sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Insegurança esvazia Cinelândia e derruba faturamento de bares; Amarelinho registra queda de 50%

Comércio tradicional reduz horário de funcionamento e adota medidas de segurança após avanço de arrastões na região

Victor Serra

Frequentar a Cinelândia à noite, tradição que atravessa gerações no Rio, tem virado um programa cada vez mais raro, e principalmente, para os mais corajosos. Uma sequência de furtos e arrastões registrada desde o início do ano vem esvaziando a região e atingindo em cheio bares e comércios tradicionais que ajudaram a moldar a identidade boêmia do Centro.

Amarelinho, instalado há 105 anos na Praça Floriano, viu o faturamento cair cerca de 50%. No Super Bar, vizinho ao estabelecimento, a queda chegou a 30%. Segundo relatos de comerciantes, o recuo no movimento reflete o medo de frequentadores e turistas de circular pela área, principalmente à noite.

A situação se agrava neste período de pré-carnaval. Após o fim dos blocos, a região costuma concentrar grupos menores espalhados pela Praça e arredores, o que, segundo comerciantes, tem facilitado a ação de criminosos e ampliado o número de furtos, especialmente contra visitantes.

Do balcão para o esquema de proteção entre funcionários

A mudança mais visível tem sido no horário de funcionamento. O Amarelinho, que avançava pela madrugada, deixou de operar até as três da manhã e agora encerra as atividades, no máximo, por volta da uma. A decisão foi confirmada pelo gerente do estabelecimento ao jornal O Globo. O Super Bar adotou a mesma estratégia diante da redução do público e do aumento da sensação de insegurança.

Dentro dos bares, a rotina dos funcionários também mudou. Ao fim do expediente, trabalhadores passaram a se organizar para sair juntos. Garçons, cozinheiros e auxiliares aguardam uns pelos outros para atravessar a praça em grupo, numa tentativa de reduzir o risco de ataques e arrastões.

Relatos de comerciantes apontam que as ações criminosas costumam ser praticadas por grupos numerosos, que, segundo eles, podem reunir mais de 200 jovens, muitos menores de idade.

O efeito dominó chegou à feirinha montada na Praça Floriano. Vendedores relatam que as vendas despencaram cerca de 70% justamente no período que, historicamente, registra o maior fluxo de visitantes.

Comércio pressiona por plano emergencial de segurança

O cenário de insegurança mobilizou o poder público. O presidente da Câmara Municipal pretende solicitar uma nova reunião com representantes da Polícia Militar para discutir medidas específicas para a Cinelândia. O último encontro aconteceu nesta quarta-feira, e comerciantes aguardam a apresentação de um plano que reforce o policiamento na região.

Informações do Instituto de Segurança Pública indicam que, entre janeiro e outubro do ano passado, o Centro do Rio registrou mais de 5 mil furtos de celulares, um aumento de 36% em comparação com o mesmo período de 2024. Durante o carnaval de 2025, o crescimento foi ainda mais expressivo. As ocorrências na região passaram de 515 registros em 2024 para 750 no ano seguinte.

Título e Texto: Victor Serra, Diário do Rio, 12-2-2026

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