quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Espanha: Regime Sánchez prepara-se para anistiar e regularizar meio milhão de imigrantes ilegais

Paulo Hasse Paixão

O Governo de extrema-esquerda de Espanha prepara-se para aprovar um decreto que concede amnistia a cerca de 500 mil imigrantes ilegais, segundo a ministra da Migração, Elma Saiz. Em entrevista à estação pública RTVE, Saiz afirmou que os abrangidos pela medida poderiam trabalhar “em qualquer sector, em qualquer parte do país” e destacou o que chamou de “impacto positivo” da imigração.

A ministra acrescentou que a política visa “reconhecer e dignificar” as pessoas que já vivem em Espanha. A regularização aplicar-se-á aos imigrantes que residem no país há pelo menos cinco meses e que tenham solicitado proteção internacional antes de 31 de dezembro de 2025, bem como aos seus filhos que já se encontrem em Espanha. A previsão é que as inscrições sejam abertas em abril e se estendam até ao final de junho.

O líder do partido populista espanhol VOX, Santiago Abascal, conhecido pelo seu ideário de oposição à imigração em massa, reagiu à amnistia concedida no X, afirmando:

“500 mil ilegais! O tirano Sánchez odeia o povo espanhol. Quer substituí-lo. Por isso, pretende promover o efeito de atracção por decreto, para acelerar a invasão. Precisamos de o deter. Repatriamentos, deportações e remigração.”

O governo planeia implementar a medida por decreto, passando por cima do parlamento, onde a coligação governamental liderada pelos socialistas não tem maioria. O primeiro-ministro Pedro Sánchez defende que a Espanha precisa de imigração em massa para colmatar a escassez de mão-de-obra e compensar as pressões do envelhecimento populacional, alertando, de forma claramente fraudulenta, que o declínio demográfico pode ameaçar as pensões e o Estado Social se não for combatido — embora seja muito discutível que as políticas de imigração europeias contribuem positivamente para os sistemas de segurança social.

Os dados oficiais sobre a criminalidade e os inquéritos do Observatório Demográfico CEU-CEFAS sugerem que os migrantes estão sobre-representados em certas categorias de crimes violentos, incluindo violação e homicídio, em comparação com os espanhóis nativos. Estas conclusões alimentaram críticas de figuras da oposição e comentadores que defendem que a regularização em grande escala poderia piorar a segurança pública e sobrecarregar os serviços sociais.

Não é por isso de estranhar que a notícia tenha caído como uma bomba em certos sectores da sociedade espanhola.

Por toda a Europa, a política migratória continua a ser profundamente controversa. As instituições da União Europeia (UE) têm promovido simultaneamente as chamadas vias legais para migrantes, incluindo plataformas online criadas para atrair trabalhadores de fora da UE e colmatar a escassez de mão-de-obra, enquanto muitos Estados-membros têm reforçado os controlos nacionais em resposta à reação negativa da população.

Devido ao Espaço Schengen, que não tem fronteiras, os migrantes regularizados por um Estado-Membro tendem a ter fácil acesso a todos os outros, estendendo as consequências da decisão de Espanha muito para além das suas fronteiras.

Título e Texto: Paulo Hasse Paixão, ContraCultura, 28-1-2026 

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