Telmo Azevedo Fernandes
Os urbano-privilegiados que se
autoproclamam defensores da democracia liberal revelam uma profunda
desconfiança da sociedade, do eleitor e até das próprias instituições que dizem
proteger.
Do manifesto que por aí
circula, subscrito por uma coligação ansiosa pela preservação da sua posição
social dependente do consenso e da previsibilidade dos interesses instalados,
retira-se uma conclusão simples: a ordem espontânea das escolhas eleitorais
deve ser tutelada pela suposta superioridade moral de uma elite degradada e
degradante.
Ao escreverem manifestos,
tratam o eleitor como retardado e incapaz, a quem é preciso indicar o voto
“responsável”.
O texto agrega o centrão
sociológico e uma classe média-alta marcada por profissões reguladas pelo
Estado, pouco representativo de eleitorados populares e periféricos. Duzentas e
cinquenta “figuras”, diferem certamente entre si, mas as suas discordâncias
ideológicas são facilmente esquecidas quando está em causa garantir o resultado
eleitoral conveniente.
A democracia liberal é celebrada apenas enquanto não perturba o status quo e assegura a continuidade do sistema.
Incapazes de vencer no mercado
das ideias, procuram excluir e excomungar adversários, classificando-os como
moralmente impróprios, segregando e dividindo a sociedade do alto da sua falsa
moderação.
A democracia que lhes convém é
aquela que nega a política como escolha livre entre projetos alternativos.
A liberdade que apregoam é
aquela que é condicionada e depende da sua outorga.
Título e Texto: Telmo Azevedo Fernandes, Facebook, 24-1-2026, 21h26


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