Carina Bratt e Ellen de Souza
NA PEQUENA VILA VELHA, o tempo parece correr
diferente. Há dias em que o vento sopra lembranças, e outros em que o sol
insiste em iluminar conquistas. Foi nesse cenário que Aparecido Raimundo de
Souza chegou aos seus 73 anos, não como quem apenas soma dias, mas como quem
coleciona histórias.
Aparecido é daqueles homens que carregam no
olhar a marca da experiência. Cada ruga é um mapa de caminhos percorridos, cada
gesto revela a paciência de quem aprendeu que a vida não se mede em pressa, mas
em permanência. Aos 73, ele não celebra apenas o número, mas o peso das
memórias: os amigos que ficaram, os que partiram, os sonhos que se realizaram e
os que ainda esperam sua vez para florescerem. E florescerão.
Na mesa do café, hoje pela manhã, nessa
quinta-feira, rodeado pela neta inseparável, Ellen de Souza, o Aparecido falará
pouco, mas quando abrir a boca, todos escutarão. Suas palavras têm a força de
quem já viu o mundo mudar muitas vezes, e a serenidade de quem sabe que o
essencial é permanece: e nesse permanecer, celebrar o Afeto, a Fé e a
Esperança. Sobretudo, a Esperança.
A crônica de seus 73 anos, hoje, aos 19 de
março, os netos João Eduardo e Heitor, embora ausentes, dirão ‘Vô, nós te
amamos’. Esse dia, para ele, um pouco entristecido, não é feito de grandes
feitos familiares, ou mesmo heroicos, mas no fundo, bem lá no fundo, de
pequenas vitórias cotidianas, o sorriso ao ver os netos de suas filhas Amanda e
Luana se dando bem na vida, o orgulho de ter sustentado a sua casa com trabalho
honesto, bem ainda a alegria simples de encontrar os vizinhos na rua e trocar
histórias.