Obras
completas de Eça de Queiroz, volume VI, Círculo de Leitores, Lisboa, maio de
1980, 678 páginas.
A ação de Os
Maias passa-se em Lisboa, na segunda metade do século XIX, e apresenta-nos
a história de três gerações da família Maia.
A ação
inicia-se no Outono de 1875, quando Afonso da Maia, nobre e rico proprietário,
se instala no Ramalhete com o neto recém-formado em Medicina. Neste momento
faz-se uma longa descrição da casa – “O Ramalhete”, cujo nome tem origem num
painel de azulejos com um ramo de girassóis, e não em algo fresco ou campestre,
tal como o nome nos remete a pensar.
Afonso da
Maia era o personagem mais simpático do romance e aquele que o autor mais
valorizou, pois não se lhe conhecem defeitos. É um homem de carácter, culto e
requintado nos gostos. Em jovem aderiu aos ideais do Liberalismo e foi
obrigado, por seu pai, a sair de casa e a instalar-se em Inglaterra. Após o pai
falecer regressa a Lisboa para casar-se com Maria Eduarda Runa, mas pouco tempo
depois escolhe o exílio por razões de ordem política.
Fruto deste
casamento resultou apenas um filho, Pedro da Maia, que apresentava um
temperamento nervoso, fraco e de grande instabilidade emocional. Afonso
desejaria educá-lo à inglesa, mas Maria Eduarda, católica fervorosa, cujo
fanatismo mais se exacerba ao viver em Inglaterra, país protestante, não o
consente e Pedro é educado por um padre mandado vir de Lisboa. Pedro cresce,
muito ligado à mãe e após a sua morte, ficou inconsolável, tem crises de
melancolia negra recuperando apenas quando conhece uma mulher,
extraordinariamente bela e vistosa, chamada Maria Monforte. Enamora-se dela e,
apesar do seu pai não concordar, devido a rivalidade entre as famílias Maia e
Monforte, casa com ela, o que o afasta do convívio do pai. O jovem casal parte
para Itália e inicia uma vida faustosa.
Nascem-lhes dois filhos: Maria Eduarda
e Carlos Eduardo, sendo que Maria Monforte rejeita fortemente esse último desde
o início da gestação. Pouco depois do nascimento do segundo filho, Maria
Monforte apaixona-se por um príncipe italiano que estava abrigado na casa, após
Pedro feri-lo acidentalmente num acidente de caça, e um dia, Pedro chega a casa
e descobre que a mulher fugiu com o italiano, levando a filha. Desesperado,
refugia-se em casa do pai, levando o filho, ainda bebé. Nessa mesma noite,
depois de escrever ao pai uma longa carta, Pedro suicida-se com um tiro. Afonso
da Maia dedica a sua vida ao neto a quem dá a educação inglesa, forte e
austera, que em tempos sonhara para o filho. Num capítulo do livro essa
educação, considerada a ideal, é contraposta à que umas vizinhas, as senhoras
Silveiras dão ao filho e sobrinho Eusebiozinho.