Paulo Hasse Paixão
Está em curso mais um flagrante ataque à liberdade de
expressão na Grã-Bretanha
Uma unidade policial de elite
criada pelo governo trabalhista já sinalizou mais de 100 publicações nas redes
sociais para serem seguidas pelas forças policiais locais, monitorizando “atividades
relacionadas com protestos online”, num um passo sinistro em direção ao total
controlo estatal da liberdade de expressão.
A equipa de ‘Investigações de
Inteligência Nacional na Internet’, criada após os motins de
Southport em 2024, iniciou as suas operações em fevereiro. Dados obtidos pelo Telegraph
através da Lei de Liberdade de Informação e divulgados na semana passada
mostram que a equipa encaminhou 106 publicações “suspeitas” para as forças
policiais de todo o país.
An elite police squad which was set up to monitor social media in the wake of the Southport riots has flagged more than 100 posts to local forces.
— The Telegraph (@Telegraph) August 8, 2026
Political opponents have described the squad as “sinister” and said it represents a further erosion of free speech and civil… pic.twitter.com/g8YGewbIVn
Só em junho, 50 destas denúncias surgiram no contexto da explosão de indignação pública em Southampton, depois de imagens de câmeras corporais da polícia terem exposto agentes a algemar o adolescente Henry Nowak, vítima de homicídio e já sem vida, enquanto aceitavam uma falsa denúncia de “racismo” feita pelo seu assassino sikh.
New elite unit flags more than 100 social media posts to police forces as free speech fears grow https://t.co/DB5IhBmZVu
— Daily Mail (@DailyMail) August 8, 2026
A polícia recusou-se a divulgar quais as publicações que foram sinalizadas, alegando isenções relacionadas com a prevenção de crimes. Mas o padrão é bastante claro. A unidade nasceu dos distúrbios em Southport, que se seguiram aos assassinatos de três raparigas por Axel Rudakubana.
No vácuo de informação, a discussão online sobre o historial do agressor e as falhas mais amplas na imigração foram apontadas como responsáveis por alimentar a agitação. Agora, o mesmo aparelho está treinado para monitorizar qualquer actividade online que possa sinalizar descontentamento público com as narrativas oficiais.
Esta nova equipa de vigilância, de inspiração claramente totalitária, encaixa-se perfeitamente no contexto da Unidade de Investigação, Informação e Comunicações (RICU) do Ministério do Interior, uma operação obscura de “polícia do pensamento” exposta por controlar a narrativa da imigração em massa. Esta unidade interveio após ataques contra imigrantes, incluindo o assassinato de Henry Nowak, para moldar testemunhos familiares, instruiu a polícia a retratar os manifestantes como bandidos insensíveis em vez de cidadãos com legítimas preocupações com a segurança dos seus filhos, e tratou as críticas online às políticas de imigração como uma ameaça que exigia uma mudança de comportamento por parte daqueles que se opõem a essas políticas do governo britânico.
A iniciativa está também inserida numa crescente máquina de controlo digital que já transformou a Grã-Bretanha numa excepção global em relação às detenções por discurso de ódio.
Só em 2024, quase 10 mil pessoas foram detidas por publicações “extremamente ofensivas” nas redes sociais, de acordo com as leis de comunicação — uma média de 30 detenções por dia. Algumas forças policiais registaram taxas 20 vezes superiores a outras.
Os criminosos violentos viram as suas penas encurtadas e foram libertados para que as suas celas ficassem disponíveis para aqueles que viram a sua opinião política criminalizada pelas polícias e o sistema judicial britânico. Esta máquina está a ser construída há anos. Em 2024, um homem foi preso simplesmente por publicar “retórica antissistema”. As autoridades deram prioridade aos crimes de pensamento em detrimento dos crimes de rua, mesmo com as prisões cheias de pessoas cuja única ofensa foi digitar palavras erradas.
A Lei de Segurança Online concedeu aos organismos reguladores amplos poderes para obrigar as plataformas a remover conteúdo “nocivo” sob ameaça de multas elevadíssimas. Os críticos chamaram-lhe a ‘carta verde da censura’. As unidades governamentais que antes caçavam dissidentes durante os confinamentos passaram a monitorizar os críticos da imigração em massa.
O presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan, defendeu abertamente a criação de uma unidade governamental dedicada à desinformação nas redes sociais. Foi recentemente cooptado para a Câmara dos Lordes.
A trajetória é consistente: expandir a definição de ameaça e, em seguida, aumentar a vigilância e a repressão.
Acrescentem-se rastreios biométricos, sistemas de verificação de idade que acabam com o anonimato online e propostas que tratam o próprio acesso às redes sociais como um privilégio concedido pelo Estado.
O que começa por ser a “proteção do público contra os riscos de protesto” ou a “proteção das crianças contra conteúdos nocivos” torna-se um sistema permanente para mapear, sinalizar e suprimir a dissidência.
As 106 publicações sinalizadas não são o fim. São a prova do conceito. Uma unidade de elite ocupa agora o centro do policiamento britânico com o mandato de monitorizar o discurso público em busca de sinais de descontentamento e de transmitir essas descobertas às forças policiais locais.
Quantas mais denúncias,
quantas mais detenções serão necessárias antes que os britânicos se recusem a
aceitar este ‘novo normal’?
Título, Imagem e Texto: Paulo
Hasse Paixão, ContraCultura,
3-9-2026

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