sábado, 24 de janeiro de 2026

[Versos de través] Amavisse

Hilda Hilst

Como se te perdesse, assim te quero. 
1952

Como se não te visse (favas douradas
Sob um amarelo) assim te apreendo brusco
Inamovível, e te respiro inteiro

Um arco-íris de ar em águas profundas.

Como se tudo o mais me permitisses,
A mim me fotografo nuns portões de ferro
Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima
No dissoluto de toda despedida.

Como se te perdesse nos trens, nas estações
Ou contornando um círculo de águas
Removente ave, assim te somo a mim:
De redes e de anseios inundada.

Hilda Hilst

Anteriores:
Labareda das águas 
Da nossa casa o Alentejo é verde 
De “Fragmentos” de Novalis, via Cesariny (poema-colagem) 
Palavras de uma mãe na partida do filho 
No cruzamento para Vikungo, 1963 

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