Comércio tradicional reduz horário de funcionamento e adota medidas de segurança após avanço de arrastões na região
Victor Serra
Frequentar a Cinelândia à
noite, tradição que atravessa gerações no Rio, tem virado um programa cada vez
mais raro, e principalmente, para os mais corajosos. Uma sequência de furtos e
arrastões registrada desde o início do ano vem esvaziando a região e atingindo
em cheio bares e comércios tradicionais que ajudaram a moldar a identidade
boêmia do Centro.
O Amarelinho, instalado há 105 anos na Praça Floriano, viu o faturamento cair cerca de 50%. No Super Bar, vizinho ao estabelecimento, a queda chegou a 30%. Segundo relatos de comerciantes, o recuo no movimento reflete o medo de frequentadores e turistas de circular pela área, principalmente à noite.
A situação se agrava neste
período de pré-carnaval. Após o fim dos blocos, a região costuma concentrar
grupos menores espalhados pela Praça e arredores, o que, segundo comerciantes,
tem facilitado a ação de criminosos e ampliado o número de furtos, especialmente
contra visitantes.
Do balcão para o esquema de
proteção entre funcionários
A mudança mais visível tem sido no horário de funcionamento. O Amarelinho, que avançava pela madrugada, deixou de operar até as três da manhã e agora encerra as atividades, no máximo, por volta da uma. A decisão foi confirmada pelo gerente do estabelecimento ao jornal O Globo. O Super Bar adotou a mesma estratégia diante da redução do público e do aumento da sensação de insegurança.
Dentro dos bares, a rotina dos
funcionários também mudou. Ao fim do expediente, trabalhadores passaram a se
organizar para sair juntos. Garçons, cozinheiros e auxiliares aguardam uns
pelos outros para atravessar a praça em grupo, numa tentativa de reduzir o
risco de ataques e arrastões.
Relatos de comerciantes
apontam que as ações criminosas costumam ser praticadas por grupos numerosos,
que, segundo eles, podem reunir mais de 200 jovens, muitos menores de idade.
O efeito dominó chegou à
feirinha montada na Praça Floriano. Vendedores relatam que as vendas
despencaram cerca de 70% justamente no período que, historicamente, registra o
maior fluxo de visitantes.
Comércio pressiona por
plano emergencial de segurança
O cenário de insegurança
mobilizou o poder público. O
presidente da Câmara Municipal pretende solicitar uma nova
reunião com representantes da Polícia Militar para discutir medidas específicas
para a Cinelândia. O último encontro aconteceu nesta quarta-feira, e
comerciantes aguardam a apresentação de um plano que reforce o policiamento na
região.
Informações do Instituto
de Segurança Pública indicam que, entre janeiro e outubro do ano
passado, o Centro do Rio registrou mais de 5 mil furtos de celulares, um
aumento de 36% em comparação com o mesmo período de 2024. Durante o carnaval de
2025, o crescimento foi ainda mais expressivo. As ocorrências na região
passaram de 515 registros em 2024 para 750 no ano seguinte.
Título e Texto: Victor
Serra, Diário do Rio, 12-2-2026
Blocos de Carnaval vão desviar da Cinelândia após explosão de roubos e assaltos

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