Paulo Hasse Paixão
No curto documento vídeo que publicamos no fim deste texto, o Professor Jiang Xueqin diz tantas verdades ao mesmo tempo, principalmente sobre a China (o que foi e o que é) que até custa a assimilar as verdades tantas que ele diz. Xueqin tem esta vantagem enorme, para além daquelas com que foi agraciado geneticamente, que é a do seu percurso: um sino-canadiano formado na Ivy Leage; ou seja, um astronauta de vários mundos, filósofo híbrido de culturas e ensinamentos, condição que lhe permite ver tudo de um ponto de vista quase extraterrestre.
Uma boa parte do clip tem até
a ver com assuntos históricos e culturais sobre os quais o Contra já
deixou nota concordante
com aquilo que é dito por Xueqin, que tem substancialmente a ver com os
chineses serem bem mais materialistas e imediatistas do que parecem, menos
estrategas do que os consideramos e continuarem comportar-se dentro do modelo
cultural confuciano: uma nação que se considera, compreensivelmente, dada a
sua escala humana e geográfica, o centro do mundo (o ‘Império do Meio’), e que
nesse sentido considera que não tem nada a aprender com os outros e tudo a
ganhar com a rigidez hierárquica, o respeito pelo seu legado histórico e a as
sua convicções profundamente nacionalistas.
No século XIX, a China,
tecnologicamente inferior às potências ocidentais, foi humilhada por teimar no
seu estático tradicionalismo, recusando valorizar a inovação científica e
tecnológica. No século XXI, apresenta-se orgulhosamente como o motor mundial da
inovação, e por isso continua a não ter nada que aprender com os outros, ou até
que se preocupar com eles.
É a história de duas arrogâncias, na verdade. Se bem que, num caso como noutro, garantiu e garante supremacias que se estendem no quadro cronológico da história universal e são difíceis de restringir ao âmbito regional. A China, para todos os efeitos, será agora a primeira potência global. Como aliás se via a ela própria antes dos ingleses concluírem as Guerras do Ópio ao subirem, impunemente, com a sua frota devastadora de canhões, o Rio Bai até Beijing.





























