sábado, 30 de agosto de 2025

[Versos de través] A morte

Túmulo de D. Fernando I, Rei de Portugal, Convento do Carmo, Lisboa
Samuel Dimas

A morte 
a questão de todas as questões
a voz assombrosa
de todos os lugares,

o regresso hábil
de todas as deslocações
a intimidade indispensável
de todos os corpos
e a serva de todos os anjos.

A morte
não morre na estátua
de todas as figurações,

no rito rapa nui
de todos os vulcões
no poder terrível de ninguém,

na escrita indecifrável
do calor basáltico
e no círculo aberto
do mar.

A morte
cria o júbilo da vida
a respiração luminosa
dos seres
e a consumação dos dias.

A morte
abisma as mãos
na noite

com a mesma vigilância
dos nomes devassados
para dentro do silêncio.

A morte
impõe a eternidade
como o Sol impõe a luz.


Samuel Dimas 

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Ode ao status quo 
Há formas 
Na partida da senhora Beatriz 
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Da saudade que também se acende 
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