sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Com ataque envolvente e defesa frágil, Vasco inicia 2026 com cara de 2025

Time cria chances em atacado contra Maricá, mas sofre por bobeiras diante de adversário frágil

Sergio Santana

Fernando Diniz foi na contramão dos outros três grandes clubes do Rio de Janeiro e escalou o Vasco titular na estreia do Campeonato Carioca. De forma natural, o time venceu o Maricá por 4 a 2 em São Januário, mas o resultado tem muitas nuances mais - para o lado positivo e negativo. 

Foto: Alexandre Maia/Gazeta Press

O time segue criando com bastante facilidade no setor ofensivo. Há muitas dinâmicas no ataque do Vasco. Por outro lado, é impossível passar batido por erros defensivos que se repetem desde o ano passado.

A equipe cria bastante e chega ao ataque de maneira quase que natural - mais do que isso, consegue explorar a defesa adversária com diferentes formas -, mas sofre quase na mesma intensidade na parte defensiva.

É importante ressaltar, claro, que parte disso tem a ver com a boba expulsão de Lucas Piton ainda no primeiro tempo. Mesmo assim, a equipe titular do Vasco, pela diferença técnica diante do Maricá, não deveria ter tanto sufoco.

— Acho que o time fez uma partida muito boa, com alguns vacilos que a gente não pode cometer. Tivemos uma posse bastante impositiva. Fizemos dois gols no primeiro tempo, mas poderíamos ter feito três, quatro, cinco. E o ponto negativo foi conceder um escanteio que não precisava e, depois, falhar na marcação. E o lance da expulsão - avaliou Diniz.

Os equívocos são antigos: a linha defensiva alta tem problema para conter contra-ataques e bolas em profundidade. Nesses lances, é comum ver os jogadores fora de posição para tentar conter os lances. Além disso, o posicionamento dos atletas dentro da área para defender escanteios ainda carece de aperfeiçoamento. Não é necessariamente sobre altura dos defensores — algo bastante comentado externamente —, mas sim sobre a forma como eles se portam dentro da área.

O mais grave dos problemas, talvez, seja os erros cometidos pelos próprios jogadores: além da expulsão de Piton em lance bobo, o primeiro gol do Maricá nasce após uma recuada errada de Paulo Henrique para a linha de fundo em jogada controlada.

Mesmo assim, a média da estreia é positiva: o Vasco passou por cima de atuar um tempo inteiro com um a menos para vencer o Maricá. O time seguiu criando mais e chegando ao ataque com certa facilidade a partir das corridas de Rayan mesmo com inferioridade numérica.

Quando o jogo era de 11 contra 11, parecia que uma goleada seria construída a qualquer momento. O time havia criado 2 a 0 no placar em ritmo de treino e com dinâmicas interessantes: enquanto Andrés Gomez era responsável por "alargar" o campo em uma das pontas, Nuno Moreira aparecia por dentro no flanco oposto. Assim, o time conseguia diferentes alternativas diante da marcação rival.

Ainda é o primeiro jogo do ano após uma “pré-temporada” — entre aspas mesmo, porque houve poucos dias para preparo —, e é natural que a primeira versão de 2026 seja bem parecida com o time do ano passado.

Após o uso de titulares, a tendência é que Diniz use um time com reservas e alguns jogadores da base diante do Nova Iguaçu, às 18h do próximo domingo, em São Januário, pela 2ª rodada do Campeonato Carioca.

Título e Texto: Sergio Santana, Globo Esporte, 16-1-2026, 3h

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