sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A armadilha da unificação precoce e o erro estratégico da direita

Eduardo Brandão

A leitura de que a direita precisa se unificar desde já em torno de um único nome para enfrentar Lula ignora um dado central da política eleitoral brasileira: eleições presidenciais não se vencem por engenharia partidária, mas por mobilização social, narrativa consistente e desgaste progressivo do adversário. Nesse ponto, a tese de unificação precoce pode ser menos uma virtude e mais uma armadilha, especialmente conveniente à esquerda.

A polarização imediata com um candidato associado ao clã Bolsonaro interessa diretamente ao lulismo. Ela reduz o debate, limita o campo de ataque e reativa o discurso emocional que Lula domina como poucos: “nós contra eles”. Um primeiro turno com candidato único da direita tende a cristalizar rejeições antes mesmo que o eleitor médio seja convencido da necessidade de alternância de poder.

Ao contrário, a multiplicidade de candidaturas no primeiro turno (com nomes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Ratinho Junior) amplia o espectro de críticas, oxigena o debate e força Lula a se defender em várias frentes. Cada candidatura representa um vetor distinto de ataque: gestão, segurança pública, fiscalismo, eficiência administrativa e pragmatismo econômico. Isso não fragmenta a direita; fortalece o campo oposicionista.

A movimentação de Caiado ao migrar para o PSD, ao lado de Ratinho Junior e Eduardo Leite, revela uma tentativa de construção de um polo competitivo sem o bolsonarismo. Mas o risco está em antecipar uma “prévia interna” que mate o debate antes da hora. Ao apostar cedo em um único nome, o centro-direita corre o risco de repetir o erro histórico de subestimar a capacidade de Lula de se reinventar eleitoralmente.

O primeiro turno não é o problema - é a solução. Ele serve para testar narrativas, medir forças e, sobretudo, desgastar o incumbente. A verdadeira unidade deve ser construída no segundo turno, quando o eleitor já estiver convencido de que o projeto petista precisa ser encerrado. Antes disso, unificar é entregar munição ao adversário.

Em política, pressa raramente é virtude. A direita que quiser vencer em 2026 precisa entender que ampliar o debate agora é condição para vencer depois. 

Título, Imagem e Texto: Eduardo Brandão, Facebook, 30-1-2025, 10h55 

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