segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

[As danações de Carina] O BEM e o MAL. Dois caminhos DISTINTOS

Carina Bratt 

A VOZ DA CONSCIÊNCIA, ou da Razão, é aquela válvula de escape, ou a saída estratégica que nos permite optar pelo que é certo e errado nas horas mais complicadas. Geralmente dois personagens distintos entram em cena e agem ao mesmo tempo falando ou soprando em nossos ouvidos. Nessas horas precisamos estar atentas, de olhos abertos, para não cairmos num poço sem fundo e, às vezes, sem possibilidades de volta. 

Um desses protagonistas é o ‘Diabinho do Avesso’, que nos manda seguir pelo lado desajuizado e imprudente, pela via errada e inverídica. O outro, o ‘Anjinho Protetor, que nos direciona ao sensato e ao oportuno, como diriam os maçons, ao consentâneo Justo e Perfeito. Nem sempre escutamos o que diz o ‘Missionário Benfeitor’, notadamente quando estamos de cabeça quente e os ouvidos voltados para a entrada de besteiras e futilidades.  

Tiro por mim. A ‘Voz da Consciência’, ou a ‘Voz Venturosa’, me diz, por exemplo, para eu seguir por uma senda estreita e cheia de dissabores e percalços, abarrotada de estorvos e flagelações, porém, me faz perceber que logo, alguns quilômetros à frente, me fará chegar sã e salva a um determinado lugar sem expiações e desgraças para a minha vida futura. 

Todavia, teimosa, dona do meu nariz, insisto em pegar a trilha mais bonita e encantadora, a variante asfaltada, com paisagens deslumbrantes de ambos os lados. A picada do descalabro, da úlcera de chaga aberta, que me conduzirá a desembocar numa situação infame e vexatória, cataclismada por avarias e fiascos dos quais, em muitas das vezes, não terei mais como retornar. 

A ‘Voz da Consciência’ pode ser, igualmente, o entendimento, ou a visão entre a lâmpada intermitente da razão imaculada e a dissintonia da escuridão medonha na sua forma mais abrupta e desmantelada, com pitadas fumegantes de agressividades as mais adversas e ultrajosas. Pode ser não, acreditem: é. 

A ‘Voz do Decoro’ ou da ‘Incorruptibilidade’ é aquele momento mágico da introspecção sábia, onde vasculhamos para dentro de nós mesmas. Nessa oportunidade, se não estivermos em sintonia meridiana com o Celestial, pelejaremos em desfavores aos chamamentos e às boas intenções do Pai Maior para darmos forma e vida plena ao tinhoso que, incansável, insistirá em se fazer presente, e, claro, indubitavelmente real e autêntico. 

Nessa babel de confusões desordenadas, atrelada na peleja sufocante entre o Bem e o Mal, entre o Duvidoso e o Incerto, procuro escutar a ‘Voz da Benevolência’. Ou os clamores do ‘Discernimento Imutável’ contrapesados com os desígnios e as realezas do Altíssimo. São Tomás de Aquino ensinava: ‘não podemos justificar uma ação má, embora a tenha colocado em prática com os almejos e os empenhos de ser alguma coisa que não venha ferir ou prejudicar ninguém’’. 

Nesses instantes de pura angústia, devemos pensar mil vezes antes de nos guiarmos por uma decisão. Tento pautar a minha vida nessa linha de pensamento. Ainda que tênue, mas esperançosa. Escuto, obviamente, as duas partes. Todavia, no final, na hora da decisão, no derradeiro acalorado do ‘sim-não’, do ‘certo-errado’, opto em dar às mãos ao ‘Missionário Paladino’. 

Ele estará com a razão, por mais que outras demandas pareçam sérias e objetivas. Geralmente as mais chamativas se apresentam de forma cristalina e acima de qualquer sombra de dúvidas ou suspeitas. O ‘Diabinho do Avesso’, devemos lembrar e nunca nos esquecermos, é esperto e ardiloso, flexível e maquiavélico. Um capetinha pronto para, no melhor descuido, nos dar uma rasteira sem tempo de nos colocarmos em pé. O soerguer, depois de um tombo é horrivelmente medonho. Deixa sequelas que não cicatrizam.  

Por vontade minha, que esse infeliz, o Diabinho, vá plantar batatas nos quintos. Não me deixo ser levada, e, a depois, lesada pelas suas estranhas e estapafúrdicas ideias, vindas bem sei, de uma cabeça de mente contrária e doentia, dissidente e literalmente escura. Amanhã ou depois, sem sombra de dúvidas, me fará bater com os burros n’água. 

O que sinalizo, nestas poucas palavras, caras amigas e queridas (leitoras) é muito simples e de fácil compreensão: tentem fazer a coisa certa, ainda que ‘esse correto’, em algum momento da vida de vocês pareça ser o oposto, ou o contrário. O infausto, o impugnador, o rival, com a ajuda do ‘Santinho Protetor do Bem Irrevogável’, fará com que todas vocês sigam em boa companhia, e, lá na frente, a PAZ de ESPÍRITO prospere e seja alcançada e todas, sem exceção, triunfem magistralmente. 

Em engasgo atarantado, o ‘Diabinho do Avesso’, ou a ‘Face Oculta do Mal’ (por mais que desfile diante de nossos olhos todas as estuporações e deslumbres existentes no Universo —, se nos deixarmos ser levadas, a seu bel prazer), cedo ou tarde, se dormirmos no ponto, nos embrenharemos por uma rodovia larga e sem nenhum tipo de contratempo. Resumindo... se fraquejarmos, logo à passos adiante... numa curva inesperada... 

FELIZ NATAL E PRÓSPERO 2022 para todas as amigas e leitoras e, igualmente, com carinho especial, à Família ‘Cão que Fuma’. 

Título e Texto, Carina Bratt. De Vila Velha, no Espírito Santo. 26-12-2021 

Anteriores: 
Um dia como outro qualquer... 
Tudo não passa de vaidade. O essencial é invisível aos olhos 
Pelo simples motivo de existir 
Receber alguém em nossa casa é, sobretudo, uma arte antiga 
Tintas invisíveis num cotidiano sem talvez 
A lucidez perigosa 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Não aceitamos/não publicamos comentários anônimos.

Se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.

Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-