terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Quando o sistema se encontra, a democracia costuma ficar do lado de fora

Karina Michelin

A reabertura do ano do Supremo Tribunal Federal, nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, foi marcada menos pelos discursos oficiais e mais pelo que aconteceu longe das câmeras. Nos bastidores, Lula da Silva manteve conversas reservadas, trocou tapinhas no rosto e gestos de intimidade, como mão na cabeça, com ministros da Corte, esposas de ministros e com o presidente do Senado, como registrou o Metrópoles. 

Lula falou diretamente com Alexandre de Moraes e sua esposa Viviane Barci, com o presidente do STF, Edson Fachin, e com Davi Alcolumbre. 

Executivo, Judiciário e Legislativo reunidos “informalmente” no mesmo espaço, trocando palavras ao pé do ouvido, enquanto decisões que afetam milhões de brasileiros seguem blindadas do escrutínio público. 

Não por acaso, a conversa com Alcolumbre ocorre no momento em que o Planalto tenta destravar a sabatina de Jorge Messias, indicado de Lula ao STF e mantido em compasso de espera no Senado. 

Nada disso é ilegal, mas tudo é profundamente revelador. Revela como o poder no Brasil raramente se exerce sob a luz direta da institucionalidade. Ele circula em corredores, antessalas e encontros discretos - onde a separação entre Poderes vira “cooperação seletiva”. 

Enquanto o cidadão assiste a sessões televisionadas e discursos cuidadosamente ensaiados, o jogo real acontece fora dos holofotes. E quando o sistema se encontra sabemos que o povo é o último a saber - e o primeiro a pagar a conta.

Título, Texto e Vídeo: Karina Michelin, X, 2-2-2026, 21h17


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