhação, medo, ciúme, tristeza, cobiça. Inveja, nunca. A inveja admitida se anularia no ato, transmutando-se em competição franca ou em desistência resignada. A inveja é o único sentimento que se alimenta de sua própria ocultação.

O homem torna-se invejoso quando desiste intimamente dos bens que cobiçava, por acreditar, em segredo, que não os merece. O que lhe dói não é a falta dos bens, mas do mérito. Daí sua compulsão de depreciar esses bens, de destruí-los ou de substitui-los por simulacros miseráveis, fingindo julgá-los mais valiosos que os originais. É precisamente nas dissimulações que a inveja se revela de maneira mais clara.

As formas de dissimulação são muitas, mas a inveja essencial, primordial, tem por objeto os bens espirituais, porque são mais abstratos e impalpáveis, mas aptos a despertar no invejoso aquele sentimento de exclusão irremediável que faz dele, em vida, um condenado ao inferno.

Riqueza material e poder mundano nunca são tão distantes, tão incompreensíveis, quanto a amizade de Abel com Deus, que leva Caim ao desespero, ou o misterioso dom do gênio criador, que humilha as inteligências medíocres mesmo quando bem-sucedidas social e economicamente. Por trás da inveja vulgar há sempre inveja espiritual.

Mas a inveja espiritual muda de motivo conforme os tempos. A época moderna, explica Lionel trilling em Beyond Culture, “é a primeira em que muitos homens aspiram a altas realizações nas artes e, na sua frustração, formam uma classe despossuída, um proletariado do espírito.”

domingo, 9 de maio de 2021

Contos loucos dos moucos (LIII) – Era de manhã

Era de manhã quando se levantou. Se arrumou, tomou um expresso da máquina que comprara na semana passada no Ponto Frio. E foi para o trabalho.

Era ainda de tarde quando regressou a casa. Tomou um banho, vestiu o cuecão de seda que lhe servia de pijama e foi tratar do jantar.

Quando terminou de jantar já era de noite.

Anteriores: 
(LII) – Nunca mais esqueci aquele sinal 
Je ne parle pas français 
(L) – 27°C 
(XLIX) – Datas comemorativas 
(XLVIII) – Últimos dias 
(XLVII) – Quem foi? 
(XLVI) – Todo o dia 
Contos loucos dos moucos (XLV) – EUA

Motorista perde o controle e carro invade restaurante em Copacabana

Acidente aconteceu na Rua Domingos Ferreira; até a última atualização desta matéria, não havia informações sobre feridos

Altair Alves

O motorista de um carro perdeu o controle da direção e foi parar dentro da Pizzaria Caravelle, no número 220 da Rua Domingos Ferreira, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, no início da tarde deste domingo (9/5). Até a publicação desta matéria não havia informações de feridos.

Foto: Francis Alves

O acidente chamou atenção de moradores, pedestres e clientes dos inúmeros restaurantes que integram esse trecho de Copacabana, localizado bem no meio do polo gastronômico do bairro.

A Rua Domingos Ferreira, aliás, é tida como uma via tranquila da Princesinha do Mar, onde as pessoas caminham devagar e sem pressa.

Título e Texto: Altair Alves, Diário do Rio, 9-5-2021

[Língua Portuguesa] Dois-pontos: usar para quê?

Mariana Rigonatto

O sinal de dois-pontos é utilizado para citar a fala de alguém, iniciar uma enumeração e introduzir um esclarecimento ou explicação.

Observe o uso dos dois-pontos nos enunciados abaixo:

(1) Olhou para mim e disse: - Queira entrar, por favor!

(2) A Revolução Francesa defendia três ideais: liberdade, igualdade e fraternidade.

(3) Abriu mão do que mais gostava: estar em sala de aula.

Como é possível notar, em cada um dos casos acima, o uso dos dois-pontos possui justificativas diferentes, não é mesmo? Em (1), tal pontuação é utilizada antes da fala de alguém; em (2), a razão do uso está no fato de que os dois-pontos iniciam uma enumeração (os três ideais da Revolução Francesa); e, por último, em (3), observa-se o uso para introduzir uma explicação de algo que foi mencionado anteriormente no enunciado.

Assim, podemos conceituar que os dois-pontos são utilizados para:

· anteceder uma citação ou fala de alguém:
Exemplo:
Sobre o ato de ensinar, Paulo Freire disse: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.”

[Versos de través] Desencanto

Manuel Bandeira


Eu faço versos como quem chora 
De desalento... de desencanto... 
Fecha o meu livro, se por agora 
Não tens motivo nenhum de pranto. 

Meu verso é sangue. Volúpia ardente... 
Tristeza esparsa... remorso vão... 
Dói-me nas veias. Amargo e quente, 
Cai, gota a gota, do coração. 

E nestes versos de angústia rouca 
Assim dos lábios a vida corre, 
Deixando um acre sabor na boca. 

– Eu faço versos como quem morre.


Título e Texto: Manuel Bandeira

Anteriores: 
Motivo 
Tateio 
Mulher da vida 
Com licença poética 
O sonho 
No meio do caminho 

Fabricação de vacina da Fiocruz totalmente no Brasil começa dia 15

Fundação utilizará ingrediente farmacêutico ativo produzido no país

Jonas Valente

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deverá começar a fabricar a vacina da Oxford/AstraZeneca contra a covid-19 com o ingrediente farmacêutico ativo (IFA) produzido no Brasil no dia 15 de maio. A previsão foi feita pelo vice-presidente da instituição, Mario Moreira, em entrevista coletiva do Ministério da Saúde, em Brasília, nesta sexta-feira (7).  

Foto: Amanda Perobelli/Reuters

De acordo com o dirigente, a fundação está em condições de produzir e obteve a certificação de boas práticas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas ainda há procedimentos de avaliação a serem realizados, além do processo do registro definitivo do imunizante.

“Vamos ter que produzir lotes de validação acertados com procedimentos internacionais e a partir daí a gente já começa a produzir em escala industrial. Os testes deverão aguardar o registro definitivo da Anvisa. A expectativa é que em outubro tenhamos a liberação para entregar estes lotes produzidos de maio em diante”, disse Moreira.

A produção com o IFA nacional é resultado de um acordo de transferência de tecnologia entre a Fiocruz e o consórcio formado pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca. Até o momento as doses produzidas dependem de IFA importado da China.

Falta de matéria-prima

A lentidão no envio dessas substâncias tem dificultado o andamento da imunização no Brasil. Na entrevista coletiva, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, foi perguntado sobre as ações para acelerar a liberação dos IFAs pela China diante do quadro da previsão do Instituto Butantan de cessar a produção da Coronavac na semana que vem pela falta da matéria-prima, anunciada pelo diretor da instituição, Dimas Covas.

Quem é Fausto Pinato?


Relacionado:
 
Os tanques chineses contra a imprensa livre

Delegado Da Cunha: A minha opinião sobre a OPERAÇÃO EXCEPTIS - Jacarezinho RJ - Cuidado com manchetes


Relacionado: 

Editorial: Jacarezinho teve Operação Policial, não chacina 

Mãe, o alicerce da vida

Nelson Teixeira

Não importa se é mãe biológica ou de coração, porque só as mães têm o poder de doar-se verdadeiramente, independente da consanguinidade.

Porque o amor de Mãe é sublime, puro e verdadeiro. Por isso a mãe é o alicerce da nossa vida, porque através dela nos posicionamos diante da vida, porque temos a sua mão a nos amparar e a nos socorrer sempre que necessitamos.

Sentimos a sua força apenas em um abraço, porque quando nos toca parece nos acariciar e é por isso que quando estamos ao seu lado somos corajosos e nada nos perturba, porque temos nossa mãe para nos proteger.

Independente se sua mãe está ao seu lado fisicamente ou não, tenha a certeza de que ela jamais abandona você.

Desta forma sabemos que estejam onde estiverem as mães nunca deixam de amar seus filhos, e se as intempéries da vida os afastam é porque existe a necessidade da transformação, mas o seu amor é eterno.

Confie na providência Divina, porque confiou a você uma mãe e essa é a maior riqueza que podemos ter em nossa existência, o amor de uma mãe.

Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 9-5-2021

[As danações de Carina] Sempre assim, com a esperança obstinada

Carina Bratt

Às vezes me pego prisioneira num labirinto de coisas: casa, móveis, louças em cima da pia da cozinha, roupas para serem jogadas na máquina de lavar, passar um pano no chão, dar uma geral no banheiro, tirar o pó dos móveis, trocar o lençol da minha cama, a fronha, colocar o cobertor e o edredom no sol... Entrementes, o telefone celular me faz sair às carreiras para atender e tomar conhecimento de quem está precisando falar comigo.

Foto: Internet

Tudo assim numa loucura bizarra, única e incalculável, não necessariamente nesta ordem paranoica que acima enumerei. A palavra ‘desordem’, creio, pegaria melhor, cairia, a bem da verdade, de excelente tamanho. Como luvas de pelica. Banho tomado, roupas vestidas, sapatos apertados nos pés, lá vou eu... No corredor do prédio onde tenho meu cantinho sagrado, a demora do elevador me tira do sério. Sempre que preciso dele, o infeliz está lá nos quintos do fundo do poço.

Na avenida, em direção ao escritório da empresa, não é diferente. Meu carro em meio a uma ‘cáfila’ de carros buzinando, ônibus soltando fumaças, motos poluindo o ar pesado com seus escapamentos abertos cruzando por todos os lados, e o pior, sem o devido respeito aos veículos. Queria saber quem inventou o ‘sistema corredor’, abrindo a porteira e permitindo que estes loucos, em suas máquinas barulhentas saíssem por ai, como cavalos desembestados como se tivessem num pasto de proporções gigantescas.

E a balbúrdia não para por ai: bicicletas, pessoas fora das faixas de pedestres, sinais (ou semáforos) vermelhos a cada esquina, todos programados erradamente, sem o mínimo de sincronização. Sempre, neste horário, entre dez e onze horas, em que preciso ‘pegar’ a Marginal, o caótico do trânsito faz questão de se mostrar moroso e indelicadamente assarapantado e congestionado. Meu Deus, o que é que estou fazendo aqui?! Onde estava com a cabeça, quando sai do conforto do útero da minha mãe para vir morar nesta bagunça desenfreada e sem precedentes?

Procuro ficar calma. Não me estressar. Um dia ainda irei morar definitivamente no meio do mato. Talvez, em breve, arranje uma Shangri-La, um lugar esquecido no meio do nada, para viver o Horizonte Perdido, não outro senão o do paraíso idealizado pelo escritor James Hilton. Nele, longe da terra, das correrias do dia a dia, criar minhas galinhas, minhas vaquinhas, um cavalo, uma charrete, árvores a se perderem de vistas, e o mais importante: ver meus passarinhos cantando soltos todas as manhãs e vindo comer no terreiro em frente a porta da cozinha.