Leandro Ruschel
Episódios recentes, como a utilização
do carnaval para promover narrativa política e atacar valores tradicionais,
costumam ser tratados como manifestações culturais ou, no máximo, como
provocação ideológica. Essa leitura erra o essencial.
Não se trata de estética. Trata-se de
estratégia.
Para compreender esse tipo de
movimento, é necessário ir além do episódio e observar a estrutura de
pensamento que o sustenta. Ao longo do último século, a tradição marxista
estabeleceu como objetivo central a destruição das bases da sociedade vigente
para a construção de uma nova ordem. Não uma reforma gradual, mas uma
substituição completa.
Essa diferença é fundamental.
A visão conservadora parte da ideia de
continuidade: a sociedade é imperfeita, mas deve ser aprimorada com base em
tradições, instituições e regras que se provaram funcionais ao longo do tempo.
Já a visão revolucionária parte do pressuposto oposto: a estrutura existente é
essencialmente injusta e, portanto, precisa ser destruída.
A partir dessa premissa, torna-se
possível entender os alvos.
A família é uma das principais células
da organização social. É nela que se formam vínculos, responsabilidades e
incentivos de longo prazo, como a preservação de patrimônio e a transmissão de
valores. Essa estrutura cria autonomia em relação ao Estado. Quanto mais forte
a família, menor a dependência de um poder central.
Por isso, ela precisa ser enfraquecida.
O mesmo se aplica à religião,
especialmente a tradição cristã. Ao estabelecer uma ordem moral superior ao
poder terreno, a religião impõe limites. Introduz a ideia de responsabilidade
individual, de certo e errado independentes da conveniência política. Para uma
visão materialista, na qual não há dimensão espiritual, essa referência externa
é um obstáculo.
Se não há uma autoridade moral acima
do homem, resta apenas a disputa por poder.
E é nesse ponto que surge o conceito
de moral revolucionária. Não existe um bem ou mal universal. Existe apenas
aquilo que favorece ou prejudica o avanço do projeto político. Se determinada
ação fortalece a revolução, ela é justificada. Se a enfraquece, deve ser
combatida.
Essa lógica explica a facilidade com
que corrupção, manipulação e até violência são relativizadas. Não como desvios,
mas como instrumentos.
A ordem legal também não escapa. O
direito deixa de ser um conjunto de regras aplicadas de forma impessoal e passa
a ser utilizado como ferramenta. Normas são reinterpretadas, princípios são
flexibilizados e instituições são instrumentalizadas para atingir objetivos
políticos específicos. O critério deixa de ser a lei. Passa a ser a utilidade.
Nesse ambiente, o único crime real é a
oposição.
Família, religião e lei não são
atacadas por acaso. São obstáculos estruturais a um projeto que depende da
concentração de poder. Enfraquecer esses pilares significa ampliar a capacidade
de intervenção do Estado e reduzir a autonomia do indivíduo.
O episódio recente apenas torna
visível algo que já opera há muito tempo.
A dificuldade de compreensão desse
processo leva a análises superficiais, focadas em eventos isolados. Mas não é
possível enfrentar um movimento dessa natureza sem entender sua lógica interna.
Não se trata de reagir a manifestações
culturais.
Trata-se de compreender um projeto de poder que exige, como condição, a dissolução das estruturas que limitam esse próprio poder.
Título, Imagem e Texto: Leandro Ruschel, Newsletter, 19-2-2026
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