terça-feira, 19 de outubro de 2021

[Estórias da Aviação] Um Miami para não esquecer

José Manuel

Corria o ano de 1983, plácido, gostosamente, como tudo naquela época, ao sabor da vida, sem preocupações, sem cobranças, sem boletos, apenas a vida curtida em seu esplendor, e como deve ser.

Nessa época estava me divorciando, precisava urgente de "ares" novos para respirar, e resolvi ir morar no meu trailer em um camping no Recreio, paraíso havaiano em pleno Rio de Janeiro.

Já estabelecido naquele lugar paradisíaco, fui fazer um voo cujo chefe de equipe não conhecia e se chamava KELMER, que segundo a Filomena, com esse nome, era um "alemão" maranhense que ela conhecia de outros carnavais.

Nossa empatia foi imediata, pois ele também estava se separando, e adorou saber que eu morava num camping.

Não muito tempo depois daquele voo, estávamos solteiros e cada qual em seu trailer, respirando aquele gostoso ar marinho, as delícias do mundo solteiro ao nosso alcance e com a visão do mar a alguns metros da nossa nova base.

Foi uma época inesquecível mesclada de grandes capitais europeias, americanas, o bucolismo de uma praia quase selvagem, gastronomia ao ar livre e, de roupa, apenas o nosso uniforme de voo, de vez em quando, sendo o calção de banho nosso uniforme cotidiano.

Algum tempo depois, continuava fixo com o Kelmer nos voos, para cima e pra baixo, quando num determinado voo uma comissária chamada Maria Irene saiu de São Paulo com as malas de voo e se instalou no meu trailer e na minha vida até hoje, pondo um fim na minha perene vagabundagem!

Foi uma época muito prazerosa em tudo e por tudo. Acabamos os três ficando em tripulação fixa, a fim de facilitar nosso deslocamento ao aeroporto, de uma área tão remota àquela época.

Paraíso à parte, com o Kelmer estavam fixos na primeira classe do DC-10, eu, a Irene e eventualmente um ou outro fixo.  O Luiz Passos, o Cesar Bugre e o Odilon foram fixos conosco, cada um a seu tempo e posição.

[Aparecido rasga o verbo] Insossa

Aparecido Raimundo de Souza

VOCÊS QUE leem as minhas crônicas já perceberam o quanto as pessoas perdem a noção, quando a gente educadamente solicita um pedacinho de papel para escrever alguma coisa urgente? Pois é! Aconteceu comigo, meus caros. Domingo passado, num restaurante chiquérrimo, em Cravinhos, cidade próxima de Sertãozinho e Ribeirão Preto, interior de São Paulo, enquanto aguardava o prato que escolhera no cardápio, ao garçom de cara redonda e barba por fazer, fui até o caixa e pedi à moça que me arranjasse um pedaço de papel para escrever.

A jovem, com um sorriso sem graça, de quem comeu alguma coisa e não gostou, me entregou, uma folhinha tão pequena, tão minúscula, que mal consegui escrever meu nome, e-mail e o número do telefone para entregá-los a uma senhorita que havia se sentado na mesa ao lado, e, a gente (enquanto esperávamos as nossas refeições), entabulou uma amigável e amável conversa. A bela (não a do caixa, da mesa ao lado, sempre é bom repetir), me disse se chamar Doralice. Tinha vinte e seis anos, se formara  professora de educação física e preparava, em sua academia, perto dali, crianças de ambos os sexos para apresentações em programas de televisão.

Papeamos por um bom tempo, o que levou a criatura, a certa altura, e a convite meu, passar a mão em suas coisas e dividir comigo o mesmo espaço da mesa. Depois de satisfeitas as nossas barrigas, despedimos com tudo o que tínhamos direito, ambos com os olhos cheios de coraçõezinhos pulsantes e, nas palavras, a promessa de logo nos falarmos, outra vez, por telefone. Voltando à criatura do caixa, e seu ridículo pedacinho de papel, menor que o de uma bala de chupar, tal fato me deixou muito irritado e pê da vida.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

[Dossiê : A Democracia] Que reste-t-il de la démocratie ? Tout, hélas

Fiction juridique ou mensonge politique, la démocratie est impossible dans les faits: elle sécrète nécessairement une oligarchie qui gouverne avant tout pour elle-même

Frédéric Rouvillois

Se demander – puisque tel est l’un des objets de ce dossier – ce qu’il reste de la démocratie, présuppose que celle-ci ait été définie et mise en pratique. Pour ce qui est de la définition, il suffit de renvoyer à l’étymologie, selon laquelle elle n’est autre chose que le pouvoir du peuple ; ou encore, à l’article 2 de la constitution de 1958, qui précise que son principe est: « Gouvernement du peuple, pour le peuple et par le peuple ». Le problème, ici, est celui de la mise en œuvre. Et plus exactement, le fait que jamais, dans la réalité, la pratique démocratique n’a correspondu à cette définition. Gouvernement du peuple ? À la bonne heure : c’est l’essence même de l’autorité politique quelle qu’elle soit. C’est après que les choses se gâtent: gouvernement par le peuple, et pour le peuple ? 

Par le peuple? Dans l’immense majorité des cas, ce dernier ne s’est jamais gouverné lui[1]même. Car gouverner, c’est à la fois faire la loi, et l’exécuter. Or, pour ce qui est de l’exécutif – de ce que l’on appellerait en droit constitutionnel le gouvernement proprement dit – il est toujours et nécessairement délégué à un petit groupe de personnes, même dans les cités démocratiques de l’Antiquité ou les micro[1]États contemporains. Bref, ce qui apparaît en fait comme l’essentiel échappe par définition au peuple, tout simplement parce que celui-ci est structurellement incapable de l’assumer.

Mais qu’en est-il du pouvoir de faire la loi? Eh bien là aussi, le plus souvent, il est pratiquement exclu que le peuple fasse lui-même les règles qui lui sont applicables, dès lors qu’il ne peut physiquement se réunir dans un seul lieu, ni surtout le faire fréquemment. Même s’il le pouvait, il lui serait impossible de discuter, d’argumenter rationnellement, en un mot de délibérer sur les projets de loi: ce sont des experts, au mieux délégués par lui, qui devraient s’en charger. Enfin, même s’il parvenait miraculeusement à surmonter ces impossibilités successives, le peuple ne pourrait échapper à ceux que l’on nomme aujourd’hui, sur les réseaux sociaux, les « influenceurs » – ceux qui savent imposer aux autres leurs goûts, leurs tendances, leurs choix, et qu’en politique, on appelle les leaders ou les guides.

O ruim e o pior. A fala do Deputado e a reação da CNBB

FratresInUnum.com

Na Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, o arcebispo Dom Orlando Brandes [foto] fez, em seu sermão, uma afirmação politizada que despertou a cólera dos católicos: “Para ser pátria amada não pode ser pátria armada”. A retórica politiqueira é recorrente na boca de Dom Brandes na festa da padroeira. A tentação de transformar o altar em palanque é, para ele, irresistível demais. Não faltaram reações de crítica, muitas delas bastante contundentes, tanto por parte dos fiéis, quanto por parte dos jornalistas. O povo, em geral, desaprovou a “indireta” do arcebispo e o criticou duramente pelas redes sociais.

Pois bem, dois dias depois, no dia 14 de outubro, o Deputado Estadual Frederico D’Ávila (PSL-SP) fez um veemente pronunciamento na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), em que xinga Dom Orlando Brandes, a CNBB e o Papa Francisco. Houve destempero em sua fala, o que o faz perder muito de sua razão.

Ontem, a CNBB lançou uma forte carta ao presidente da ALESP praticamente pedindo a cabeça do deputado e dizendo que vão usar a força judicial contra ele. Em todos estes anos, talvez a missiva de ontem tenha sido o escrito mais agressivo da CNBB; nada de diálogo nem de misericórdia.

Na sequência, numerosos bispos, padres e leigos replicaram a nota em suas redes sociais, na mais rasgada demonstração de corporativismo, que é, no final das contas, a única religião do clero e do laicato engajado. Não existe mais a Fé católica nem os valores morais cristãos, não existe mais a honra de Deus nem a defesa da nossa santa religião, a única coisa que restou é a replicação das posições institucionais e a defesa dessas mesmas instituições; em suma, o bom-mocismo característico de uma sociedade hierárquica que já não tem mais convicções profundas.

Quiséramos ver tal demonstração de zelo quando a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi profanada num muro da cidade de São Paulo. Ali, Dom Odilo Scherer não fez nenhuma live de execração; mas ontem ele a fez para defender a CNBB. Em outras palavras, para ele e para os demais, a CNBB está acima de Nossa Senhora e merece defesa mais do que Ela. É isso que ele está confessando com os seus atos, ainda que de maneira inconsciente, pois está cegado pelo bom-mocismo institucionalista.

O bafo da demagogia oculta

Péricles Capanema


Estigma perene. Raíssa, indiazinha de onze anos, foi assassinada barbaramente por cinco estupradores concertados. Como pôde acontecer? Não podia; o estupro coletivo sangrou o coração do Brasil. Daqui a pouco, infelizmente, temo, coração frio, ninguém mais vai se lembrar dela. Este artigo é para que Raíssa seja sempre recordada. E ainda para que as lições que surgiram de sua morte, e nos esbofeteiam a cada instante, também permaneçam. A menina morreu atirada de um penhasco nos limites da aldeia Bororó. Terá sido vista como pacote inútil ou comprometedor. Um dos participantes do descarte (e do estupro) era tio seu, irmão da mãe. Na cadeia os estupradores de meninas, é usual, lei do meio, são mortos pelos demais detentos. O tio de Raíssa morreu na cadeia.

Registro necessário. Tecerei pequenos comentários sobre fatos amplamente divulgados. No meu caso, estes foram respigados em especial na extensa reportagem de Vinicius Konchiski, que relatou com precisão a realidade macabra e multifacetada; não floreou, não enfeiou. 

Favela indígena. Raíssa da Silva Cabreira, a indiazinha estuprada e assassinada, tinha como a mãe, Vanilda da Silva, sobrenomes portugueses, gente aculturada, pelo menos em parte; moravam mãe e filha numa favela indígena (tecnicamente residiam na Reserva Indígena de Dourados), Mato Grosso do Sul. A reserva, instituída em 1914, tem 3 mil hectares, está a dez minutos de carro do centro de Dourados, cerca de 250 mil pessoas, importante centro agropecuário, conhecida como “Cidade Modelo”. A mais densamente povoada reserva do Brasil, ali moram, via de regra precariamente, em torno de 20 mil pessoas, indígenas, mestiços, brancos, negros. Saúde e educação escassas, segurança baixa, pouca água potável, cachaça solta, droga disseminada, criminalidade alta. Organizações de finalidades várias doam meritoriamente cestas básicas para quem ali vive. A maioria dos residentes pertence à etnia guarani kaiowá. Existem muitos terenas. A mais as habitam indígenas de outras etnias. Duas aldeias estão na área. Uma, a Bororó (maioria kaiowá); outra, a Jaguapiru, parece um bairro, composta por etnias diversas; fica à margem da rodovia MS-156. Os assentamentos do INCRA receberam o nome de favelas rurais; aqui uma reserva recebe o nome de favela indígena. Na realidade do Brasil, temos dinheiro público torrado e perdido a rodo somado à roubalheira (negligência, imperícia, imprudência, desonestidade — culpa e dolo), com pouca ou nenhuma melhoria efetiva para os supostos beneficiários, quando os há.

Dependência estatal. Vou entrar por um atalho, daqui a pouco voltarei ao estradão. Criada em 1914, até hoje a reserva não anda pelas próprias pernas, depende do Poder Público e de entidades privadas assistenciais. Culpa dos índios? Não. De ideias regressistas, muitas vezes entulhos autoritários, que impedem o avanço. Em resumo, as ajudas e compensações, necessárias e louváveis, deveriam com compasso, gradualmente, estimular a autonomia; e depois a liberdade dos assistidos. Como uma mãe faz com o filho — o auxílio afetuoso é formativo, molda a personalidade, prepara para a vida em liberdade.

Pais vascaínos se encontram coincidentemente em maternidade

Três pais foram à maternidade conhecer seus filhos recém-nascidos, e acabaram protagonizando um momento cruzmaltino sem igual

Anderson Montalvão

Três famílias de vascaínos protagonizaram uma coincidência daquelas na última sexta-feira, na Maternidade Carmela Dutra, no Méier, Zona Norte do Rio. Três mães e seus respectivos bebês, que nasceram no mesmo dia, dividiam um quarto no hospital quando, aos poucos, os pais das crianças foram chegando ao local.

O primeiro chegou vestindo uma camisa do Vasco. Em seguida, o segundo também apareceu com a cruz-de-malta no peito. Já era uma baita coincidência. Karine da Silva Dias, uma das mães no quarto, é funcionária da loja oficial do clube e lembra da conversa que as famílias tiveram:

– Na chegada do segundo pai com a camisa do Vasco, comentamos entre a gente: “agora só falta o terceiro chegar com a camisa também”. E foi como aconteceu. O terceiro pai estava passando no corredor quando um dos pais o chamou. Por coincidência, era o quarto certo para ele entrar. Lá estava a filha dele também.

Um registro do encontro de vascaínos até então desconhecidos foi feito. E bastou a foto ganhar as redes sociais para rapidamente viralizar. Karine é a mãe do Pedro Lucas, bebê que aparece na manta azul no colo do pai, Pedro Daniel Corrêa Baptista.

Apesar do vínculo tão inusitado, Karine revela que as famílias não trocaram contato para um encontro futuro. Nada que as redes sociais não resolvam.

– Na hora do acontecido, eu nem lembrei de pegar contato, pois estava mega surpresa e sem esperar de acontecer aquilo – explica Karine.

Título e Texto: Anderson Montalvão, Vasco Notícias, 17-10-2021, 22h13  

INSS: Prova de vida será realizada no mês do aniversário

A partir de 2022, os beneficiários realizarão o procedimento no mês de seu nascimento

A Portaria Nº 1.366, de 14 de outubro de 2021, regulariza como nova data para realização da prova de vida, a partir de 2022, o mês de aniversário dos beneficiários. 

Atualmente, a obrigatoriedade da prova de vida está suspensa de acordo com a Lei 14.199/2021, de 2 de setembro de 2021.

Os beneficiários que não realizaram a prova de vida desde novembro de 2020 até dezembro de 2021 deverão realizar o procedimento no início de 2022 por um dos canais disponíveis: na própria agência bancária onde o segurado recebe o benefício ou por meio de biometria facial ou digital.

Todas as informações sobre a prova de vida, procedimento realizado apenas uma vez por ano, podem ser encontradas na matéria do portal que explica em detalhes todo o procedimento.

Em caso de dúvidas, o cidadão pode utilizar nossos canais de atendimento: MeuINSS, site ou aplicativo, ou pela Central 135, que funciona de segunda a sábado, das 7 da manhã às 22 horas.

[Observatório de Benfica] Libertar a sociedade do "Golpe" de 2015

Mário Florentino

Talvez já não se lembrem, mas em 2015, houve um golpe na nossa democracia. Um golpe contra as regras não escritas que regiram o nosso regime democrático desde 1976. Quando o PSD ganhou as eleições, sem maioria absoluta, o seu governo foi derrubado, e o PS decidiu aliar-se às forças não democráticas de esquerda para conquistar o poder. Isto representou um golpe, porque até então existia o chamado "arco da governação", no qual que os partidos extremistas e radicais não entravam. Todos os governos anteriores tinham sido sempre do PS ou do PSD (sozinhos, coligados, ou em coligação com o CDS). Foi, portanto, em 2015 que, pela primeira vez, partidos não democráticos entraram na esfera do poder. Nessa altura, muitos analistas consideram esse movimento de António Costa como um "golpe" perigoso, que o país pagaria caro. Hoje, passados seis anos, estamos a sofrer na pele as consequências desse golpe.

Em 2019, quatro anos volvidos sobre o golpe, era já evidente a ausência de estratégia, a falta de resultados e a incompetência do PS para governar o país, aliado aos seus novos parceiros. A pandemia de 2020, no entanto, colocou tudo em suspenso, e durante estes últimos dois anos houve apenas um assunto que concentrou todas as energias do governo e da sociedade: a pandemia e a gestão do medo do vírus Covid-19.

Terminada a pandemia, que coincidiu temporalmente com as eleições autárquicas, todo o fracasso deste governo contranatura, ficou por demais evidente. Como escreveu João Miguel Tavares no seu artigo de sábado no Público, "o dique rebentou e a enxurrada não para de abrir telejornais". São demissões nos hospitais, professores por colocar, manuais por entregar, comboios e barcos parados, greves em todos os cantos, preços da energia a disparar, etc., etc... Parece que de repente a sociedade acordou para o caos em que vive. Esta insatisfação generalizada teve já um primeiro reflexo nos resultados das eleições autárquicas, em que o partido do poder, e os seus aliados extremistas, sofreram pesadas derrotas (face às expectativas, no caso do PS, e derrotas evidentes em votos e mandatos nos casos do PCP e BE). 

Na última semana, três acontecimentos mostraram que estamos mesmo perante uma mudança de ciclo político, como alguns anteciparam. O primeiro é a forma como todos os partidos têm gerido as negociações para o orçamento de 2022. Ao contrário da negociação fácil que se antecipava, a situação é a de perigo de chumbo do orçamento, com PCP e BE a "esticarem a corda".

Marcelo perdeu-se nas suas múltiplas e desesperadas declarações (às vezes mais que uma por dia), e com a ameaça de dissolução do Parlamento caso os partidos não se entendam e chumbem o orçamento. No entanto, ninguém parece querer eleições (eventualmente com a excepção de Costa, mas, mesmo ele, atrever-se-á a correr esse risco?).

domingo, 17 de outubro de 2021

A soja é a maior inimiga do MST

Um mundo rural que dá certo é a morte da “reforma agrária” e de outros contos do vigário aplicados pela esquerda

J. R. Guzzo

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O cultivo de soja é um dos mais brilhantes sucessos da história econômica do Brasil — talvez o maior exemplo, em qualquer época, de alguma coisa que deu certo neste país em termos de progresso puro e simples, e de tudo o que isso significa de bom. A safra deste ano vai ser superior a 140 milhões de toneladas, o que faz do Brasil o maior produtor de soja do planeta, com quase 40% de toda a produção mundial — e um fator-chave, hoje em dia, na produção de alimentos para toda a humanidade. Em 2021, pelo sétimo ano consecutivo, a soja vai ser o principal produto de exportação do País, com mais de US$ 35 bilhões — uma injeção de divisas essencial para o bem-estar dos 200 milhões de brasileiros, ao permitir que a economia nacional funcione com um mínimo de normalidade e livre de crises nas suas contas externas.

Em suma: a soja, no Brasil, é uma solução extraordinária. Não para a esquerda, porém; aí é exatamente o contrário. A soja, no “Movimento dos Sem Terra” e nos seus patrocinadores do PT, PSOL e adjacências — que são, na verdade, os seus verdadeiros donos — é uma desgraça que precisa ser destruída. É o que deixou claro a recente agressão do MST contra a sede da associação dos produtores de soja em Brasília. Uma gangue de malfeitores, usando equipamento para cortar metais e outros meios violentos de ataque, pichou paredes, vidros e janelas, instalou faixas de plástico pintadas e destruiu tudo o que pôde — um crime, e praticado com a violência do arrombamento. A soja, proclamaram os atacantes, é o maior inimigo que o Brasil tem hoje.

Delta Airlines CEO takes defiant stand against vaccine mandates, praises 'respecting' employees — not forcing them to get vaccinated

Chris Enloe

Delta Airlines CEO Ed Bastian [photo] took a stand against COVID-19 vaccine mandates this week, saying his decision not to impose a mandate on his employees is the reason most of Delta's employees are vaccinated.

Speaking on Fox Business, Bastian said Delta has accomplished a vaccination rate of more than 90% without "the divisiveness of a mandate."

"The reason the mandate was put in by president, I believe, was because they wanted to make sure companies had a plan to get their employees vaccinated," Bastian said. "A month before the president came out with the mandate, we had already announced our plan to get all of our people vaccinated. And the good news is the plan is working."

"By the time we're done, we'll be pretty close to fully vaccinated as a company without going through all the divisiveness of a mandate," Bastian explained.

"We're proving that you can work collaboratively with your people, trusting your people to make the right decisions, respecting their decisions and not forcing them over the loss of their jobs," he added.

In August, Delta Airlines announced, not a vaccine mandate, but a health insurance surcharge for unvaccinated employees.

Beginning Nov. 1, unvaccinated employees enrolled in Delta's account-based healthcare plan will be subject to a $200 monthly surcharge. The average hospital stay for COVID-19 has cost Delta $50,000 per person. This surcharge will be necessary to address the financial risk the decision to not vaccinate is creating for our company. In recent weeks since the rise of the B.1.617.2 variant, all Delta employees who have been hospitalized with COVID were not fully vaccinated.

Bastian told Fox Business he expects Delta's vaccination rate to rise another 5% in the next month. Combined with religious and medical exemptions, nearly all of Delta's staff will then be vaccinated — all without a mandate.

What did Biden announce?

Biden issued a COVID-19 vaccine mandate last month for all federal contractors. The mandate impacts several major airlines, including Delta Airlines, because they contract business with the federal government. Biden's mandate gives contractors until Dec. 8 to comply.

Caso Bruno Graf: mãe afirma que está sendo vítima de linchamento na internet desde a morte do filho

Arlene Ferrari virou alvo de ataques depois de divulgar exames que associam óbito à vacina da AstraZeneca

Cristyan Costa

O advogado Bruno Graf [foto] não era de beber, tampouco fumar ou consumir drogas. Ao receber visitas de amigos em casa, optava sempre pelo refrigerante. Para um dia morar sozinho, estava aprendendo a cozinhar. Quando sua mãe, Arlene, chegava do supermercado, corria para ajudá-la a descarregar as compras do carro. A pedido da namorada, tirou habilitação para dar suporte à mãe quando fosse preciso. Sem comorbidades, levava uma vida saudável.

Como tantos brasileiros, Bruno esperava a chegada da vacina contra o novo coronavírus. Em 24 de agosto, ele morreu vítima de um AVC, 10 dias depois de tomar a primeira dose do imunizante da AstraZeneca. Bruno tinha 28 anos.

O caso

O rapaz sentiu desconforto no braço nas primeiras horas, evoluindo para dores musculares. A mãe do jovem, Arlene Ferrari Graf, tratou dele em casa. Após nove dias, Bruno sentiu fortes dores de cabeça. Os pais o levaram ao Hospital de Santa Catarina, onde foi medicado e submetido a exames de sangue. Detectou-se que as plaquetas de Bruno estavam baixas (quando há dificuldades para o sangue coagular). Arlene decidiu solicitar a internação do filho.

“A médica plantonista cogitou a possibilidade de ser coronavírus. Mas, no mesmo dia, saiu resultado negativo”, relatou Arlene, em entrevista à Revista Oeste. A mãe disse que os médicos levantaram a possibilidade de dengue, e o hospital deu início ao tratamento. Em 24 de agosto, Bruno teve um AVC hemorrágico e perdeu os movimentos de um lado do corpo. Encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva, ficou ligado a aparelhos até 26 de agosto, quando teve a morte cerebral oficializada.

Sistema de pagamento transforma o metrô de Moscou numa armadilha para dissidentes

Reconhecimento facial já levou à prisão de doze oposicionistas

Dagomir Marquezi

Os usuários do metrô de Moscou não precisam mais de ticket para entrar nas 241 estações da capital. Um sistema de reconhecimento facial libera automaticamente a entrada na plataforma de embarque.

Ou não. As 200 mil câmeras instaladas já facilitaram a prisão de pelo menos 12 manifestantes a favor do líder de oposição, Alexander Navalny durante a saída de uma passeata. O sistema chamado Face Pay está sendo criticado por organizações de direitos humanos por causa da ausência de leis que protejam a privacidade de usuários.

“Dizem que essas câmeras estão instaladas para nossa segurança”, declarou a política Alyona Popova, de oposição ao presidente Vladimir Putin, ao jornal The Times. “Mas eles estão construindo realmente uma base de dados que identifica com quem você fala e por quanto tempo. Seu círculo social inteiro é identificado. Está sendo usado principalmente para propósitos políticos contra dissidentes”. O vice-prefeito de Moscou, Maxim Liksutov, negou as acusações.

Título e Texto: Dagomir Marquezi, revista OESTE, 17-10-2021, 8h15

Cães e gatos podem ter vírus da covid-19, mas não transmitem a doença

Pesquisa é da Pontifícia Universidade Católica do Paraná

Alana Gandra

Apenas 11% dos cães e gatos que habitam casas de pessoas que tiveram covid-19 apresentam o vírus nas vias aéreas. Esses animais, entretanto, não desenvolvem a doença, segundo pesquisa realizada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

Foto: Nelson Duarte

Isso significa que eles apresentam exames moleculares positivos para SARS-CoV-2, mas não têm sinais clínicos da doença.

Segundo o médico veterinário Marconi Rodrigues de Farias, professor da Escola de Ciências da Vida da PUC-PR e um dos responsáveis pelo estudo, até o momento, foram avaliados 55 animais, sendo 45 cães e dez gatos. Os animais foram divididos em dois grupos: aqueles que tiveram contato com pessoas com diagnóstico de covid-19 e os que não tiveram.

A pesquisa visa analisar se os animais que coabitam com pessoas com covid-19 têm sintomas respiratórios semelhantes aos dos tutores, se sentem dificuldade para respirar ou apresentam secreção nasal ou ocular.

Foram feitos testes PCR, isto é, testes moleculares, baseados na pesquisa do material genético do vírus (RNA) em amostras coletadas por swab (cotonete longo e estéril) da nasofaringe dos animais e também coletas de sangue, com o objetivo de ver se os cães e gatos domésticos tinham o vírus. “Eles pegam o vírus, mas este não replica nos cães e gatos. Eles não conseguem transmitir”, explicou Farias.

Segundo o pesquisador, a possibilidade de cães e gatos transmitirem a doença é muito pequena. O estudo conclui ainda que em torno de 90% dos animais, mesmo tendo contato com pessoas positivadas, não têm o vírus nas vias aéreas.

Mutação

Segundo Farias, até o momento, pode-se afirmar que animais domésticos têm baixo potencial no ciclo epidemiológico da doença.

[As danações de Carina] As flores nossas de cada dia

Carina Bratt

TERÃO, AS FLORES, algum significado especial?  De certo, que sim, vez que sabemos que existe o prestígio da hierarquia, ou dito de forma diferente: o poder da atração, da fascinação e do encanto a um só tempo. A Rosa, por exemplo, há de ser sempre, haja o que houver, a Rainha.

Massamá, 2015, foto: JP

Umas valem mais que as outras, não só pelo aspecto, como, igualmente, pelo perfume que exalam, e, claro, pela beleza inconfundível e a especiosidade que arrebatam os nossos olhos. Entretanto, é bom que se diga, há quem empreste, a cada uma delas, um significado especial.

Ainda sobre a Rosa, saibam que ela faz resplandecer a nossa felicidade plena, notadamente a felicidade de amar.  Em ótica contrária, o Cravo insinua as nossas hesitações e incertezas, as nossas dúvidas e vacilos, também as nossas esperanças, enquanto o Amor-Perfeito contém a confissão tácita do nosso amor quando em sua melhor forma de expressão.

O Muguet, segundo pesquisa que tomei a liberdade de fazer pessoalmente, no Google, marca o ‘retorno da felicidade’. Em razão disso, tradicionalmente, no dia primeiro de maio os franceses oferecem um pequeno buquê às suas amadas, desejando, a elas, todas as felicidades e alegrias existentes no mundo.

A flor Muguet para quem desconhece, ‘é uma planta herbácea, de regiões temperadas, que floresce na primavera’. A Margarida espera uma resposta... e o Jacinto (conhecido como a flor da Tristeza) responde, à altura, com o balancear das campainhas, o seu indubitável e tresloucado ‘Não’.

A coisa não para aqui. Há mais ainda. A Tulipa contém declarações de amor e guarda, no recôndito de seu cálice, o segredo das paixões repentinas, ao passo que a Papoula é uma flor desconfiada que solicita provas de constância. Por seu turno, a primavera é uma inspiração graciosa e quase epicuriana.

Para quem não sabe, epicuriana vem de epicurismo. Epicurismo ou epicurista é aquele que vive a filosofia do prazer para ser feliz, contudo, exige que siga pela estrada de maneira moderada e controlada.  ‘A vida é menos penosa, diz a lenda desta filosofia, quando se percorre, a dois, unidos em igual caminhada’. O Resedá, ou (Extremosa), também vivifica os prazeres e o perfume do amor partilhado.

[Antigamente] Como se chamava a série?


Anteriores: 

Em Lisboa... 
[Antigamente] Definitivos 
O que é (foi) isto? 
O desenho da casinha 
Opala SS 4... 
Conga e Kichute

Onde é?

Foto: Cleomir Tavares

Fado

José Mendonça da Cruz

Ouvir Jerónimo de Sousa alucinar que com o dinheiro dos ricos que vai para as off-shores se faziam mais creches;  

ouvir as meninas do resto do bloco sonhar com o aumento do saque e da estatização de tudo; 

saber que Costa tem uma só política, ficar, e um só método, aumentar a dívida (com muita propaganda a travestir tudo);

ouvir estes pronunciamentos arcaicos e falidos é ouvir e pressentir o nosso destino de subjugação, estagnação e miséria.

Título e Texto: José Mendonça da CruzCorta-fitas, 16-10-2021

sábado, 16 de outubro de 2021

Cara a Tapa: Rodrigo Constantino

Constantino fala sobre Bolsonaro, a esquerda, o feminismo, a direita, a pandemia, os colegas de imprensa e não fica no muro nos quadros um ou outro e zero a dez! 

“Você acha que o Bolsonaro ganhou no primeiro turno?”

Sobre o Cara a Tapa:

O programa de entrevistas mais polêmico, direto e reto da internet.

Apresentação: Rica Perrone

Produção: Estúdio Century

Contato: rica@ricaperrone.com.br

Cara a Tapa, 15-10-2021

[Dossiê : A Democracia] Quand l’oligarchie réinvente la démocratie

Pour contenir la poussée des revendications démocratiques, l’oligarchie au pouvoir a mis en place divers mécanismes qui en disent beaucoup de sa dérive totalitaire.

Cristophe Boutin

Que nos démocraties fonctionnent pas, ou mal, ce constat est une évidence : la captation du pouvoir par une oligarchie a été décrite ces dernières années sous des angles différents par Christopher Lasch, Christophe Guilluy, Jean-Claude Michéa ou Jérôme Sainte-Marie, et la rupture semble consommée entre le peuple et les pseudo-élites qui le dirigent.

Elle l’est, d’abord, parce que le courant ascendant de la communication entre la base et le sommet, indispensable à la vie d’une démocratie, est coupé : le pouvoir n’entend plus être interpellé au sujet de certaines questions malsonnantes. C’est ainsi qu’il a pu, pendant des années, écarter d’un geste indigné toute question liée à l’immigration (qui n’existe pas et/ ou est un bienfait), à l’insécurité (un sentiment), ou à l’identité (nécessairement rance et fantasmée). Quant au courant descendant ensuite, tout aussi nécessaire, loin de proposer aux citoyens des projets de société pour les faire valider, l’oligarchie s’est contentée d’imposer par la contrainte, y compris physique si besoin était, ses normes de comportement progressistes à une majorité qui n’entendait pas voir balayées les appartenances – familiale, locale, nationale, sexuelle, culturelle, et on en passe – dans lesquelles elle se reconnaissait et qui étaient autant de cercles protecteurs.

L’un des principaux résultats de ce dysfonctionnement de notre démocratie est la progression du taux d’abstention aux élections, nombre de nos concitoyens ayant perdu tout espoir, entre identiques alternances et fausses « révolutions », de pouvoir faire changer les choses en déposant un bulletin de vote dans l’urne. L’autre résultat révélateur est la montée de mouvements de revendication qualifiés de « populistes », terme pris ici dans le sens négatif par lequel les oligarques stigmatisent ces « déplorables » qu’ils méprisent. Le mouvement des Gilets jaunes, au moins en son début, en a été une parfaite illustration: il ne s’agissait pas de mettre en place une pseudo démocratie directe permanente – peu de rapports entre les ronds-points et les délires bobos de « Nuit debout » – mais plus simplement de permettre à une majorité de citoyens de proposer d’abord ce qui ne l’est pas, de le voter ensuite, et de bloquer enfin une mesure qui leur déplairait.

Derrière ces mouvements, deux principales revendications se font jour pour permettre de renouveler nos démocraties. La première vise à redonner tout son poids au « local », en permettant aux populations de décider de ce qui les concerne au plus près, évitant que les décisions ne soient le fruit d’un échelon supérieur coupé des réalités locales. La seconde vise, elle, à permettre une participation directe à la vie politique nationale, d’une part en permettant aux citoyens de soulever un problème auquel le pouvoir se refuse de prêter attention, d’autre part en leur permettant d’être directement consultés sur la solution à lui donner.

Autant d’éléments qui pourraient interférer avec la dérive totalitaire d’un pouvoir oligarchique qui doit pour quelque temps encore se faire croire démocratique. Pour éviter de répondre à ces demandes, ce dernier a donc choisi de récrire notre fonctionnement démocratique autour de trois niveaux de réponse : jouer d’abord sur l’opacité du pouvoir et la technicité des questions; mettre en place ensuite une pseudo-réponse institutionnelle ; créer enfin un peuple de substitution.

[Versos de través] Bénédiction

Charles Baudelaire


Lorsque, par un décret des puissances supremes,
Le Poëte apparaît en ce monde ennuyé,
Sa mère épouvantée et pleine de blasphèmes
Crispe ses poings vers Dieu, qui la prend en pitié :

— « Ah ! que n’ai-je mis bas tout un nœud de vipères,
Plutôt que de nourrir cette dérision !
Maudite soit la nuit aux plaisirs éphémères
Où mon ventre a conçu mon expiation !

Puisque tu m’as choisie entre toutes les femmes
Pour être le dégoût de mon triste mari,
Et que je ne puis pas rejeter dans les flammes,
Comme un billet d’amour, ce monstre rabougri,

Je ferai rejaillir ta haine qui m’accable
Sur l’instrument maudit de tes méchancetés,
Et je tordrai si bien cet arbre misérable,
Qu’il ne pourra pousser ses boutons empestés ! »

Elle ravale ainsi l’écume de sa haine,
Et, ne comprenant pas les desseins éternels,
Elle-même prépare au fond de la Géhenne
Les bûchers consacrés aux crimes maternels.

Pourtant, sous la tutelle invisible d’un Ange,
L’Enfant déshérité s’enivre de soleil,
Et dans tout ce qu’il boit et dans tout ce qu’il mange
Retrouve l’ambroisie et le nectar vermeil.

Alma feminina, coragem de ferro

Deveríamos celebrar sempre os feitos de uma mulher que desmontou barreiras contra seu gênero e mostrou absoluta força e competência

Ana Paula Henkel

Nesta semana, em 13 de outubro, Margaret Thatcher completaria 96 anos. Com a morte da primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica em 2013, o mundo perdeu uma das líderes mais formidáveis e corajosas do século 20. Há muitas coisas que o mundo passou a admirar em Margaret Thatcher, filha de um dono de mercearia cujo senso de propósito para fazer a diferença abriu seu caminho para os degraus mais altos de poder no Reino Unido e no mundo. Entre todos eles, é impossível não destacar sua coragem.

Certa vez, Thatcher disse: “Você não pode liderar de uma multidão”. E ela certamente não o fez. No entanto, seria um erro presumir que ela não teve momentos de dúvidas, nem temeu a ira que enfrentaria ao se levantar contra tantos homens no poder e os sindicatos mais poderosos da Grã-Bretanha. Mas sua convicção em seguir seus princípios superou o medo das consequências. Seu exemplo pode — e deve — ser inspirador principalmente nos dias de hoje. Quando muitos poderiam ter se retraído, ela deu um passo à frente. Quando muitos poderiam ter atenuado sua postura, ela se manteve firme. E quando muitos poderiam ter sucumbido à pressão de seus pares para seguir um caminho mais fácil, com menos conflitos e confrontos, ela continuou caminhando direto ao longo do único trajeto que poderia criar as mudanças de que a Grã-Bretanha tanto precisava.

Thatcher promoveu transformações profundas em seu país, mas deixou um legado que serve até hoje para o mundo. O programa de privatizações sob seu comando foi intenso e sua administração privatizou quase todas as empresas estatais, aliviando o Estado para os problemas mais sérios da época. Em uma polêmica entrevista, disparou: “O governo não sabe administrar empresas e quase sempre o faz de modo inepto!” (Alô, Brasil!) Sob sua batuta, o governo também reduziu impostos e realizou reformas institucionais com alvo na diminuição do Estado e seus tentáculos. Apesar da herança recebida do Partido Trabalhista, como a recessão econômica, os altos índices de desemprego e as elevadas taxas de inflação, foi durante seu comando que o programa “capitalismo popular” foi instituído e milhões de ingleses se tornaram donos de suas próprias casas.

Claro que é fácil para nós, mortais inferiores, pensar que ela foi feita de algo diferente. Talvez mais aço e menos medo. Afinal, ela ganhou o título de “Dama de Ferro” por um motivo. No entanto, as características que marcaram sua liderança e sua vida estão disponíveis para todos nós. Mesmo antes da pandemia que transformou milhões de pessoas em zumbis, o mundo vinha demonstrando sinais de que simplesmente não estamos tão comprometidos em fortalecer essas características. A verdade é que todos nós possuímos a capacidade de agir com coragem, reagir com resiliência e perseverar com determinação. A maioria de nós simplesmente não encontrou um “por quê” grande o suficiente para se esforçar, assumir o risco e fazer os sacrifícios envolvidos.

Delação fantasiada de jornalismo

Folha  atropela a Constituição e viola o sigilo da fonte alheia

Augusto Nunes


Jânio Quadros e Fernando Henrique Cardoso entraram emparelhados na reta final da corrida pela prefeitura de São Paulo. A votação ocorreria no dia 15, uma sexta-feira, e me cabia cuidar da reportagem de capa da revista Veja, que incluiria obrigatoriamente o ainda imprevisível desfecho do duelo. Para redigir o texto eu teria parte da noite de sexta e a madrugada de sábado. O problema era a foto. Como a capa da edição requeria cuidados que consumiam cerca de 48 horas, a imagem teria de ser produzida até o dia 13. E havia uma complicação adicional: o ex-presidente e o senador deveriam posar para a câmera — separadamente, claro — sentados na cadeira então ocupada pelo prefeito Mário Covas. Jânio nem quis conversa. Mandou um assessor avisar que não confiava em nenhum jornalista e encerrou o assunto. Bem mais gentil, Fernando Henrique aceitou de imediato a proposta da revista: se não vencesse a eleição, receberia tanto as fotos reveladas quanto os negativos. Na tarde da quarta-feira, a sucessão de cliques se aproximava do fim quando uma assessora do candidato entrou no gabinete para transmitir-lhe a insatisfação de duas duplas, compostas de um repórter e um fotógrafo, acampadas na sala de espera.

— Os coleguinhas estão enciumados — informou a assessora, referindo-se aos jornalistas do Estadão e da Folha de S. Paulo. — Acham que a Veja tem tratamento privilegiado.

Depois de alguns segundos de silêncio, Fernando Henrique quis saber se me opunha à entrada dos queixosos.

— O senhor é quem decide — saí pela tangente. — Mas acho bom deixar claro que as fotos estão embargadas até o encerramento da apuração.

Os quatro jornalistas concordaram sem hesitação com os termos do acordo. No dia seguinte, descobrimos que a Folha resolvera antecipar-se à Veja e ao Estadão: lá estava a foto embargada arrendando um latifúndio de papel na primeira página. O repórter alegou mais tarde que o editor de Política se limitara a lembrar aos dois subordinados que nenhum deles estava autorizado a fechar acordos em nome do jornal. Ainda hoje a foto é apresentada como prova do presunçoso açodamento de um poço de vaidade. Tremenda fake news. Fernando Henrique foi vítima de mais uma prova contundente de que a Folha não tem palavra.

Entrevistado pelo programa Direto ao Ponto, da Jovem Pan, o jornalista Alexandre Garcia resgatou outro episódio exemplar. Ele era subsecretário de Imprensa Nacional do governo João Figueiredo quando foi encarregado de escalar o grupo de colegas que testemunhariam um encontro entre o presidente da República e o cardiologista Euryclides Zerbini. A pedido de amigos e parentes de Figueiredo, o médico famoso tentaria publicamente convencer o chefe de governo a abandonar o cigarro. Foi o que fez quando a conversa ia chegando ao fim. Zerbini insistiu em saber o que impedia o anfitrião de livrar-se do vício. A resposta emergiu já com cara de manchete: “Doutor, eu não paro de fumar porque não tenho caráter”. Garcia assustou-se: “Imaginei o Hélio Fernandes afirmando na primeira página da Tribuna da Imprensa que Figueiredo finalmente havia reconhecido que não tem caráter”, contou Garcia, que foi à luta: por telefone, repetiu aos participantes do encontro, um por um, o mesmo pedido escoltado pelo mesmo argumento. “Não use aquela frase, por favor. No Rio Grande do Sul, não ter caráter quer dizer que a pessoa não tem força de vontade.” Todos prometeram atender ao apelo, inclusive o enviado pela Folha. Todos cumpriram a promessa, menos a Folha, que incluiu na reportagem a frase que atribuía o tabagismo à falta de caráter.

O tribunal da desordem

O STF é hoje o principal promotor da insegurança jurídica no país. Pode? Não deveria poder, mas na prática é exatamente assim que se passam as coisas

J. R. Guzzo

Foto: Nelson Jr/SCO/STF

Poucas coisas definem tão bem um país subdesenvolvido quanto a insegurança jurídica. É o contrário, exatamente, do que acontece nas nações que deram certo, dos pontos de vista econômico, ético e social. Em sociedades bem-sucedidas, a população, ou pelo menos os advogados sabem que a Justiça, em qualquer processo, vai decidir segundo o que está escrito na lei — e, como consequência direta desse hábito, vai repetir no caso de hoje a sentença que deu no caso de ontem, todas as vezes que um caso for igual ao outro. Já nas repúblicas bananeiras de Terceiro Mundo, a coisa anda na direção oposta. A lei depende do que os juízes querem, e aí ninguém nunca está seguro de nada; pode ser assim, pode ser o oposto, pode talvez ser uma terceira coisa, e ao cidadão comum só cabe rezar. (O cidadão não comum tem outros recursos, muitos deles altamente eficazes, mas aqui já é uma outra história, que fica para uma outra vez.) É triste, mas lugar subdesenvolvido é assim mesmo: tudo o que o sujeito pode esperar é que não lhe aconteça nada que o coloque em contato com a Justiça do seu próprio país.

O que vale é aquilo que o gestor da Justiça quer — e, quanto mais alto o gestor, mais ele pode querer

O Brasil, nesse tipo de calamidade, está sempre ganhando a medalha de ouro; é hoje um dos países de maior insegurança jurídica do mundo, incluindo qualquer fundão da África, e o nevoeiro legal que torna tudo incerto por aqui, o tempo todo, é um dos principais motivos do nosso atraso. Ninguém, pessoa física ou jurídica, empresa privada ou pública, jamais tem certeza — não precisa ser certeza absoluta, é claro, mas uma mera expectativa racional — dos seus direitos; também não sabe, nunca, quais são as suas obrigações. Uns e outros são estabelecidos, na prática, pelos 25.000 mandarins, talvez, que habitam atualmente no sistema judiciário nacional. Trata-se de uma pasta incompreensível — um delírio que vai do Ministério Público Federal aos Ministérios Públicos Estaduais, do Ministério Público do Trabalho ao Ministério Público do Meio Ambiente, das Defensorias Públicas (da União e dos Estados) aos juízes federais e estaduais, mais os tribunais de alçada, e os tribunais de justiça, e os tribunais regionais, e os tribunais superiores, e o Supremo Tribunal Federal. É um milagre que saia alguma coisa razoável de um negócio desses.

O remédio que prevenia as mortes por hemofilia – mas não do jeito que você pensa

Detalhes sobre caso envolvendo a Bayer só vieram à tona quase duas décadas depois

Paula Schmitt 

No começo dos anos 80 o mundo estava com medo da aids. A nova doença causava terror em muita gente, principalmente na comunidade gay e entre usuários de drogas injetáveis, dois dos grupos mais suscetíveis à contaminação. Mas em 1982 a doença também começou a matar hemofílicos – pessoas cujo sangue tem dificuldade em coagular, e que, portanto, têm maior risco de morrer de hemorragia interna.

Até então ninguém suspeitava, mas o que estava matando esses hemofílicos não era seus hábitos sexuais nem o compartilhamento de seringas. De fato, a culpa não era nem da própria hemofilia, a doença que eles herdaram geneticamente.

O que começou a matar essas pessoas foi exatamente o remédio que lhes prometia salvar a vida, o Factor VIII, um concentrado de plasma sanguíneo exportado dos Estados Unidos com o vírus HIV.

Essa história – pouco conhecida e bem pouco divulgada pela mídia, principalmente a brasileira – tem detalhes que desafiam a credulidade. Um deles é o seguinte: a Bayer (dona do laboratório Cutter, fabricante do Factor VIII) continuou vendendo o produto fora dos Estados Unidos mesmo sabendo que ele estava contaminado com o vírus da aids, e mesmo tendo uma versão do produto que já não corria o risco de estar contaminada.

Outro fato consegue ser ainda mais sórdido: funcionários do próprio governo norte-americano sabiam dessa atrocidade, e optaram por encobrir o crime e escondê-lo não só dos cidadãos que pagavam seus salários, mas também de deputados e senadores. Mas essa história contém uma lição talvez ainda mais relevante, e que precisa ser sempre lembrada: a de que a verdade às vezes leva muito tempo para ser revelada.

(...)

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DrPepper propagador de ódio

Quem me segue no twitter soube que a última tirinha fez um ser verificadinho chamar seus amiguinhos verificados e seguidores para denunciar e derrubar minhas redes sociais. Essa tirinha é em homenagem ao modus operandi dessa turma.

E não há como argumentar, qualquer um que responde a ele minimamente a meu favor, ele bloqueia imediatamente. Covarde assim.

Não parou aí, no dia seguinte o cara viu essa tirinha onde faço uma analogia com um influenciador preso por pedofilia. Já que o pedófilo em questão é gay, ele chamou sua patrulha novamente alegando homofobia.

Dá para acreditar num ser desse?

Enfim, não é do meu feitio marcar pessoas que me xingam e tentam me prejudicar, mas o contexto é importante vocês saberem.

Também aproveito para agradecer a galera que argumentou a meu favor nos posts dele, mesmo sem eu pedir e/ou marcar o cara.

Pronto, fiz essa tirinha para me redimir com a patrulha LGBTPQP+ paz e amor que veio me atacar.

Ah sim, me sigam no Twitter 

Título, Imagem e Texto: DrPepper, 15-10-2021

[Versos de través] Vou dormir

Alfonsina Storni

Dentes de flores, cofia de sereno, 
Mãos de ervas, tu ama-de-leite fina,
Deixa-me prontos os lençóis terrosos
E o edredom de musgos escardeados.

Vou dormir, ama-de-leite minha, deita-me
Põe-me uma lâmpada a cabeceira;
Uma constelação; a que te agrade;
Todas são boas: a abaixa um pouquinho

Deixa-me sozinha: ouves romper os brotos...
Te embala um pé celeste desde acima
E um pássaro te traça uns compassos

Para que esqueças... obrigado. Ah, um encargo:
Se ele chama novamente por telefone
Diz-lhe que não insista, que saí...


Título e Texto: Alfonsina Storni


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Num leque 
Nunca mais 
Súplica 
[Versos de través] A uma senhora que me pediu versos

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Inacreditável e enojante

[Dossiê : A Democracia] Refonder la démocratie

Le suffrage universel direct est une abstraction mathématique. Attribuant une voix égale à chacun dans le secret de l’isoloir, il semble considérer la société comme un ensemble d’individus totalement rationnels et indépendants les uns des autres, de sorte qu’ils pourraient, tels des anges, décider du bien commun de la société sans être pollués par des influences extérieures.

Benoît Dumoulin

Cette société, naturellement, relève d’une vue de l’esprit tant les hommes sont reliés entre eux, et parfois malgré eux, par une alchimie subtile de relations organiques qui constitue précisément le corps social avec sa part irrationnelle de représentations mentales, de croyances ou de préjugés. Ainsi, l’élection est avant tout un moment communautaire où le peuple se rechoisit et se retrempe dans sa volonté de vivre-ensemble. Comme le souligne Pierre Manent dans son Cours familier de philosophie politique: « La démocratie, c’est la volontarisation de toutes les relations et de tous les liens » dans une forme d’auto[1]engendrement permanent.

Mais pour que cet exercice soit fécond, il suppose le respect d’un certain nombre de prérequis sans lesquels toute élection reste vaine voire débouche sur la pire forme de totalitarisme qu’il soit. Ces conditions, qui concernent la structure même du peuple, sont au nombre de trois: le peuple doit être homogène culturellement; il doit être à taille humaine ; ses citoyens doivent bénéficier d’un certain niveau d’éducation. 

On sait qu’il existe plusieurs acceptions du terme peuple. C’est d’abord l’ethnos, c’est-à-dire le peuple pris dans son homogénéité culturelle, son identité de mœurs et ses croyances communes, ce qui fait sa cohésion interne et sa solidité organique. Un tel peuple existe de moins en moins en France sous l’effet de l’immigration de masse et du communautarisme. On voit aussi qu’il n’a jamais vraiment existé dans certains pays d’Afrique fonctionnant sur un mode tribal: quand une tribu majoritaire parvient au pouvoir, elle tyrannise celles qui sont minoritaires avec qui elle ne partage rien en commun, si bien que l’instauration de la démocratie dans les années soixante a pu déboucher sur le chaos (par exemple au Rwanda).

Ministério Público Eleitoral frustra PT e informa não ver provas para cassar a chapa Bolsonaro-Mourão

Legenda acusa o presidente de 'abuso de poder econômico' e 'utilização indevida dos meios de comunicação'

Cristyan Costa

Em parecer de 55 páginas, o Ministério Público Eleitoral (MPE) constatou que não há evidências para cassar a chapa Bolsonaro-Mourão. Dessa forma, o MPE solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral que negue as ações na corte que tentam derrubar o governo. Os processos foram movidos pelo Partido dos Trabalhadores (PT), com base em reportagem do jornal Folha de S. Paulo.

A legenda acusa o presidente e seu vice de “abuso de poder econômico” e “utilização indevida dos meios de comunicação” por supostos disparos em massa via WhatsApp durante as eleições de 2018. Naquele ano, a Folha noticiou que empresários se engajaram na campanha de Bolsonaro e financiaram uma rede em prol do então candidato. A estratégia teria alçado a chapa ao Planalto.

“Em síntese, ante o conjunto probatório dos autos, conclui-se pela não comprovação da gravidade dos ilícitos narrados em grau apto para viciar substancialmente a legitimidade e a normalidade das eleições, o que inviabiliza o pedido de cassação do diploma”, argumentou o MPE, na quinta-feira 14. “Do mesmo modo, porque não existem elementos concretos sólidos”, sustentou.

Título e Texto: Cristyan Costa, revista OESTE, 15-10-2021, 8h08

Liberação de jogos de azar opõe centrão a evangélicos

Estes jogos são proibidos no Brasil desde 1946

Afonso Marangoni

O avanço das discussões no Congresso sobre a legalização de jogos de azar colocou em campos opostos dois dos principais grupos aliados do governo Jair Bolsonaro. De um lado, o Centrão age para aprovar uma proposta ampla, que inclui a liberação até jogo do bicho, sob a justificativa de que vai favorecer a economia e promover o turismo. Do outro, evangélicos dizem que o vício em jogos prejudica famílias e contraria valores que eles defendem.

O Palácio do Planalto evita se posicionar sobre o assunto, mas o filho mais velho do presidente da República, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), é um dos defensores de tornar a jogatina legal no país.

Os jogos de azar são proibidos no Brasil desde 1946, quando o então presidente Eurico Gaspar Dutra afirmou que a “tradição moral, jurídica e religiosa” do País não combinava com a prática, além de considerá-los “nocivos à moral e aos bons costumes”. Desde então, diversas propostas foram apresentadas para legalizar a jogatina, mas nenhuma avançou.

Um dos líderes do Centrão, o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), decidiu tentar novamente e criou, no mês passado, um grupo de trabalho para discutir um projeto sobre o tema. Ele escalou como relator o deputado Felipe Carreras (PSB-PE), seu aliado, e pretende levar a proposta a votação em plenário em novembro.

Cassinos em resorts

O ponto de partida do texto de Carreras é um projeto aprovado em comissão especial da Câmara em 2016, mas que nunca teve a votação no plenário marcada. A proposta regulamenta as atividades de cassinos em resorts, máquinas caça-níqueis, apostas online, bingos e jogo do bicho, além de uma anistia geral, extinguindo processos judiciais em tramitação. Hoje, explorar essas atividades é considerado contravenção, com pena de até um ano de prisão.

Segundo Carreras, embora o projeto seja amplo e inclua o jogo do bicho, seu foco será liberar os cassinos integrados a resorts. “Tem instrumento de fiscalizar e arrecadar. Qual a consequência disso? Gerar emprego formal. Quando traz (para o Brasil) os grandes cassinos integrados de resorts do mundo, você tem um produto turístico. Espanha, França, Itália, Alemanha, Portugal, Reino Unido, Canadá, México têm (cassinos)”, afirmou o relator.

Senado

Ao mesmo tempo em que Lira acelera a discussão na Câmara, o Senado também analisa projetos sobre jogos de azar. O presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), declarou há duas semanas que pode colocar um deles em votação caso haja acordo.