domingo, 28 de fevereiro de 2021

Donald Trump makes his first major media appearance at the Conservative Political Action Conference.

The Independent, 28-2-2021


Abaixo o terceiro vídeo do discurso de Donald Trump na CPAC, no passado domingo, 28 de fevereiro. Vamos ver se resistirá à censura do YouTube…

The Conservative Political Action Conference (CPAC) wrapped up on Sunday with a special guest appearance by the 45th President of the United States, Donald J. Trump.

FOX 35 Orlando, 1-3-2021

Cem anos de pedofilia

Olavo de Carvalho

Foto: Henri- Cartier Breson

Na Grécia e no Império Romano, o uso de menores para a satisfação sexual de adultos foi um costume tolerado e até prezado. Na China, castrar meninos para vendê-los a ricos pederastas foi um comércio legítimo durante milênios.

No mundo islâmico, a rígida moral que ordena as relações entre homens e mulheres foi não raro compensada pela tolerância para com a pedofilia homossexual.

Em alguns países isso durou até pelo menos o começo do século XX, fazendo da Argélia por exemplo, um jardim das delícias para os viajantes depravados (leiam as memórias de André Gide, Si le grain ne meurt).

Por toda parte onde a prática da pedofilia recuou, foi a influência do cristianismo – e praticamente ela só – que libertou as crianças desse jugo temível.

Mas isso teve um preço. É como se uma corrente subterrânea de ódio e ressentimento atravessasse dois milênios de história, aguardando o momento da vingança. Esse momento chegou.

O movimento de indução à pedofilia começa quando Sigmund Freud cria uma versão caricaturalmente erotizada dos primeiros anos da vida humana, versão que com a maior facilidade é absorvida pela cultura do século.

Desde então a vida familiar surge cada vez mais, no imaginário ocidental, como uma panela de pressão de desejos recalcados.

No cinema e na literatura, as crianças parecem que nada mais têm a fazer do que espionar a vida sexual dos seus pais pelo buraco da fechadura ou entregar-se elas próprias aos mais assombrosos jogos eróticos.

O potencial politicamente explosivo da ideia é logo aproveitado por Wilhem Reich, psiquiatra comunista que organiza na Alemanha um movimento pela “libertação sexual da juventude”, depois transferido para os EUA, onde virá a constituir talvez a principal ideia-força das rebeliões de estudantes da década de sessenta.

Quanto o governo federal repassou para o seu Estado

Podem não saber o que dizem, mas sabem o que fazem e sobretudo o que querem: controlar tudo e todos

Arrasar brasões ou defender o racismo como exclusivo dos brancos não são doidices, mas sim as peças soltas da obra de desconstrução da sociedade livre. A PSP e os tribunais são os próximos alvos

Helena Matos


A coisa chegou envolta naquele palavreado dos amanhãs que cantam: “IGAI quer mudar recrutamento de polícias e rever formação para acabar com discriminação“. No caso concreto a intenção anunciada pela Inspeção-geral da Administração Interna de “acabar com discriminação” significa nada mais nada menos que o assumir de um claro controlo ideológico esquerdista no acesso à PSP: “Nos testes psicotécnicos [feitos no recrutamento] temos essa proposta de criar um grupo de trabalho que integre psicólogos de forma a poder criar uma grelha de testes que seja apta a captar a existência, por exemplo, de um indivíduo que tenha um ideário nazi ou que seja adepto da supremacia branca. Vamos convocar psicólogos para a área do recrutamento” – anunciou a inspetora-geral da Administração Interna, Anabela Cabral Ferreira. A senhora inspetora-geral nunca ouviu falar dos casos de racismo entre cabo-verdianos e guineenses em Portugal? Ou entre ciganos e negros? Não acha, por exemplo, a IGAI que “a grelha de testes” deve também captar estes casos? E a propósito de ideários por que referir o nazi e deixar de fora o comunista ou o fundamentalismo islâmico? É caso para dizer que a IGAI não está à procura de psicólogos, mas sim de controleiros!

Mas coloquemos a questão de outro modo: a senhora inspetora-geral teria coragem para dar outros exemplos? Ou que os poderia dar sem que se armasse uma polémica viral? E será que pode esclarecer o que leva a que os concursos de recrutamento para a PSP estejam a confrontar-se com uma até agora inédita falta de candidatos? Recordo que em 2020 das mil vagas ficaram mais de 200 por preencher porque não apareceram candidatos!

Mas o “por exemplo” da senhora inspetora-geral não se esgota na questão do recrutamento dos futuros agentes da PSP, leva-nos também ao ente politicamente mais útil deste momento, o tal “indivíduo que tenha um ideário nazi ou que seja adepto da supremacia branca”. Este indivíduo, como a inspetora-geral bem sabe e prova com os exemplos que escolheu dar, faz parte do equipamento básico de quem agora está na vida pública e política: no tempo em que era de bom tom sair de casa logo pela manhã havia quem não conseguisse pôr o pé na rua sem levar consigo um chapéu de chuva, agora ninguém dá um passo na política sem ter ao lado para anatemizar o tal “indivíduo que tenha um ideário nazi ou que seja adepto da supremacia branca”.

Série de eventos vai marcar os 90 anos do Cristo Redentor

Calendário de eventos será divulgado nesta segunda-feira

Alana Gandra

Os cariocas vão conhecer amanhã (1º) cedo o calendário de eventos que marcarão os 90 anos do Cristo Redentor. O lançamento oficial da festa coincide com a data do aniversário da cidade do Rio de Janeiro, que completa 456 anos de fundação.

Foto: Luciola Vilella/MTUR

A Festa dos 90 Anos do Cristo Redentor ocorrerá entre os dias 9 e 17 de outubro deste ano, na Marquês de Sapucaí, e terá o desenvolvimento sustentável como eixo norteador, desde a concepção dos festejos, sua organização, até as atividades no Sambódromo. O Setor Cristo Sustentável estará presente com a Vila Sustentável e o Ação de Amor do Cristo Redentor, incluindo várias parcerias e projetos sociais.

No período comemorativo do aniversário do monumento, atrações nacionais e internacionais se apresentarão no Palco da Paz, na Praça da Apoteose. A relação dos artistas será divulgada durante o lançamento oficial da programação.

Segundo informou o reitor do Santuário Cristo Redentor, padre Omar Raposo, as ações abrangem os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas (ONU), e tem como objetivo deixar um legado socioambiental e educativo como referência para o povo do Rio de Janeiro, do Brasil e do mundo.

Padre Omar afirmou que ao longo dos seus quase 90 anos, o Monumento ao Cristo Redentor sempre se destacou no cenário nacional e internacional como porta de entrada do turismo brasileiro, maior monumento em art déco do mundo e santuário católico. “Chegou a hora de celebrarmos tudo o que ele representa para o povo brasileiro e o mundo inteiro. Por isso, vamos fazer uma grande festa, com atividades religiosas, sociais e culturais”, informou.

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Título e Texto: Alana Gandra; Edição: Valéria AguiarAgência Brasil, 28-2-2021, 10h37

História do Real Gabinete Português de Leitura

Eleita uma das vinte bibliotecas mais bonitas do mundo, essa construção só poderia estar na Cidade Maravilhosa

Felipe Lucena


Maior acervo de obras lusitanas fora de Portugal, o Real Gabinete Português de Leitura tem quase dois séculos de riquíssimas memórias. Eleita uma das vinte bibliotecas mais bonitas do mundo, essa construção só poderia estar na Cidade Maravilhosa.

Em 1837, um grupo de 43 emigrantes portugueses reuniu-se na casa do Dr. António José Coelho Lousada, na antiga Rua Direita (hoje Primeiro de Março), nº 20, e resolveu criar uma biblioteca para ampliar os conhecimentos de seus sócios e dar oportunidade aos portugueses residentes no Brasil. Aí nasceu o Real Gabinete Português de Leitura.

O atraente prédio da atual sede do Gabinete foi projetado pelo arquiteto português Rafael da Silva e Castro e erguido entre 1880 e 1887. O estilo arquitetônico é o neomanuelino. Corrente que evoca o exuberante estilo gótico-renascentista vigente à época dos descobrimentos portugueses, denominado “manuelino” em Portugal por haver coincidido com o reinado de D. Manuel I (1495-1521).

Em 2014, o Real Gabinete Português de Leitura foi eleito pela revista Time uma das vinte bibliotecas mais bonitas do mundo. A lista inclui prédios históricos como a antiga biblioteca da Trinity College, em Dublin, a biblioteca de Alexandria, no Egito, a famosa biblioteca pública de Nova Iorque, entre outros.

Esquerda vai ao STF contra a autonomia do Banco Central

PT e Psol apelaram à Corte sob a justificativa de que a medida "ofende flagrantemente a Constituição Federal"

Cristyan Costa


O PT e o Psol apelaram ao Supremo TribunalFederal para impedir a autonomia do Banco Central (BC). Em ação protocolada na quinta-feira 25, as duas legendas garantem que a lei “ofende flagrantemente a Constituição Federal”. Isso porque a medida submete a estrutura do sistema financeiro nacional aos “interesses do mercado”, segundo as siglas. A autonomia supostamente permitiria que políticas econômicas e monetárias pudessem ser menosprezadas.

Sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro nesta semana, a autonomia do BC é uma sinalização de que não haverá interferência política nas medidas adotadas pela instituição financeira. A partir de agora, o chefe do BC terá mandato de quatro anos — que não pode coincidir com o do Presidente da República. Além disso, não poderá ser demitido pelo ocupante do Palácio do Planalto por qualquer motivo. E essa demissão terá de ser aprovada pela maioria do Senado.

Em artigo publicado na Revista Oeste, Ubiratan Jorge Iorio, economista e presidente do Conselho Acadêmico do Instituto Mises Brasil, enxerga como positiva a aprovação autonomia do BC. “Trata-se de um passo que vem sendo ensaiado há três décadas — a rigor, desde a promulgação da atual Constituição. Um passo que sempre enfrentou forte resistência de políticos, sob a alegação de que há riscos de desalinhamento da instituição com o restante da política econômica”.

Título e Texto: Cristyan Costa, revista Oeste, 27-2-2021, 15h40

[As danações de Carina] Tudo passa

Carina Bratt

‘Quando eu morrer, não chorem a minha morte
Porque ninguém a chorará por certo
O mundo para mim é um deserto
E o sofrimento me ensinou ser forte...’

De repente, a gente vai embora, se despede num adeus às carreiras e as pessoas que estão ao nosso redor, fingem descaradamente que sentem, se fecham num mutismo sem precedentes, se trancam numa amargura mascarada, fazem carinhas de tristezas, se descabelam e o morto, coitado, olhando para toda aquela ‘armação’ reboliçosa, suspira num desabafo silencioso e inconformado: ‘Bando de hipócritas. Não estão nem aí para o meu falecimento’.

"Mira que bonita era", por Julio Romero de Torres, 1895 - Museu Reina Sofía
É a mais pura verdade. Num velório, pode se contar, nos dedos, quem realmente se importa ou se importaria com o seu bater de botas. Hipoteticamente, se fosse eu a defunta a sair do mundo dos vivos, a minha mãe estaria acabada, vencida, atordoada e literalmente inconsolável. Derramaria lágrimas sentidas por saber que não me teria mais a seu lado.

Se papai estivesse vivo, não ficaria indiferente e se debulharia em prantos. Por ser eu, ‘a menina dos olhos dele’, por me amar de forma além do normal, ficaria como se costuma dizer por aí, ‘ao deus dará’. Mas papai já se foi deixando por aqui uma grande saudade.

Outro que estaria inconformado. O Aparecido. Tantos anos trabalhando juntos, colado um no outro, feito carrapato, pulga em cachorro, meia em sapato... O meu patrão estaria desolado, fora do chão, pensando como, euzinha, pude fazer ‘uma coisa assim tão marcante’ para ele. E seria, de fato, marcante.

Tirando, portanto, a mamãe, o papai, e o Aparecido, o resto seria o resto. Minhas tias, por exemplo, se reuniriam num canto bem longe do esquife, para colocarem as fofocas em dia. De vez em quando, fingindo o carecimento do banheiro, desfilariam pra lá e pra cá, com os novos visuais que compraram na C&A e na Riachuelo.

Voltariam, logo em seguida, com as caras lavadas e ririam, baixinho (fazendo sinais de silêncio com os dedos nos lábios), para não chamarem a atenção dos demais consternados. Os tios, do outro lado, tagarelariam sobre os últimos lances dos jogos de futebol e deixariam de se mimosearem e de se estranharem, por torcerem ferrenhamente por times de camisas opostas.

Oportunidades

Nelson Teixeira

Para todas as “portas” da Vida existem chaves.

Procure pela porta que te leva ao Conhecimento, ao Bem, à Verdade e à Luz.

Ao encontrá-la, se você escolher abri-la, entre sem medo, pois é ela que o levará à Felicidade.

Constantemente várias portas vão se abrindo para que tenhamos novas oportunidades na vida, para nos melhorarmos e nos aperfeiçoarmos.

Cabe a nós escolher a porta certa e o momento correto de abri-la.

Deixá-la passar não significa uma atitude adequada.

Não devemos desprezar as oportunidades que vão existindo, pois isto pode nos custar muito caro mais tarde.

Aproveite a oportunidade!

Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 28-2-2021

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Satélite brasileiro será lançado na madrugada deste domingo

Lançamento do Amazonia 1 será transmitido ao vivo pela Agência Brasil

Pedro Peduzzi e Adrielen Alves

Será lançado no início da madrugada deste domingo (28) o foguete que levará, consigo, o Amazonia 1 – o primeiro satélite de observação da Terra totalmente projetado, integrado, testado e operado pelo Brasil. O lançamento, previsto para ocorrer à 1h54 (horário de Brasília), será transmitido ao vivo pela Agência Brasil e pela TV Brasil.

O Amazonia 1 será colocado em órbita pela missão PSLV-C51, da agência espacial indiana Indian Space Research Organisation (ISRO). Com seis quilômetros de fios e 14 mil conexões elétricas, o satélite integra a Missão Amazonia 1, que tem, por objetivo, fornecer dados de sensoriamento remoto para observar e monitorar o desmatamento, especialmente na região amazônica, além de monitorar a agricultura no país.

“O satélite Amazonia 1, que é de sensoriamento remoto óptico, vai dar autonomia ao Brasil para melhor monitorar seus diversos biomas, seus mares e todos os alvos de interesses que temos, porque é um satélite que estará sob domínio completo do Brasil”, explica o presidente da Agência Espacial Brasileira, Carlos Moura, que acompanha comitiva na Índia. “O momento de um lançamento como esse é o coroamento de esforços que duram muitos anos, às vezes dezenas de anos. Para alguns profissionais, é o desafio da carreira. O Amazonia 1 coroa esse esforço do Brasil que vem lá de 1979, 1980, com a Missão Espacial Brasileira, de o país ser capaz de desenvolver o satélite próprio de sensoriamento remoto óptico”, disse Carlos Moura.

O Amazonia 1 vai gerar imagens do planeta a cada 5 dias. Sob demanda, poderá fornecer dados de um ponto específico em 2 dias – o que, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ajudará na fiscalização de áreas que estejam sendo desmatadas, bem como na captura de imagens onde haja maior ocorrência de nuvens. De acordo com o instituto, o novo satélite possibilitará também o monitoramento da região costeira, de reservatórios de água e de florestas (naturais e cultivadas). Há, ainda, a possibilidade de uso para observações de possíveis desastres ambientais.

"Imprensa": Os bombardeamentos norte-americanos agora chamam-se “baixar a escalada de tensão”

Helena Matos

Tropas norte-americanas bombardearam o leste da Síria. A SIC fez uma peça a explicar a razão de ser desse bombardeamento em que as declarações do atual presidente dos EUA foram usadas para legenda “’Não podem agir com impunidade’. Biden diz que bombardeamento na Síria foi um aviso ao Irão.”

Mas o melhor vem no final do vídeo. Depois de terem explicado que os norte-americanos bombardearam o leste da Síria para atacar uma milícia apoiada pelo Irão, repito, pelo Irão, o faz de conta que é jornalismo concluía “A diplomacia de Washington tenta atualmente baixar a escalada de tensão com o Irão agravada pelo anterior presidente Donald Trump que rasgou o acordo nuclear, deu luz verde ao assassínio do comandante das forças especiais dos Guardiões da Revolução, esteve prestes a iniciar uma guerra ao regime islâmico“.

Em resumo, segundo a SIC, os EUA de Biden atacam as milícias iranianas para baixar a escalada de tensão com o Irão agravada pelo Trump.

Título e Texto: Helena Matos, Blasfémias, 27-2-2021

Maior é o perigo onde maior é o medo

É facílimo mostrar que exemplos de restrições à liberdade muito inferiores levaram a resultados similares, melhores ou muito melhores em contágios e mortos (da Suécia à Dinamarca, da Flórida a Madrid)

Alberto Gonçalves

O único “argumento” dos “confinamentistas” é o medo. O medo fechou-lhes as cabeças à realidade, aos factos, a um soprozinho de dúvida, até. Mas eles não chamam medo ao medo: chamam-lhe ciência. O engraçado, se conseguirmos encontrar piada em alucinações coletivas, é que a “ciência” em questão tem muito pouco de científica. Na verdade, resume-se à informação tosca e aldrabada que uns estagiários de jornalismo difundem nos telejornais e à opinião de “especialistas”, no caso sujeitos conhecidos por nunca acertarem nas previsões e acertarem sempre naquilo que o governo quer ouvir.

O medo, ou a “ciência” (não se riam, por favor, que isto é patológico), tolheu as pessoas de tal maneira que lhes é absolutamente impossível abdicar das suas certezas, ou no mínimo abalá-las um pedacinho. É facílimo demonstrar, porque é verdade, que o Natal pouco teve a ver com o apogeu de infectados mais de um mês depois (a menos que o grau de virulência andasse entorpecido com as compotas natalícias). É facílimo demonstrar, porque é verdade, que o número de casos diários de Covid começou a cair antes de as medidas do confinamento terem produzido efeitos (a menos que a clausura possua faculdades retroativas). É facílimo demonstrar, porque é verdade, que exemplos de restrições à liberdade muito inferiores levaram a resultados similares, melhores ou muito melhores em matéria de contágios e mortos (da Suécia à Dinamarca, da Flórida a Madrid). É facílimo demonstrar, porque é verdade, que, ainda que o confinamento fosse a única “solução”, o respectivo custo é intolerável nuns países e suportável noutros (por regra, os que não são tão exóticos ou socialistas).

Estranhamente, não vale a pena. Incontestável ou intrigante que seja, nenhuma informação “heterodoxa” penetra o cocuruto daqueles que, aterrorizados, se fecharam em casa por tempo indeterminado. Note-se que não falo dos empregaditos a soldo do poder. Nem dos devotos do PS. Nem dos calões com salário garantido enquanto contemplam as misérias da Netflix ou vagueiam no supermercado. Nem dos cretinos que recomendam prisão domiciliária para todos exceto para eles. Estes obedecem a ordens ou à fé ou à preguiça ou à hipocrisia, o que de algum modo é racional. Irracional é interromper a vida por causa de um vírus que, sozinho, não causa uma fracção dos danos mentais, sociais, económicos e sanitários causados pelo medo.

O liberalismo transverso

Atenção para a turma que ficou em silêncio durante os dois anos de politicagem de Rodrigo Maia fabricando manchetes contra a equipe econômica


Guilherme Fiuza

Os liberais de boa-fé ligaram o alerta para checar se a troca de comando na Petrobras significaria intervenção indevida do governo — especialmente na política de preços. Já os liberais de cativeiro, sempre mais rápidos no gatilho, pularam nas tamancas para decretar, maldizer e repudiar a intervenção governamental na Petrobras. Esses estão sempre à frente do seu tempo. Em janeiro de 2019 eles já estavam em fevereiro de 2021, sentenciando que chegava ao poder um novo PT vestido de Posto Ipiranga, que Paulo Guedes era fachada e não ia durar etc.

E agora não deu para disfarçar a excitação triunfal com a confirmação do vaticínio: a troca do presidente da Petrobras era a comprovação do anacronismo subpetista instalado no Planalto.

Houve só um percalço de roteiro: após os primeiros dias da decisão de substituição do presidente da estatal, ninguém tinha elementos para afirmar que se tratava de uma intervenção — nem na política de preços nem na gestão de energia da empresa. Os interessados no fortalecimento da agenda liberal continuarão atentos, examinando o desenrolar da medida presidencial. Já os acionistas do contra lamberam os beiços. Para eles, o importante era o pretexto para berrar a palavra “intervenção” e fermentar a sensação de crise. É gente que pensa grande.

Por isso é que fizeram cara de paisagem na Reforma da Previdência. É meio chato quando você está há uma década dizendo que aquela reforma é a única saída contra o colapso nacional e de repente a reforma é feita sob a condução daqueles que você diz que não prestam. É melhor mesmo fingir que não viu. Enfiar o bisturi no Estado inchado e operar um sistema previdenciário com privilégios e incongruências que sugam o sangue da sociedade… O que isso tem a ver com a pauta liberal?

Para quem enterrou a cabeça no buraco da avestruz, nada. Debaixo do chão é tudo muito escuro, só dá para ver a obsessão pelo fracasso.

As ações ininterruptas no Ministério da Infraestrutura — desde 2019 e durante a pandemia — para abrir os gargalos e remover os coágulos da produção no Brasil correspondem à agenda nacional de libertação contra os atravessadores e os inoperantes. Não é uma invenção do governo atual. Ele só entregou o setor a um comando firme e operativo. A iminente conclusão da lendária Ferrovia Norte-Sul é um símbolo desse enfrentamento direto do Custo Brasil — portanto um símbolo da agenda liberal.

O estranho caso de Alexandre de Moraes

Muita gente desconfia que o professor e o ministro não são uma pessoa só


Augusto Nunes

Quem lê um livro de Alexandre de Moraes e ouve um improviso de Alexandre de Moraes desconfia que o professor de Direito Constitucional e o ministro do Supremo Tribunal Federal não são uma pessoa só. Muita gente continua acreditando na versão espalhada pelos estudantes da Faculdade do Largo de São Francisco: os Alexandres formam uma dupla de gêmeos separados ao nascer, que usam o mesmo nome só para confundir. As dúvidas fazem sentido. Os textos que Alexandre publica são gentis com o idioma tratado com ferocidade pelo Alexandre que fala (sem um papelório nas mãos). Os livros que assinou têm sido fonte de consulta para incontáveis advogados em gestação. Os improvisos são tão imprestáveis quanto as discurseiras de Lula.

A espécie a que pertence Alexandre de Moraes, convém ressalvar, não deve ser confundida com a tribo que tem no ex-presidente presidiário um pajé exemplar. Quando Lula agarra um microfone, a gramática se refugia na embaixada portuguesa, a concordância se asila em velhos dicionários, a regência verbal se esconde no sótão da escola abandonada, o raciocínio lógico providencia um copo de estricnina sem gelo, a razão pede a proteção da ONU para livrar-se de outra sessão de tortura, os plurais saem em desabalada carreira e a verdade se dirige à delegacia mais próxima para jurar que é mentira. O ministro Alexandre também guilhotina SS e RR, declama maluquices com a pose de quem está fazendo um pronunciamento à nação, muda de ideia conforme as circunstâncias e mente mais do que respira. Mas Lula é da turma que fugiu da escola e se orgulha da ignorância vitoriosa. Alexandre diplomou-se nas Arcadas e virou professor no Largo de São Francisco. Para seviciar o português, vale-se de um repertório maior que o vocabulário de 300 palavras decoradas pelo palanque ambulante.

O ministro do Supremo tampouco se enquadra na linhagem de Dilma Rousseff — até porque ninguém mais no mundo sabe falar o subdialeto que a ex-presidente inventou, muito menos suas ramificações. Há o dilmês rústico, o vulgar, o castiço e o erudito. Ela domina todas essas formas complicadíssimas de não dizer coisa com coisa. Numa recente live no Instagram, por exemplo, discorreu sobre o vírus chinês. Cientistas, governantes, negacionistas incuráveis, crédulos de nascença, vacinados e infectados continuam sem saber direito o que está acontecendo. Dilma, que nada sabe sobre tudo, entrou no assunto com a segurança de Ph.D. em pandemia. “Nós estamos enfrentando um vírus com a capacidade de transmissão muito… muito… solerte”, decolou a ex-presidente, que em seguida tentou traduzir o que acabara de dizer: “Ele é… é… é esperto. O vírus chega devagarzinho… fica… tem um tempo de incubação significativo e pode, portanto, surpreender”. Em seguida, prescreve a receita para combater o inimigo invisível: “Esse método é o isolamento social. E o isolamento social é horizontal”. E se antecipa à pergunta que perturba as cabeças na plateia: “Por que que é horizontal? Porque as famílias são horizontais. Você tem as famílias… tem várias gradações”.

Para que serve a Petrobras

A mera existência da empresa e das outras estatais comprova que o Brasil Velho está cada vez mais forte

J. R. Guzzo

De duas uma: ou o presidente da Petrobras, que acaba de ser posto no olho da rua, era bom ou era ruim. Se era bom, por que foi demitido? Se era ruim, o que estava fazendo lá até agora? Todos os que têm posições definitivas sobre esse assunto, e que amaldiçoam qualquer ponto de vista diferente do seu, ficam convidados a oferecer alguma alternativa; estarão perdendo o seu tempo, pois não existe alternativa. Esse último desastre, mais um na longa folha corrida da maior empresa estatal brasileira, é apenas a comprovação mais recente de que nosso símbolo augusto da pátria e ente sagrado da “soberania nacional”, além de outras bobagens da mesma família, está organizado de forma a viver perpetuamente numa situação de jogo dos sete erros. Tudo ali só pode dar errado, mais cedo ou mais tarde, porque a natureza da Petrobras torna impossível que alguma coisa dê certo.

A empresa, ao lado de todas as suas irmãs estatais, é um dos alicerces mais delirantes do Brasil Velho — e esse é um Brasil que está condenado a fracassar. É o Brasil do “Estado”, que não muda nunca e prejudica a todos, salvo as minorias: impede a liberdade econômica, bloqueia a real criação e distribuição de riqueza e mantém a população brasileira no seu estado permanente de servidão aos que são donos da máquina do Estado.

O salseiro da vez, como uma criança de 10 anos de idade seria capaz de entender, aconteceu porque o preço da gasolina, e sobretudo do óleo diesel, vem subindo, os caminhoneiros estão agitados e ninguém no governo sabe ao certo o que fazer a respeito — ou, se alguém sabe, não está dizendo a ninguém. Diminuir os impostos de 45% que o cidadão paga a cada litro que compra na bomba? Nem pensar. Governos têm horror a mexer naqueles impostos dos quais as pessoas não podem fugir, como gasolina, luz e telefone — a não ser, é claro, se a mexida for para cima. De outro jeito, como é que se vai pagar a lagosta dos ministros do Supremo, a aposentadoria dos almirantes de esquadra e o auxílio-creche dos procuradores de Justiça? Então: se a coisa fica ruim, e quem está nos galhos de cima precisa dar a impressão de que está fazendo “alguma coisa”, a saída é jogar a culpa na Petrobras e demitir o presidente da empresa — sem tocar nem de leve, é claro, no monopólio funesto que ela tem no universo dos combustíveis.

Lula em Cuba custou R$ 163 mil aos pagadores de impostos

Foi a viagem mais cara de um ex-presidente da República em 2020

Anderson Scardoelli

A ida do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Cuba entre o fim de 2020 e o começo deste ano pesou para os cofres públicos — ou seja: dinheiro dos brasileiros pagadores de impostos. De acordo com reportagem desta semana do jornal Gazeta do Povo, o passeio do petista pela ilha comunista custou R$ 163 mil.

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Dessa forma, Lula foi responsável pela viagem mais cara feita por um ex-presidente no decorrer do ano passado. Ele foi para Cuba com a alegação de que participaria de um documentário sobre a América Latina a ser dirigido pelo cineasta norte-americano Oliver Stone.

O ex-presidente embarcou para o Caribe em 19 de dezembro, acompanhado de assessores que, assim com ele, tiveram passagens e diárias pagas com dinheiro público. O petista e assessores voltaram para o Brasil em 21 de janeiro, sem gravar o filme, pois o ex-presidente foi diagnosticado com covid-19 dias após chegar em Cuba.

Além de Cuba: mais viagens

O passeio por Cuba não foi o único gasto de Lula com viagens em 2020. De acordo com a mesma reportagem do jornal Gazeta do Povo, o ex-presidente foi à Europa e passou por cidades como Berlim, Genebra, Paris e Roma. No consolidado do ano, com viagens nacionais e internacionais, o petista custou R$ 423 mil à União.

Regalias de ex-presidentes

Lula não foi o único político que realizou viagens sendo bancado pelo povo. Tal benefício é destinado a qualquer ex-presidente da República. Michel Temer, Dilma Rousseff, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor de Mello e José Sarney também podem usufruir desse tipo de regalia.

Kajuru pede ‘impeachment’ de Alexandre de Moraes

Prisão de Daniel Silveira pauta solicitação do senador

Anderson Scardoelli

O senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) [foto] quer ver o ministro Alexandre de Moraes fora do Supremo Tribunal Federal (STF). Por considerar que o magistrado cometeu ilegalidades em sua atuação na Corte máxima do país, o parlamentar apresentou pedido de impeachment. A decisão contra o integrante do Poder Judiciário foi protocolada nesta semana.

Para o pedido de impeachment, Kajuru atentou no caso envolvendo um colega de Congresso Nacional. De acordo com o senador, Moraes não poderia ter ordenado o encarceramento do deputado federal Daniel Silveira, então no PSL e hoje filiado ao PTB do Rio de Janeiro. No dia 16 de fevereiro, Silveira teve a prisão em flagrante determinada após divulgar vídeo em que aparecia criticando ministros do STF.

[Estamos ameaçados em] exercer o direito de livre manifestação de pensamento e expressão”

No entendimento do político do Cidadania, a postura de Moraes vai contra determinados valores, como a liberdade de expressão. “Não se pode admitir que o Poder Judiciário use do seu poder de império não para atender [à] finalidade pública, mas como instrumento de mordaça”, pontua Kajuru em trecho do pedido, informa a rede Jovem Pan. “[Estamos ameaçados em] exercer o direito de livre manifestação de pensamento e expressão”, prosseguiu.

Kajuru apresenta mais críticas a Moraes

O caso Daniel Silveira não é o único a pautar o pedido de impeachment formulado pela equipe de Jorge Kajuru contra Alexandre de Moraes. No documento, o senador reclama de outras duas decisões tomadas pelo ministro: as validações dos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos. Para o congressista, o magistrado faz uso do STF para “intimidar, ameaçar e violar os direitos e liberdades individuais de quem se manifestar contra a Corte e seus membros”.

Título e Texto: Anderson Scardoelli, revista Oeste, 26-2-2021, 19h19

Governo adia novamente prazo de adoção da nova carteira de identidade

Órgãos terão mais um ano para se adequar ao novo modelo

Pedro Rafael Vilela

O governo prorrogou para 1º de março de 2022 a obrigatoriedade na adoção do novo modelo de carteira de identidade. É a terceira vez que o governo prorroga o prazo. O prazo anterior vencia justamente na próxima segunda-feira (1º). A prorrogação foi publicada hoje (26) em edição extra Diário Oficial da União.

Com o decreto, os órgãos estaduais de identificação têm mais um ano para se adequar aos padrões da nova carteira de identidade. O novo modelo traz dispositivos para aumentar a segurança contra a falsificação e contém mais informações, como registros do título de eleitor, numeração da Carteira de Trabalho e Previdência Social, certificado militar, Carteira Nacional de Habilitação, documento de identidade profissional, carteira nacional de saúde e números de NIS/PIS/Pasep. Também poderá ser incluído o nome social sem a necessidade de alteração no registro civil.

Outra novidade é que poderão constar, no novo RG, indicativos para pessoas com necessidades especiais e códigos referentes ao Código Internacional de Doenças (CID). Todas as informações são facultativas, ou seja, cada cidadão poderá optar por incluir os registros complementares que julgar necessários.

Título e Texto: Pedro Rafael Vilela; Edição: Aline LealAgência Brasil, 26-2-2021, 20h10

André Ventura, un Portugais populiste à faire taire

L'ascension rapide du chef de file de la droite populiste ne plaît pas à tout le monde. La gauche demande désormais la dissolution de son parti Chega. Portrait du champion de l'antisystème portugais

Antoine Colonna

Deux Mercedes noires, trois gardes du corps. C'est le dispositif habituel de campagne pour rendre visite à des partisans d'un bout à l'autre du pays. Ce jour-là, à Setúbal, militants d'extrême gauche, de gauche (portant des pancartes soutenant la candidate socialiste, Ana Gomes) et Roms sont eux aussi présents pour accueillir André Ventura [photo], candidat à l'élection présidentielle de janvier dernier.

Foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP

Les insultes habituelles pleuvent : « Fasciste ! Raciste ! », et rapidement ce sont des bouteilles de verre, des objets tranchants et des pierres qui s'abattent sur le chef du parti Chega! (“Ça suffit !”). Un journaliste de la télévision est touché au genou. Les forces de l'ordre sont obligées de charger, matraque à la main, pour disperser les assaillants. Une scène devenue presque fréquente depuis qu'André Ventura a commencé à occuper, avec un discours sciemment populiste, l'espace politique portugais, en général plutôt calme. Dans la rue, il ne rencontre pas que des opposants tant s'en faut. Ainsi, il a fortement inquiété la gauche, en étant acclamé par plusieurs milliers de policiers qui manifestaient devant l'Assemblée de la République pour obtenir plus de moyens.

Et justement, c'est cette même gauche qui veut aujourd'hui tuer le mouvement dans l'œuf. Arrivée deuxième à la présidentielle du 24 janvier dernier, Ana Gomes, ancienne diplomate et députée européenne, avait d'ailleurs promis de dissoudre Chega si elle était élue présidente. Depuis, elle ne désarme pas, ayant déposé une demande en 40 points devant le bureau du procureur général pour arriver à ses fins. Elle veut également que la Cour constitutionnelle se prononce contre cette formation qu'elle considère elle aussi comme raciste et fasciste.

Mouvement nostalgique ?

Gomes exige également l'ouverture d'enquêtes sur l'origine des financements de Chega et sur des violences verbales ou physiques attribuées à ses militants. Non contente de porter ses desiderata au sommet de l'État portugais qu'elle n'a pas atteint, Gomes fait également part de ses grands desseins d'assainissement de la vie politique de son pays aux Européens. La socialiste a écrit dans ce sens à la présidente de la Commission européenne, au président du Parlement européen, au directeur de l'Agence des droits fondamentaux de l'Union européenne, à la secrétaire générale du Conseil de l'Europe, au secrétaire général des Nations unies et aux administrateurs d'Europol et d'Eurojust…

O silêncio

Nelson Teixeira

Que possamos entender que o sentimento do outro é sagrado demais para ser invadido, para ser questionado.

Nunca sabemos o tamanho da dor que um coração está suportando.

Muitas vezes devemos ter humildade suficiente para nos calarmos, e saber que naquele momento, o silêncio falará por nós.

Dizer algo incorreto e na hora errada, é muito mais prejudicial, do que fechar a boca e não dizer nada.

Sucessivas vezes temos a oportunidade de nos calar, mas nosso orgulho e vaidade fala mais alto.

Saber calar também é uma virtude.

Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 27-2-2021

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

[Livros & leituras] O Mágico de Auschwitz, de José Rodrigues dos Santos

Como de hábito, José Rodrigues dos Santos, baseado em fatos reais e juntando a imaginação, escreve um belo livro. Desta feita, sobre o terror e horror dos campos de concentração e extermínio da Alemanha do Terceiro Reich.

A primeira parte da história está neste livro:

Na véspera da segunda guerra mundial, Praga está rendida à magia do Grande Niveli. No entanto, com a chegada dos alemães a vida do mágico judeu é destroçada.

O português Francisco Latino sempre foi considerado um brutamontes, mesmo entre os mercenários da Legião Estrangeira. Quando a guerra o arrasta para o cerco de Leninegrado, a paixão por uma russa leva-o a alistar-se nas SS.

O destino do mágico judeu e do soldado português é o mesmo: Auschwitz-Birkenau.

A magia do Grande Nivelli será chamada a desempenhar um papel central no mais terrível dos campos de morte.

Auschwitz como nunca foi contado

O Mágico de Auschwitz revela-nos a Shoah como nunca foi mostrada. Baseando-se em acontecimentos verídicos e em personagens reais, José Rodrigues dos Santos leva-nos ao coração do maior dos campos da morte nazis e revela-nos episódios desconhecidos do Holocausto, incluindo o papel que o misticismo e o esoterismo desempenharam na Solução Final. Uma das mais importantes obras da literatura portuguesa contemporânea.

 

Excerto da Parte Três – Prelúdio de morte – I

Havia já dois dias que os Levin, como todos os deportados que enchiam o vagão, não viam luz. A exceção era a ténue claridade do dia que penetrava pelas frinchas das tábuas e quatro pequenas aberturas para o exterior protegidas por arame farpado. Os olhos tiveram de se habituar à treva absoluta durante a noite e à semiescuridão de dia.

Parecia a Levin absolutamente incompreensível que os alemães tratassem pessoas daquela maneira. Era a segunda viagem que faziam como deportados e não tinha qualquer comparação com a primeira. A viagem efetuada meses antes de Praga até Theresienstadt fora dura, onze horas fechados numa carruagem de passageiros sem nada para comerem não era normal, mas dirseia um passeio de luxo ao pé do que se passava na nova deslocação. Não só estavam ali umas sessenta pessoas fechadas às escuras havia já dois dias, as portas trancadas por cadeados exteriores, como a composição em que dessa feita os meteram no famoso transporte para leste era formada por vagões para gado. Vagões para gado! Os alemães tinham fechado homens e mulheres, incluindo idosos, doentes e crianças, em vagões para gado!

As crianças choramingavam a toda a hora, no início com grande intensidade e nas últimas vinte e quatro horas já com fraqueza, enquanto os doentes gemiam. Toda a gente tinha sede e fome. Fazia um frio incrível, pois era inverno. O calor gerado por toda aquela massa de gente comprimida era a única vantagem que havia em estarem fechados durante tanto tempo no vagão.

“Vovó?”

A voz da rapariga soara algures da esquerda, no meio da massa de gente que se acotovelava no vagão, arrancando Levin aos seus pensamentos.

“Deixa, Zdanka”, murmurou alguém. “A vovó já não está entre nós...”

“Vovó?!”

Os soluços da rapariga foram acolhidos com um silêncio pesado entre os deportados. Tratavase da segunda morte no vagão desde o início da viagem. Preocupado com o moral da família, Levin espreitou o filho, aninhado aos seus pés; adormecera meia hora antes, quando ele lhe cantara uma das suas canções favoritas em ladino, e a dormir continuava. A seguir olhou para Gerda e viua igualmente exausta; dirseia que dormia de pé. Pelos vistos não se aperceberam da morte da idosa e parecia-lhe melhor assim. A prioridade naquele instante era descansar. Com o vagão tão apertado, não havia lugar para todos no chão e os ocupantes só se sentavam alternadamente. Aquela vez não era a dos Levin. Felizmente havia as pequenas aberturas entre as tábuas. Elas possibilitavam que se deitassem coisas fora e, além de deixarem entrar ar, permitiam perceber em que sentido ia a composição. Pela posição do Sol confirmouse que de facto se dirigiam para leste. Tinham já passado por Praga e por Ostrava e nas últimas horas cruzaram estações com tabuletas em polaco.

Por vezes o comboio parava numa estação, embora as portas permanecessem fechadas, ou no meio do campo, e ficava aí imóvel durante horas. A maior parte das vezes, todavia, eram os outros comboios que ficavam parados à espera de que a composição de Theresienstadt passasse, em certos casos com os vagões carregados de tanques ou de outro material militar destinado à frente russa. Pelos vistos o seu comboio tinha prioridade até sobre as composições envolvidas no esforço de guerra. Como era possível que um mero transporte de judeus fosse para os alemães mais importante do que os abastecimentos destinados às tropas?

Havia já algumas horas que Levin sentia o ventre apertar. Apesar do esforço para reter os intestinos, percebeu que não aguentaria muito mais. Em bom rigor, a sua resistência chegara ao fim. Ou se aliviava no próximo minuto ou fazia tudo ali à frente da família. Sem alternativa, enfiouse pela massa compacta de gente e tentou abrir caminho.

A transformação religiosa das escolas francesas

Giulio Meotti

§  Na França borbulha uma guerra de baixa intensidade cujo objetivo é radicalizar a educação.

§  Na Escola Pierre Mendès France em Saumur, um estudante disse ao seu professor: "meu pai vai te decapitar". Tornou-se impraticável fazer uma lista com dados precisos sobre estes incidentes. Eles ocorrem todos os dias na França.

§  "Diante da intimidação islamista, o que deveria o mundo livre fazer?" — Título da coluna de Robert Redeker no Le Figaro em 2006. Poucos dias depois, ele começou a receber ameaças de morte.

§  Se os extremistas conseguiram intimidar escolas e universidades da França, por que não conseguiriam colocar de joelhos toda a sociedade?

Faculdade de Bois-d'Aulne em Conflans-Saint Honorine, onde Samuel Paty foi assassinado em 16 de outubro de 2020. Foto: Bertrand Guay/AFP/Getty Images

"Diferentemente de você, coronel, e de tantos outros, Mila jamais irá se prostrar", escreveu o pai da adolescente francesa ao diretor da escola que ela frequenta em uma carta publicada pela revista semanal Le Point. Em 18 de janeiro de 2020 Mila O., então com 16 anos, se manifestou de maneira ofensiva sobre o Islã durante sua transmissão ao vivo no Instagram.

"Durante a transmissão, um menino muçulmano a convidou para sair, mas ela recusou por ser gay. Ele respondeu acusando-a de racismo, chamando-a de 'lésbica imunda'. No vídeo seguinte, transmitido imediatamente após ter sido insultada, Mila respondeu dizendo que 'odeia religião'".

Mila deu seguimento: "o Alcorão é uma religião de ódio, só há ódio nela. O Islã é uma m***a..." Desde então, ela recebeu cerca de 50 mil mensagens e cartas com ameaças de estupro, de cortar sua garganta, de torturá-la e de decapitá-la. Ela teve que mudar, sem parar, de uma escola para outra.

Família de surdos cai em golpe de passagem, mas tripulante da Azul salva o dia

Carlos Martins

Uma atitude nobre de um funcionário da Azul Linhas Aéreas fez dele um herói após um voo cancelado e uma família vítima de golpistas.

O caso aconteceu no Aeroporto de Campo Grande e quem salvou o dia foi o agente de aeroporto Raphael Cavaleiro [foto]. Note-se que, na Azul, os colaboradores são denominados “tripulantes internamente, de modo que o termo não se limita ao uso por pilotos e comissários.

Foto: Divulgação/Azul

Tudo aconteceu dias atrás, quando um voo foi cancelado no aeroporto e Cavaleiro foi atender a uma família de cinco pessoas. O pai e a mãe são deficientes auditivos, e estavam com duas crianças de colo, além de uma filha mais velha de nove anos.

Essa seria a primeira viagem deles de avião e quando a filha, que estava muito empolgada, entregou o bilhete aéreo ao agente, ele viu de cara que tinha algo errado ali. O bilhete era bem diferente do padrão da empresa e uma consulta ao código da reserva logo revelou o problema, já que não retornou nenhuma passagem válida.

Ele então perguntou aos pais, por intermédio da filha, como eles compraram a passagem. O casal, por sua vez, explicou que foi pelo Facebook, onde a pessoa que vendeu o tíquete acabou bloqueando eles após o envio do comprovante de pagamento. Era um golpe.

A família explicou que não teria condições de comprar uma nova passagem e entrou em desespero, ao passo que a menina começou a chorar. Cavaleiro ficou comovido e pediu licença à família, enquanto verificava o que poderia ser feito. Ele conta que foi então para o escritório e começou a chorar, triste pela família e indignado pela maldade do golpista.

Após se recompor foi até o seu supervisor e falou da sua ideia: comprar uma passagem para a família, usando dinheiro do próprio bolso.

Faleceu Alfredo Quintana

“Alfredo Quintana foi esta sexta-feira o terceiro atleta a morrer em Portugal desde o início de 2021. O guarda-redes do FC Porto e da Seleção Nacional tinha 32 anos e não resistiu a uma paragem cardiorrespiratória durante o treino do FC Porto realizado segunda-feira. Quintana foi assistido e, depois de estabilizado, seguiu para o Hospital de São João, onde esteve nos cuidados intensivos, tendo a sua morte sido declarada hoje.”

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Vasco é rebaixado no Brasileiro pela 4ª vez em sua história

O Vasco da Gama foi rebaixado no Campeonato Brasileiro de 2020, o que acontece pela 4ª vez na história do Gigante da Colina

Willams Meneses

Não deu para o Gigante. Com a delicada missão na última rodada para se manter na Série A, precisando torcer por uma derrota do Fortaleza, vencer o Goiás e, em meio a tudo isso, ainda tirar um saldo de 12 gols, o Vasco da Gama não obteve sucesso e está rebaixado à Série B pela quarta vez em sua história, mesmo com a vitória contra o Esmeraldino por 3×2.

O quarto rebaixamento foi resultado de anos de gestões ruins, sendo esta equipe ainda resultado do trabalho de Alexandre Campello [foto] no último triênio. Foram três anos consecutivos lutando contra a queda, que não foi evitada em 2020, agora no começo de gestão Jorge Salgado, que terá pela frente uma missão complicada.

Tem sido um século com predominância de momentos negativos em São Januário. Depois da grande era vitoriosa, no final dos anos 90 e início dos 2000, o Vasco entrou numa grave crise financeira, que teve impacto direto no futebol, com equipes que não estavam à altura de um clube da grandeza do Cruzmaltino.

Nos últimos anos, o Vasco conquistou dois Estaduais (2015 e 2016), uma Copa do Brasil (2011) e uma Série B (2009). Sobre o último, para se ter uma noção, o Gigante sequer foi campeão nas duas outras vezes que disputou a segunda divisão, terminando como terceiro colocado em ambas as ocasiões (2014 e 2016), ainda chegando a correr o risco de não conseguir o acesso.

A TEMPORADA 2020 DO VASCO – ABEL BRAGA, RAMONISMO E SÁ PINTO

Não foi uma temporada nada fácil para o Vasco desde o começo. A equipe, sob o comando de Abel Braga, fez uma péssima campanha no Campeonato Carioca, não chegando às semifinais dos dois turnos. Na sequência, com a efetivação de Ramon Menezes no cargo, o Gigante viveu um bom momento, o que na época recebeu o apelido de ‘Ramonismo’.

Tudo parecia se encaminhar bem, o Vasco chegou a liderar o Campeonato Brasileiro, mas a queda de rendimento não demorou a acontecer, e a eliminação precoce na Copa do Brasil, somada com a descida de posições no Campeonato Brasileiro, ocasionou na demissão de Ramon Menezes. O ídolo foi substituído pelo português Ricardo Sá Pinto, que chegou credenciado pelo estilo linha dura.

Caixa Econômica Federal vai lançar mais uma linha de crédito imobiliário

Com taxa de juros a 4,75%, objetivo é ajudar na retomada econômica do país

Anderson Scardoelli

A Caixa Econômica Federal contará com mais um modelo de financiamento imobiliário a partir da próxima segunda-feira, 1º março. O anúncio foi feito na noite desta quinta-feira, 25, pelo presidente do banco estatal, Pedro Guimarães.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O assunto foi tornado público durante a participação de Guimarães na live realizada pelo presidente Jair Bolsonaro. De acordo com o executivo da Caixa, a linha de crédito a ser lançada contará com os “juros mais baixos do mercado”: fixado em 4,75% ao ano.

Guimarães também adiantou que, além dos juros, a nova versão de financiamento de imóveis contará com prazo diferenciado dos demais oferecidos atualmente pela Caixa. Será possível ao cliente financiar um apartamento, por exemplo, em até 420 meses (35 anos). Atualmente, o banco trabalha com o prazo máximo de 360 meses (30 anos).

Ao lado de Bolsonaro, Guimarães reforçou que a novidade sairá do papel para servir de “reforço para a retomada econômica”. Em janeiro, Oeste já havia registrado que o mercado imobiliário fechou 2020 em alta.

Governador do DF anuncia lockdown a partir de 1º de março

Capital e entorno terão restrições de 20h às 5h

Agência Brasil

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha [foto], anunciou em redes sociais que decretará lockdown em virtude da elevada taxa de ocupação de unidades de terapia intensiva (UTIs) na região.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Segundo Ibaneis, o lockdown será aplicado das 20h às 5h. Ainda não há detalhes sobre a data de vigência das restrições, apenas que a decisão foi fundamentada em uma recomendação técnica da Secretaria de Saúde do DF. O Distrito Federal ainda não identificou casos de infecção por variantes do novo coronavírus.

Título e Texto: Agência Brasil; Edição: Pedro Ivo de OliveiraAgência Brasil, 26-2-2021, 0h31

Lacombe convida: Pacelli Luckwü

Pacelli, que é pernambucano, mora na Alemanha há muitos anos e acompanha com atenção os caminhos e descaminhos do país ao longo da história. O que pode estar por trás das medidas restritivas e repressivas que a Alemanha está impondo a seus habitantes agora?

Luís Ernesto Lacombe, 25-2-2021

Coppolla: Covid-19 foi devastadora, mas incertezas sobre pandemia diminuíram

No quadro Liberdade de Opinião desta quinta-feira (25), o comentarista Caio Coppolla falou sobre o Brasil ter ultrapassado a marca de 250 mil mortes causadas pelo novo coronavírus e avaliou o cenário da pandemia no país.

CNN Brasil, 25-2-2021

LIVE com o presidente Bolsonaro, 25 de fevereiro de 2021

- Auxílio emergencial;

- Mais ações da CAIXA para auxílio à população;

- MEI - Microempreendedor Caminhoneiro.

- Autonomia do Banco Central;

- Projeto de Lei que acaba com o monopólio dos Correios nos serviços postais do país e viabiliza a sua privatização;

- MP da Eletrobrás: enxugando gastos e menos Estado.

- E mais.

Jair Bolsonaro, 25-2-2021

[Aparecido rasga o verbo] Casuais e escaganifobéticas

Aparecido Raimundo de Souza

LARISSA JASPELETA BULBO
A, a mulher do doutor Godoy Bulboa, advogado criminalista da pesada, embora estoica e amável, por algum motivo desconhecido, se consolidara extremamente curiosa, a ponto da sua bisbilhotice, em derredor do alheio, se tornar insidiosamente paradigmática demais. Em razão disto, possuía, a bela, um estranho e ilimitado desejo em descobrir algo novo, onde o novo, não tinha nada de interessante em si e, por esta razão, não fazia muita diferença e, claro, além de não acrescentar nenhum sentido prático à sua vida de doméstica, boa esposa e, sobretudo, mãe prestimosa, não levava o seu destrambelhamento à lugar nenhum.

As suas teceduras exageradas, a bem da verdade, ultrapassavam as castidades de berço. Se alastravam para além dos parâmetros do ponderável. Neste chute mal dado em sacos alheios, tudo o que a encantadora morena de trinta e oito anos encontrava pela frente, queria saber de onde viera e qual o real motivo de se fazer presente. Por caminhos disparatados, seguiam, pois, seus instintos bestiais, objetivando desvendar os ocultos que ninguém dispensava uma atenção mais minuciosa ou detalhada. Dava a impressão que seus gestos obesos e esfomeados, trocavam sinais codificados e silentes, por mais insignificantes que fossem às situações germinadas aos acasos dos comezinhos anômalos e triviais.

Chovesse canivete ou fizesse sol ela, Larissa Jaspeleta Bulboa, não desistia da empreitada. Se a curiosidade baixava, carecia trazer a coisa (fosse o que fosse) à tona, até desvendá-la inteiramente, arrancando as suas raízes das mais profundas sombras. O doutor Godoy Bulboa, pê da vida, reclamava e, com assistida razão, os seus queixumes aos amigos mais chegados, companheiros do dia a dia, neles incluindo os promotores, os juízes, os oficiais de justiça, a galera dos cartórios e até às funcionárias engraçadinhas e risonhas que serviam cafezinhos e lanches na cantina do fórum, mocinhas vestidas em uniformes à rigores de um vermelhidão chamativo e cruelmente estrambótico.

— Abelha — falava ele aquela tarde de sexta-feira ao juiz da vara de execuções penais, num restaurante da Avenida Paulista, diante de duas taças de vinho que contemplavam, a ambos, em erupções amenas. — Ontem, a Larissa me perguntou por que a Freguesia do Ó, aqui em São Paulo, é conhecida como Freguesia do Ó e não Freguesia do Zero. Passei a ela um calhamaço de informações que encontrei na Internet, porém, a infeliz cismou com o ‘o’. O que queria dizer, na verdade, o ‘o’?

— E o que você disse à ela?
— Que o ‘o’ viera oriundo do ‘ó do borogodó’.
— Neste ponto, meu caro Bulboa, com todo respeito, tenho que concordar com a sua consorte. Ao invés de você explicar, ou simplificar, complicou. A ponto, perceba, de me deixar, também, boquiaberto e abestalhado. O que venha ser, trocado em miúdos, este borogodó? Ou o ‘ó’, advindo, mais especificamente, deste atrativo pessoal que considero irresistível?
— Até você, Abelha? Faça-me o favor... Me poupe...