sexta-feira, 25 de setembro de 2026

57.098 acessos!

Hoje, 25 de setembro de 2026, 14h (RIO)/18h (LIS): 57 098 visitas!

Ontem: 45 975

Queres fazer o favor de atacar o meu país?


Paulo Hasse Paixão

Não haverá por certo registo histórico de um momento, como o que vivemos agora, em que tantos dirigentes políticos se tenham mostrado tão desejosos de serem bombardeados pelo inimigo.

Os líderes ocidentais têm feito tudo o que podem e não podem para provocar o Kremlin, com uma profusão demente de falsas bandeiras, sabotagens inventadas, retórica incendiária, sanções draconianas e apoio financeiro, militar e de inteligência à Ucrânia, que tem resultado em ataques devastadores no interior do território russo. A ideia é clara: levar os poderes instituídos em Moscovo a atacar um país europeu para depois invocar o artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte, que em teoria colocaria os Estados Unidos e todos os países membros da Nato, de Portugal à Turquia, em pé de guerra com a Rússia.

Mesmo que isso implique, ou precisamente porque isso implica, necessariamente, um conflito termo-nuclear.

Mas o Kremlin tem mostrado uma contenção quase insuportável de testemunhar. E Putin tem dito e redito que não planeia atacar a Europa. Ainda no fim de semana passado recusou a ideia, mesmo depois da capital russa ter sofrido um ataque massivo com milhares de drones e dezenas de mísseis de fabrico ocidental, conduzido por dados de inteligência e navegação ocidentais.

Confrontados com esta teimosia dos russos, que recusam o engodo, por farto e guloso que seja, os suspeitos do costume sobem a parada, anunciam que estão já em guerra, que a Rússia já atacou, que temos que estar preparados para morrer no conflito, que devemos sacrificar tudo em nome da russofobia. 

Alemanha: o crepúsculo do centro. A reconfiguração política e o fim do modelo ocidental tradicional


Francisco Henriques da Silva

1. A erosão do consenso centrista e o colapso do modelo ocidental.

A atual instabilidade política europeia, visível claramente na Alemanha, na passagem de Frau Merkel para Herr Merz, não é apenas um soluço cíclico. É o sinal final da falência do sistema. O que vemos é a desordem de um modelo de governo de centro que, ao ignorar as bases da estabilidade social, acelera o fim do nosso mundo. Esse cenário de queda da civilização, previsto por autores como Stefan Zweig, Oswald Spengler e Arnold Toynbee, manifesta-se agora por meio de uma elite que continua a não reconhecer os fatores que causam sua própria queda.

As principais causas dessa falência residem na incapacidade do “centrão” de lidar com as tensões da modernidade. O espaço político ficou ocupado por um “wokismo desbragado”, pelo envolvimento em guerras externas sem propósito estratégico e pela falha em controlar os fluxos migratórios desordenados. Essa negligência intencional trouxe insatisfação e alimentou uma “guerra civil larvar” que ameaça a coesão social ocidental. A teimosia das elites em não admitir o fim do modelo tradicional acelera esse incêndio. Isso transforma o que deveria ser um debate de ideias em uma ruptura existencial. Diante do beco sem saída em que estamos, o surgimento de novas alternativas não é acaso. É uma necessidade para sobreviver diante do fim de um centro que abriu mão do seu papel de estabilizar. 

2. Os sete pilares da mudança global. Uma nova proposta de orientação.

Devemos ver a ascensão da direita radical como um desafio organizado e multidimensional ao status quo “verde e globalista”, e não apenas como uma reação passageira. O sucesso político desse grupo reside em criar uma resposta estruturada às falhas do consenso centrista. Isso se apoia em sete pilares principais:

Soberania: A retomada da autonomia do Estado-nação diante da interferência de instâncias supranacionais que enfraquecem a soberania.
Fronteiras: A reestruturação do controlo rigoroso funciona como o último garante da segurança e da integridade territorial.
Identidade: A defesa firme do legado cultural e civilizacional diante das pressões de uma globalização que busca tornar tudo igual.
Família: Proteger o núcleo social primário é essencial para manter a estabilidade demográfica e intergeracional.

Eles já sabem o que fazer quando perderem

Cinco anos de decisões que mexeram no tabuleiro, um Supremo em guerra interna e uma campanha que desidrata. Faltava só uma desculpa. E ela acabou de ser protocolada

Rogerio Pires


Na quinta-feira passada, dia 17, Eduardo Bolsonaro parou em frente ao prédio do Departamento de Estado, em Washington, e disse uma frase que muita gente em Brasília tratou como exagero: “Eu vejo a preparação de uma narrativa pra tentar anular a eleição brasileira”.

Ele citou a Romênia. Citou a sessão do Supremo de dois dias antes, em que ministros associaram a crise do caso Master a uma trama contra a democracia. E disse ter levado a preocupação a integrantes do governo Trump.

Foi chamado de alarmista. De exilado ressentido. De quem enxerga fantasma em tudo.

Seis dias depois, o fantasma ganhou número de processo.

O que foi protocolado

Na quarta-feira, dia 23, a onze dias do primeiro turno, a coligação de Lula, “Brasil Pronto pra Mais”, entrou no TSE com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral contra Flávio Bolsonaro, o vice Alfredo Gaspar e o próprio Eduardo. O processo é o de nº 0602222-72.2026.6.00.0000 e está com o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.

A acusação é de abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação. A tese central é uma só: interferência estrangeira. Segundo a coligação, Flávio e Eduardo teriam transformado sanções, tarifas e ataques às urnas, articulados com autoridades americanas, em armas contra Lula.

“Sou seu irmão”: a amizade de Alcolumbre e Vorcaro

Reportagem apresenta declarações de amizade, conversas sobre articulações políticas e encontros privados; presidente do Senado havia negado conhecer o ex-dono do Banco Master

Timeline


Mensagens atribuídas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, revelam uma proximidade que contrasta com a versão apresentada pelo parlamentar de que não conhecia o banqueiro. Segundo reportagem da revista Veja, os diálogos foram encontrados pela Polícia Federal no celular de Vorcaro e incluem declarações de amizade, pedidos de ajuda e referências a encontros privados. A negativa de Alcolumbre teria ocorrido em uma reunião com outros senadores.

“Sou seu irmão. Pra vida toda”, escreveu Alcolumbre, conforme a transcrição publicada pela revista. Vorcaro respondeu: “E eu seu. A qualquer tempo pra qualquer coisa. Nunca vou esquecer”. Em outra mensagem reproduzida na reportagem, o senador chama o interlocutor de “meu amor” e agradece pelo “carinho e amizade fraterna”.

A publicação descreve uma relação que não se limitava às manifestações de afeto. Segundo a Veja, Alcolumbre procurava Vorcaro até para tentar descobrir a fonte de um jornalista, enquanto o banqueiro recorria ao parlamentar para obter acesso a interlocutores políticos.

Relação com Vorcaro e resistência à CPI

A revelação das conversas coloca em evidência a atuação de Alcolumbre diante dos pedidos de investigação parlamentar sobre o Master. A revista afirma que, em maio, o presidente do Senado utilizou mecanismos regimentais para impedir a criação de uma CPI destinada a apurar as conexões políticas do caso. “Esse assunto não pode ser o prioritário neste momento”, justificou o senador, segundo a publicação.

[Aparecido rasga o verbo] Teoria da gaveta

Aparecido Raimundo de Souza

EXISTE UMA SABEDORIA simples, corriqueira, que a gente vai descobrindo devagar, aos poucos, com o passar dos anos, e que eu particularmente cognominei de “teoria da Gaveta”. Tal teoria diz assim: “cada pessoa que chega à nossa vida, cada momento, cada amor, cada alegria ou dor, tudo cabe numa gaveta própria”. 

Uma gaveta feita sob medida, com nome e endereço, e nenhuma se mistura com a outra. Essa teoria nos leva a acreditar piamente que o tempo é o grande armário. E nós, sem perceber, vamos arrumando tudo lá dentro, acertando com cuidado ou às vezes às pressas, empurrando, guardando, fechando a porta do armário, esperando que fique tudo quieto, que não incomode, que não volte mais.

Tem gaveta que abrimos com facilidade, assim meio de leve, como quem dá um sopro, ou toca uma flor. Ali ficam as coisas leves: o riso de quem amamos, um dia de sol vindo diretamente das profundezas da infância, uma palavra de amor, de carinho, de felicidade, de lembranças que alguém nos disse quando mais precisávamos.

A porta desse armário abre sempre quando menos se espera. E quando isso ocorre, às vezes escancara o que queremos, e o ar que sai de dentro dela é bom é benfazejo, traz calor, traz lembrança e o melhor de tudo, renova aquela esperança imorredoura que acolhe. Tem outras ocasiões, porém, que ficam pesadas, se deterioram com a madeira já inchada de tanta umidade e choro guardado.

Choro sentido, lacrimoso, e plangentemente duradouro. Ali nessas lágrimas dolentes, estão os trocentos erros que cometemos, as despedidas que doeram, os amores que se foram sem nenhuma explicação plausível, bem ainda as promessas que quebramos ou que despedaçaram conosco. Essas gavetas, todas elas a gente empurra com força, para a barriga, impulsiona, estimula, bate a tampa, às vezes até sem percebemos, trancamos e como se nada tivesse acontecido.

O fato é que a gente segue adiante, caminha fingindo que não existe, que está vazia, ou que o armário é pequeno e não cabe mais nada. Mas a regra maior dessa teoria é esta: nenhuma gaveta some, desaparece, cria asas e voa porque a gente esquece ou fecha e esquece dela e no pior dos mundos, abandona. Ela continua ali, no mesmo lugar, gruda no sangue, se faz intacta, com tudo o que tem dentro, ou seja, nem envelhece, nem perde o sentido, nem deixa de ser uma parte de nós.

Jorge Jesus valoriza vitória em estreia por Portugal: ‘Estivemos bem’

Técnico foi contratado para substituir Roberto Martínez, que deixou o comando da seleção depois da Copa do Mundo de 2026

Theo Faria

Recém-contratado, Jorge Jesus fez sua estreia no comando de Portugal na vitória por 1 a 0 sobre o País de Gales, na última quinta-feira (24), pela rodada de abertura da Liga das Nações. O técnico comemorou o resultado e fez questão de elogiar o desempenho da seleção, apesar de frisar que alguns jogadores podem render mais dentro de campo.

Foto: Patricia de Melo Moreira/AFP

 “O resultado é sempre importante, porque todos analisam o resultado. Eu analiso o resultado, mas analiso também a organização defensiva da equipe, por exemplo. O País de Gales hoje deu um chute ao gol. Um chute. Defensivamente, a equipe conseguiu segurar esta vitória”, iniciou o treinador.

“Foi importante não sofrermos, porque estamos sempre mais perto de vencer. Individualmente, há jogadores que conseguem fazer melhor, mas, naquilo que interessa, que é a ideia de jogo, para o primeiro jogo, estivemos bem”, complementou.

Ele também explicou a substituição de Cristiano Ronaldo, que saiu para a entrada de Gonçalo Ramos no decorrer do segundo tempo: “Foi o que o jogo ditou. Faltavam 25 minutos, eu precisava de um jogador fresco para pressionar. Poderia não ter, tecnicamente, a qualidade do Cristiano, mas sabia que o Gonçalo nos ia dar velocidade defensiva. Foi o que ele fez. Estou satisfeito”.

Atitude de jogadores da Seleção em chegada na Austrália gera polêmica

Torcedores criticaram o comportamento dos atletas durante ritual de boas-vindas dos australianos para novos visitantes no país


João André Pombo

A seleção brasileira desembarcou na Austrália, nesta quinta-feira (24), para jogar os dois primeiros jogos amistosos da Data Fifa. Após deixar o aeroporto, a delegação foi surpreendida com um ritual de boas-vindas para novos visitantes, feito pelos aborígines australianos.

A reação dos jogadores à recepção deixou os internautas bem incomodados, alegando que estariam desrespeitando a cultura alheia.

Veja o momento abaixo:

24-9-2026: Oeste sem filtro – Roberta Luchsinger determinou pagamentos a Lulinha + PT escolhe Dino para julgar “interferência estrangeira” nas eleições + Lula quer acabar com as bets para catar votos a dez dias do pleito

Relacionados:
Ameaça de proibição das bets comprova: não é seguro investir no Brasil 
A mulher que se recusou a desistir 
23-9-2026: Oeste sem filtro – Janja excluída + Zanin nega abertura de CPI do caso Master no Senado + 14 países seguem EUA e classificam PCC e CV como grupos terroristas + Flávio peita TRE e exibe quadro de Jair 
O gato, o palanque e a indignação seletiva 
Pietro Antonelli vira alvo por seguir Jair Bolsonaro nas redes sociais 
22-9-2026: Oeste sem filtro – Mendonça acusa m. de abuso de autoridade + Lula faz campanha eleitoral em discurso na ONU (que surpresa!) + Fux sorteado Relator de ação sobre acesso de Vorcaro ao Senado 

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Israel, a obsessão do mundo

Leah Levy Cohen Ligia 

Ontem escrevi sobre Lula. Hoje é a vez de Macron. Mudam o sotaque, a gravata, o idioma e a pose diante do púlpito, mas Israel permanece no mesmo lugar: o banco dos réus da Assembleia Geral da ONU. É impressionante perceber que o mundo está pegando fogo em vários cantos, mas, quando os líderes internacionais chegam a Nova York, parece existir apenas um incêndio digno de discursos inflamados, gestos indignados e lágrimas protocolares: Israel e Gaza.

A guerra entre Rússia e Ucrânia continua, e não estamos falando de uma crise distante, mas de uma guerra no quintal da Europa, com drones, mísseis, cidades atacadas e ameaças cada vez mais próximas das fronteiras. A situação não está apenas preocupante, está fedendo, e Macron sabe disso, tanto que há poucos dias alertou para o aumento dos ataques híbridos russos contra a Europa e a própria França.

Mesmo assim, na ONU, Israel continua despertando uma indignação que nenhum outro conflito parece provocar. Macron falou em justiça, soberania, direito internacional e no retorno da “lei da selva”, criticou Israel e afirmou que a situação em Gaza deveria envergonhar o mundo. Até aí, nenhuma novidade, porque culpar Israel na ONU já faz parte do protocolo, quase como testar o microfone antes do discurso. O problema foi quando, embalado pela própria eloquência, declarou que o Hamas nunca havia operado na Cisjordânia.

Talvez Macron conheça uma versão alternativa do Hamas, uma espécie de filial organizada que respeita fronteiras administrativas e atua exclusivamente dentro dos limites de Gaza. Porque o Hamas real, aquele que recruta, financia e planeja atentados também na Judeia e Samaria, aparentemente não foi apresentado ao presidente francês. Nada como falar com absoluta convicção sobre uma realidade que não se conhece, pois essa segurança dos desinformados é sempre impressionante.

Sobre as razões do ódio à Rússia

Paulo Hasse Paixão 

Boris Johson assusta-se com a sua própria falsa bandeira. Setembro de 2026, fronteira da Ucrânia com a Polónia

É convicção do ContraCultura que o motivo fundamental da hostilidade das elites ocidentais para com a Rússia é que esta é a última nação verdadeiramente cristã no mundo. E que vive muito bem com o seu património histórico, cultural e religioso. Ironicamente, é o Kremlin que guarda, no século XXI, o legado da Civilização Ocidental. E é isso que incomoda o globalismo luciferino do eixo Bruxelas-Washington, fundamentalmente: a fé cristã, o tradicionalismo, a responsabilidade de um povo que vive historicamente, com consciência de si e dos seus valores, com devoção à pátria e ao seu significado, e com o consequente respeito pelos seus antepassados.

A teoria de VertigoPolitix, explanada num post que foi entretanto censurado pelo X, será assim incompleta. Mas nem por isso incorreta. Os recursos são sempre alvo da cobiça alheia, na geopolítica da coisa, principalmente considerando o liberal-globalismo, niilista e imperialista e ávido e ultra materialista que domina nos tempos que correm os corredores do poder neste lado do hemisfério.

“Em 2010, foi descoberto o campo de gás de Yuzivska no Donbas, contendo combustível suficiente para abastecer todo o continente europeu durante 60 anos. Barack Obama pressionou o então presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, para permitir que as empresas norte-americanas o explorassem, mas o pedido foi negado. A CIA orquestrou então um golpe de Estado na Ucrânia e estabeleceu um Estado fantoche em 2014.

A NATO interveio e começou a construir cidades-fortaleza ao longo das fronteiras perto de enclaves étnicos russos na região de Donbas, na Ucrânia, gastando 30 mil milhões de dólares no processo. Após seis anos de intenso bombardeamento de artilharia contra alvos civis, Kiev enviou 90.000 soldados para a sua fronteira leste no final de 2021, o que levou Putin a solicitar (com base no artigo 51.º do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas) uma Operação Militar Especial para proteger os cidadãos russos — em perfeita conformidade com o direito internacional.

Pastorear «carneiros» para a mobilidade sustentável

Telmo Azevedo Fernandes

Em 2019 o país já tinha uma Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Ciclável e como isso aparentemente não bastava, em 2023 surgiu também uma Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Pedonal. Confesso que não sei se existe uma Estratégia Nacional para Subir Escadas ou para Atravessar Ruas, mas sei que, agora, o governo do Dr. Montenegro decidiu integrar tudo numa única nova Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa. 

Os nossos políticos entenderam que andar de bicicleta e andar a pé, atividades que a humanidade dominava antes da invenção do Estado moderno, necessitam agora de planos, grupos de trabalho, e estruturas administrativas. Dizem que o objetivo é a “transferência de utilizadores” do transporte individual para modos considerados sustentáveis, havendo até um eixo destas políticas dedicado a “cultura e comportamentos”. 

A mentalidade dos nossos decisores públicos não dá para mais. Em vez de se ocuparem a construir passeios melhores ou eliminar buracos das ruas, entendem que escolhas dos seus concidadãos são erradas e por isso há que alterar comportamentos de forma administrativa. Parte-se da conclusão de que há uma proporção correcta de cidadãos que se deve deslocar a pé, de bicicleta ou de automóvel, e depois tenta-se reorganizar centralmente as cidades para aproximar a realidade das tabelas de virtude imaginadas pelos burocratas. 

Porém, o objetivo deveria ser maximizar acessibilidades, reduzir tempos e custos de deslocação, melhorar segurança e corrigir externalidades reais. E se, em resultado disso, mais pessoas caminharem ou andarem de bicicleta, óptimo. Mas se continuarem a preferir o automóvel porque é a solução mais conveniente à sua vida concreta, isso não constitui uma falha moral nem administrativa. 

A mulher que se recusou a desistir

Da carreira como delegada ao drama vivido com as filhas no Brasil e nos Estados Unidos, a trajetória de Rebeca Ramagem e a decisão de transformar dor e adversidade em uma nova missão

Rogerio Pires 

Há dias em que a vida muda sem pedir licença. Para Rebeca Ramagem, um deles começou na porta de um avião.

Era 17 de novembro de 2025. No Galeão, ela embarcava para os Estados Unidos com as duas filhas, uma de 14 anos e outra de 7. Na entrada da aeronave, agentes da Polícia Federal apresentaram um mandado de busca pessoal assinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

As malas foram retiradas do voo e abertas uma a uma. Celular, computadores e outros objetos foram apreendidos. Segundo Rebeca, até o aparelho da filha caçula foi levado.

Para quem acompanha o noticiário, são palavras técnicas. Mandado. Busca. Apreensão.

Para uma menina de sete anos, é outra coisa. É ver estranhos mexendo nas roupas da família. É olhar para a mãe cercada de agentes e não entender o motivo.

Rebeca contou depois que as filhas entraram em pânico. Já dentro do avião, gravou um vídeo com as duas ao lado. “A mamãe tomou uma busca”, disse. E completou: “A gente é forte. Juntas.”

Confesso que, de tudo o que li sobre esse caso, foi essa palavra que ficou comigo. Juntas.

Quem é Rebeca

Rebeca tem uma trajetória que fala por si.

Foi delegada da Polícia Civil de Roraima por 12 anos e chefiou a Delegacia de Defesa da Mulher. Passou boa parte da vida do outro lado do balcão, atendendo mulheres em situação de violência e fazendo valer a lei.

[Viagens & Destinos] Vendaval em Copacabana: Nascer do sol com ventania forte na praia

Um vendaval forte atingiu o Rio de Janeiro e eu fui registrar tudo de perto!

Neste vídeo, começo no calçadão de Copacabana, na altura do Posto 2, e desço até a beira da praia para mostrar a força do vento durante o nascer do sol.

As aves, incluindo gaivotas, enfrentavam dificuldade para voar em meio à ventania intensa.

Depois, subo de volta ao calçadão, já na divisa entre Copacabana e Leme, sigo pela Avenida Princesa Isabel e entro na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, onde encerro o passeio.

Um retrato real de como o Rio de Janeiro enfrenta os fenômenos climáticos mais intensos, direto das ruas e da praia.

Título, Texto e Vídeo: Ruas e Lugares, 22-9-2026

Anteriores:
Ilha do Governador de Carro 🚗🇧🇷 | Estrada do Galeão até à Praia da Bica – Rio de Janeiro 
O caminho alternativo para os Arcos do Leme: testamos a sugestão de um amigo do canal 
De Botafogo a Copacabana: de carro e depois visto do céu 
O caminho que poucos conhecem para chegar a Copacabana 
A vida na melhor região para morar do Rio de Janeiro 
Barra da Tijuca — A vida no bairro mais moderno do Rio

23-9-2026: Oeste sem filtro – Janja excluída + Zanin nega abertura de CPI do caso Master no Senado + 14 países seguem EUA e classificam PCC e CV como grupos terroristas + Flávio peita TRE e exibe quadro de Jair

[Daqui e Dali] Pode haver leigos na Igreja?

Humberto Pinho da Silva

Quando se reconhece que pouco ou nada se sabe de certo assunto, é costume dizer "Sou leigo nessa matéria!"

Na Igreja não deve haver fiéis que sejam leigos. Todos os cristãos devem ser evangelizadores – por palavras, ações e conduta de vida. 

Igreja de Santo António, Lisboa

Evangelizar é trazer alguém a Cristo. Não é angariar prosélitos para que a Igreja cresça em quantidade, pouco se preocupando com a qualidade.

O neófito, uma vez convertido, precisa de integrar-se num grupo de crentes, que pode ser, ou não, o mesmo do evangelizador.

Billy Graham, um dia disse: “O convertido ou reconvertido, após haver corrido várias comunidades, inclina-se para a de seus pais e avós”. Cito de cor.

Na Igreja há muitas tarefas. O sacerdote pode indicar, conhecendo a capacidade, educação, e conhecimentos adquiridos por cada um.

Uma é tarefa de todos: evangelizar. Mas, para o fazer, precisa de estar preparado para enfrentar o mundo.

Na Bíblia existem passagens obscuras, que só se percebe devidamente depois de bem esclarecidas. É recomendável frequentar com assiduidade a catequese para adultos, ou a aula dominical. Se o catecúmeno escolhe a Católica, pode integrar-se na Igreja diocesana ou comunidade, com poucas diferenças. Exemplo: Franciscanos, Beneditinos, Dominicanos etc., etc. Ou a mais recente, semelhante às pentecostais, que atualmente encontra-se em grande expansão. Possui canais de TV e emissoras de rádio, a "Canção Nova".

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Desesperadamente à procura de soldados

Paulo Hasse Paixão

Há um amplo conjunto de imbróglios políticos e sociais relacionado com a propaganda regimental no Ocidente, sempre que tenta mobilizar as massas para a guerra com a Rússia.

No caso deste artigo da BBC, dá vontade de perguntar: quando se coloca em dúvida se “nós” estamos psicologicamente preparados para a guerra, que “nós” é este? 

O pronome da primeira pessoa do plural não pode certamente incluir os cidadãos de “extrema-direita”, negacionistas-racistas e inimigos do Estado, que o regime britânico prende ao ritmo de 34 infelizes por dia. Não se pode esperar destas pessoas desprezíveis que estejam psicologicamente preparadas para uma guerra inventada pelas elites que as desprezam, ou que vão combater em nome de quem as encarcera a torto e a direito por delito de opinião, certo? Ainda assim, trata-se de uma boa fatia da população (na verdade todos os que têm objecções às políticas de imigração e asilo do Reino Unido). Vamos estimar, de forma muito conservadora, considerando por exemplo as sondagens que colocam o Reform UK no topo das preferências eleitorais no país, em 25% dos britânicos.

Depois, temos os cidadãos de “extrema-esquerda”, uma boa parte daqueles que votam trabalhista, que votam no YouParty de Jeremy Corbyn e noutros pequenos partidos comunistas e socialistas que existem na Grã-Bretanha. Não serão estes com certeza que o regime pretende engajar para a união cívica e o voluntarismo militar: ou têm viva simpatia pelos russos (muitas vezes decorrente de uma equivoca nostalgia soviética) ou puro nojo do país em que nasceram. Num ou noutro caso, não são propriamente os recrutas ideais para carne de canhão. Constituem seguramente uns bons 20% da população total e aqui já temos quase metade da base de recrutamento completamente anulada.

O genocídio

Henrique Pereira dos Santos

Antes do escrito: Ana Sá Lopes tem hoje uma crónica delirante (o contrário é que seria de estranhar) no Público em que faz uma coisa habitual no jornalismo militante: pega na declaração de Montenegro de que não quer ser o pai da austeridade, que se refere, evidentemente, ao gasto público imprudente do governo de Sócrates, e diz que Montenegro está a chamar pai da austeridade a Passos Coelho. Logo que vi a declaração de Montenegro, apesar da sua interpretação ser linear e simples, disse para os meus botões que não tardaria a ser acusado de estar a chamar pai da austeridade a Passos Coelho. Delirantes, ainda vá, frequentemente até é divertido. Mas não podiam ser um bocadinho menos previsíveis? 

Falemos então do genocídio em curso, levado a cabo pelos Israelitas para eliminar os palestinianos. 

Comecemos num ponto arbitrário, o momento da fundação do Estado de Israel, em que haveria cerca de 630 mil judeus e 1,3 a 1,4 milhões de árabes a que poderemos chamar palestinianos (havia ainda uma minoria relevante de cristãos). 

De acordo com os mais radicais defensores da ideia de genocídio em curso, desde esse momento que Israel vem executando um genocídio, que se traduz hoje na existência de cerca de 14 milhões de palestinianos em todo o mundo, incluindo os cerca de 1,7 milhões em Israel, três milhões e picos na Cisjordânia, dois milhões e picos na faixa de Gaza e três milhões e picos na Jordânia que anexou parte da Palestina histórica há uns anos largos). 

Mas isto é contra a vontade de Israel, argumentar-se-á. 

Talvez, mas dentro de Israel havia uns 150 mil palestinianos, depois da guerra da independência, e hoje são dez vezes mais e Israel reconhece-lhes todos os direitos cívicos e políticos. 

A Faixa de Gaza foi administrada por Israel depois da guerra dos seis dias (nos trinta anos anteriores tinha sido administrada pelo Egipto), durante quase quarenta anos, até Israel retirar unilateralmente, entregando o governo da Faixa de Gaza a palestinianos. 

Uma oportunidade de ouro para executar um genocídio como deve ser, visto que dentro das fronteiras de Israel o genocídio terá falhado: nestes quase oitenta anos a população árabe de origem palestiniana multiplicou-se por dez. 

[Quadro da Quarta] A Festa de Baco

The Feast of Bacchus (Sine Cerere et Baccho friget Venus), 1640. Pintura de Jan Brueghel  le Jeune (1601-1678) e Jan Balen (1611-1654) 

Anteriores:
Interior com jovem mulher ao piano 
Cristo na coluna  
A Escola de Atenas 
Adoração dos Magos 
[Quadro da Quarta] O Anjo caído 
Le cardinal Richelieu sur la digue de Rochelle 
Declaração de Independência, EUA, 4 de julho de 1776

O gato, o palanque e a indignação seletiva


Leah Levy Cohen Ligia

Ontem, Lula subiu novamente à tribuna da ONU e fez o que já virou tradição em seus discursos internacionais: vestiu a beca de juiz do Oriente Médio, proferiu a sentença contra Israel e voltou para casa convencido de que acabara de resolver aquilo que judeus e árabes não conseguiram resolver nos últimos cem anos. Chamou de genocídio a guerra travada pelo governo Netanyahu, reservou uma frase protocolar aos atos terroristas do Hamas e ainda concedeu a Francesca Albanese o selo presidencial de proprietária da verdade. Tudo muito equilibrado, naturalmente. De um lado, uma organização terrorista que invadiu casas, assassinou famílias, violentou mulheres e sequestrou civis. Do outro, o país que ousou sobreviver ao ataque. Para o atual governo brasileiro, porém, parece que legítima defesa tem prazo de validade, especialmente quando quem se defende é judeu.

É perfeitamente possível criticar Netanyahu, questionar decisões militares, sofrer com a morte de civis palestinos e exigir que toda guerra respeite limites. Eu mesma não terceirizo meu pensamento a governo algum. Mas existe uma distância enorme entre criticar políticas israelenses e transformar Israel na origem de todos os males do planeta. Quando a indignação de alguém só funciona diante de Israel, enquanto permanece em repouso absoluto diante do Irã, da Síria, do Iêmen, do Sudão, do Afeganistão e de tantas outras tragédias, talvez não estejamos diante de consciência humanitária. Talvez seja apenas o velho antissemitismo que trocou a suástica pelo lenço palestino, aprendeu algumas palavras novas e passou a se apresentar como militância progressista.

No Brasil, isso já deixou de ser um acidente isolado. O antissemitismo não apenas cresceu: acomodou-se, tirou os sapatos e colocou os pés sobre a mesa. Judeus são cobrados publicamente pelas decisões de um governo situado a milhares de quilômetros, escolas judaicas reforçam a segurança, símbolos religiosos precisam ser escondidos e qualquer manifestação de medo recebe como resposta uma palestra sobre Netanyahu. O preconceito agora vem com bibliografia, palavras em inglês e aparência de virtude. E quando o próprio presidente da República repete acusações máximas contra Israel, concede credibilidade automática aos seus acusadores e trata como verdade revelada uma narrativa profundamente contestada, ele talvez não esteja redigindo uma autorização oficial para odiar judeus, mas certamente está oferecendo aos antissemitas um salvo-conduto moral carimbado no Palácio do Planalto.

Grupo que alugou o Colégio São Paulo, no Arpoador, anuncia reforma para abrir escola que pode ser a mais cara do Rio

Unidade da Concept terá capacidade para 800 alunos, com mensalidades que podem atingir R$ 12 mil; reforma prevê novos espaços de aprendizagem e café na cobertura com vista para a praia

Victor Serra 

Quase dois anos depois do anúncio do fim das atividades do tradicional Colégio São Paulo, na Vieira Souto, o imóvel que ocupa um dos endereços mais valorizados do Rio já tem novo destino. O Grupo SEB, que alugou o complexo educacional no Arpoador, vai transformar o espaço em uma unidade da escola Concept, com previsão de abertura em fevereiro de 2028.

A mudança, segundo os executivos da marca de ensino, será radical. O prédio que funcionou por 103 anos sob responsabilidade da Congregação das Irmãs Angélicas de São Paulo passará por uma reforma completa, com projeto do escritório americano Perkins&Will. A característica fachada de mármore do conjunto modernista será substituída por uma nova proposta arquitetônica.

A unidade será a quarta escola Concept do país, que já possui operações em São Paulo, Salvador e Ribeirão Preto. A previsão é receber até 800 alunos e começar com turmas da Educação Infantil ao 4º ano do Ensino Fundamental, para crianças a partir de 1 ano. A grade será ampliada gradualmente nos anos seguintes.

O projeto terá cerca de 10 mil metros quadrados, mais de 20 ambientes colaborativos e 34 espaços de aprendizagem. Entre eles estão bibliotecas, estúdios de podcast, laboratórios, espaços maker, parques de exploração e descoberta e pátios. O complexo também terá quadra poliesportiva, áreas para aulas de lutas e dança e auditório. Na cobertura, está previsto um café com vista para a praia.

Pietro Antonelli vira alvo por seguir Jair Bolsonaro nas redes sociais

Ator virou alvo de críticas por seguir o ex-presidente nas redes. A coluna pergunta: desde quando follow virou declaração de voto?

Andrei Lara 

Pietro Antonelli, ator de Quem Ama Cuida, virou alvo nas redes depois que internautas descobriram que ele seguia Jair Bolsonaro no TikTok. A repercussão rendeu críticas e, depois, o ator deixou de seguir algumas contas.

E daí, gente?

É curioso como algumas pessoas transformaram a lista de quem alguém segue numa espécie de prontuário ideológico. Agora, aparentemente, não basta saber em quem a pessoa vota. É preciso fiscalizar quem ela acompanha, quem curte e, daqui a pouco, até quem aparece no “Para Você”.

A coluna não sabe em quem Pietro vota. E, francamente, um follow não é urna, filiação partidária nem declaração de amor.

FC Porto VLOG | A vitória no Clássico 🐉💙