sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

[Livros & leituras] O Mágico de Auschwitz, de José Rodrigues dos Santos

Como de hábito, José Rodrigues dos Santos, baseado em fatos reais e juntando a imaginação, escreve um belo livro. Desta feita, sobre o terror e horror dos campos de concentração e extermínio da Alemanha do Terceiro Reich.

A primeira parte da história está neste livro:

Na véspera da segunda guerra mundial, Praga está rendida à magia do Grande Niveli. No entanto, com a chegada dos alemães a vida do mágico judeu é destroçada.

O português Francisco Latino sempre foi considerado um brutamontes, mesmo entre os mercenários da Legião Estrangeira. Quando a guerra o arrasta para o cerco de Leninegrado, a paixão por uma russa leva-o a alistar-se nas SS.

O destino do mágico judeu e do soldado português é o mesmo: Auschwitz-Birkenau.

A magia do Grande Nivelli será chamada a desempenhar um papel central no mais terrível dos campos de morte.

Auschwitz como nunca foi contado

O Mágico de Auschwitz revela-nos a Shoah como nunca foi mostrada. Baseando-se em acontecimentos verídicos e em personagens reais, José Rodrigues dos Santos leva-nos ao coração do maior dos campos da morte nazis e revela-nos episódios desconhecidos do Holocausto, incluindo o papel que o misticismo e o esoterismo desempenharam na Solução Final. Uma das mais importantes obras da literatura portuguesa contemporânea.

 

Excerto da Parte Três – Prelúdio de morte – I

Havia já dois dias que os Levin, como todos os deportados que enchiam o vagão, não viam luz. A exceção era a ténue claridade do dia que penetrava pelas frinchas das tábuas e quatro pequenas aberturas para o exterior protegidas por arame farpado. Os olhos tiveram de se habituar à treva absoluta durante a noite e à semiescuridão de dia.

Parecia a Levin absolutamente incompreensível que os alemães tratassem pessoas daquela maneira. Era a segunda viagem que faziam como deportados e não tinha qualquer comparação com a primeira. A viagem efetuada meses antes de Praga até Theresienstadt fora dura, onze horas fechados numa carruagem de passageiros sem nada para comerem não era normal, mas dirseia um passeio de luxo ao pé do que se passava na nova deslocação. Não só estavam ali umas sessenta pessoas fechadas às escuras havia já dois dias, as portas trancadas por cadeados exteriores, como a composição em que dessa feita os meteram no famoso transporte para leste era formada por vagões para gado. Vagões para gado! Os alemães tinham fechado homens e mulheres, incluindo idosos, doentes e crianças, em vagões para gado!

As crianças choramingavam a toda a hora, no início com grande intensidade e nas últimas vinte e quatro horas já com fraqueza, enquanto os doentes gemiam. Toda a gente tinha sede e fome. Fazia um frio incrível, pois era inverno. O calor gerado por toda aquela massa de gente comprimida era a única vantagem que havia em estarem fechados durante tanto tempo no vagão.

“Vovó?”

A voz da rapariga soara algures da esquerda, no meio da massa de gente que se acotovelava no vagão, arrancando Levin aos seus pensamentos.

“Deixa, Zdanka”, murmurou alguém. “A vovó já não está entre nós...”

“Vovó?!”

Os soluços da rapariga foram acolhidos com um silêncio pesado entre os deportados. Tratavase da segunda morte no vagão desde o início da viagem. Preocupado com o moral da família, Levin espreitou o filho, aninhado aos seus pés; adormecera meia hora antes, quando ele lhe cantara uma das suas canções favoritas em ladino, e a dormir continuava. A seguir olhou para Gerda e viua igualmente exausta; dirseia que dormia de pé. Pelos vistos não se aperceberam da morte da idosa e parecia-lhe melhor assim. A prioridade naquele instante era descansar. Com o vagão tão apertado, não havia lugar para todos no chão e os ocupantes só se sentavam alternadamente. Aquela vez não era a dos Levin. Felizmente havia as pequenas aberturas entre as tábuas. Elas possibilitavam que se deitassem coisas fora e, além de deixarem entrar ar, permitiam perceber em que sentido ia a composição. Pela posição do Sol confirmouse que de facto se dirigiam para leste. Tinham já passado por Praga e por Ostrava e nas últimas horas cruzaram estações com tabuletas em polaco.

Por vezes o comboio parava numa estação, embora as portas permanecessem fechadas, ou no meio do campo, e ficava aí imóvel durante horas. A maior parte das vezes, todavia, eram os outros comboios que ficavam parados à espera de que a composição de Theresienstadt passasse, em certos casos com os vagões carregados de tanques ou de outro material militar destinado à frente russa. Pelos vistos o seu comboio tinha prioridade até sobre as composições envolvidas no esforço de guerra. Como era possível que um mero transporte de judeus fosse para os alemães mais importante do que os abastecimentos destinados às tropas?

Havia já algumas horas que Levin sentia o ventre apertar. Apesar do esforço para reter os intestinos, percebeu que não aguentaria muito mais. Em bom rigor, a sua resistência chegara ao fim. Ou se aliviava no próximo minuto ou fazia tudo ali à frente da família. Sem alternativa, enfiouse pela massa compacta de gente e tentou abrir caminho.

“Faz favor”, pediu. “Dá licença?”

“Cuidado, idiota!”

“Veja lá onde põe os pés!”

A viagem estava a deixar os deportados com os nervos no limite e a paciência não abundava; a menor contrariedade provocava reações de grande indelicadeza.

“Peço desculpa, mas preciso de passar.”

“Onde raio pensa o senhor que vai?”

“Tenho urgência em usar o... o balde.”

A resposta esclareceu toda a gente. Apesar de comprimidos uns contra os outros como molhos de espargos, os viajantes em redor empurraramse e, embora a resmungar, lá arranjaram maneira de abrir alas e de o deixar passar. Ultrapassada a parte mais compacta, o espaço alargou e o fedor tornouse nauseabundo; era a zona onde se encontrava o balde e que os deportados evitavam.

Quando chegou ao pé do balde, Levin atirou um olhar enojado para o interior; havia fezes até acima. Sentiu vontade de vomitar e arrependeuse de ter adiado tanto tempo a visita ao balde, pois se tivesse vindo mais cedo têloia encontrado ainda vazio. Naquele momento era tarde. Olhou em redor, em busca de alternativas, mas elas não existiam; a menos que escolhesse fazer no chão, claro. Não havia maneira de evitar o recipiente. Resignandose, baixou as calças e, no meio de toda aquela gente, acocorouse sobre o balde imundo, evitando tocar com as nádegas nas bordas sujas. Nem precisou de fazer força para libertar os intestinos. As fezes deslizaram de imediato e ouviuas cair sobre as que enchiam o balde com um som de viscosidades a misturaremse. Não levou mais de vinte segundos. Logo que se aliviou, e não tendo nada a que

se limpar, endireitouse e puxou as calças. Sentiase melhor, embora imundo e humilhado. A única consolação é que todos os que iam no vagão haviam virado as costas para lhe oferecer privacidade.

A verdade é que ninguém ali tinha culpa do que se estava a passar. Na estação de Theresienstadt os SS haviamnos enfiado no vagão apenas com dois baldes, este para as necessidades e outro cheio de água, e ainda um pão para cada pessoa.  Fora com isso, e apenas com isso, que tinham vivido ao longo dos três últimos dias.

“Ó amigo, olhe que o balde já está cheio”, constatou uma das pessoas mais próximas quase em tom de censura. “Tem de o despejar.”

Era verdade que não cabiam mais fezes no recipiente. As regras não escritas do vagão atribuíam ao último utilizador o dever de o esvaziar. Isso significava que essa responsabilidade recaía sobre Levin. Sempre resignado, segurou o balde pela pega suja, borrando a mão com as fezes, e sustendo a respiração levouo para uma das janelas minúsculas. Apesar de apertadas, as pessoas abriram alas até com mais eficiência do que quando ele para ali fora. Depois de virar a cabeça momentaneamente para trás, para ganhar fôlego, susteve a respiração e levantou o balde. Apesar de a abertura estar protegida por arame farpado, despejou o conteúdo para fora, tendo o cuidado de o fazer para trás no sentido do movimento da composição, não fosse o vento devolverlhe os excrementos para a cara.

Quando terminou voltou ao canto do vagão que por comum acordo correspondia ao espaço das latrinas e pousou o balde. A seguir regressou para junto da família na esperança de que as fezes nas mãos e na roupa não fossem demasiado pestilentas. A mulher acolheuo com um sorriso forçado. Queria consolálo, como se lhe dissesse que estava tudo bem e que não tinha de ter vergonha de nada.

“Não apanhaste nenhum alemão?”

Levin apreciou a tentativa.

“Desta vez não.”

A pergunta dela arrancou alguns sorrisos ténues em redor, uma vez que constituía uma referência a um episódio inusitado, e inesquecível, ocorrido ainda na véspera. Desde que o balde

começara a ser utilizado que as pessoas no vagão se limpavam com um papel castanho que alguém trouxera de Theresienstadt para embrulhar a comida. O problema é que, à custa de tanta utilização, não foi apenas o balde que se tornou imundo; o papel castanho também. A folha ficou de tal modo suja que deixou de ter qualquer utilidade. Assim sendo, numa ocasião em que o comboio parara numa estação, alguém a atirou para fora. O interessante é que um soldado alemão, de capacete e espingarda com baioneta, intrigado com aquela massa estranha

que viu no chão e que não reconheceu, teve a brilhante ideia de lhe espetar a baioneta e a seguir pegar nela com as mãos.

O relato do sucedido pelos poucos passageiros que espreitavam pela pequena abertura e assistiram à cena espalhouse como um incêndio pelo vagão e constituiu o único momento de felicidade ao longo da viagem interminável.

A noite já caíra duas horas antes e estavam mergulhados na escuridão total quando a voz da mulher percorreu o vagão, entoando uma velha canção infantil para embalar a filha de cinco anos.


Eine rosa Krinoline
kauf ich dir, mein Kind,
wenn wir...

De repente sentiram o comboio abrandar e a mãe calouse. Todos ficaram subitamente atentos, tentando perceber o que se passava. Como estavam habituados à treva absoluta, a menor luz permitialhes destrinçar silhuetas, e os que ocupavam os lugares junto às pequenas aberturas conseguiam vislumbrar indicações acerca do espaço exterior.

“Luzes!”, exclamou um dos deportados à janela. “Estamos a chegar a uma estação!”

Ouviram o guincho característico da travagem e a composição voltou a perder velocidade. Momentos depois rolava já devagar, quase como se bufasse de exaustão. Uma claridade passou pelas frinchas entre as tábuas do vagão, rasgando a escuridão total que os envolvia desde que três horas antes a noite caíra. O comboio sacudiuse com um estremeção final e por fim imobilizouse. Fezse um silêncio expectante dentro do vagão.

“O que se passa?”, perguntou alguém. “Onde estamos?”

“Num lugarejo qualquer”, confirmou uma pessoa junto a uma das janelas. “Mas não vejo tabuletas, não consigo perceber que sítio é este. Apenas se veem luzes. Muitas luzes.”

Aguardaram em silêncio. Ao longo dos últimos dias haviam parado em várias estações e apeadeiros e voltado a partir sem que nada de especial tivesse acontecido. Pareceulhes que estavam numa situação dessas. A crer no padrão dos últimos dias, o mais certo era daí a algum tempo a composição retomar a marcha. Sentiamse exaustos, esfaimados e com muita sede. Já haviam morrido dois idosos no vagão e queriam sair dali. Nada podia ser pior do que aquele maldito comboio.

Escutaram vozes e ouviram cães a ladrar. Aguçaram a atenção e perceberam que se gritavam ordens em alemão, embora dentro do vagão não fosse possível entender o que era dito. Subitamente ouviram um som metálico e perceberam que a porta estava a ser destrancada. Fezse uma claque final e uma curta pausa.

“E agora?”, sussurrou Gerda, expectante. “Será que...”

A porta foi corrida com um movimento brusco e o interior do vagão foi invadido por luzes fortes, encandeando os deportados, habituados à escuridão.

Raus!”, berrou um homem em alemão. “Fora! Toda a gente para fora!”

Schnell! Schnell!”, ordenou outro. “Depressa! Depressa! Toca a sair! Depressa!”

Os cães ladravam furiosamente e os Levin sentiram o espaço em torno deles esvaziarse no meio de grande alvoroço; as pessoas saíam já. Ouviamse ordens em alemão e sons secos por entre os gritos. No meio daquela orgia confusa de luz e sombras aperceberamse de vultos que sovavam os deportados quando estes abandonavam o vagão.

“Schnell! Schnell!”

Os homens que batiam eram soldados SS e davam à esquerda e à direita com bastões, atingindo indiscriminadamente velhos, homens, mulheres e crianças. Alguns riamse até. Ali não havia lei, ou se havia era a lei ditada por homens a quem tudo era permitido. Os cães ladravam, os velhos caíam em resultado das pancadas, as crianças berravam assustadas; o caos haviase instalado, nascido do nada. Embasbacado com tamanha confusão, Levin ficou por momentos paralisado, sem perceber o que se passava, sem saber como proceder, sem entender o lugar em que desembarcavam, até que a sua vez chegou e, pegando nas malas e protegendo a mulher e o filho com os braços, dirigiuse à abertura do vagão para sair o mais depressa possível, pois enquanto havia muita gente as hipóteses de escaparem aos bastões eram maiores.

“Raus, Juden! Raus!”

Um bastão atingiuo no ombro enquanto protegia Peter; gemeu de dor, mas não se deteve e avançou até saltar para o exterior. Sentiu o ar gelado esbofetearlhe a cara e envolverlhe o corpo e um estranho cheiro a queimado entroulhe pelas narinas. Haviam desaguado na plataforma de uma estação de comboios e os deportados, assustados e confusos, meio cegos com toda aquela luz e sem compreenderem o que se passava no meio de tanta confusão, acotovelavamse ao longo do espaço como gado encurralado. À sua volta caíam levemente flocos, como penas a oscilarem no ar; dirseia neve prateada. Observoua com estupefação até perceber que não era neve, mas cinzas.

“Larguem as malas!”, ordenou um SS. “Mais depressa! Larguem as malas e formem em fila. Toda a gente, filas de cinco! Schnell! Schnell!”

Vendo a cada dez metros soldados SS aos berros ou a olhálos com cães furiosos seguros pelas trelas, e desorientados com os focos de luz num espaço que não reconheciam, os deportados obedeciam num silêncio intimidado; comportavamse como um rebanho. As malas foram depositadas na margem da plataforma até formarem um verdadeiro monte, a que os Levin juntaram as deles. O casal não sabia como as recuperaria, ninguém lhes deu nenhum recibo ou talão, mas nem Levin nem Gerda se atreveram a exprimir a dúvida porque os cães e os bastões

mostravamlhes o que sucederia se questionassem as ordens.

Los! Los!”, insistiu um SS que passava por eles a balouçar ameaçadoramente o bastão. “Vamos lá! Los!

Ao depositar as malas que trazia de Theresienstadt, Levin apercebeuse de que as bagagens dos recémchegados eram carregadas para carroças por homens de cabelo rapado à escovinha e fardas às riscas cinzentoazuladas, como pijamas, comestrelas amarelas de seis pontas ao peito. A maior parte destes prisioneiros judeus caminhava em silêncio, mas ouviu alguns trocarem palavras e compreendeu que falavam polaco. Embora não soubesse a língua, tinha esperança de que compreendessem checo, por se tratar de línguas eslavas com afinidades, pelo que arriscou uma pergunta.

“Onde estamos?”

O homem hesitou antes de responder, e quando o fez foi num sussurro disfarçado.

Oświęcim.

O recémchegado nunca tinha ouvido falar em tal lugar, duvidou até que tivesse ouvido bem, mas não insistiu; pareceulhe arriscado. Fosse onde fosse aquele sítio estranho, parecia claro que se encontravam algures na Polónia e que haviam atingido o destino final da viagem. Obedecendo às ordens dos SS, alinhouse na plataforma junto à mulher e ao filho e, apesar de

assustado, procurou tranquilizálos.

“Chegámos”, murmurou para Gerda. “Ao menos a viagem acabou. Qualquer coisa é melhor do que o comboio.”

A mulher não respondeu, tão apavorada se sentia. Levin também nada mais disse, pois havia o elevado risco de ser escutado pelos SS que os rodeavam. Com os olhos já habituados à luz, analisou o espaço para tentar apreender o máximo de informação. A noite cercavaos com o seu manto opaco e viu filas de luzes cintilantes, lâmpadas penduradas em arame farpado e em colunas inclinadas de cimento até formarem vastos perímetros em retângulo que se estendiam por quilómetros e quilómetros, mais torres de vigilância com holofotes a passearem os seus focos sobre filas sucessivas de barracões de madeira dentro dos retângulos. Apercebeuse do perfil de uma torre e para lá dela uma chama altíssima lambia a noite. Era uma chaminé e estava ativa.

“Toda a gente alinhada!”, berrava ainda um SS. “Los! Vamos lá! Todos alinhados! Schnell! Schnell!”

Olhou para o oficial alemão que dava ordens aos recémchegados e mesmo ao lado dele viu o nome da estação escrito numa tabuleta, já não Oświęcim em polaco, o nome que o prisioneiro lhe soprara momentos antes, mas o equivalente em alemão.

Auschwitz.

 

No horror de Auschwitz, Francisco, recém-chegado, apresenta-se ao seu novo comandante:

A porta de um gabinete abriu-se e o novo SS-Mann viu-se diante de um homem novo de óculos, pouco mais de vinte anos, pequeno e fardado de cinzento, de cócoras a guardar um instrumento de sopro num armário. O homem ostentava na farda a patente de Unterscharführer, o equivalente nas SS ao cabo-mor da Wehrmacht.

“Oi!”, disse o Unterscharführer, ainda de cócoras. “Você não acha o jazz muito bacana?”

Francisco ficou pregado ao chão, incrédulo. O homem falara em português. Com o saxofone já guardado, o oficial das SS encarou-o com um sorriso.

“Ué! O gato mordeu a sua língua?”

O recém-chegado sacudiu a cabeça, recompondo-se da surpresa.

“O senhor… uh… o Unterscharführer fala…português?”

“Nasci no Brasil, no Rio de Janeiro.” Fez um sinal a indicar uma cadeira. “Você não quer sentar não?”

Quase como um autómato, Francisco obedeceu. Olhava estupefato para o interlocutor e não acreditava.

“Peço desculpa pela impertinência, Unterscharführer, mas… o que está um brasileiro a fazer nas SS?”

“O mesmo que um português, presumo eu.”

“O Unterscharführer também foi forçado a entrar nas SS?”

O oficial sorriu.

“Forçado não é a palavra”, disse. “Meu pai é brasileiro e minha mãe alemã. Quando eu era mais novo minha mãe me trouxe para Berlim e me botou na Escola Técnica Superior. Depois veio a guerra. Aí me alistei nas SS, faz agora três anos, e em 1942 me mandaram pra cá.”

“Como o Unterscharführer deve calcular, é uma grande surpresa encontrar um SS brasileiro.”

Pery Broad levantou-se e foi ao armário, cujas prateleiras eram ocupadas por filas de livros.

“Da mesma maneira que é uma surpresa ver um SS português”, disse.

(…)

A continuação está no livro "O manuscrito de Birkenau" já chegado em casa. 😉

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