terça-feira, 9 de junho de 2026

The FSB Chief Warned That The West’s “Holy Grail Of Hybrid War” Is Being Deployed To The CIS

Andrew Korybko 

AI-assisted infowars could psychologically sever the former USSR’s Turkic populations from Russia

FSB chief Alexander Bortnikov warned during a recent meeting of the Commonwealth of Independent States (CIS) Council of Heads of Security Agencies and Special Services that “The West seeks to disrupt integration processes and undermine stability in CIS countries from within, making nations forget their shared history and trying to pit them against each other in order to take the situation here under control.” This is being advanced in part through new Western “digital laboratories” in the CIS states.

In his words, “According to the information we have, the Western intelligence community is behind programs aimed at establishing a network of digital labs across the Commonwealth, tasked with collecting and analyzing, using AI technologies, standard behavioral profiles of the population, identifying areas of social tension, and modeling public responses to various external factors, including government actions…One of the goals being to implement adaptable scenarios of color revolutions.”

This was foreseen in 2017: ”Russia is accused of ‘exploit[ing] marketing techniques to target individuals based upon their activities, interests, opinions, and values’ in order to ‘disseminate misinformation and propaganda’, but there’s nothing stopping the US from doing this either, nor in crafting the Holy Grail of Hybrid War by ‘integrat[ing] information derived from personal and commercial sources with intelligence collection and data analytic capabilities based on AI and machine learning’”.

[Aparecido rasga o verbo] Eles, outra vez

Aparecido Raimundo de Souza

EXATOS ONZE ANOS ATRÁS, quando escrevia textos para a “Revista Talismã Gold,” de Vitória, no Espírito Santo, publiquei um artigo sobre uma música composta por Herbert Viana, então vocalista do grupo musical ”OS PARALAMAS DO SUCESSO”, onde ele criticava com severa e acirrada ironia o senhor Luiz Inácio Lula da Silva, já naquela época um ladrão safado e pilantra declarado do povo brasileiro. Embora passados onze anos, a pergunta que ficou no ar, sem resposta foi a seguinte: o que mudou desde então? Como ninguém tem colhões e coragem de se declarar, nós mesmos cantamos a resposta. Nada! Infelizmente, nada.

A obra de Herbert Viana fez tanto sucesso que mexeu com os brios desse e de outros cafajestes. Bolinou de tal forma na ferida, que devido ao enorme sucesso alcançado pela poesia e logicamente pelo talento do autor, o grupo chegou a ser o mais pedido e executado em todas as rádios. De repente, do nada, a música desapareceu das paradas como por encanto. As emissoras de rádio deixaram de tocar, as redes sociais da época (levadas pela febre do dinheiro sujo e enlameado), foram proibidas (entre aspas), de executar a referida obra prima, que num estranho piscar de olhos, caiu rapidamente no esquecimento.

Em nosso país falido a coisa funciona assim. Enquanto a porra do dinheiro falar mais alto, nenhum Google, ou You tube, ou outra merda existente bailando nas redes sociais, nenhuma delas terá coragem suficiente de manter no ar, sem censura, uma mídia, sem borrar pernas abaixo. O dinheiro, a grana, a bufunfa, as verdinhas, o faz me rir, sempre estará na frente, não importando o número de pessoas que estejam lincados vivenciando um momento que a nosso ver, deveria, acima de tudo, ser respeitado. Resumindo esse papo, antes de entrar no texto, todos, a meu ver, os charlatões e embusteiros os vermes e os ratos “por detrás das máscaras”, esses impostores que não tem coragem de dar as caras, segue abaixo o texto que escrevi, na íntegra.

Texto publicado em julho de 1995 na “Revista Talismã Gold”, página 34, do exemplar de número 8:

Vasco lança nova camisa ‘Ritmo de Copa’ em homenagem a Portugal

Peça desenvolvida em parceria com a Traktor celebra referências culturais, históricas e esportivas ligadas à fundação do Vasco da Gama

Altair Alves

O Vasco apresentou neste mês uma nova camisa da coleção “Ritmo de Copa”, desenvolvida em parceria com a Traktor. O lançamento ocorre em celebração ao Dia de Portugal e reforça a ligação histórica e cultural do Cruzmaltino com o país europeu.

Inspirada em Portugal, a peça reúne elementos culturais, esportivos e históricos que fazem referência direta a um dos pilares da fundação vascaína. A iniciativa busca valorizar as origens e tradições que ajudam a compor a identidade do clube ao longo de sua história.

Segundo a proposta da coleção, a nova camisa é mais do que um uniforme: trata-se de uma homenagem simbólica à herança portuguesa presente no Vasco e destinada aos torcedores que conhecem e valorizam essa trajetória.

CBF estaria pressionando Lamacchia a desistir da compra da SAF do Vasco

Influência política na CBF coloca negócio entre o empresário Marcos Lamacchia e o Vasco da Gama sob risco de não se concretizar

Altair Alves 

A novela envolvendo a venda da SAF do Vasco ganhou mais um capítulo. Informações de bastidores reveladas pelo jornalista César Guimarães indicam que há uma pressão política dentro da CBF para impedir que o empresário Marcos Lamacchia, conclua a negociação em andamento.

O principal argumento apresentado por setores da entidade é a existência de um possível conflito de interesse, questão que está sob análise da nova agência criada pela CBF para fiscalizar o cumprimento das regras de Fair Play Financeiro.

O suposto conflito de interesses entre o Vasco e a Crefisa tem como centro da discussão a presidente da empresa, Leila Pereira, que também comanda o Palmeiras. A relação da mandatária alviverde com a companhia tem gerado questionamentos sobre ética e regulamentação no esporte brasileiro.

Avião explode durante pouso na República Dominicana

Piloto e copiloto morreram no acidente


AFP

O piloto e o copiloto de um avião particular morreram na queda da aeronave, neste domingo (7), na pista de pouso do Aeroporto Internacional de La Romana, no leste da República Dominicana. 

De acordo com as autoridades aeronáuticas, “a aeronave declarou emergência quando se encontrava a cerca de 16 milhas náuticas [aproximadamente 30 km] a sudoeste de La Romana” e caiu quando retornava ao aeroporto.

“Não foram registrados passageiros”, esclareceu um comunicado do Instituto Dominicano de Aviação Civil, que indicou ainda que são investigadas as causas do acidente desta aeronave modelo Gulfstream G200, um jato privado com capacidade para oito a 18 passageiros.

Um vídeo publicado nas redes sociais mostra uma enorme coluna de fumaça no aeroporto, enquanto caminhões-pipa espalham água para tentar controlar as chamas.

A República Dominicana, no Caribe, é conhecida por suas praias paradisíacas. O turismo é a principal atividade econômica desse país de 11,6 milhões de habitantes.

O acidente ocorreu num aeroporto comercial privado internacional que atende à cidade turística de La Romana.

Título e Texto: AFP, via O Dia, 8-6-2026, 10h05

[Livros & Leituras] Correu bem, miúdo

Anthony Hopkins, Editora Lua de Papel, Alfragide, novembro de 2025, 352 páginas. 

Para os colegas, era o "Cabeça de Elefante", um miúdo estranho, apático, que não se interessava por nada. Os pais, gente remediada de uma aldeia industrial do País de Gales, viam com aflição o filho desajeitado, mau aluno, que inscreveram num colégio interno na esperança de que se emendasse.

Não aconteceu: durante anos opôs-se aos professores com uma insolência feroz, invariavelmente punida com castigos corporais. Porém, uma série de momentos fortuitos começou a empurrá-lo para o palco. Primeiro viu o filme Hamlet e ficou deslumbrado; pouco depois, a deambular pela escola, deparou-se com o ensaio de uma peça de teatro - onde acabaria por se estrear.

Na verdade, já desde pequeno que revelava inclinações artísticas, fosse a desenhar, a tocar piano ou a recitar poemas. Dotado de uma memória prodigiosa, viria a tornar-se um dos mais conhecidos e premiados atores da sua geração - vencedor de dois Óscares, atingiu o pico da fama ao interpretar Hannibal Lecter em O Silêncio dos Inocentes. Mas foi por um triz que esse Anthony Hopkins, que conhecemos das passadeiras vermelhas de Hollywood, não se perdeu. Nesta autobiografia, de uma honestidade notável, recorda o seu tortuoso caminho para o estrelato. Vemos como se foi isolando, como se tornou dependente do álcool, como destruiu o primeiro casamento e alienou para sempre a única filha. 

segunda-feira, 8 de junho de 2026

André Ventura pressiona Portugal para classificar PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas

Após decisão histórica dos Estados Unidos, líder do partido Chega! acusa autoridades portuguesas de minimizar a presença das facções brasileiras na Europa

Timeline 


A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos começa a produzir efeitos políticos também na Europa. Em Portugal, o líder do partido de direita André Ventura defendeu publicamente que o governo português adote a mesma medida e passe a tratar as facções brasileiras como grupos terroristas. 

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Ventura afirmou que tanto Portugal quanto o Brasil vêm permitindo a expansão das atividades das organizações criminosas, que hoje operam além do narcotráfico e mantêm redes ligadas à lavagem de dinheiro, assassinatos por encomenda e outras atividades ilícitas transnacionais. Segundo ele, a hesitação das autoridades europeias tem favorecido o avanço dessas estruturas criminosas dentro do continente. 

A manifestação ocorre poucos dias depois de os Estados Unidos oficializarem a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras, medida anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio e que entrou em vigor em 5 de junho. A decisão amplia instrumentos de combate financeiro, cooperação internacional e aplicação de sanções contra indivíduos, empresas e estruturas ligadas às facções. 

Homem pula nas Cataratas do Iguaçu para pegar celular

Ação foi registrada por visitantes do parque


O Dia

Um turista se jogou nas águas das Cataratas do Iguaçu para tentar recuperar um celular que havia deixado cair, neste sábado (06), em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. O momento foi registrado por visitantes do local.

O caso aconteceu quando o homem estava em uma passarela. Em imagens que circulam na internet, é possível observar que ele pula a grade de proteção da estrutura e fica pendurado. Em seguida, desce até o rio, se abaixa e recupera o aparelho. Depois do "resgate", ele se apoia novamente na grade e retorna à passarela. A ação dura menos de um minuto.

A façanha causou uma grande agitação entre os visitantes do parque, que pararam para ver a cena. O turista que pulou na água não teve a identidade revelada.

[Sétima Arte] J. Edgar

J. Edgar é um filme americano de 2011, do gênero drama biográfico, dirigido por Clint Eastwood e escrito por Dustin Lance Black.

O filme foca na carreira do Diretor Federal do FBI J. Edgar Hoover a partir do Palmer Raids em diante, incluindo uma especulação de que ele fosse homossexual. 

O filme é estrelado por Leonardo Di Caprio, Armie Hammer, Naomi Watts, Damon Herriman, Ed Westwick, e Jeffrey Donovan. 

Enredo

O longa explora a figura de um dos homens mais enigmáticos do século XX: John Edgar Hoover (Leonardo DiCaprio).

Um dos principais responsáveis pela criação do FBI e seu homem forte por 48 anos, ele foi temido e admirado por várias décadas, mas em sua vida pessoal mantinha segredos grandes o bastante para acabar com sua reputação e sua carreira. Wikipédia 

IMDb: 6,5 


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Hamnet 
The fall guy 
Seven – Os sete crimes capitais 
8 Mile 
Lethal Weapon 2

domingo, 7 de junho de 2026

Korybko To CNN: The Ukrainian Conflict’s Outcome Is Still Far From Decided

Andrew Korybko 

One of their leading foreign affairs commentators argued that an infliction point has already supposedly been reached whereby Russia’s strategic defeat is predestined, but upon scrutinizing the claims that they presented in support of that conclusion, it’s clear that this isn’t the case at all

CNN recently published an article by Brett McGurk, who was the Biden Administration’s National Security Council Coordinator on the Middle East-North Africa, declaring that “Russia is losing in Ukraine. Xi has noticed — Trump should too”. The gist is that shifting on-the-ground dynamics, speculative casualty counts, and Ukrainian deep strikes inside Russia have already predestined Russia’s “strategic defeat”. Xi is thus supposedly biding his time on Taiwan and Trump should put more pressure on Putin.

In the order that McGurk made his case, the on-the-ground dynamics first shifted after Russia’s pullback from Kiev shortly after the special operation began as part of the British- and Polish-sabotaged Istanbul peace process, so there’s nothing new in principle about the battlelines moving back and forth. As for his second point, neither side’s estimates of their own and the other’s casualty counts should be taken at face value as is the case in any conflict, nor should their respective partners’ tallies be either.

And finally, Ukraine’s deep strikes inside Russia are a predictable outcome of this protracted conflict after Ukraine received unprecedented levels of military-technical, logistics, and intelligence support from NATO, thus making the gradual evolution of its respective capabilities unsurprising. Taken together, his claim that “Russia is losing in Ukraine” is premised on giving the arguments that he made the benefit of the doubt, which will only be done by those whose preexisting assumptions were confirmed by his piece.

Suécia reduz idade penal para 13 anos e cria prisões para menores envolvidos com gangues

Após anos de explosão da violência ligada ao crime organizado, governo sueco abandona modelo permissivo e aposta em punições mais duras para adolescentes recrutados por facções criminosas

Timeline

A Suécia está prestes a promover uma das mais profundas mudanças em sua política criminal nas últimas décadas. Diante do crescimento da violência associada às gangues e do recrutamento cada vez mais precoce de adolescentes para o crime organizado, o governo apresentou uma proposta que reduz a idade de responsabilização penal de 15 para 13 anos e cria unidades prisionais específicas para menores condenados por crimes graves.

A medida representa uma mudança radical em um país que, durante anos, foi apontado como exemplo de políticas sociais voltadas à recuperação de jovens infratores. Agora, autoridades admitem que o modelo adotado até aqui fracassou diante da nova realidade do crime organizado.

Nos últimos anos, a Suécia registrou uma escalada de tiroteios, atentados a bomba e assassinatos relacionados a disputas entre gangues. Muitos desses crimes foram executados por adolescentes recrutados por organizações criminosas que utilizam redes sociais para aliciar jovens e até crianças.

Segundo estimativas das autoridades suecas, o país conta atualmente com cerca de 17.500 integrantes ativos de gangues e aproximadamente 50 mil pessoas ligadas, direta ou indiretamente, às organizações criminosas. Algumas dessas facções chegam a recrutar crianças de apenas 11 anos para atuar como mensageiros, vigias ou até executores de homicídios.

A resposta do governo foi abandonar a estratégia baseada exclusivamente na assistência social. Pela nova legislação, menores entre 13 e 15 anos envolvidos nos crimes mais graves poderão ser enviados para unidades prisionais especialmente adaptadas para essa faixa etária.

Éric Zemmour: ”Il faut réémigrer les éléments les plus hostiles à nos sociétés”

[As danações de Carina] Nada além de um verdadeiro caos total

Carina Bratt

NAQUELE APARTAMENTO, o barulho ensurdecedor pulsava constante. A mãe falava alto, sempre aos berros e as suas palavras se perdiam no ar, sumiam no vento, como se fossem apenas mais um som entre tantos. Os filhos, indiferentes, não obedeciam. Cada um mergulhado na tela do celular, se tornara companhia inseparável nas refeições. Reinava soberano entre o café da manhã, o almoço, o lanche da tarde e o jantar… sempre com o aparelho ao lado, como se fosse mais importante as merdas vistas, que os pratos de comidas servidos à mesa.

Em paralelo, na cozinha, a pia acumulava um amontoado de louças estocadas a bel prazer. Ninguém se oferecia para lavar um prato. Os banhos que deveriam ser indispensáveis, se viam adiados, esquecidos, deixados de lado, como se a rotina básica de higiene tivesse perdido o seu real valor. E, em meio a tudo isso, as vozes dos filhos ecoavam ainda mais altas que a da mãe, numa disputa de volume que não tinha vencedores, apenas um saco de gatos miando fora de tom. A bem da verdade, naquele pedaço de chão, se constituía numa prole que vivia junta, mas cada um divorciado da consanguinidade, ou seja, cada um, enfurnado em seu próprio mundo particular e digital.

O dia a dia, que deveria ser espaço de encontros e cuidados, se transformara em um palco de desencontros e ruídos. O silêncio verdadeiro, aquele que necessariamente prestaria a pairar sobre todos, nunca chegava. Alardeava a sensação tenebrosa de que todos falavam, ou melhor, berravam, mas ninguém realmente se dava ao luxo de escutar. Naquele apartamento, onde dominava o furdunço, tinha companhia um ser de quatro patas. Enquanto a mãe gritava e os filhos falavam ainda mais alto, todos se reuniam na sala para comer, ou tão somente para mandar para a barriga o café da manhã, bem ainda para o almoço ou o jantar, sempre lembrando, com o Tik Tok batendo continência.

O cachorro, esperto e atrevido, aproveitava a oportunidade: pulava no sofá como se fosse mais um integrante da prole e, sem que houvesse impedimento, o danado metia o focinho no prato, comendo como se um ser humano fosse. A cena espúria e pervertida, se fundava e se fundia aos olhos de quem vinha de fora, para lá de depravada, embora a maioria entendesse aquele absurdo como imprudente e descomedido. Tipo um caos abastardado e sem fim. As louças cotidianas seguiam firmes acumuladas na pia. Lembrava um prédio alto abandonado aos reveses do tempo. 

Onde é? Qual o nome? 😉

sábado, 6 de junho de 2026

[Versos de través] Sétimo dia da Paixão

Manuel Cândido Pimentel

As coisas familiares tornaram-se estranhas. Perderam o nome. 
Quero crer que existe um deus das flores a que oro,
que encha de mistério as coisas,
um deus que te receba algures…
e digo para mim baixinho que é o deus da criação…
o que brinca nos prados
… o deus das margaridas…
Imponderável, ele veio no meu sétimo dia da Paixão,
desceu da copa das árvores num raio de sol fugitivo
e entrou pelas vidraças da nossa casa.
Embebi-me na luz…
Senhor das rosas e outras flores, eu creio!

Manuel Cândido Pimentel, Casa da Calçada, 8-1-2024 

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sexta-feira, 5 de junho de 2026

A decadência da UE é três vezes mais rápida do que a queda da dinastia Qing

Paulo Hasse Paixão

Uma das vozes mais influentes da política externa francesa fez um alerta contundente: a União Europeia está a decair três vezes mais depressa do que a China Imperial durante o colapso da dinastia Qing, no fim do século XIX. E a responsabilidade cabe, segundo Luis Vassy, à incapacidade das suas elites para lidarem com as relações de poder que atualmente vigoram no mundo 

Os exércitos estrangeiros da Aliança das Oito Nações celenbram a vitória na Batalha de Pequim, dentro dos muros da Cidade Proibida, em 28 de novembro de 1900

Num importante ensaio publicado na Le Grand Continent, Luis Vassy — recém-nomeado diretor da Sciences Po e antigo diplomata francês de alto nível — defende que a Europa não está a conseguir compreender as brutais realidades da política de poder num mundo cada vez mais dominada pela força em vez das regras e valores ocidentais.

O ensaio é particularmente notável porque parte do próprio estabelecimento francês, e não de vozes populistas ou eurocépticas.

Vassy escreve que a Europa passou de uma posição em que projetava as suas ideias, valores e influência sobre o mundo para uma situação em que o mundo projeta agora as suas ideias, valores e influência sobre ela.

“As condições de possibilidade da nossa vida em comum, do nosso modelo social, das nossas liberdades, da nossa capacidade de escolher coletivamente o nosso caminho, são determinadas em grande parte por fatores externos a nós”.

O académico francês está aqui deveras equivocado, porque a responsabilidade pela redução das liberdades dos povos europeus cabe inteiramente às elites europeias, e não a fatores externos. Mas adiante.

Entre 1990 e 2005, escreve Vassy, ​​​​​​​​a soma do PIB americano e europeu representava mais de metade da riqueza mundial. Isto abriu caminho às teorias do “fim da história” e à unidade cultural transatlântica. Mas agora, há uma exigência de foco na segurança e na defesa.

[Aparecido rasga o verbo] O Tranco do Jeep

Aparecido Raimundo de Souza

O JEEP vivia entre estradas de terra e poeira, acostumado ao barulho das pedras contra a sua lataria e ao cheiro de gasolina misturado com aventura. O bicho era bruto, sincero, sem frescura. Apesar disso, numa tarde ensolarada, ao cruzar a avenida principal de uma cidade onde nunca havia estado antes, ele viu passar uma estonteante Mercedes toda reluzente, deslizando como se fosse feita de seda e silêncio.

Acostumado a arrancar com trancos e soluços, o Jeep sentiu, pela primeira vez, o seu motor bater diferente: não era falha mecânica, mas o coração acelerado batendo de forma diferente dentro do seu e isso o deixou desvairado. A Mercedes, com seus faróis que pareciam olhos de rainha, olhou para o Jeep e sorriu com o reflexo cromado.

O Jeep, ainda meio atordoado pela beleza da deidade, tentou se aproximar, porém, cada vez que engatava a marcha, vinha aquele tranco característico, quase num tropeço desajeitado. A Mercedes ria. Logo de cara achou graça daquela tentativa sincera e desajeitada A certa altura, Mercedes vendo a aflição do pobre coitado, se aproximou e disse:

— Você não precisa ser ou parecer ser suave —, disse ela com o ronco discreto do motor. Devo lembrar que eu gostei do seu jeito bruto, porque nele vi, logo de cara, uma verdade pura que nunca me deixou preso nas mãos da dúvida.

Por conta dessas palavras, do nada, nasceu uma paixão meio improvável: o Jeep, com sua força de trilha, e a estonteante Mercedes, com a sua elegância de salão refinado. Nesse cruzamento das diferenças, descobriram com a continuidade da conversa que o amor não se fazia sobre andar na mesma velocidade, porém, cada um aceitar o ritmo do outro.

O Jeep nunca deixou de dar seus trancos. Todavia, agora cada solavanco se transformou em uma música melodiosa. E a Mercedes, que antes só conhecia o deslizar perfeito, aprendeu que às vezes é no sacolejo da estrada que se encontra a verdadeira poesia que transforma a vida e, de roldão, as aventuras se formam avassaladoras.

O Jeep seguiu a sua rotina de estrada, acostumado ao barulho da terra e ao cheiro dominador das aventuras. Todavia, a partir daquele dia tudo mudou da água para o vinho e, do nada, a vida de ambos, se tornou inesquecível. Com isso, desde aquele instante quando ao entrar na cidade, ou melhor, ao dar de cara com a exuberante Mercedes deslizando como se fosse feita de vento repletado da mais suave e doce felicidade, seu coração perdeu o tino.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

O Fingidor e o Espelho


Marcos Paulo Candeloro

Há uma distinção que a filosofia moral estabeleceu há séculos e que o debate político brasileiro insiste em ignorar por conveniência: a distinção entre o mentiroso e o fingidor. O mentiroso conhece a verdade e a oculta deliberadamente. O fingidor faz algo muito mais sofisticado e muito mais perturbador. O indivíduo treina diante do espelho até que a performance adquira verossimilhança suficiente para convencer, antes de tudo, a si mesmo. Stanislavski chamou esse método de identificação total do ator com o personagem. A política brasileira transformou o conceito em método de governo. 

Lula não mente. Essa é a tese desconfortável que a oposição sistematicamente recusa a enfrentar porque, se enfrentada com honestidade intelectual, tornaria muito mais complexa a tarefa de combatê-lo. O mentiroso possui um ponto de vulnerabilidade preciso: o momento em que a verdade emerge e a contradição se torna indefensável. O fingidor não possui esse ponto. Ele não pode ser desmascarado porque não há máscara. Há apenas camadas sucessivas de convicção construída. 

Ortega y Gasset descreveu o homem-massa como aquele que perdeu a capacidade de distinguir entre sua opinião e a realidade. O que vivemos no Brasil é algo mais específico e mais patológico. Uma classe política que aperfeiçoou o mecanismo de produção de falsa consciência ao ponto de torná-la genuína. O afegão médio mais desinformado do Brasil compreende, sem necessidade de elaboração teórica, que um governo sustentado por militantes subsidiados não representa o povo no sentido republicano do termo. Qualquer observador razoável compreende. O fingidor não compreende. E não compreende porque precisar compreender destruiria a performance. 

O que Lobaczewski identificou em seu estudo da ponerologia política é que certos perfis psicológicos desenvolvem uma capacidade extraordinária de construir realidades alternativas autossustentáveis. O sistema de crenças se fecha sobre si mesmo. O povo, nesse sistema, não é a totalidade dos cidadãos com suas contradições e pluralidades. O povo é o conjunto de pessoas que usam camiseta vermelha nos atos subsidiados. O povo é a turma da mortadela. O povo é o militante remunerado. E isso não é cinismo. É ontologia. Para o fingidor, o povo honorário não é metáfora. É a definição real, a única operacionalmente válida. 

As múltiplas personalidades de Alexandre de Moraes: vítima, relator e julgador

Alexandre Garcia

Alexandre de Moraes, que é o relator de tudo no Brasil, liberou para julgamento no STF uma ação que acusa Eduardo Bolsonaro do crime de coação contra o Supremo no julgamento do pai dele, Jair Messias Bolsonaro. Explicando: o Supremo é a vítima, e a vítima vai julgar o suposto agressor. Não é incrível? É incrível – a acepção da palavra “incrível” é algo em que não é possível acreditar, de tão absurdo que é. Mas isso não é novidade: no 8 de janeiro, há gente acusada de planejar o sequestro e o assassinato de Moraes, e o próprio Moraes é relator e julgador. Nenhuma escola de Direito aceitaria uma coisa dessas, mas é o que acontece no Brasil.

Foto: André Borges/EFE

Era previsível que tentassem incluir Flávio Bolsonaro nos inquéritos

Como era previsível também, uma vez que Flávio se tornou candidato, também virou alvo. Há pedidos do Psol e do PT para incluir Flávio nesse mesmo caso, alegando que ele foi para os Estados Unidos para pedir aos americanos que pressionassem o Supremo. O líder petista, Lindbergh Farias, acionou a Procuradoria-Geral da República pedindo a inclusão de Flávio, e agora um deputado do PSOL, Henrique Vieira, pediu a mesma coisa. Era de se esperar, até porque Flávio não só é candidato, mas também aparece nas pesquisas como o principal adversário de Lula.

A esquerda também se aproveita da relação entre Flávio e Daniel Vorcaro, quando o senador pediu ao banqueiro que pagasse o que ele havia se comprometido a desembolsar para a produção do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. A defesa de Vorcaro está preparando uma segunda versão da delação; na primeira, ele já tinha prometido devolver R$ 60 bilhões. Isso é praticamente o orçamento do Exército Brasileiro inteiro! Vorcaro tinha tudo isso? É incrível! E, se ele tinha tudo isso para devolver, é claro que ele tem reservas de toda ordem, bens imóveis, ativos de giro, em paraísos fiscais, em nome de laranjas...

Polícia Federal recupera e devolve seis peças sacras históricas à Igreja de Santa Luzia

Tocheiros foram localizados em uma loja de antiguidades

O Dia

Seis tocheiros sacros foram devolvidos à Igreja de Santa Luzia, no Centro, nesta quarta-feira (3). As peças, confeccionadas em madeira entalhada, dourada e policromada, ornamentavam o primeiro degrau do altar-mor do templo, que é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Os itens foram recuperados pela Polícia Federal (PF).

As peças, confeccionadas em madeira entalhada, dourada e policromada, ornamentavam o primeiro degrau do altar-mor do templo tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)Divulgação PF

A recuperação ocorreu após uma investigação iniciada a partir de uma denúncia que indicava que os objetos estavam em um estabelecimento de antiguidades e leilões. Com base nas informações recebidas, agentes federais deram início às diligências para localizar e identificar os bens.

Segundo a PF, a confirmação da origem dos itens foi possível após análises técnicas realizadas pela Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente (DMA). Fotografias históricas do acervo da Irmandade da Virgem e Mártir Santa Luzia foram comparadas com os objetos encontrados, o que permitiu comprovar que os tocheiros pertenciam ao conjunto sacro do templo.

[Fotografando por aí] Fátima

2-6-2026, foto: JP
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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Forca trocada

Rafael Nogueira

Semana passada, Flávio Bolsonaro esteve no Salão Oval, em Washington, e passou pelo Departamento de Estado. Hoje tudo foi resumido por Lula numa sequência de frases infelizes. E foi a fala do presidente que mais uma vez nos deu exemplo do mau estado do debate público nacional.

Recapitulemos, porque a memória brasileira anda curta, seletiva e meio bêbada. Entre 26 e 28 de maio, Flávio foi recebido por Donald Trump na Casa Branca, encontrou-se com autoridades americanas e defendeu a tese segundo a qual Comando Vermelho e PCC já não são só problemas de delegacia, porque são organizações com domínio territorial, redes internacionais e capacidade de desafiar o Estado.

As facções brasileiras deixaram de caber na segurança pública convencional, por mandarem em territórios, infiltrarem-se na economia e humilharem o cidadão comum, superando o banditismo comum por inaugurar uma soberania paralela — o verdadeiro problema de soberania de que padecemos.

Diante disso, Lula de novo perdeu a compostura. Comentando a ameaça de novas tarifas americanas, chamou os filhos de Bolsonaro de “vendilhões da pátria”, “traidores” e invocou a Inconfidência Mineira, dizendo que, por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, delator de Tiradentes, teria sido enforcado. E perguntou: “O que merecem os traidores da pátria?”

A resposta é da história, essa velha senhora que não frequenta comícios petistas. Joaquim Silvério dos Reis não foi enforcado. Nunca. Jamais. Recebeu vantagens, honrarias, pensão, proteção e morreu de morte natural no Maranhão, em 1819. Quem subiu ao cadafalso, em 21 de abril de 1792, foi Tiradentes. O traidor prosperou. O patriota foi à forca.

Não lhes trago preciosismo de professor corrigindo prova. Lula quis chamar o adversário de Joaquim Silvério e acabou entregando-lhe a túnica heroica de Tiradentes. Pior: reservou para si o papel do carrasco, daquele que aponta o dedo, distribui a pecha de traição e pergunta o que deve acontecer com o inimigo.

Dirão que foi força de expressão. Mas palavras presidenciais não são conversa de boteco. Um chefe de Estado fala com a liturgia do cargo, com a caneta que nomeia, com o aparato que pune e com a máquina que investiga.