André Marsiglia
Há um conhecido ditado na aviação segundo o qual piloto novato não derruba avião. O excesso de confiança e a arrogância que muitas vezes decorrem da experiência são a causa da maior parte dos acidentes aéreos. O universo da política não está imune a esse fenômeno.
A história nos conta que regimes autoritários e seus ditadores também seguem a mesma toada. Não percebem que o contexto mudou e insistem em repetir o roteiro ao qual foram acostumados; quando se dão conta, sua cabeça está a prêmio.
Foi assim a débâcle do regime militar brasileiro iniciado em 1964. O regime foi aplaudido e a repressão tolerada pela imprensa enquanto se voltou contra guerrilheiros, mas tornou-se politicamente insustentável quando atingiu estudantes, artistas, jornalistas e setores da classe média.
Algo semelhante parece estar ocorrendo neste momento no país. Enquanto a ditadura do STF, encabeçada desde 2019 por Moraes, serviu para sufocar o bolsonarismo e a direita, tidos pela grande imprensa e pela intelectualidade brasileira como radicais, os mecanismos jurídicos excepcionais foram tolerados pela opinião pública.
Agora, com o cenário composto por um Bolsonaro debilitado e um STF que pretende blindar negociatas de ministros, a situação muda de figura e a conduta da Corte já não é tolerada da mesma forma.
Moraes está fazendo o que sempre fez; o que mudou foi a crítica. Os tempos mudam, a roda da fortuna gira, os interesses trocam de mãos. Durante anos, decisões abusivas foram toleradas em nome de uma finalidade política considerada virtuosa por certos setores. Mas o que antes era visto como aceitável passou agora a ser percebido como arbítrio, e só Moraes não enxerga.
Quando, após a decisão pelo afastamento de Toffoli, o “sorteio” do STF redistribuiu o caso Master a André Mendonça, acreditei que pudéssemos estar diante de um novo Geisel, que Mendonça seria escolhido pelos colegas para comandar uma espécie de reabertura do país.
Ao ver Moraes perseguir servidores da Receita Federal, penso que talvez ainda tenhamos de suportar seus abusos por mais algum tempo. No entanto, é evidente que Moraes está mais fraco do que nunca e, em desespero, dá gritos de agonia diante da percepção de que o poder começa a lhe escorrer das mãos.
Estamos no início de um processo complexo e longo de desova de uma ditadura da toga. Cego, Moraes — o mais arrogante dos ministros— ainda acredita poder voar sozinho, sem seus instrumentos auxiliares de voo: os juristas pelegos, a velha imprensa conivente e a intelectualidade acadêmica subserviente.
Não pode. Toda ditadura é
sustentada por um punhado de interesses, geralmente vulgares. A ditadura do STF
não é diferente. Aqueda de Moraes pode não ser agora, mas virá logo.
Título e Texto: André
Marsiglia, Poder 360, 19-2-2026
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Quem poderia imaginar né, Sakamoto⁉️
ResponderExcluirOntem: Os “salvadores da democracia”
Hoje: Um baita problemão
Vivi pra ver militante esquerdista defendendo o fechamento dos inquéritos das fake news — os mesmos que aplaudiram de pé cada abuso cometido em nome da “democracia”‼️
Agora que a água tá prestes a bater no bumbum, tão com medo⁉️