Telmo Azevedo Fernandes
Luis Neves [foto] é mais uma figurinha patética do nosso regime. A sua postura enquanto ministro oscila entre aquilo que parece ser o registo de um menino mimado do «daqui não saio, daqui ninguém me tira», e a do adolescente rufia que ameaça distribuir lambadas por quem se colocar à sua frente no recreio da escola.
A dignidade e compostura de que tem dado provas na pasta da administração interna equivale àquela do assador de febras em dia de jogo da bola, de caneca de cerveja em punho e camisola da selecção nacional vestida já engordurada de banha de porco.
Com a sua falta de maneiras institucionais, Luís Neves confunde autoridade com poder pessoal. O categórico anúncio de que nada o afastará do cargo revela que se acha dono do ministério. Mas convém recordar-lhe que não ocupa a pasta por direito divino. Está ali provisoriamente, por delegação política, e deveria estar obrigado a padrões de prudência e contenção muito superiores aos exigíveis ao cidadão comum.
Tão deslumbrado está com o poder que as preocupações públicas acerca da promiscuidade entre relações pessoais, decisões administrativas, conflitos de interesses e utilização dos recursos do Estado são reduzidas por Neves a meras “insinuações” e “invejas”. A pose do homem injustamente perseguido e vítima de cabala é um clássico refúgio de quem se habituou a estar rodeado de continências, motoristas e subordinados diligentes.
Na sua a antiga carreira policial habituou-se a interrogar. Agora, enquanto ministro, está desconfortável em ser ele o interrogado. Luis Neves não percebe que o problema é essencialmente institucional. É incapaz de perceber que um governante verdadeiramente forte é justamente aquele que não precisa de andar permanentemente a proclamar a sua valentia como um arruaceiro de tasca apostado em convencer a assistência de que não tem medo de ninguém.
A dignidade de um ministro não
resulta de repetir que não tem medo.
E, neste caso, resulta óbvio que Luís Neves tem medo e não tem dignidade enquanto ministro.
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:
Título, Texto e Vídeo: Telmo Azevedo Fernandes, Blasfémias, 2-9-2026


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