Paulo Hasse Paixão
Uma das vozes mais influentes da política externa
francesa fez um alerta contundente: a União Europeia está a decair três vezes
mais depressa do que a China Imperial durante o colapso da dinastia Qing, no
fim do século XIX. E a responsabilidade cabe, segundo Luis Vassy, à
incapacidade das suas elites para lidarem com as relações de poder que atualmente
vigoram no mundo
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| Os exércitos estrangeiros da Aliança das Oito Nações celenbram a vitória na Batalha de Pequim, dentro dos muros da Cidade Proibida, em 28 de novembro de 1900 |
Num importante ensaio publicado na Le Grand Continent, Luis Vassy — recém-nomeado diretor da Sciences Po e antigo diplomata francês de alto nível — defende que a Europa não está a conseguir compreender as brutais realidades da política de poder num mundo cada vez mais dominada pela força em vez das regras e valores ocidentais.
O ensaio é particularmente
notável porque parte do próprio estabelecimento francês, e não de vozes
populistas ou eurocépticas.
Vassy escreve que a Europa
passou de uma posição em que projetava as suas ideias, valores e influência
sobre o mundo para uma situação em que o mundo projeta agora as suas ideias,
valores e influência sobre ela.
“As condições de
possibilidade da nossa vida em comum, do nosso modelo social, das nossas
liberdades, da nossa capacidade de escolher coletivamente o nosso caminho, são
determinadas em grande parte por fatores externos a nós”.
O académico francês está aqui
deveras equivocado, porque a responsabilidade pela redução das liberdades dos
povos europeus cabe inteiramente às elites europeias, e não a fatores externos.
Mas adiante.
Entre 1990 e 2005, escreve Vassy, a soma do PIB americano e europeu representava mais de metade da riqueza mundial. Isto abriu caminho às teorias do “fim da história” e à unidade cultural transatlântica. Mas agora, há uma exigência de foco na segurança e na defesa.


















