Eduardo Brandão
A leitura de que a direita
precisa se unificar desde já em torno de um único nome para enfrentar Lula
ignora um dado central da política eleitoral brasileira: eleições presidenciais
não se vencem por engenharia partidária, mas por mobilização social, narrativa
consistente e desgaste progressivo do adversário. Nesse ponto, a tese de
unificação precoce pode ser menos uma virtude e mais uma armadilha,
especialmente conveniente à esquerda.
A polarização imediata com um
candidato associado ao clã Bolsonaro interessa diretamente ao lulismo. Ela
reduz o debate, limita o campo de ataque e reativa o discurso emocional que
Lula domina como poucos: “nós contra eles”. Um primeiro turno com candidato
único da direita tende a cristalizar rejeições antes mesmo que o eleitor médio
seja convencido da necessidade de alternância de poder.
Ao contrário, a multiplicidade de candidaturas no primeiro turno (com nomes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Ratinho Junior) amplia o espectro de críticas, oxigena o debate e força Lula a se defender em várias frentes. Cada candidatura representa um vetor distinto de ataque: gestão, segurança pública, fiscalismo, eficiência administrativa e pragmatismo econômico. Isso não fragmenta a direita; fortalece o campo oposicionista.
A movimentação de Caiado ao
migrar para o PSD, ao lado de Ratinho Junior e Eduardo Leite, revela uma
tentativa de construção de um polo competitivo sem o bolsonarismo. Mas o risco
está em antecipar uma “prévia interna” que mate o debate antes da hora. Ao
apostar cedo em um único nome, o centro-direita corre o risco de repetir o erro
histórico de subestimar a capacidade de Lula de se reinventar eleitoralmente.
O primeiro turno não é o
problema - é a solução. Ele serve para testar narrativas, medir forças e,
sobretudo, desgastar o incumbente. A verdadeira unidade deve ser construída no
segundo turno, quando o eleitor já estiver convencido de que o projeto petista
precisa ser encerrado. Antes disso, unificar é entregar munição ao adversário.
Em política, pressa raramente é virtude. A direita que quiser vencer em 2026 precisa entender que ampliar o debate agora é condição para vencer depois.
Título, Imagem e Texto: Eduardo Brandão, Facebook, 30-1-2025, 10h55

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