sábado, 24 de janeiro de 2026

Antigas dívidas levam Feira de São Cristóvão a leilão

Entre os motivos apontados para o leilão do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas está o descumprimento, em 2012, da concessão do período mínimo de 11 horas consecutivas de descanso entre jornadas de trabalho

Felipe Lucena 

Foto: Cleomir Tavares/Diário do Rio

Por conta de dívidas, a tradicional Feira de São de São Cristóvão vai a leilão no próximo dia 25 de fevereiro, com lance mínimo de R$ 24.622.896,00. A Riotur é gestora do local, que foi penhorado para o pagamento de débitos majoritariamente fiscais e trabalhistas.

Entre os motivos apontados para o leilão do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas está o descumprimento, em 2012, da concessão do período mínimo de 11 horas consecutivas de descanso entre jornadas de trabalho.

A ação surpreendeu os comerciantes. O clima é e preocupação entre os feirantes. O edital do leilão não diz nada sobre a permanência ou não da feira no local.

Em nota, a Prefeitura do Rio informou que atua para impedir o leilão e garantiu que não medirá esforços para manter o Pavilhão da Feira de São Cristóvão como imóvel público.

O pavilhão onde funciona a Feira de São Cristóvão foi tombado pela Câmara Municipal em 2021. O espaço é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Autor da lei que tombou a feira de tradições nordestinas, o vereador Vitor Hugo (presidente municipal do MDB) diz que mesmo que o espaço seja vendido, o novo proprietário não poderá tirar a feira do local. “A feira é tombada, é um patrimônio da cidade do Rio de Janeiro. Não pode sair dali”, diz Vitor Hugo.

Acho muito difícil que alguém tenha interesse em comprar o imóvel justamente por ser tombado e esta foi uma das razões de tombarmos, evitar que esta tradição tão importante deixe de existir”, completa o vereador.

Vitor Hugo está em contato com os gestores da feira e vai levá-los ao prefeito Eduardo Paes. Ele acredita que o interesse econômico no espaço seja reduzido ao terreno do estacionamento. “Só se o comprador quiser continuar explorando o estacionamento. Tirar a feira dali não pode.”

Título e Texto: Felipe Lucena, Diário do Rio, 23-1-2026 

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