Reportagem apresenta declarações de amizade, conversas sobre articulações políticas e encontros privados; presidente do Senado havia negado conhecer o ex-dono do Banco Master
Timeline
“Sou seu irmão. Pra vida toda”,
escreveu Alcolumbre, conforme a transcrição publicada pela revista. Vorcaro
respondeu: “E eu seu. A qualquer tempo pra qualquer coisa. Nunca vou esquecer”.
Em outra mensagem reproduzida na reportagem, o senador chama o interlocutor de
“meu amor” e agradece pelo “carinho e amizade fraterna”.
A publicação descreve uma relação que
não se limitava às manifestações de afeto. Segundo a Veja, Alcolumbre
procurava Vorcaro até para tentar descobrir a fonte de um jornalista, enquanto
o banqueiro recorria ao parlamentar para obter acesso a interlocutores
políticos.
Relação com Vorcaro e resistência à
CPI
A revelação das conversas coloca em evidência a atuação de Alcolumbre diante dos pedidos de investigação parlamentar sobre o Master. A revista afirma que, em maio, o presidente do Senado utilizou mecanismos regimentais para impedir a criação de uma CPI destinada a apurar as conexões políticas do caso. “Esse assunto não pode ser o prioritário neste momento”, justificou o senador, segundo a publicação.
A reportagem também relata que
Alcolumbre não respondeu a um ofício sobre eventuais entradas de Vorcaro no
Senado e se recusou a fornecer à Polícia Federal a relação de visitantes do
gabinete do senador Jaques Wagner (PT-BA).
Outro ponto mencionado envolve a Amapá
Previdência, a Amprev. Segundo a revista, as investigações identificaram uma
operação irregular envolvendo o banqueiro e o fundo previdenciário dos
servidores do estado. A publicação destaca que o irmão de Alcolumbre integrava
o conselho da instituição e que um ex-tesoureiro da campanha do senador ocupava
sua presidência. Esses vínculos são apresentados pela reportagem, mas não
constituem, por si sós, comprovação de participação do parlamentar na operação.
No campo judicial, a Veja
informa que o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, negou, na
quarta-feira, 23 de setembro, um recurso pela instalação da CPI, por entender
que não havia sido comprovada omissão do presidente do Senado. Paralelamente,
segundo o texto, o ministro Luiz Fux abriu prazo para Alcolumbre se manifestar
sobre um pedido do partido Novo para tornar públicos registros de entrada e
saída de pessoas no Senado, incluindo Vorcaro.
Venda do Master e interlocução
política
As conversas relatadas pela revista
também alcançam as tratativas sobre a venda do Master ao Banco de Brasília, o
BRB. Em julho de 2025, Vorcaro teria procurado o presidente da Câmara, Hugo
Motta, depois de tentar falar com Alcolumbre para obter informações sobre uma
reunião do Banco Central relacionada ao processo.
Na resposta reproduzida pela
publicação, Motta afirmou: “Galípolo ficou de ir lá para casa de Davi quando
encerrasse a reunião. Eu tava decolando quando Davi me ligou para dizer isso”.
O diálogo registra o relato de Motta sobre um encontro previsto com Gabriel
Galípolo, não uma confirmação de que ele efetivamente ocorreu.
Encontros privados e a versão de Fábio
Faria
Outra parte da reportagem trata de
conversas entre Vorcaro e o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria sobre
festas e encontros privados. A revista atribui a Faria a intermediação de
reuniões do banqueiro com o ministro Alexandre de Moraes e relata discussões
sobre a contratação de mulheres e medidas para evitar a divulgação das
confraternizações.
Em um desses diálogos, Faria teria
escrito: “E fazemos um pacto com Davi q só pode falar pro careca”. Segundo a Veja,
o apelido era utilizado em outras conversas para se referir a Moraes. A menção
nos diálogos, isoladamente, não comprova a participação das autoridades citadas
nos encontros privados discutidos.
Faria contestou a interpretação da
reportagem
Em nota acrescentada ao texto em 24 de
setembro, afirmou que a conversa tratava da reserva de quatro suítes para uma
viagem a Londres com outros quatro empresários, interessados em uma possível
participação minoritária no clube de futebol Queens Park Rangers. Segundo ele,
a negociação não prosperou e não tinha relação com Alcolumbre, que não teria
sido cogitado para a viagem. Faria acrescentou que seu único encontro com o
senador fora do Brasil ocorreu em um evento empresarial em Paris, em outubro de
2023.
Alegação de pagamentos foi negada pelo
senador
A Veja também retoma uma
reportagem anterior sobre uma proposta de colaboração premiada apresentada pela
defesa de Vorcaro à Polícia Federal. Segundo a revista, o banqueiro se oferecia
para detalhar supostos pagamentos de US$ 30 milhões a Alcolumbre em uma conta
no exterior. O acordo não foi aceito, e a alegação não deve ser confundida
com um repasse comprovado. O senador classificou as informações como falsas
e, conforme o relato da publicação, negou conhecer Vorcaro durante uma reunião
com colegas.
Com informações da Veja.
Título, Imagem e Texto: Redação,
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